Consequência de uma pausa...
Sim, eu sei que sou uma desnaturada. Sei que fiz promessas e não as cumpri. Também estou ciente que inutilmente tentei organizar meu tempo a fim de escrever, no mínimo, uma vez a cada semana. Realmente, fracassei mais uma vez e, pior, não cumpri com as minhas palavras. Isso me deixa absurdamente chateada, mas de certa forma tenho o consolo de que o blog, no fundo, sempre foi uma maneira que eu encontrei de expor meus pensamentos para não fundir meu cérebro. Confesso que durante o ano de 2012 quase explodi minha mente com tantos pensamentos, tantas mudanças, tantos acontecimentos, tantas passagens e histórias na minha vida e, mesmo assim, não consegui escrever uma linha sequer. Muitas dessas vezes, nem mesmo tentei, em outras situações sinto que evolui meus métodos de escape e de todas as situações busquei um aprendizado e uma forma de crescer como ser humano.
Depois de tanto tempo impondo outras prioridades à minha vida é bem provável que tenha perdido minha maneira de escrever. O que é interessante, visto que a maneira é inerente a mim, logo, impossível perdê-la. Entretanto, como já foi dito, são muitos acontecimentos, muitas transformações para um ano só.
É engraçado como eu achava que me adaptava facilmente a qualquer situação, como me achava independente e madura para a minha idade. Em 2012 percebi que, realmente, sou bastante madura para minha idade se comparar-me a maioria dos meus colegas, porém, talvez não seja tão independente como esperava que fosse, principalmente se falarmos em independência emocional. Foram muitos momentos de fraquezas emocionais co-relacionados a problemas familiares, e são em momentos como esses que percebemos o quanto a menor distância um do outro pode parecer infinita. Além disso, é necessário acrescentar outro contribuinte às fraquezas emocionais: a adaptação a um novo ambiente, a um novo estilo de vida, a um novo método de estudo. Dei-me conta de que não é fácil simplesmente ir cursar uma faculdade de medicina em uma cidade totalmente desconhecida, na qual nem mesmo um parente você possui.
Então, eis que se passou um ano. Um ano pode ser pouco para muitas realizações e muito para outras, ainda mais em um mundo como o nosso que exige tudo da forma mais rápida possível, em que é tudo "para ontem" - muitas vezes esquecendo-se da qualidade -, entretanto, um ano foi suficiente para que eu amadurecesse mentalmente, para que mudasse minha perspectiva de vida, para que eu pudesse conhecer e re-conhecer outros estilos de vida, pessoas e ambientes, para que eu aprendesse a dar valor ao que deve e desapegar-me do desnecessário. Um ano passa rápido, muito rápido! Um ano voa e você nem se dá conta, quando vê está sentado numa tarde de domingo se perguntando "o que eu fiz desse ano na minha vida?". Pode ser que a resposta não seja o que você gostaria ou o contrário, pode ser que ao invés de responder com uma palavra, você sorria, e tenha certeza, sorrir é a melhor resposta. Sorrir é afirmar que seu ano foi ótimo, que você atingiu o esperado, e se não atingiu tentou, buscou, chegou perto, ou que simplesmente você se surpreendeu da melhor maneira possível com tudo o que ocorreu. Meu ano de 2012 teve mais lágrimas que sorrisos, contudo, muitos momentos de sorrisos valeram mais que muitas lágrimas que rolaram pelas minhas fartas bochechas. E, mesmo assim, apesar de todos os momentos de tristeza, o balanço final foi positivo, pois o que pude aprender em todo esse ano foi incrível, e, afinal, acho que é isso o que importa, de forma que 2013 seja diferente com base nos aprendizados passados, ou, que seja diferente trazendo-me outras fraquezas, outros acontecimentos inesperados que me tragam outros aprendizados. Como podem perceber, tornei-me uma pessoa mais forte também.
No decorrer de 2012 cheguei a pensar, na maioria do tempo, que estivesse perdendo minha essência, meu jeito de ser que construí ao longo de 19 anos. E, só hoje, percebi que não é bem assim - pode ser que tenha algo relacionado à "crise dos 20". A evolução não vem sozinha, ela traz consigo uma bagagem de experiências e fatos que te transformam de dentro para fora, para tanto, é preciso um tempo para se adaptar ao "novo peso", às novidades e, no meu caso, foi necessário um ano inteiro de ajustes até eu poder aprimorar o que carreguei comigo nesses 19 anos. Posso dizer que foi uma evolução brusca e sofrida, um ano foi pouco para tudo o que vivenciei e aprendi. Hoje, agora, nesse exato momento, sinto que minha alma está renovada, aperfeiçoada e que as coisas boas que possuía continuam, algumas ruins também, outras foram dispensadas e muitas chegaram sem nem pedir licença. Isso é ótimo, ninguém é perfeito. Como diz aquele clichê: "imaginem se todos fossem perfeitos?", concordemos que o mundo seria sem graça...
Mudanças positivas são sempre bem vindas, bem como momentos em que devemos parar um pouco algo em nossa vida para podermos subir mais um degrau. Por exemplo, um professor de língua estrangeira sempre deve parar um pouco de lecionar e tornar-se aluno novamente ou fazer uma viagem para que ao final suba um degrau quando retornar às salas de aula. Em sua maioria as transformações não são fáceis, mas são ótimas maneiras de aprendermos ao longo da vida. Uma vida patética, monótona não te traz muitos benefícios, pois é sempre tudo do mesmo jeito, é sempre um hábito, uma rotina. É preciso arriscar-se, buscar alternativas e enfrentar tudo o que chegar até você de mente e coração abertos, recebendo os fatos e transformando-os em ensinamentos sempre presentes. Antes disso, é necessário o reconhecimento do que realmente deve ser mudado, do que deve ser deixado para trás, do que deve se transformar apenas em lembrança, do que deve ser um aprendizado a ser repassado às próximas gerações, enfim, é necessário estar de olhos abertos para perceber todas as oportunidades e áreas de crescimento interior. Não é nada fácil, porém, pode ser a melhor coisa que aconteça em sua vida.
Dessa forma, quem sabe em 2013 eu consiga expor um pouco mais o que vivi em 2012 e estou vivendo no presente, afinal, muitos aprendizados devem ser compartilhados. Sinto que estou em débito e quero quitar o quanto antes. Assim, estou com novos planos para o blog nesse ano que já está no seu vigésimo sétimo dia - Uh lá lá, quase um mês!
P.S.: Pelo visto, textos grandes com vários assuntos misturados ainda são minha marca pessoal...
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domingo, 27 de janeiro de 2013
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Meu Gordinho,
Que susto você nos deu noite passada! Sabe, eu sei que a idade vai chegando, aumentando, aumentando e pesando na vida da gente. Mas o Senhor ainda é novo, ainda temos que comemorar seu aniversário de 74 anos em dezembro, o de 75, 76, 77, 78...e quem sabe até lá descobrimos o elixir da vida eterna, por que não? E não me venha com essa história de que comemorar aniversário é ruim porque ficamos cada vez mais perto da morte, comemorar aniversário é bom, muito bom, porque significa que passamos mais tempo com todas aquelas pessoas que amamos!
Não vou dizer toda aquela balela de que você não nos ouve, de que não se cuida direitinho, afinal, de nada adiantará e o acontecido já é suficiente, acredito eu. Além disso, depois desse susto acho que podemos melhorar essas questões e o nosso diálogo, não é mesmo? Morar na cidade e passar os finais de semana na fazenda seria uma boa ideia para início de conversa, e a dieta agora vai ter que seguir bem certinho, ainda bem que temos uma nutricionista vigiando aí né?! E ela sabe que é permitido puxões de orelha!
E tem mais meu Gordinho, o que adiantará eu me formar uma médica (quem sabe geriatra) se não tiver um dos meus velhinhos preferidos, que mais amo, para eu poder cuidar? Pode esperar aí, porque ainda temos muito para vivermos juntos, como sempre foi! O Senhor sabe que é como um pai para todos os seus netos - Felipe, eu e Artur que moramos em Goianésia e praticamente na fazenda com vocês que o diga! Você que sempre esteve ao nosso lado Gordinho, em todos os bons momentos e em todas as dificuldades, como atualmente...só Deus é capaz de saber tamanha minha gratidão pelos seus cuidados comigo aqui em BH, junto de meus pais me proporcionando o melhor para que eu consiga ter uma boa graduação e receber com louvor meu diploma. Se eu estou estudando, em grande parte, é pelo seu apoio, não só financeiro, mas também moral, como um dos meus maiores incentivadores. Assim sendo, não pode ficar faltando nossa foto no meu álbum de formatura, sentirei-me injustiçada se só o Felipe tiver uma dessa!
Sei que daqui de BH não posso fazer nada além de orar pela sua saúde e recuperação. Contudo, saiba que meu coração só agora está se reconstituindo do susto dessa noite e mesmo assim a cada pedacinho reconstituído um outro se despedaça por não poder estar ao seu lado e de toda a família nesse momento. De qualquer forma, também aprendi com o Senhor a ser forte e sempre seguir em frente, portanto, continue com toda essa força e determinação que sempre teve durante toda sua vida que logo, logo, estará confortável em casa. E no feriado de 7 de setembro quero poder chegar aí e te encontrar bem forte, fofinho e quentinho para poder te abraçar com toda a minha força, te implicar como sempre, te fazer rir com todas as minhas palhaçadas (vou até pensar em um novo repertório!), fazer cosquinhas, te chamar de meu gordinho, mexer com seu ralo cabelo branco, puxar suas orelhas e todos aqueles carinhos (muitos diriam: "de mula") a que estamos acostumados a fazer um ao outro.
Nesses momentos a distância parece ser maior do que é, entretanto, nem por isso me deixarei abater, afinal, sei que meu Gordinho está em ótimas mãos, com os melhores médicos, com o melhor aparato hospitalar disponível, com toda a família de olho e com Deus mais do que nunca cuidando de todos nós. Devemos acreditar que nada acontece em vão, que Deus faz tudo como deve ser, que só Ele sabe o que é melhor para nós e só pelos Seus caminhos poderemos ser felizes, então, vamos acreditar que Ele só queria nos passar um sustinho bobo para prestarmos mais atenção em como conduzimos nossas vidas. Talvez até para me ensinar a dizer mais vezes o quanto amo minha família e o quanto gostaria de poder estar sempre ao lado de vocês. Sei que muitas vezes sou uma neta desnaturada, que fica dias sem ligar, o que mostra o contrário dentro de mim, porque não esqueço um único dia dos meus dois gordinhos, não deixo passar um dia sem orar por vocês, não fico um dia sem sentir a falta de vocês aqui. Posso dizer que a saudade é a minha maior companheira enquanto estou longe de vocês. Agora, acho que só tenho a agradecer a Deus por ter permitido que meu Gordinho continue ao meu lado, por permitir que eu tenha nascido em uma família tão linda e unida como a nossa - esqueçam todas aquelas brincadeiras de que eu não pedi para nascer e de que não tive a chance de escolher em qual berço nascer, são só minhas palhaçadas com vocês, não haveria lugar melhor para eu poder nascer, sou muito feliz por estar ao lado de todos vocês. É impossível descrever o quanto os amo, o quanto amo você meu Gordinho e o quanto gostaria de estar ao seu lado segurando suas mãos ou, ao menos, ao lado de toda a família amparando-a. E, ainda bem que nos falamos no dia dos pais e eu pude dizer que o amo!
Por fim, acalma esse coração e avise-o que o trabalho dele não pode parar, que ele ainda tem muita sístole e diástole para fazer, muito sangue (agora, sem excesso de gordura, diga-se de passagem) para passar por ele, muito tum-tum-tum para eu poder ouvir com meu estetoscópio durante as férias, treinando minhas habilidades médicas, muita pressão arterial para eu treinar a aferição, muitas palhaçadas e aprendizados para fazermos juntos e muitas visitas prometidas sua para me fazer aqui em BH.
A minha intenção não era prolongar essa carta, porém é difícil não prolongar uma resposta de carinho, afeto, atenção e amor vividos ao longo de 19 anos unidos. Hoje passei um tempão olhando nossa foto tirada no Rio Araguaia quando eu tinha apenas 6 meses de vida, que vontade de poder cantar novamente o "ã, ã, ã" para você, de "fazer bixinho", de tentar aprender a jogar baralho, às vezes crescer nem é tão bom...(e depois dessa quero que o senhor prometa que não vai deixar o resto da família fazer bullying comigo, curtindo com a minha cara quando eu chegar aí, me mandando cantar e etc e tal! Pensando bem, isso vai ser inevitável! Risos!).
O mais importante é que você está lendo essa carta e compreendendo tudo o que quero dizer, que se resume em poucas palavras: AMO VOCÊ INCONDICIONALMENTE! Como também amo cada momento que passamos e iremos passar juntos!
Beijos,
De sua neta Letícia Vieira da Cunha.
OBS.: Essa carta foi escrita nessa tarde do dia 15 de agosto de 2012, um dia após meu avô paterno sofrer um infarto agudo do miocárdio. Ele ainda está internado na UTI do Hospital do Coração Anis Rassi, mas é uma fortaleza e está se recuperando muito bem e logo estará em casa novamente! Só estou compartilhando porque senti a necessidade de dizer publicamente o quanto o amo e também para que outras pessoas se espelhem nessa história e não percam tempo com brigas e desavenças, porque o amor que sentimos pela nossa família nunca morre, só se desenvolve, cresce, aumenta, e, lamentavelmente, quase nunca dizemos isso a eles. De qualquer forma, continuo orando não só pela saúde da minha família, mas também pelo amor...
sábado, 28 de julho de 2012
Agenda telefônica
Consequência de uma pausa...
Enquanto enrolava para fugir da obrigação de ter que dar uma geral no apartamento inteiro (quero virar socialite logo para ter empreguetes e poder viajar /com meus peguetes? talvez/ hahaha) descobri que meu chip simplesmente apagou tudo e mais um pouco do que estava armazenado nele, ou seja, perdi todos os meus contatos da agenda telefônica. No primeiro momento fiquei super chateada, porque alguns contatos não utilizam redes sociais e morando longe fica complicado tê-los de volta à minha agenda. Após um tempo, comecei a filosofar embasada nesse acontecimento...
Ah, pequeno detalhe: meu chip já estava lotado!
(A ordem a seguir não tem relevância, foi apenas a ordem dos meus pensamentos, sem prioridades)
Primeiro: amigos também têm amigos, ou seja, a partir de outros amigos consigo todos os números de telefones de volta, ou 98% deles!
Segundo: sendo eles meus amigos, uma hora ou outra me ligarão ou mandarão uma mensagem e assim poderei armazenar de novo nos contatos.
Terceiro: os que se perderem, ficarem esquecidos por aí, é porque não faziam a diferença na minha agenda, muito menos na minha vida, só ocupavam espaço.
Quarto: já estava na hora de eu dedicar um tempo à minha agenda telefônica e impor prioridades, excluindo quem não faz mais parte da minha vida.
Quinto: há males que vem para o bem, ou melhor, há acontecimentos que nos fazem enxergar através de outros pontos de vistas.
Sexto: conforme o convívio social vou adicionando-os novamente.
Sétimo: observando minha vida do ponto de vista da agenda telefônica descobri que tenho muita dificuldade em me desapegar das pessoas ou das lembranças que eu tenho dessas pessoas. Alguns contatos só estavam lá ainda porque tinha receio de apagar, sempre pensando "ah, mas vai que um dia eu preciso..." ou "quem sabe a gente volta a amizade e etc" ou "vou combinar algo qualquer dia desses". Creio que preciso aprender a aceitar os fatos como eles são, se a amizade adormeceu, se o romance já teve fim, não existem possibilidades de algo voltar a acontecer, a não ser que por alguma reviravolta da vida nos encontremos mundo afora, porém, tornaremos a adicionar os novos contatos na agenda, visto que seremos outras pessoas aos olhos uns dos outros. O tempo nos transforma! Preciso praticar mais a lei do desapego - não só em relação aos contatos!
Oitavo: ainda analisando minha vida a partir desse ocorrido percebi que está muito confusa, sem regras, sem prioridades, basicamente a Deus dará. Com toda a certeza, preciso impor prioridades, escolher melhor quem eu quero que faça parte de mim, da minha história. E, a partir de agora, escolherei melhor quem irei adicionar o telefone novamente na minha agenda. Afinal, não preciso de números, preciso de amigos verdadeiros e companheiros, de amores fieis, de família, e ah, de comida e serviços básicos! (preciso conseguir aquele contato do sanduíche novamente! haha)
Nono: por que parei de passar meus contatos do celular para a agenda de papel? Era mais seguro e até facilitava a guardar os telefones na memória...hoje em dia ninguém sabe o telefone de ninguém de cor e salteado mais! E também usava toda a agenda. Confesso que só sei dos meus pais, do meu irmão mais velho, da fazenda, do hospital da minha cidade de origem, da minha madrinha, os meus e...só... Ó céus, minha memória está pior do que eu imaginava! Alguns amigos eu não sei de cor, mas se eu ver o número eu sei dizer de quem é...isso vale alguma coisa? hahaha
Décimo: acho que fiquei tão chocada com a minha memória que mudei os rumos das minhas vãs filosofias e já não sei mais nada sobre minha agenda telefônica, a não ser que voltarei a escrever no papel...
OBS.: Não quero, nem devo, tornar-me (ainda mais) dependente de tantas tecnologias!
Enquanto enrolava para fugir da obrigação de ter que dar uma geral no apartamento inteiro (quero virar socialite logo para ter empreguetes e poder viajar /com meus peguetes? talvez/ hahaha) descobri que meu chip simplesmente apagou tudo e mais um pouco do que estava armazenado nele, ou seja, perdi todos os meus contatos da agenda telefônica. No primeiro momento fiquei super chateada, porque alguns contatos não utilizam redes sociais e morando longe fica complicado tê-los de volta à minha agenda. Após um tempo, comecei a filosofar embasada nesse acontecimento...
Ah, pequeno detalhe: meu chip já estava lotado!
(A ordem a seguir não tem relevância, foi apenas a ordem dos meus pensamentos, sem prioridades)
Primeiro: amigos também têm amigos, ou seja, a partir de outros amigos consigo todos os números de telefones de volta, ou 98% deles!
Segundo: sendo eles meus amigos, uma hora ou outra me ligarão ou mandarão uma mensagem e assim poderei armazenar de novo nos contatos.
Terceiro: os que se perderem, ficarem esquecidos por aí, é porque não faziam a diferença na minha agenda, muito menos na minha vida, só ocupavam espaço.
Quarto: já estava na hora de eu dedicar um tempo à minha agenda telefônica e impor prioridades, excluindo quem não faz mais parte da minha vida.
Quinto: há males que vem para o bem, ou melhor, há acontecimentos que nos fazem enxergar através de outros pontos de vistas.
Sexto: conforme o convívio social vou adicionando-os novamente.
Sétimo: observando minha vida do ponto de vista da agenda telefônica descobri que tenho muita dificuldade em me desapegar das pessoas ou das lembranças que eu tenho dessas pessoas. Alguns contatos só estavam lá ainda porque tinha receio de apagar, sempre pensando "ah, mas vai que um dia eu preciso..." ou "quem sabe a gente volta a amizade e etc" ou "vou combinar algo qualquer dia desses". Creio que preciso aprender a aceitar os fatos como eles são, se a amizade adormeceu, se o romance já teve fim, não existem possibilidades de algo voltar a acontecer, a não ser que por alguma reviravolta da vida nos encontremos mundo afora, porém, tornaremos a adicionar os novos contatos na agenda, visto que seremos outras pessoas aos olhos uns dos outros. O tempo nos transforma! Preciso praticar mais a lei do desapego - não só em relação aos contatos!
Oitavo: ainda analisando minha vida a partir desse ocorrido percebi que está muito confusa, sem regras, sem prioridades, basicamente a Deus dará. Com toda a certeza, preciso impor prioridades, escolher melhor quem eu quero que faça parte de mim, da minha história. E, a partir de agora, escolherei melhor quem irei adicionar o telefone novamente na minha agenda. Afinal, não preciso de números, preciso de amigos verdadeiros e companheiros, de amores fieis, de família, e ah, de comida e serviços básicos! (preciso conseguir aquele contato do sanduíche novamente! haha)
Nono: por que parei de passar meus contatos do celular para a agenda de papel? Era mais seguro e até facilitava a guardar os telefones na memória...hoje em dia ninguém sabe o telefone de ninguém de cor e salteado mais! E também usava toda a agenda. Confesso que só sei dos meus pais, do meu irmão mais velho, da fazenda, do hospital da minha cidade de origem, da minha madrinha, os meus e...só... Ó céus, minha memória está pior do que eu imaginava! Alguns amigos eu não sei de cor, mas se eu ver o número eu sei dizer de quem é...isso vale alguma coisa? hahaha
Décimo: acho que fiquei tão chocada com a minha memória que mudei os rumos das minhas vãs filosofias e já não sei mais nada sobre minha agenda telefônica, a não ser que voltarei a escrever no papel...
OBS.: Não quero, nem devo, tornar-me (ainda mais) dependente de tantas tecnologias!
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Caibo, talvez
"Sou composta por urgências:
minhas alegrias são intensas;
minhas tristezas, absolutas.
Entupo-me de ausências,
Esvazio-me de excessos.
Eu não caibo no estreito,
eu só vivo nos extremos.
Pouco não me serve,
médio não me satisfaz,
metades nunca foram meu forte!
Todos os grandes e pequenos momentos,
feitos com amor e com carinho,
são pra mim recordações eternas.
Palavras até me conquistam temporariamente...
Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.
Suponho que me entender
não é uma questão de inteligência
e sim de sentir,
de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.”
(Atribuído à Clarice Lispector, mas ainda tenho minhas dúvidas quanto a isso, não encontrei nem mesmo o livro de referência...)
sábado, 30 de junho de 2012
Frágil
Hoje, percebi que meus amigos íntimos estão mais do que certos quando dizem que eu visto a máscara de forte mas no fundo sou tão frágil quanto uma borboleta tentando sair do casulo.
Ao longo da vida passamos por inúmeros momentos, os quais, muitas vezes, nos fazem criar uma máscara para não passarmos a real expressão que há em nosso interior. Isso pode ser bom, ou não. Só depende de nós sabermos administrar nossos sentimentos, como também aprendermos a discernir entre o que é máscara e o que é verdadeiro, o que devemos mostrar e o que devemos esconder, e quando. Não significa que somos falsos ou fracos, significa apenas que mesmo inconscientemente encontramos algumas maneiras de fuga do que não nos é conveniente.
Ao longo da vida passamos por inúmeros momentos, os quais, muitas vezes, nos fazem criar uma máscara para não passarmos a real expressão que há em nosso interior. Isso pode ser bom, ou não. Só depende de nós sabermos administrar nossos sentimentos, como também aprendermos a discernir entre o que é máscara e o que é verdadeiro, o que devemos mostrar e o que devemos esconder, e quando. Não significa que somos falsos ou fracos, significa apenas que mesmo inconscientemente encontramos algumas maneiras de fuga do que não nos é conveniente.
Com certeza alguns acontecimentos me fizeram "inventar" essa máscara de "sou forte" - desde a infância - e outros contribuíram para que ela continuasse - ainda há 5 minutos. Posso dizer que ela já me livrou de constrangimentos e simultaneamente me deu força, ao contrário, já me fez magoar outras pessoas, sofrer interiormente sem entender ao certo o porquê. As máscaras não são construídas sem motivos bem embasados, contudo, também não são sustentadas se não houverem outras fortes justificativas.
Acima de tudo, o problema está no quanto nos escondemos por detrás dessas máscaras. Por vezes, eu sentia que o fardo era maior do que eu poderia carregar, e mesmo assim continuava com aquela cara de "sorria e acene" para todos a minha volta. Agora, me pergunto: qual a necessidade de agir assim? Sinceramente, não sei. Tudo não passa de mistérios da vida, do nosso cérebro, nosso maior protetor (junto de Deus, para pessoas, que assim como eu, ainda creem). Por mais que estivesse sofrendo, poucas eram as pessoas que reparavam os sinais de que algo estava errado comigo. Mesmo assim, eu continuava a sustentar não só as minhas dores, como também as dores de todo o mundo. Sabe aquela frase que quando um amigo chama, você esconde sua dor e para para ouvir a dele? Sempre agi assim, e poucas vezes eu era o amigo que chamava. Tanto fora quanto dentro de casa, tanto entre amigos e desconhecidos quanto entre familiares, sempre foi assim, até eu desabar. Aos poucos, mas desabei. Extrapolei e liberei todos os sentimentos que estavam adormecidos ou guardados lá no fundo, e assim, por vezes, exagerei como não devia. Fiz terapia e aprendi um pouco mais a lidar com essas máscaras enrustidas de falsos sentimentos, passando a ideia de "falsos eu" ao mundo a minha volta. E, digo com conhecimento de causa, não é nada fácil aceitar nossos sentimentos mais profundos e verdadeiros, até mesmo porque, já estamos acostumados e treinados com as máscaras, elas nos parecem tão fáceis de serem usadas, trocadas, amenizam tão bem as dores... Porém, nunca paramos para pensar até que ponto isso nos é saudável. Descobri que momentaneamente ela cura, no entanto, é uma cura muito superficial, uma fina crosta irregular, que a qualquer momento pode ser arrancada e sinalizar algo mais profundo e doloroso.
Foi só quando um amigo me disse: "havia tempos que não te via tão frágil", que eu percebi que aprendi bastante coisa nesse meio tempo. Descobri que aos poucos estou conseguindo abdicar da minha máscara de "sou forte" e, ao mesmo tempo, aceitando que os outros cuidem de mim, não só eu deles, que eles me acolham, me abracem, e demonstrem o afeto que existe dentro de nossos corações. Ou seja, o treinamento tem surtido efeito, também estou aprendendo a receber os sentimentos. E isso é bom, o calor humano, mesmo que expressado através de um telefonema, é de grande efeito para uma alma sedenta por atenção, acolhimento, compreensão e carinho.
Descobri que não é errado aceitar e assumir o fato de sentirmos algo, principalmente, de nos sentirmos frágeis, afinal, qual ser humano nunca passou por momentos assim? E, como uma borboleta, podemos, aos poucos, por etapas e com o apoio de outros componentes, chegar aos nossos objetivos, conseguir sobreviver e voar livremente, com uma verdadeira estampa no rosto, que pode ser colorida, ou não, entretanto, sempre verdadeira, desde que estejamos de bem conosco e com o mundo. Se hoje chorei, mesmo por motivo que não merecia uma lágrima sequer ou apenas bobo, é porque algum sentimento havia dentro de mim, e a forma que encontrou de se/me libertar foi a lágrima, que na sua forma mais genuína e sublime me fez entender alguma das transformações que vêm ocorrendo com o bater de asas da borboleta.
Enfim, é melhor parar por aqui, antes que os sentimentos aflorem demasiado e o texto torne-se mais pessoal do que já está e prolongue-se por longas páginas. Mais uma vez, uso a escrita como uma válvula de escape ou maneira de organizar meus pensamentos, agora, só espero que vocês o recebam de braços abertos e, por que não, troquem um pouco de experiências, pois é assim que vamos crescendo, e sempre é tempo de crescer, sempre é tempo de mais uma borboleta sair do casulo!


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