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sábado, 28 de julho de 2012

Agenda telefônica

Consequência de uma pausa...

Enquanto enrolava para fugir da obrigação de ter que dar uma geral no apartamento inteiro (quero virar socialite logo para ter empreguetes e poder viajar /com meus peguetes? talvez/ hahaha)  descobri que meu chip simplesmente apagou tudo e mais um pouco do que estava armazenado nele, ou seja, perdi todos os meus contatos da agenda telefônica. No primeiro momento fiquei super chateada, porque alguns contatos não utilizam redes sociais e morando longe fica complicado tê-los de volta à minha agenda. Após um tempo, comecei a filosofar embasada nesse acontecimento...

Ah, pequeno detalhe: meu chip já estava lotado!

(A ordem a seguir não tem relevância, foi apenas a ordem dos meus pensamentos, sem prioridades)

Primeiro: amigos também têm amigos, ou seja, a partir de outros amigos consigo todos os números de telefones de volta, ou 98% deles!

Segundo: sendo eles meus amigos, uma hora ou outra me ligarão ou mandarão uma mensagem e assim poderei armazenar de novo nos contatos.

Terceiro: os que se perderem, ficarem esquecidos por aí, é porque não faziam a diferença na minha agenda, muito menos na minha vida, só ocupavam espaço.

Quarto: já estava na hora de eu dedicar um tempo à minha agenda telefônica e impor prioridades, excluindo quem não faz mais parte da minha vida.

Quinto: há males que vem para o bem, ou melhor, há acontecimentos que nos fazem enxergar através de outros pontos de vistas.

Sexto: conforme o convívio social vou adicionando-os novamente.

Sétimo: observando minha vida do ponto de vista da agenda telefônica descobri que tenho muita dificuldade em me desapegar das pessoas ou das lembranças que eu tenho dessas pessoas. Alguns contatos só estavam lá ainda porque tinha receio de apagar, sempre pensando "ah, mas vai que um dia eu preciso..." ou "quem sabe a gente volta a amizade e etc" ou "vou combinar algo qualquer dia desses". Creio que preciso aprender a aceitar os fatos como eles são, se a amizade adormeceu, se o romance já teve fim, não existem possibilidades de algo voltar a acontecer, a não ser que por alguma reviravolta da vida nos encontremos mundo afora, porém, tornaremos a adicionar os novos contatos na agenda, visto que seremos outras pessoas aos olhos uns dos outros. O tempo nos transforma! Preciso praticar mais a lei do desapego - não só em relação aos contatos!

Oitavo: ainda analisando minha vida a partir desse ocorrido percebi que está muito confusa, sem regras, sem prioridades, basicamente a Deus dará. Com toda a certeza, preciso impor prioridades, escolher melhor quem eu quero que faça parte de mim, da minha história. E, a partir de agora, escolherei melhor quem irei adicionar o telefone novamente na minha agenda. Afinal, não preciso de números, preciso de amigos verdadeiros e companheiros, de amores fieis, de família, e ah, de comida e serviços básicos! (preciso conseguir aquele contato do sanduíche novamente! haha)

Nono: por que parei de passar meus contatos do celular para a agenda de papel? Era mais seguro e até facilitava a guardar os telefones na memória...hoje em dia ninguém sabe o telefone de ninguém de cor e salteado mais! E também usava toda a agenda. Confesso que só sei dos meus pais, do meu irmão mais velho, da fazenda, do hospital da minha cidade de origem, da minha madrinha, os meus e...só... Ó céus, minha memória está pior do que eu imaginava! Alguns amigos eu não sei de cor, mas se eu ver o número eu sei dizer de quem é...isso vale alguma coisa? hahaha

Décimo: acho que fiquei tão chocada com a minha memória que mudei os rumos das minhas vãs filosofias e já não sei mais nada sobre minha agenda telefônica, a não ser que voltarei a escrever no papel...
OBS.: Não quero, nem devo, tornar-me (ainda mais) dependente de tantas tecnologias!



quinta-feira, 5 de julho de 2012

Caibo, talvez



"Sou composta por urgências: 
minhas alegrias são intensas; 
minhas tristezas, absolutas. 
Entupo-me de ausências,
Esvazio-me de excessos. 
Eu não caibo no estreito, 
eu só vivo nos extremos.

Pouco não me serve, 
médio não me satisfaz,
metades nunca foram meu forte! 

Todos os grandes e pequenos momentos,
feitos com amor e com carinho,
são pra mim recordações eternas.
Palavras até me conquistam temporariamente...
Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.

Suponho que me entender 
não é uma questão de inteligência 
e sim de sentir, 
de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.”

(Atribuído à Clarice Lispector, mas ainda tenho minhas dúvidas quanto a isso, não encontrei nem mesmo o livro de referência...)

domingo, 10 de junho de 2012

Só lembranças

Consequência de uma pausa...
Em pleno sábado a noite de feriado resolvi assistir um filme antes de dormir. Escolhi o filme aleatoriamente, quer dizer, escolhi pelo título e nada mais, sem ler sinopse nem gênero. Quando vi que o Robert Pattison era o ator principal, já fui imaginando que não seria um filme dos melhores. Engano meu. Comecei a assistir sem expectativas e terminei o filme admirando a capacidade de atuação do Robert Pattison, muito além do que já tinha visto nos filmes da saga Crepúsculo, que por sinal, não gostei muito.
Através do filme "Lembranças", dirigido por Allen Coulter, percebi que pequenas atitudes cotidianas, como expressar um sentimento, são fundamentais. Além disso, ficou mais claro ainda para mim, que durante nossa vida e até mesmo depois de morrermos, somos feitos apenas de lembranças. Afinal, todas as nossas atitudes vêm de experiências vividas desde a infância - também há quem diga que vêm desde vidas passadas, mas isso não vem ao caso no momento - e ao morrermos é somente isso que deixamos. Tive mais certeza ainda de que o dinheiro não é tudo, ele até pode nos proporcionar momentos felizes e dignos, mas, repito, não é tudo. O dinheiro não é capaz de amar alguém, ele é objeto, óbvio que todos precisamos de muitos objetos, mas precisamos muito mais de amor. Quem não é amado, ou, melhor, não se sente amado, pode ter todo o dinheiro do mundo que não será feliz. E aí entra outra questão...qual a melhor forma de demonstrar que amamos alguém?
Passei a maior parte do filme indignada com a postura do pai do Tyler (Robert), e no final, percebi que ele não era totalmente um monstro. Lembrei-me que muitos monstros só são monstros por causa de seus sentimentos a flor da pele, conflituosos e pela incapacidade de demonstrá-los de maneira civilizada. Apesar de tudo, monstros não passam de seres humanos em conflito consigo mesmo. Um pecado da maioria dos filmes - que é questão de lógica e eu entendo - é mostrar apenas o ponto de vista da personagem principal. Nesse caso, por exemplo, vemos os personagens do ponto de vista do Tyler, portanto, somos facilmente influenciados, no final, percebemos junto dele que nem todos são como imaginamos, que é muito difícil demonstrarmos nossos sentimentos da "maneira correta" - se é que existe maneira correta para isso -, que julgamos demais as pessoas sem saber o que se passa com elas, quais são seus conflitos internos, seus sentimentos ou o porquê de tais atitudes, como dizem por aí, sempre achamos que "a grama do vizinho é mais verde", mas será? Todos temos sentimentos, todos temos medos, anseios, desejos, angústias, dúvidas e cada um tem seu jeito de expressar tudo isso.

Outro fato curioso, é a capacidade do ser humano para postergar momentos que podem ser vividos no presente. Já se perguntou porque demorou para dizer a alguém que o (a) amava? Seria medo? Pois é, por que temos tanto receio em dizer a alguém algo tão sublime? Por que temer as reações da pessoa diante de algo bom, visto que todos queremos e gostamos de ser amados? Imagino que seja porque dentro de nós temos marcas de momentos passados, talvez um dia ao nos declararmos alguém desdenhou ou ignorou, mesmo que não tenha sido por maldade, afinal, quem nunca teve um "amor de infância"? E qual a criança que desdenharia por pura maldade? Ou até mesmo nossos pais, em um dia corrido, que ignoraram tal declaração ou postergaram a reação que esperávamos. Essas são lembranças arquivadas dentro de nós, são marcas deixadas por nossas experiências ao longo do tempo, e como cada um tem as suas marcas, cada um tem a própria reação em relação aos acontecimentos, tem uma maneira de aceitar ou não, de reagir. E, o pior de tudo, é quando só nos damos conta do quanto foi uma má ideia postergar depois que uma tragédia ocorre. Por que esperamos que uma tragédia ocorra para aprendermos a amar, a nos expressar? Por que é preciso que alguém morra para percebemos que agimos de maneira errada? Por que somente através do sofrimento nos damos conta de que estávamos indo pelo pior dos caminhos? Talvez seja porque a tragédia nos acorda para a vida, e num piscar de olhos revivemos as lembranças arquivadas e também nos transformamos.
Diante de tais fatos, imaginem se eu não me acabei em lágrimas no final do filme?!! Sem sombra de dúvidas! Chorei até não poder mais, tanto pelos ensinamentos que nos levam a pensar em nossas vidas e atitudes, quanto pelo final totalmente inesperado, surpreendente e simultaneamente trágico e lindo. Nunca imaginei que um drama romântico pudesse me fazer tão bem humana e espiritualmente. Percebi que ainda tenho muito a aprender, que na teoria é tudo muito fácil, o difícil acontece na prática. Vocês acham que tudo o que eu disse acima eu pratico? Pelo contrário, a minha dificuldade em demonstrar sentimentos é tamanha que tenho até vergonha de comentar sobre isso. Chegou a hora de rever conceitos e ainda bem que sempre é tempo de mudanças...


domingo, 3 de junho de 2012

Domingo preguiçoso

Consequência de uma pausa...
Era apenas mais um dia, mais um daqueles domingos preguiçosos, em que se acorda tarde, liga o som e fica ouvindo uma música, e às vezes, só para variar um pouco, começa assistindo um programa dominical na televisão, por que não?
Foi então que as horas foram passando, passando, passando, e ela nem se deu conta de que a preguiça a tinha dominado. Assistiu filme, seriado, ouviu músicas, passou horas na internet, mas nem mesmo levantou da cama! Afinal, o que as tecnologias não nos propiciam hoje em dia? Basta um celular na mão - de preferência com bateria e créditos - que tudo se resolve em um instante!
Porém, chegou um momento no qual ela precisou parar e pensar, até ter a certeza de que estava faltando algo. Não sabia ao certo o que poderia ser, mas sentia que lhe faltava algo para completar esse domingo preguiçoso, ou esses dias cansativos...visto que a preguiça de domingo era apenas um sintoma de dias anteriores muito extenuantes.
Não se sentindo tão incomodada continuou a fazer o que a maioria faz em um domingo preguiçoso. Até que o incômodo foi aumentando e ela não suportou mais. A tensão era grande, precisava descobrir o que estava faltando.
Percebeu que não era apenas a saudade ameaçando seu domingo mais uma vez, era uma coisa boa que estava faltando para tornar o domingo completo, e que era possível vivenciá-la ali naquele exato instante...pensou, pensou, pensou, lembrou da última conversa com um amigo, na qual o tema era cultura, lembrou de outra conversa com um outro amigo, que a cobrava atualizações no blog. Pronto! Tudo se encaixou!
E em menos de 1 minuto, conforme palavras iam surgindo numa folha em branco, sentiu seu domingo preguiçoso completo, nada mais faltava!
Tinha voltado a escrever, talvez não como antes, já que o passar do tempo enferruja as pessoas que não praticam. Entretanto, escrevia novamente, de tal forma que as palavras fluíam e preenchiam não só o papel em branco, mas também a alma de quem há muito aguardava por esse momento.
Escrever não significa apenas transcrever as palavras que estão desajeitadas no cérebro para um papel, é, acima de tudo, mostrar ao mundo o que está guardado dentro de nós. Assim, mais um domingo preguiçoso se encerra na minha vida, quem sabe um pouco mais completo e feliz...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Dezembro

Consequência de uma pausa...
(Detalhe para o fato de que comecei a escrever esse texto há mais de quinze dias, sou o exemplo de muita coisa que digo abaixo, a verdade é que todos nós sempre temos o que melhorar e o que mudar, como também, o que continuar a fazer e aprimorar...)

Eis que chega o mês de dezembro. Acredito que não há quem não pare para pensar o que fez nesses últimos meses, ou deixou de fazer. É hábito pararmos um pouco para refletir, como também o é quando encontramos conhecidos e comentamos: "nossa, como o ano passou rápido, não é mesmo?", e todos são unânimes quanto à resposta: "sim, com toda certeza!". Os mais velhos ainda complementam dizendo: "parece que antigamente não passava tão rápido assim, quanto mais velho fico, mais rápido o tempo passa..." - invariavelmente com lamentação e tristeza estampadas no rosto, afinal, ninguém quer envelhecer "mais rápido do que antes".

Essa sensação de passagem do tempo ocorre porque cada vez mais deixamos de lado o que nos dá prazer - mesmo as coisas mais simples do dia-a-dia - para focarmos no que é necessidade e nem tão prazeroso como gostaríamos. Quem nunca deixou de ir a uma festa porque no outro dia tinha que trabalhar ou estudar? Será que não é possível irmos à festa, nos divertirmos um pouco, beber menos, comer menos e voltar mais cedo? Ou, por que tanto medo de enfiar o pé na jaca um dia ou outro? Lógico que todos nós temos nossas responsabilidades e devemos nos dedicar a elas, mas um dia ou outro que arriscarmos (na verdade, não é porque vamos a uma festa que devemos beber todas ou amanhecer, podemos nos divertir com mais moderação para estarmos inteiros e dispostos a assumir as responsabilidades no outro dia) não nos fará mal, como dizem por aí, "ninguém é de ferro"! Isso faz um sentido maior ainda quando vamos escolher nossa profissão, cada vez mais creio que realmente devemos optar pelo que mais se aproxima às nossas aptidões pessoais, ao nosso jeito, aos nossos planos, para podermos trabalhar mais felizes e não tornar uma obrigação o que deveríamos fazer com prazer e um sorriso no rosto - óbvio que, invariavelmente, ficamos cansados e temos vontade de jogar tudo para o ar, mas no fim, se for o que verdadeiramente gostamos, vamos voltar atrás e confirmar que é aquilo mesmo que queremos. E quanto aos idosos, conforme vão envelhecendo, vão perdendo um pouco dos sentidos, ficam um pouquinho mais surdos, não enxergam bem, os alimentos já não têm o mesmo sabor, os cheiros se confundem, os músculos fraquejam...dessa forma, o ato de viver torna-se complicado e a presença da morte mais próxima, às vezes a própria vida perde o sabor. Embora alguns consigam postergar um pouco seu fim, seja através da tecnologia, seja por meio de hábitos melhores,  seja por atitudes favorecedoras ao longo da vida ou, simplesmente, pela vontade, ânsia de viver, apenas isso: querer viver - o que eu acho mais bonito, além da naturalidade.

Aquela famosa desculpa da "correria cotidiana" também entra nos motivos de sensação de passagem do tempo. É trabalho, é estudo, é academia, é família, é obrigação, é responsabilidade, é dever, é isso, é aquilo, é aquilo outro... No fim, sempre temos do que nos lamentar...poderia ter estudado mais, ter dado maior atenção a algumas coisas ou pessoas, ter trabalhado menos, ter viajado mais, ter me esbaldado naquela festa, ter esquecido o regime naquele dia, ter feito mais regime, ter praticado exercícios físicos, ter amado mais, ter estressado menos, ter aproveitado aquela chance, etc. Mal percebemos que fazendo tudo, simultaneamente fazemos nada, afinal, distribuir nosso tempo de forma igualitária é impossível. Ao contrário, é possível nos dedicar mais àquilo que estamos fazendo, de forma que enquanto trabalhamos, vamos só trabalhar e só pensar nisso, enquanto estamos com a família, vamos viver aquele momento em função tão somente dela, sem pensar em outras coisas. Ou seja, é preciso otimizar o tempo que temos, proporcionando a nós mesmos uma vida mais prazerosa. Além disso, é incrível a capacidade que temos e toda a energia que perdemos nos lamentando, ao invés de pensarmos no que aconteceu de bom ou o quanto somos capazes de melhorar o que foi ruim.

Não sou muito a favor de planos, listas e coisas do tipo "para o ano que vem..." ou "no próximo ano..." ou "em 2012 vou...". Será mesmo que isso adianta? Acho que se adiantasse não seria necessário fazê-los todos os anos, até mesmo porque já saberíamos como agir com base no último. A verdade é que cada momento é único, não tem como prever o que vai acontecer, de forma que não é possível adiantar como iremos agir - antes de tudo, é preciso nos conhecer um pouco mais, ir a fundo dentro de nós mesmos. Obviamente que sempre temos o que melhorar, o que "arrancar" de nós, o que fazer, o que deixar de fazer...mas tudo isso podemos fazer a qualquer momento - basta querer! -, as promessas não são necessárias em todos os finais de ano. Quem nunca fez promessas e listas e mais listas para o próximo ano? Agora eu pergunto: quantas você conseguiu cumprir satisfatoriamente? Difícil não é? Acho, inclusive, que isso nos deixa pior, pela pressão ou obrigação de ter que cumprir todos aqueles planos, alguns até mesmo frutos de pura ilusão e utopia. Com certeza tem o lado que diz que é necessário traçar metas e planos, no entanto, isso não se refere à todas as áreas da vida, muito menos a todos os momentos.

Dessa forma, creio que o único pedido que tenho a fazer para 2012 se resume em uma única palavra: equilíbrio. Quando se tem equilíbrio nos relacionamentos, na área financeira, na profissão, tudo se encaminha como deve ser. Por vezes alguns obstáculos aparecerão, mas, se estivermos focados e nos conhecermos bem, teremos força o suficiente para nos desviarmos ou enfrentá-los. Além de tudo isso, temos que ter em mente o poder da espiritualidade, em seu sentido amplo. Seja você protestante, católico apostólico romano, católico ortodóxico, espírita, budista, islamista, umbandista...não importa a religião, o que é interessante, nesse caso, é estar de bem com quem você acredita ser o "Ser Supremo", compreender sua alma e a alma do próximo, praticar o bem, seguir uma vida de paz, harmonia, equilíbrio e bem estar. Acho de extrema importância nos conectarmos com o que acreditamos, com aquele que cremos existir, com aquele que rege nossas vidas e possui capacidades extraordinárias, principalmente de fazer o bem independente de qualquer outra coisa. Apesar de muito estressada, ansiosa, nervosa e coisas do gênero, existe um lado dentro de mim que expressa o oposto, gosta muito de deixar algumas coisas acontecerem naturalmente, acredito no poder do tempo e creio em Deus e suas "façanhas". De modo que fazer listas não adiantam muita coisa, já que no fim, sempre vou "deixando a vida me levar", vivo bastante o presente (sem me esquecer das lembranças do passado e dos meus objetivos para o futuro).

Como é fácil falar, né?! Bom seria se soubéssemos um jeito de fazer tudo perfeito, porque a prática, ó céus, como suga nossas energias! Mas, se não tentarmos, não experimentarmos mudanças e aprimoramentos, o tempo passa, o mundo a sua volta se transforma, e você permanece, parado no tempo, no espaço, nos sentimentos, na vida. E o que resta? A lamentação ou inquietude (principalmente dos que estão ao seu redor) de estar no presente e viver no passado. Ao mesmo tempo, penso que se tudo fosse perfeito nada teria a mesma graça, seria tudo muito certinho, no lugar, e assim não haveria espaço para fatos bizarros, engraçados, inesperados, surpresas, vitórias e derrotas, como iríamos aprender, adquirir conhecimento e experiência ao longo da vida? De qualquer forma, como a perfeição é algo inalcançável (e como eu sofro por isso, pois confesso que às vezes a minha busca pela perfeição é algo surpreendente!), vamos lutando dia-a-dia para sermos melhores. Se não deu hoje, quem sabe amanhã, afinal, a vida segue! Os planos, as metas, os objetivos existem dentro de nós e devemos fazer o possível para alcançá-los e nos sentirmos inteiros, completos, porém, por que deixar para 2012? Vamos fazer hoje, agora, que tal, vai arriscar? Vamos ser um pouco mais ousados e ter mais coragem! Como disse no início, o tempo passa e, pior, cada vez mais rápido, então, não vamos desperdiçar o tempo que temos hoje, até mesmo porque a saudade é um sentimento sempre presente em nossas vidas - e saudável -, de maneira que seria bem melhor sentir saudade do passado, ao contrário de arrependimento ou más lembranças.

Embora o texto do vídeo não pertença à Clarice Lispector, e sim à Maria Eugênia de Viveiros, é muito bonito, não perde o brilho. (Como hoje em dia está confusa essa história de autores e suas citações, frases, textos, crônicas, não é mesmo?)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Música, simples!

Consequência de uma pausa...
A maioria da pessoas que me visitam já devem saber ou ter percebido o quanto a música é importante e faz parte da minha vida. Não que eu saiba tocar algum instrumento ou tenha algum dom artístico, pelo contrário, infelizmente não tenho, nem entendo a fundo técnicas e afins. Mas, acredito que entendo de música que me agrada, faz bem, ajuda, levanta, faz dançar, pular, cantar, gritar, chorar, sorrir, viajar, pensar, imaginar, sonhar, que embala gerações, pessoas, momentos, que marca datas, histórias, enfim, se isso for entender de música, sou uma expert no assunto!
Hoje, como na maioria das vezes, não sei ao certo o porquê, me deu uma vontade enorme de compartilhar algumas músicas com vocês. E, como sempre deixo claro, lógico que gostaria de agradar a todos, no entanto nem tudo é possível, e como as pessoas dizem "gosto não se discute"! Só espero que através da música mais corações sejam tocados, mais pessoas apreciem essa arte maravilhosa, digna de um incentivo maior, principalmente aos que estão no início da carreira, tem produção independente e talento enorme, para dar e vender (eu compro na hora!).
A música é capaz de realizar trabalhos fantásticos nas vidas das pessoas, tanto é que a musicoterapia está aí para nos provar. Nas nossas vidas existem momentos e momentos, e pode ter certeza de que na maioria deles a música fará parte, contribuirá de alguma forma, seja para te deixar lá embaixo, seja para deixar lá em cima...a arte é assim, tem para todos os gostos e faz parte do mundo para que cada um retire dela um pouco para si. Tenho a certeza de que os sentimentos são universais, o diferencial é a maneira, a intensidade, como sentimos, o contexto e a forma como agimos diante deles, afinal, quem nunca sentiu saudades, se apaixonou, ficou com raiva, se estressou, teve momentos depressivos e etc? A música é capaz de marcar cada um desses momentos, cada um desses sentimentos, de uma forma peculiar, que na verdade só o autor é capaz de descrever o que o levou e o sentimento que embalava ao escrever tal letra, ao criar tal melodia, isso se for possível, porque muitas vezes, nem eles entendem: 'apenas inspiração...' Aaah! Como eu gostaria de ter inspiração fácil assim, ou de forma que possa ser traduzida numa música "perfeita"! Concluindo, a música é para ser vivida, experimentada, sentida, apreciada e guardada. Nada melhor do que ficar ouvindo, ouvindo, ouvindo, ouvindo, ouvindo, ouvindo...até não poder mais ou até cansar - se isso for possível - ou, ainda, até relaxar, desestressar, encontrar a resposta que procurava!
Num momento de "nada a se fazer" e em busca de algo novo, fiquei futricando nos mais variados sites, pois encontrei músicas antigas, novas, meio-termos...revivi o passado, refleti o presente e sonhei com o futuro! Um dos videos - que é uma música linda e de alta qualidade, muito boa mesmo - é o novo trabalho da cantora Pitty, uma parceria que rendeu uma banda e um disco lindo, para quem não conhece, vale a pena conhecer a Agridoce (http://www.agridoce.net/).

Outro som que vale a pena conferir é uma doce canção do Chico, aquele lindo de olhos azuis brilhantes e penetrantes!


Chega de música?! WTF??!! hahaha Para quem gosta de um som mais alternativo (em relação aos de cima), diferente e até divertido, por que não ouvir Soulstripper?! Sem contar que o video postado abaixo a interpretação das crianças é uma graça!

Pois é, acho que por hoje chega, até mesmo porque ainda tem gente que vai trabalhar, estudar, praticar exercícios...na próxima vou tentar fazer um texto mais conciso e algumas músicas para meditação, mais tarde explico mais! ;) Um ótimo final de semana a todos e que a próxima semana seja muito abençoada!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Escrever, apenas

Consequência de uma pausa...
Não sei o porquê, nem o quê, nem pra quê, nem como, mas hoje me deu uma vontade enorme de escrever. Deve ser saudades daqueles tempos em que eu simplesmente deixava tudo aflorar, em que os sentimentos vinham, literalmente, à flor da pele, em que mesmo sem tempo eu dava um jeito de arrumar algum só para não deixar o blog às mínguas, em que era fácil fazer apenas um fluxo de consciência com minhas opiniões e rapidamente publicá-lo sem nem pensar muito...ê saudades, não tem como, ela sempre vai estar presente em nossas vidas, seja para nos trazer boas lembranças, seja para nos alertar para o modo como estamos levando nossas vidas ou seja apenas para senti-la, assim, tão dentro de nós, às vezes mais perturbadora do que gostaríamos, por outras tão singela que dá até vontade de não expulsá-la de nós, talvez para nos fazer sofrer um pouco, afinal, que importância tem, se só sentimos saudades do que foi bom, não é mesmo? Acho até que saudade é um dos sentimentos mais verdadeiros, porque ela simplesmente acontece, principalmente quando menos esperamos, quando vemos alguma imagem/cena que nos faça rememorar aquela lembrança e pensar: "nossa como foi/era bom!". E aí tudo acaba em outro pensamento: "pena que não tem como voltar atrás, que não tem como fazer tudo acontecer de novo". Querem a verdade do meu ponto de vista? Sim, aquelas lembranças nunca mais voltarão. Primeiro, sua idade é outra. Segundo, o momento da sua vida é outro. Terceiro, seus amigos podem não ser os mesmos e conseguir reunir os de "antigamente" é mais difícil do que se possa imaginar! Quarto, cada momento é único - sim é uma frase clichê mas que faz todo o sentido -, portanto é impossível, mesmo que tudo seja reproduzido como antes, sentir tudo do mesmo jeito, pelo contrário, provavelmente será mais uma lembrança guardada com carinho para te fazer sentir saudades depois...
Agora, uma curiosidade que eu gosto dizer, também sem saber o porquê, na verdade, deve ser apenas aquele instinto patriota que insiste e persiste dentro de mim - mesmo perante tantas coisas que nos faça pensar justamente o contrário, infelizmente! Alguém aqui já sabia que a palavra saudade só existe no Brasil? Sim, o que não exclui o fato de o sentimento ser universal, acontece que nos outros países ela é chamada de outra forma, ou simplesmente não tem denominação própria, pode ser apenas um "I miss..." norte americano, traduzindo: "sinto falta...".
Parece até que estou escrevendo como antes, misturando assuntos, começando de um jeito, terminando de outro, e sendo bastante informal. Será só saudades ou uma volta repentina ao verdadeiro jeito de ser? Não, creio que exagerei, meu jeito de ser é o mesmo, talvez com uns pequenos aperfeiçoamentos...nunca deixei de falar como antes, sempre falo, falo, falo, falo, falo, falo, falo, e falo mais um pouco até misturar todos os assuntos num só, aprontar confusões, provocar risadas, fazer intertexto com coisas "nada a ver", lembrar de uma música (isso sempre acontece, incrível!) ou de outra história e começar a contá-la também, porém o melhor é que no fim me entendo muito bem com todos e chego ao meu objetivo de falar o que queria a princípio, bom pelo menos é o que eu julgo acontecer!
Talvez só me faltasse um pouco mais de força de vontade em me dedicar à escrita. Por várias vezes tenho vontade de escrever um conto, uma crônica, um desabafo, mas sempre paro diante de pequenos impasses ou até mesmo da preguiça...aaaah, essa é outra que foi inventada para atrapalhar a vida gente, na maioria das vezes. Preguiça é até bom, desde que seja naquele dia que você pode descansar, pode simplesmente acordar, comer, dormir de novo, acordar, comer, assistir um filme, ler um livro, comer, dormir e um ciclo vicioso se inicia...caso contrário, ela dá um trabalhão! Deixa-nos apáticos, cabisbaixos, cansados, pensando alto (ou seja, no que menos nos interessa), faz com que nos tornemos verdadeiros "enroladores", deixando tudo para depois. Ainda bem que a preguiça atinge a todos, se não, ficaria envergonhada ao dizer que por vezes deixo de escrever por pura e simples preguiça...tá, já estou envergonhada! Contudo, penso que a preguiça é apenas um pretexto para o que eu não quero admitir: a falta de inspiração, ou de vontade de pensar ('coisa' que para mim é um absurdo ter que admitir, mas já que a sinceridade também é um dos meus pontos fortes...). No fundo, tenho para mim que o que é bom mesmo é fazer aquilo que se tem vontade, não que seja sempre assim, porque nem dá né, mas fazer o que gostamos, quando queremos e podemos, realmente não tem preço, e quando não se tem vontade: "aah, deixa pra depois mesmo..." E como o blog não é algo obrigatório, é para me dar prazer (e tentar dar prazer aos outros, quem sabe de vez em quando eu consiga, ficaria até feliz), vale a máxima de se escrever o que eu quiser (dentro do politicamente correto, obviamente, o que não é problema para mim, uma pessoa exageradamente politicamente correta, rsrs), quando quiser. Espero que com você aconteça o mesmo, afinal, nada melhor do que ter liberdade para viver!
Estou "sentindo" que falei demais, misturei assuntos e agora estou encalhada de pensamentos aqui, sem saber como terminar um post que começa falando da vontade de escrever, fala sobre saudade, em seguida sobre preguiça e termina com liberdade. Então, ainda bem que existe livre arbítrio e eu me permito usufruí-lo (tá, só às vezes...), portanto termino assim mesmo, como sempre terminei: simplesmente terminando (?). Apenas dizendo que a vontade de escrever voltou a florescer, que o fluxo de consciência continua o mesmo - até um pouco mais organizado - e que os sentimentos estão aí, para serem vividos, experimentados, alguns excluídos outros para serem vícios e quem sabe bem guardados...até mesmo porque, o que seria de nós, seres humanos, sem as memórias, sem as lembranças, não sei se já repararam, mas muitas vezes somos movidos por conta delas.
Que tal um poema de João Cabral de Melo Neto, bastante sugestivo? Pois dessa vez termino com um poema, não com uma música ou um pensamento ou uma simples conclusão!

A lição de poesia - João Cabral de Melo Neto
1.
Toda a manhã consumida
como um sol imóvel
diante da folha em branco:
princípio do mundo, lua nova.
Já não podias desenhar
sequer uma linha;
um nome, sequer uma flor
desabrochava no verão da mesa:
nem no meio-dia iluminado,
cada dia comprado,
do papel, que pode aceitar,
contudo, qualquer mundo.
2.
A noite inteira o poeta
em sua mesa, tentando
salvar da morte os monstros
germinados em seu tinteiro.
Monstros, bichos, fantasmas
de palavras, circulando,
urinando sobre o papel,
sujando-o com seu carvão.
Carvão de lápis, carvão
da idéia fixa, carvão
da emoção extinta, carvão
consumido nos sonhos.
3.
A luta branca sobre o papel
que o poeta evita,
luta branca onde corre o sangue
de suas veias de água salgada.
A física do susto percebida
entre os gestos diários;
susto das coisas jamais pousadas
porém imóveis - naturezas vivas.
E as vinte palavras recolhidas
as águas salgadas do poeta
e de que se servirá o poeta
em sua máquina útil.
Vinte palavras sempre as mesmas
de que conhece o funcionamento,
a evaporação, a densidade
menor que a do ar.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Novidade!

Consequência de uma pausa...
A maioria aqui sabe que eu não gosto muito de me expor, apesar do modelo inicial do blog. Faço o possível para preservar a mim e a minha família. Entretanto, nesse final de semana passei por ótimas, inexplicáveis, indescritíveis experiências e sentimentos, não só porque passei no vestibular, mas porque pude compartilhar com minha família e com meus amigos um momento único na minha vida. Entremeio a esses momentos algumas pérolas do meu irmão mais novo tiveram grande repercussão, e por inúmeras vezes comentamos que devíamos anotar, arquivar, gravar algumas das coisas que ele diz, para que não se perdesse no tempo, até mesmo porque, ninguém tem memória boa o bastante para arquivar tantas gracinhas! Na verdade, muitas delas já se perderam...
Sendo assim, decidi que ia começar a publicar algumas dessas pérolas por aqui, para que fiquem guardadas e também para que possam alegrar ou surpreender os que por aqui passarem. Não é porque sou a irmã não, mas meu irmão, desde quando começou a falar já surpreendia a todos com sua inteligência, seu jeitinho de ser e agir, deixando a família, é claro, orgulhosa. As primeiras frases já eram no plural, cheia de concordâncias, o que deixava os vários educadores que conhecíamos admirados. A espontaneidade, em dizer o que pensa, o que sabe, o que conhece até mesmo sobre assuntos "de adultos", deixam as pessoas boquiabertas. Enfim, como criança ele tem todas as características de qualquer uma, mas, como dizem algumas pessoas, as características próprias, específicas dele, tal como a inteligência, é que surpreendem, são marcante e deixam a todos vislumbrados.
Vou começar pela mais recente...
No penúltimo final de semana, enquanto andavam pelos pastos da fazenda, meu pai disse que precisava ir olhar uma coisa e que ele podia ficar esperando no local em que estavam, ou seja, meu irmão ia ter que ficar um pouquinho sozinho.  Eis que ele encontra uma pena no chão, ao seu lado, a pega e diz para nosso pai: "pai, se o senhor voltar e encontrar só a pena aqui, é porque a onça me comeu!"  Naquele momento, imagino que muita coisa deve ter passado pela mente hiperativa dele (eu sei bem o que é ter mente hiperativa, ele teve a quem puxar!), inclusive as histórias de animais e principalmente a das onças; tudo num piscar de olhos, como se fosse uma coisa absolutamente natural e normal.

Como é a inauguração desse assunto de postagem, vou deixar outra história...
Meu irmão mais velho está prestes a se formar, em janeiro temos festa! E ele namora firme com uma mulher que toda a família gosta e admira, que curte as mesmas coisas de todos nós, e meu irmão mais novo adora ela, anda com ela pra todo lado, conversa até falar chega (se bem que isso não é difícil pra ele, tagarela que só vendo - e cansando! haha), fica no encalço mesmo. E, diante da formatura do nosso irmão mais velho ele vira pra nossa mãe e diz, como quem não quer nada, como se fosse tudo normal, na verdade, ele dizia isso enquanto tomava banho: "é mãe, agora, o Felipe vai formar, depois de uns 5 meses vai casar, ter um filho..." Minha mãe responde: "nossa Artur, será?! Aí você vai pra escola, vai sair na rua e todo mundo vai falar: 'olha lá o tio Artur, o titio, titio Artur!'. Resposta instantânea: "Aaaah nãão! Então ele pode casar só daqui 5 anos!" - Como quem diz: "eu ainda sou muito novo pra ser tio e vou ser motivo de zombação!" hahaha - - E outro fato interessante é que o banheiro, para ele, é um local especial, nunca vi ter tanta ideia e tantas tiradas nesse tipo de situação...sem contar que ele não consegue ficar calado, portanto, não consegue ficar sozinho, sem ter alguém pra conversar, daí o fato de sempre ter que ter alguém esperando do lado de fora, ou conversando por gritos! hahaha

Talvez muitos achem sem graça, mas, acontece que é impossível passar através da internet a entonação de voz, o jeito dele pra vocês, entretanto, podem ter a certeza de que quem o conhece, além de nunca mais esquece-lo, dá boas risadas na companhia do mesmo!
Ótimo término de semana a todos!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Quase uma volta ao passado

Consequência de uma pausa...
Acredito que já há algum tempo não falo sobre mim, sobre minhas impressões, sobre meus olhares e, principalmente, sobre o vestibular. Acontece que quando criei o blog meu intuito era apenas desabafar, ter um local para poder derramar tudo o que eu pensava. Pessoas que tem mente hiperativa tal como eu sabem como é difícil manter controle em algumas situações, e eu precisava simplesmente despejar tudo o que me afligia, tudo o que perpassava pela minha mente, e assim também me desfazer de alguns conteúdos ocupando lugar no meu cérebro. Então, quando tudo começou, eu usava o blog simplesmente para mostrar um pouco de mim...entretanto, como eu tinha feito tudo num segundo de impulso, dei-me conta, depois, do quanto poderia ser perigoso falar sobre mim numa página que qualquer um poderia acessar e tirar informações que futuramente poderiam me prejudicar, diante desse receio diminui drasticamente os textos nos quais minhas impressões pessoais e minha vida eram expostas. Quem me acompanha há algum tempo sabe que eu falava bastante sobre mim, minha vida, minha família, não expunha tudo, nem totalmente, mas, de certa forma, era exposição. Depois, veio a célebre desculpa da falta de tempo, que também prejudicou o andamento do blog e facilitou a publicação de textos de outros autores. Enfim, acontece que hoje, me deu uma vontade enorme de escrever aqui, de dizer alguma coisa minha, que eu penso, que me pertence, e aqui estou...na verdade, não sei ao certo como sairá esse texto, porque na verdade, só sei da vontade de escrever, não sei o assunto da vontade, se é que me entendem...
Uma ideia começa a passar pela minha cabeça, acho, inclusive, que eu estou errada quanto à falta de tempo, no fundo, o que me "desprendeu" do blog foi ter iniciado sessões de terapia com uma psicóloga. Sei que muitos devem estar pensando que eu sou realmente louca, que eu tenho problemas mentais, que estou surtando, ou sei lá, mas, muitos desconhecem o fato de que terapia é uma coisa natural - acho até que se todos fizessem acompanhamento psicológico o mundo seria bem melhor, sem contar que é uma forma de auto-conhecimento, de melhorar a qualidade de vida. Desde o meu terceiro ano do ensino médio, quando as pressões começaram e a vida adulta começou a me chamar, algumas pessoas pediam ou davam dicas para que eu fizesse a terapia, e eu, com toda minha máscara de auto-controle, dona de si, dona da verdade e etc, sempre recusava, até que dei-me conta do quanto eu precisava de apoio, pena que foi só 2 anos depois que eu reconheci algumas das minhas fraquezas...E eis que aparece uma super psicóloga na minha vida, então, acho que no fim, eu atribuía ao blog a função de terapia, e, quando eu reconheci o poder de sessões terapêuticas "de verdade", profissional, "meio que abandonei" o blog, afinal, supostamente ele foi substituído por uma profissional qualificada...
A partir do momento em que eu descobri o poder da terapia, minha vida se transformou, lógico que tudo faz parte de um processo - que ainda está em andamento e é demorado - afinal, não é de um dia para o outro que ficamos conhecendo quem nós somos, e somos capazes de assimilar tudo para melhorar a qualidade de vida, as relações inter-pessoais, o modo como enxergamos as coisas e etc. E ainda descobri que a psicologia é uma área simplesmente magnífica, digna de ser estudada (como eu tenho feito na medida do possível, nas horas vagas e de lazer), diante disso sou a favor de que psicólogos tenham salários mais valorizados, e, imagina só se mais médicos trabalhassem em conjunto com psicólogos?!! Acredito que seria uma ótima forma de aperfeiçoar e até mesmo agilizar os tratamentos. Parto desse princípio até mesmo por experiência própria, visto que minha mãe, nutricionista, trabalha em conjunto com médicos e psicólogos, ajudando os obesos, os que estão com sobrepeso, os anoréxicos e bulímicos (não sei se é bulímicos o certo, bateu a dúvida...) a terem mais saúde e qualidade de vida. A psicologia é uma área que me encanta cada vez mais (confesso que só não encanta tanto quanto medicina...), e não me canso em dizer o que percebo todos os dias, que todos deveriam ter a oportunidade de ao menos experimentar uma sessão, principalmente se for um terapeuta corporal, porque mesmo nos olhando todos os dias através do espelho, podem ter certeza, não conhecemos nem um pouco do nosso corpo, e saibam, também, que nosso corpo diz muito sobre nós, sobre nossa personalidade.
Para àqueles que ainda acham que eu sou louca, confesso que só fui capaz de ir atrás de apoio psicológico depois de não aguentar mais, depois de perceber que eu não conseguia mais progredir sozinha, depois que eu praticamente surtei, chorando constantemente, diga-se de passagem. Então, talvez eu seja realmente louca, até mesmo porque, como dizem por aí "de louco todo mundo tem um pouco", a diferença é que eu estou tentando contornar minhas loucuras, pior são os que estão aí, resignados, achando-se superiores aos outros, enganando-se com a ideia de que conseguem tudo sozinhos...o que dura até que uma crise ocorra! E, acreditem, para mim não foi fácil reconhecer essa necessidade, reconhecer que precisava de ajuda, bem como não é fácil falar abertamente, para qualquer um ler, que faço sessões de terapia, fazer o quê né, minha personalidade, não dá para ser mudada, mas dá para ser aperfeiçoada, dá para me transformar cada vez mais num verdadeiro ser humano e, quem sabe, fazer a diferença em alguma situação, em algumas vidas, já que mudar o mundo é difícil (não impossível!).
Bom, devido a deterioração do tempo e a modificação do layout, nem sei mais se escrevi muito ou pouco, ou melhor, levando em consideração que eu sempre escrevo muito, acho que dessa vez foi até pouco. Não tenho esperanças de que através desse texto alguém se dê conta da necessidade e da importância que um psicólogo poderia ter em sua vida, acredito, inclusive, que muitos são equilibrados o bastante para conseguirem viver sem esse apoio. Escrevi apenas porque deu vontade, apenas para relatar algumas experiências, se ajudou alguém, fico feliz, se não foi dessa vez, fico feliz também, pois, apesar de tudo, consegui escrever hoje e nada mais fiz do que seguir minha intuição. Considero esse texto como uma volta ao passado, ao tempo em que eu abria a página em branco do blog e pensava: e então, sobre o que vou escrever hoje, o que tenho pra desabafar e me aliviar? Sabe aquele sentimento saudosista, aquela pequena coisa que acontece e te lembra algo do passado, aquela vontade de voltar no tempo...então, acho que isso aconteceu hoje...pode ser que seja a sensação de que agora, felizmente, meus sonhos estão perto de se tornarem realidade, se não fosse por isso, gostaria de voltar ao passado com a experiência de hoje...na real, quem nunca disse isso, não sofreu ou não passou por determinadas situações, não é mesmo?! De qualquer forma, estou me sentindo muito bem por ter deixado de lado um pouco os estudos e passado um tempinho por aqui, escrevendo, pensando, refletindo...
E, como de costume, deixo aqui uma música que há muito gostaria de ter compartilhado com vocês, espero que gostem tanto quanto eu, porque eu não me canso de ouvi-la! A letra é linda "de morrer", o som é perfeito, o artista faz um ótimo e belo trabalho também. Se alguém quiser mais indicações de Marcelo Jeneci só me mandar um e-mail que eu responderei e indicarei algumas músicas com o maior prazer, na verdade, hoje em dia nem se usa mais isso né, "só por no google" - nesse caso, "só por no you tube", hahaha Ah, e a música também me ajuda nos dias mais difíceis, como já disse, a letra é simplesmente perfeita...(tá, vou parar com a "tietagem", isso cansa os outros, principalmente quem não gosta!)
Tenham uma ótima semana, muito feliz, mesmo que um dia ou outro seja mais difícil...  ;)

domingo, 12 de junho de 2011

O lado cômico do vestibular

Consequência de uma pausa...

Como já faz um tempinho que não atualizava o blog, pensei em inúmeras maneiras de o fazer. Para primeiro post de junho, no dia dos namorados, por que não falar sobre essa data? Não, todo mundo vai falar, melhor fazer algo diferente. Que tal um conto, suave, bonito e inteligente? Talvez. E o vestibular que você prestou domingo, cujos detalhes estão ativos na memória? Sim, uma abordagem diferente, pode ser legal! Pronto, decidi!

Véspera e dia de vestibular são momentos de comicidade para muitos. Na véspera você se sente nervoso e ansioso, seu estômago já está te incomodando, sente que está precisando se expressar, se libertar de tudo o que te sufoca. Alguns choram, outros cantam, há os que dançam, tem aqueles que escrevem, os que vão para a balada (não indico!), os que precisam "dar uma última olhadinha no caderno", os que dormem o dia inteiro, aqueles que vão ao cinema ou apenas passear no shopping ou parque, uns que se trancam no quarto, outros que se reúnem com a família, aqueles que vão à igreja, enfim, cada um tem seu "ritual" de véspera de prova. Qual o melhor? Bom, cada um sabe de si, o melhor programa é aquele que vai te ajudar, que te fará sentir-se melhor e pronto pra "fechar" a prova no outro dia! No dia do vestibular, o que te incomodava na véspera, agora te desespera. Lógico que sempre tem aqueles tranquilos, que não se importam com nada, do tipo "tanto faz, tanto fez", que chegam a dormir durante a prova e estão o tempo inteiro sorrindo. Mas, a maioria, sente-se pressionada, sufocada, insegura, com medo de não conseguir obter êxito, da não realização de um sonho, dos julgamentos alheios. É nessa hora que os amigos e a família ajudam bastante, pena que muitos não reconhecem o valor e a importância que possuem na vida de alguém. Na verdade, ninguém é feliz no dia do vestibular, nem os mais confiantes, que se dizem com um pé dentro da faculdade, nem aquele candidato que fecha a prova tem certeza que vai conseguir, afinal, "tudo pode acontecer", "já fiz cursinho mesmo, pra fazer de novo não custa muito", muito menos o que se diz tranquilo ou passa essa ideia, porque tranquilo mesmo, ninguém fica, já que a prova é incerta, e diante das incertezas da vida, é impossível ter calma. E assim as coisas vão se encaminhando até o dia da divulgação dos resultados, pois, somente nesse dia tem-se a certeza do sucesso ou do fracasso, porque dentro dentro de si, todos tem a esperança brilhando.

Depois desse relato generalizado, vou direto ao ponto. Quem já prestou vestibular sabe que sempre acontece alguma coisa que te faz cair na risada (depois da prova, porque antes você fica tentando imaginar as questões e as respectivas resoluções - é uma pena que a gente custe a acertar nas adivinhações!). Depois de alguns ocorridos no último domingo, antes, durante e depois do vestibular da UFT, peguei-me recordando momentos "alegres" que já presenciei nas minhas maratonas prestando vestibular.

1. Os Novatos: Tem sempre aqueles novatos (diga-se os candidatos que estão prestando vestibular pela primeira vez) que não leem o edital. E então chegam totalmente desorganizados para realizar a prova, com alguns desrespeitos ao edital, usando boné, por exemplo. Os fiscais se aproximam e eles enchem os fiscais de perguntas, cujas respostas eles saberiam se estivessem se informado melhor antes. Chamam a atenção de todos pela curiosidade, ou medo de cometer algum erro e ser desclassificado antes mesmo de começar a prova. Alguns ficam muito nervosos e não compreendem o próprio sentimento, por ser a primeira vez sentindo aquela sensação que só quem já passou por isso sabe, por isso, ficam um pouco descontrolados, o que também chama a atenção. Enfim, é possível reconhecer alguns marinheiros de primeira viagem facilmente.

2. Os Super Comunicativos: Aquelas pessoas nervosas - ou não, prefiro acreditar que é nervosismo do que aceitar a existência de pessoas tão sem noção-, que não conseguem se conter e iniciam conversas com o desconhecido que está ao lado. Na maioria das vezes puxam assuntos sem pé nem cabeça. Geralmente são essas pessoas que riem demais, alto e desnecessariamente, que acham que já tem intimidade, que querem descobrir tudo da vida dos concorrentes, que ficam oferecendo balinhas, chicletes e chocolates, começam a dividir suas vidas e, pior, tentam passar o telefone, o orkut, o msn, o facebook, para se comunicarem e dizerem se foram aprovados...vai entender, né?!

3. Os "piqueniqueiros": Por falar nisso...sempre tem os ansiosos de plantão que não se contentam com uma simples barrinha de cereal e levam pacotes de bolachas recheadas, caixas de bombons, barras de chocolate, refrigerante, energético, uma caixa de balinha e inúmeros chicletes, é tanta guloseima que muitas vezes levam numa sacola - sacola, não sacolinha!. Como dizem alguns conhecidos: "tem gente que vai pra prova só pra comer e não fazer!". Lógico que todos estão ansiosos, mas, acredito que essa comilança, ou piquenique, mais atrapalha que ajuda. Além do quê, não atrapalha só o candidato mas todos que estão na sala, porque, convenhamos, é insuportável quando alguém fica o tempo inteiro abrindo esses pacotes, fazendo aquele barulhinho irritante, pior ainda quando tenta esconder e vai aos poucos, devagarinho...

4. Os modelos: Quanto às roupas...aaah se eu pudesse tirar fotos! Tem umas pessoas que sentem necessidade de aparecer e chamar atenção, isso é fato, mas no vestibular é demais! Esse tópico é voltado principalmente às meninas, aquelas que vão com a ideia de seduzir um fiscal, com super decotes, ou "barriguinha" a mostra - mesmo fora de forma!, mini-saias - daquelas que você não acredita que a pessoa vai ter coragem de sentar! Compreendo que devemos ir do jeito que acharmos melhor, confortáveis, entretanto, também acredito que é preciso ter bom-senso, né?! Já presenciei meninas de bota de cano alto em pleno verão goiano também, melhor nem comentar! Os meninos nesse quesito não aparecem tanto, ao menos nas minhas observações. Algumas se produzem tanto que você até imagina "essa aí nem dormiu, veio direto da festa". Maquiagem exagerada, roupa exagerada, acessórios exagerados, e eu só gostaria de uma coisa, que minhas notas sejam exageradas!

5. O plac-plac: Pior que maquiagens, roupas e acessórios exagerados, que além de alguma poluição visual não causam mais nada, é o salto alto. Sim, o salto alto de algumas fiscais, principalmente, é horrível. Elas ficam andando, verificando, observando, e o salto lá, marcando mais presença que a própria dona, com aquele barulho plac-plac-plac enquanto você está tentando resolver aquela questão absurda de física. Então, fica a dica, para fiscais e candidatas, não vão de salto alto, ok?!

6. Os necessitados: O nervosismo muitas vezes faz com que o organismo se desequilibre, assim sendo, não são poucos os candidatos que necessitam ir ao banheiro ou beber água de meia em meia hora, nesse caso, eu apenas digo o que dizem: "se não fosse trágico, seria cômico!"

7. Os Fotógrafos: Recentemente, numa prova de vestibular, uma menina - muito alegre diga-se de passagem - levou sua máquina fotográfica e chamou os "colegas" da sala de prova para tirarem uma foto de recordação!! Ao saber dessa história, foi impossível não rir, e fiquei sabendo a partir de uma testemunha que estava na mesma sala que a menina feliz! Agora me pergunto, como pode uma coisa dessas? O que ela tem na cabeça? Sem contar que o porte desse tipo de equipamento causa eliminação. Portanto, caros candidatos, nunca  inventem de querer tirar fotos no local de prova, não há necessidade disso, apenas passem no vestibular que todos irão saber que você fez a prova...

8. Os tranquilões: Os mais tranquilos chegam com boné, óculos escuros (sem prescrição médica), aparelhos eletrônicos e mascando chiclete de boca aberta. Aí, os fiscais se aproximam com as informações de proibições e consequências. Eles tiram o boné e deixam a mostra o cabelo desarrumado, colocam o óculos escuro e o celular dentro do boné no chão, ou, no saquinho disponibilizado, continuam mascando chiclete de boca aberta. Fazem a prova como se fosse algo normal, chegam e saem sorrindo. Geralmente vão de bermudões e chinelo. Você percebe que ao sair eles já tem um esquema ajeitado (uma festa pra ir, por exemplo). E, provavelmente ele tomará sua vaga, porque está tranquilo, relaxado, e você nervoso, pense nisso também!

9. Os derradeiros: Sempre tem aqueles que chegam de última hora, esbaforidos, com suor escorrendo, cara de cansados e assustados. Não são tão cômicos devido a situação, visto que por pouco eles perderiam a prova, mas, sem hipocrisia, a pessoa chega com uma cara engraçada. Alguns riem de nervosismo, rezam, vão contar a história, ficam vermelhos de vergonha e constrangimento. Também tem os que perdem a hora e não fazem a prova. É complicado isso, porque você estuda o ano inteiro para àquele momento, conta os meses, os dias, as horas e quando chega você simplesmente vacila?!! Nem que tenha que sair 1 dia antes de casa, se é o que você quer, tem que correr atrás, ou melhor, tem que ir com calma, chegar com antecedência, se concentrar e preparar, não dá para deixar tudo de última hora!

10. Os curiosos: Também ocorre de nos depararmos com candidatos que não estão corretamente ou tecnicamente preparados para a prova. Mesmo com todas as informações nos cartões resposta, com as informações que os fiscais transmitem, com as explicações dos editais, não param de fazer perguntas. Tiveram alguns que também erraram e fizeram o maior escândalo na minha sala, uma menina, por exemplo, simplesmente resolveu as 2 provas de lingua estrangeira e marcou as 2 no gabarito, sendo que deveria ser só uma, a que escolhemos no momento da inscrição, desse modo, a matéria que tinha pra marcar depois da prova de língua estrangeira, ela não marcou, ou seja, com gabaritos trocados e errados, ela não tinha chance. Vale a pena perguntar quando se tem dúvida, lógico, mas como vestibulandos devemos ler os editais, se informar antes da prova.

11. Os excessivamente inseguros: Alguns candidatos sentem-se mais confortáveis e preparados se estudarem até os 30 segundos antes do início das provas, daí, levam cadernos, livros, apostilas, chegam cedo, ficam lendo, escrevendo, falando em voz alta, entram pra sala, sentam e continuam, até o fiscal chegar e mandar guardar. Pode até ser que ajude, mas, é difícil né colegas?! Você vai fazer a prova com o que você sabe de verdade, com o que está guardado na sua mente, com o seu cérebro exercitado durante todo o ano. Não dá para aprender muito na reta final, concordemos...

Bom, provavelmente esqueci de alguns, deixei de contar alguns casos, mas, o que vale é a intenção, não é mesmo? Se alguém aí quiser completar, comentar, discordar, concordar, só deixar nos comentários. De qualquer forma, acreditem, tudo o que está aqui é a verdade. E, por favor, você que vai prestar vestibular, prepare-se beeeeeeem antes, pra não passar vergonha, não correr o risco de ser eliminado, não atrapalhar os outros que também deram duro ou não virar história contada num blog...

sábado, 21 de maio de 2011

Um brilho no olhar

Consequência de uma pausa...
Tema: Os espaços urbanos das grandes cidades e a qualidade de vida.

Acordei atordoado, sequer soube reconhecer onde me encontrava. Não conseguia abrir meus olhos, nem me mexer, o que me deixou desesperado. Comecei a ouvir uns barulhos típicos de hospital e algumas vozes a minha volta, embora não soubesse distinguir as pessoas. Falavam em tom de preocupação e seriedade, imaginei que fossem médicos. Tentei me recordar como fui parar ali, mas, fui interrompido por uma visita.

Minha filha sentou ao meu lado e começou a conversar. Minha maior vontade era poder dizer o quanto a amava – há quanto tempo não dizia isso! - e perguntar o que estava acontecendo comigo. Sentia-me como uma criança indefesa, necessitada de colo e carinho. Percebi que ela se perguntava, com tristeza, como tudo tinha acontecido, como eu deixei chegar àquele ponto. Desse modo, fui recuperando minha memória a respeito de como estava agindo nos últimos anos.

Lembrei-me de quando a mãe dela ainda era viva e morávamos no interior de Goiás. Tínhamos nossa casa simples e confortável, conhecíamos todos os vizinhos e todas as semanas havia reuniões entre amigos. Não raro, no fim da tarde, sentávamos na porta de casa e ficávamos observando o movimento da cidade, que não era muito. Nos finais de semana íamos à fazenda, cavalgávamos e pescávamos. Também deixávamos que as crianças se esbaldassem na terra fofa. Incrível como todos se conheciam, se respeitavam, eram cordiais e estavam dispostos a ajudar uns aos outros. A cidade não tinha uma estrutura das melhores e estava longe de ser sinônimo de progresso, mas ainda assim proporcionava muita alegria aos moradores, ninguém queria se mudar. Entretanto, depois de receber uma ótima oferta de emprego, mudei junto de minha família para a capital.

Passamos a morar em apartamento, cercados por grades e câmeras de segurança. Os únicos que sabiam de nossa existência e rotina eram os porteiros, nem mesmo conhecíamos nossos vizinhos. Minha mulher começou a trabalhar e nossos filhos ficavam o dia inteiro por conta de empregados, escola e atividades extracurriculares. Quando chegava a noite queríamos apenas dormir e descansar. Não havia mais diálogo, muito menos família unida. Agora cada um tinha sua vida, sua rotina, seus amigos.

Após três anos morando em Goiânia senti os sinais da velhice se aproximando. Estava sempre cansado, sem fôlego, estressado, ansioso e dormindo pouco. O cigarro e a poluição faziam parte de mim e agravavam a situação do meu sistema respiratório. Tinha parado de caminhar e tornado um exímio sedentário.

Recordei-me, então, de um dos maiores sufoco pelo qual passei. O dia em que colidi com outro carro. Estava com muita pressa e com sono. Ao menos assumi a responsabilidade, o que não evitou xingamentos, desrespeito e quase agressão. Foi nesse dia que sofri meu primeiro enfarto. Dei-me conta de que esse não foi o único episódio em que me descontrolei. A briga no supermercado, a discussão com o síndico, as buzinadas no trânsito, o mau cheiro no prédio devido à grande quantidade de lixo, os empurrões na fila do banco, a briga com meu filho por causa das festas, bebidas e companhias, a morte da minha mulher e, por fim, o assalto.

De súbito lembrei-me porque estava na unidade intensiva. Fui assaltado e reagi, não esperava que ele fosse capaz de atirar em mim. Por um segundo acreditei que ainda estivesse no interior do estado e que fosse possível resolver os problemas apenas com uma conversa. Realmente, nossa vida tornou-se insignificante, assim como inúmeros valores foram deturpados e perdendo sentido.

Os médicos voltaram acompanhados dos meus filhos. O efeito do tratamento não estava sendo satisfatório. Para eles, era como se eu já estivesse morto. Percebi que eles choravam e se despediam de mim. Meu desejo era poder abraçá-los e pedir desculpas por todos os erros cometidos. Uma aflição terrível tomou conta de mim. Tinha que existir alguma forma de me expressar, de avisar que eu estava bem, que eu podia ouvi-los, que eu os amava e que me comprometia a mudar meu comportamento. Se fosse necessário, voltaríamos a ter nossa vida no interior – que saudade! Então, uma lágrima escorreu de meus olhos. Lembramos que Deus existia. O aviso foi dado. Sim, eu estava vivo. Sim, eu os amava. Sim, eu estava pronto para operar mudanças. Naquele momento, concentrava-me em poder abrir os olhos, renascer e enxergar o colorido da vida outra vez...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dia das Mães - ainda é tempo!

Consequência de uma pausa...

Bom, começo desejando à todas as mães que por aqui passarem, um enorme parabéns pelo dia especial de vocês - que foi ontem! Acho linda essa data, um dia para reunir a família, celebrar o amor e a união, mas, sabe, por mais clichê que seja a frase "dia das mães é todo dia", estou de pleno acordo. As mães não deixam de ser mães nos outros 364 ou 365 dias do ano, todos os dias elas são mães, pela vida inteira, eternamente. Acredito também que seja somente nessa relação que existe o amor incondicional, com exceções, é claro, há mães que nem mesmo deveriam ser assim consideradas, e também há aquelas mulheres que sonham em ser mães e não podem, como também existem outras relações de amor incondicional, coisas da vida...

No segundo domingo de maio inúmeras homenagens são feitas, seja através de poemas, contos, fotos, mensagens, enfim, independente do meio, todas as mães são lembradas e homenageadas. Acho uma pena que somente em um dia do ano todo esse amor e admiração sejam expressados, que somente essa data se volte a pessoas tão importantes como essas mulheres, imprescindíveis à sociedade. Porém, o comércio já tem que se preparar para o dia dos namorados...iventam tantas datas comemorativas (nada contra, mas é que fica tudo concentrado em um dia só, o que faz com que as pessoas se esqueçam que vivemos um ano inteiro, que podemos amar e declarar esse amor todos os dias!), e ainda tem aquele deputado querendo tornar feriado os jogos da seleção brasileira durante a copa...melhor nem comentar mais, perderia o foco com a minha indignação!

Pois bem, hoje vou fazer diferente. Recebi um e-mail sobre as mães e vou compartilhá-lo com vocês! Eu me diverti bastante, espero que gostem, é um jeito diferente de entender as mães! :)

Diz assim: "Porque as mães gritam tanto:"

Obs.: As imagens foram retiradas do e-mail, não havia links de origem das fotos. Algumas, creio eu que são de filmes e propagandas e o restante retiradas da própria internet. Dei-me o direito de não publicar algumas porque seria muita exposição das crianças.














Agora ficou mais fácil compreender o comportamento histérico de algumas mães, né?!

Parabéns mamães de todo o mundo! E, lógico, um especial à minha mãe, afinal, meu amor por ela é incondicional...

domingo, 1 de maio de 2011

Era noite

Consequência de uma pausa...

Era noite, não lembro a hora exata. O céu estava diferente, um pouco alaranjado, com misturas de azul e vermelho em meio ao negro. Dava para ouvir o som do vento, muito forte naquele dia, me fez arrepiar. As árvores balançavam mais que o normal. Parecia realmente uma noite de tempestade, com direito a filmagem para filme baseado em fatos reais. 

Eu levantei e me aproximei da sacada, pensei que seria um dia perfeito. Hesitei ao ouvir barulhos, até que percebi que vinham do apartamento de cima. Eram correntes de arrastando, quem sabe alguém vindo me visitar. A porta do armário fechou, talvez tenha sido a força do vento - ou não. Resolvi abrir todas as janelas, deixar o vento carregar consigo tudo o que conseguisse, bagunçar o que fosse possível, até mesmo porque, nada estava mais bagunçado que minha mente. 

Caminhei pelo apartamento, sim aquele em que passei a maior parte da minha vida, mais momentos ruins do que bons, mas foi nele que vivi, se é que pode dizer que eu vivi algum dia. Um sentimento nostálgico me contaminou, uma pontinha de medo surgiu quando visualizei as fotos espalhadas pela sala, pelo quarto. Por que eu estava sempre sorrindo? Eu nem era tão feliz assim. Por dentro algo se remexia, uma ânsia de vômito me levou ao banheiro, aah, agora não é hora disso, eu pensei. Pedi forças a alguma divindade, nem sabia mais para quem apelar, se estivesse alguém perto de mim que me desse forças, era o que eu mais precisava naquele momento. 

As folhas espalharam-se para todos os lados, nem eu sabia de onde surgira tantas, deve ter sido da vida de estudos que eu nunca consegui largar. E, por que tantas coisas guardadas? Por que não me desapegar? Naquela hora decidi abrir os baús antigos, as caixas, ir rumo ao quartinho da bagunça para me desfazer de tudo. Comecei pelas caixas maiores, no fundo eu já sabia que elas seriam mais fáceis, tinham menos objetos de grande importância. Abri a primeira, repleta de cadernos do início da minha vida escolar, a letra ainda era meio desordenada e eu escrevia somente a lápis, lembrei-me do quanto sonhava com o dia em que fosse “maior” e estaria apta a escrever com caneta. Joguei fora. Abri a segunda caixa, eram materiais do ensino médio. Listas e mais listas de exercícios, preparatório para o vestibular, que época foi aquela! Melhor esquecer. Tudo para o lixo. Abri outra, coisas da faculdade, olhei para o lado e tinha mais um monte, tudo da época da faculdade. Senti-me sufocada. Nem abri, tudo para o lixo. Andei em direção às pequenas, às caixinhas delicadas, aquelas que eu já sabia, iriam ser dolorosas, mas, era necessário, importante não deixar vestígios. Comecei por uma com fotos em excesso, era da infância. Como pode nascer um bebê tão lindo e sorridente e crescer um adulto tão feio e amargurado? Decidi que as fotos ficariam, alguém poderia querer. Abri outra, essa era de cartas. Quantas quartas! Recadinhos da época de escola, de faculdade, de alguns momentos. Esses foram difícil decidir o que fazer, resolvi trancá-los no cofre, não poderiam ir para o lixo nem ficar disponível para qualquer um. Fui abrindo as caixas e vendo o que carregava comigo pela vida, o que deixava pelo caminho, o que esquecia de vez, o que realmente marcou minha vida, o que foi passageiro e o que poderia ter sido mudado. Muita coisa foi para o lixo, mas, fracassei, de alguns conteúdos não consegui me desapegar. Finalizei mais essa etapa. Canalizei minhas forças, esqueci de tudo o que poderia, simplesmente apaguei da memória e deixei minha mente em branco, sem pensamentos atormentadores, sem lembranças ou memórias. 

Voltei para a sala. Apaguei todas as luzes e fui rumo a sacada novamente. Mas, uma súbita vontade de caminhar me deteve. Antes era preciso caminhar. Nesse momento olhei no relógio, era meia-noite em ponto. Desci pelo elevador, tudo silencioso, vazio. O porteiro com sua mini televisão ligada e tirando um cochilo sentado na cadeira. Consegui abrir o portão sem incomodá-lo, era até melhor, assim uma pessoa a menos veria. Saí pela rua, calma, silenciosa, poucos carros passando, rápidos. Os prédios pareciam adormecidos, poucas luzes acesas, ninguém nas sacadas. Alguns cachorros começaram a dividir a calçada comigo. Fui andando, para onde o vento me levasse, só não queria que ele me fizesse re-encontrar o que ele já tinha levado do meu apartamento. Nada de regresso ao passado. Andei bastante, mas, senti outra necessidade súbita, de voltar, de subir e ir até a sacada, não tinha jeito, era realmente necessário. 
 Comecei a voltar. O vento mudou de rumo, ficou mais forte, os assobios mais altos. As árvores estavam a pouco de serem arrancadas da terra. Percebi maior movimento nos apartamentos, as pessoas estavam fechando suas janelas, suas sacadas. Fui voltando. Parei. Repentinamente percebi que alguém estava me vendo, pior, estava me vigiando. Voltei-me para a rua que cortava meu prédio. Atrás de um container havia um homem. Os postes mal iluminavam a rua, mas percebi que ele usava camisa e calça escuras, e, me olhava fixamente. Eu também não conseguia desviar meu olhar do dele. Foram poucos segundos que pareceram uma eternidade. Ele me passava alguma mensagem, queria me dizer algo. Ainda não compreendo como foi possível que, sem abrir a boca, nos comunicássemos. Ficamos assim, parados, de lados opostos, a uma distância considerável, mas, que não foi obstáculo à nossa comunicação, à nossa troca de olhares. Foi intenso. Sentia-me como se tudo o que se passava comigo, tudo o que eu sentia, tudo o que eu pensava, tudo o que eu percebia ele via. Sentia-me aberta, ele sugava tudo de mim. O cachorro latiu. A atenção foi desviada. Subi até o meu apartamento. Entrei diretamente para o meu quarto, comecei a limpar, organizar, em poucos minutos estava um quarto digno de gente normal - ou quase. Fui para a cozinha, coloquei água para ferver, ia cozinhar uma massa. Comecei a fechar as janelas, mesmo que o vento já tivesse diminuído sua força. Fui ao quartinho, ordenei as caixas restantes, guardei o que tinha para guardar e joguei fora o necessário. Tranquei a porta. Fui até a sala, liguei o som, juntei os papeis, coloquei tudo em seu devido lugar. E decidi que o cofre ficaria trancado por muito tempo. 

Sentei-me para descansar. Parei. Estava de frente à sacada. Levantei. Dei três passos. Hesitei. Não, era preciso. Fui até a beira. O vento renovou suas forças e eu o senti tocar a minha pele, mas não era uma sensação ruim, era boa, muito boa, me sentia renovada, limpa, seu assobio era música. Abri os olhos. Vi o homem, aquele mesmo homem. O cachorro latiu, o homem abaixou da testa um óculos escuro, de suas mãos surgiu uma bengala com a qual ele tateou a sua frente e foi caminhando, vagarosamente, creio que na direção do vento...