Consequência de uma pausa...
Confesso que iniciei um post sobre a Páscoa, mas foi ficando muito complexo, minha mente foi pensando a mil por hora, as críticas estavam pesadas (Senhor, perdoa-me! rs) e devido ao tamanho do post e o fato de eu ter que revisá-lo antes de publicar, mudei de ideia e de data para a publicação do mesmo.
Sendo assim, vou manter o ambiente mais leve por hoje, em contraste com meu peso após voltar a comer chocolates. Para quem comia chocolate diariamente, e não se contentava com apenas 30 gramas de chocolate amargo ou meio amargo (de acordo com as recomendações médicas), passar a quaresma e a Semana Santa sem se deliciar com essa "iguaria" foi bastante difícil. Sim, eu sou chocólatra, mas também sei me controlar, e, acho que depois dessa penitência, a ingestão desse produto vai até diminuir.
Não me satisfaz completamente dar margens à minha pressa e à superficialidade, mais uma vez, porém, é o que eu tenho para hoje. Espero, de novo, que não se sintam "desrespeitados" pela minha falta de presença nesse espaço e falta das minhas expressões, opiniões, ou, que seja, dos meus contos e devaneios. Logo, tudo voltará ao normal. Acho que assim que eu entrar nos eixos, o blog volta ao seu eixo também, não vou me prolongar nesse assunto agora, primeiro que não vem ao caso e segundo porque seria mais complexo que explicar minhas opiniões a respeito da Páscoa e de tudo o que a envolve, rs.
Sabe, se tem uma propaganda (das poucas que vejo) que me impressionou nesses últimos dias foi a da Coca-Cola. Já se vão quase 3 anos que eu não bebo refrigerantes, ou, bebidas gaseificadas. Nunca fui muito fã, mas, por fim, ingeria praticamente em todos os finais de semana, coisas de família. Tudo começou com penitência de quaresma que eu decidi prolongar. Aos poucos, percebi que realmente não me fazia falta, e nessa de não me fazer falta também ganhava em saúde, visto que esse tipo de bebida não é saudável, então, decidi parar de vez. Desse modo, posso dizer que hoje valorizo muito mais uma garrafinha de água mineral ou de suco. E, ainda, descobri que a maioria dos meus amigos também decidiram parar de beber refrigerantes ou já não bebiam, ao ponto de combinarmos de sair e 90% das pessoas da nossa mesa estarem bebendo suco ao invés de refrigerante. Enfim, o ponto principal é a maneira como as marcas vão se reinventando, tentam se aproximar dos consumidores, aumentar esse número e, agora, também tentam conscientizar a população para o bem, o que me admira - mas, não me faz voltar a ingerí-la, rs.
A partir da propaganda publicitária...
1. Não precisamos ser sempre negativos, pessimistas. Sempre temos a chance de olhar para o lado e procurar algo de bom, que nos motive, afinal, se tudo a nossa volta nos entristece, há algo de errado nisso aí...
2. As crianças são simplesmente seres divinos, capazes de mudar as atitudes dos pais, de propagar alegria, paz, amor e mudar toda uma história, ou, várias histórias e ambientes.
3. A corrupção deve ser sempre combatida, mas também não podemos nos esquecer de combater as doenças que nos cercam, de combater a falta de consciência das pessoas que tem medo de doar sangue e salvar vidas. Pessoal, doar sangue vai além de "ser furado" e retirarem "algo seu", doar sangue é salvar vidas, é praticar o bem (sem ver a quem), é fazer pessoas e famílias mais felizes, é dar a chance de sobrevivência para alguém, é dar uma segunda chance, é curar, é pensar um pouco mais no próximo e deixar o egoísmo e a ignorância de lado.
4. Destruir a natureza = destruir a si mesmo, pensem nisso. Embora 98% das latinhas de alumínio sejam recicladas, o Brasil ainda está longe do necessário para que o ambiente não sofra demasiado, muitas outras coisas precisam ser recicladas, inclusive, muitas vidas precisam ser recicladas, vidas que se encontraram no lixão, nas ruas, em meio a lixo que também poderia ser reciclado e não será...
5. Guerras são retrocessos, que poderiam ser evitados se soubéssemos viver em sociedade, se soubéssemos diminuir um pouco os interesses capitalistas, egoístas, dominadores e sobrepor os interesses de salvar o mundo do que há de errado.
6. Tá que eu tenho alergia dos bichinhos de pelúcia, mas, eles são fofos, representam coisas boas, marcam bons momentos e relacionamentos, então, que sejam produzidos a todo vapor e substituam as armas...
7. Que o amor seja propagado, disseminado muito mais que o medo, embora este também seja inerente ao ser humano. De qualquer forma, o amor é sublime, nos faz o bem, ajuda a formação de um mundo melhor, ao contrário do medo, que reprime, isola e muitas vezes (não todas) faz mal.
8. Para cada arma vendida, 20 mil pessoas são capazes de compartilhar algo do qual ambas gostam, isso é olhar ao próximo, é compartilhar alegria, mostrar amor, união e o bem.
Com certeza, há razões para acreditar que os bons são maioria. E, há muitas outras razões para acreditar que devemos aumentar o número de bons e disseminar essa maioria mundo afora, para que o bem chegue ao maior número de pessoas possíveis...
Sim, me encantei com essa propaganda da Coca. Que as pessoas não se lembrem só de ingerir a bebida, mas também se lembrem da mensagem que a propaganda passa e pratiquem o bem.
Uma ótima semana a todos que por aqui passarem!
Uma musiquinha para vocês:
Mostrando postagens com marcador meio ambiente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador meio ambiente. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 25 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Ah, a natureza...
Consequência de uma pausa...
Mais um dos meus "posts rápidos", então, desconsiderem qualquer coisa...
É assim, no dia-a-dia que crescemos, amadurecemos e aprendemos. Posso até dizer que dá para aprender de tudo, bom ou ruim, por vontade própria, influência ou imposição, nós aprendemos inúmeras coisas, úteis ou não. Hoje, entrei para fazer uma pesquisa e, como sempre, abri na página da UOL para ler as últimas notícias, eis que me deparo com um álbum de fotos de teias de aranhas cobrindo as árvores do Paquistão. Exótico, inusitado, inacreditável, fim dos tempos, desequilíbrio, enfim, muitas palavras vem à nossa mente ao lermos e vermos imagens e reportagens como essa, mas, a que mais pesa é adaptação.
Diariamente somos submetidos a situações adversas, não costumeiras, e somos "obrigados" a nos acostumar a elas, ou seja, a nos adaptarmos. Através dessas fotos percebemos o quanto fazemos parte da natureza. A enchente dominou a cidade, deixando-a com poucos, ou nenhum, espaço seco para que as aranhas pudessem armar suas teias, se alimentarem e reproduzirem. Obviamente não foram só elas que perderam seu habitat, as pessoas - e outros animais terrestres - também, e, ao mesmo modo, se viram numa situação "inusitada" em que deveriam buscar outras condições de vida e garantir, assim, sua sobrevivência e a não extinção da espécie.
A adaptação é alvo de muitos estudos e controversias, de seguidores de Lamarck a seguidores de Darwin, principalmente. Para Lamarck a pressão ambiental leva a modificações adaptativas ("Lei do Uso e Desuso") que, por sua vez, seriam características hereditárias ("Lei da Transmissão das características adquiridas"), e, no fim, teríamos a evolução da espécie. Segundo Darwin, as espécies possuem variabilidade biológica, que sofrem efeitos da pressão ambiental e, então, ocorre a seleção natural, garantindo a sobrevivência dos indivíduos mais aptos, que irão reproduzirem-se (perpetuarem-se) e, assim, acontece a evolução da espécie. Essa foi uma breve e super superficial comparação entre as duas linhas de pensamento, o que, de certa forma, nem vem ao caso, mas, eu quis aproveitar enquanto escrevia para estudar um pouco mais de biologia, ou seja, acabei de maximizar meu tempo de estudo, bom, enfim...voltando ao assunto principal...
Ao ver essas imagens (clique aqui caso ainda não tenha clicado acima) e a notícia pensei no quanto o ser humano devia aprender com esse fato. Confesso que eu, a cada dia, tento aprender mais e mais, não só no que diz respeito as matérias escolares, mas também para a vida, como diz uma professora minha: "devemos deixar de ser ignorantes, parar de estudar só para passar no vestibular e começar a estudar para a vida" - sim, ela leciona fisiologia humana e comparada, o básico, ou nem tão básico assim, que todos deveriam conhecer para levar uma vida saudável e salvar outras vidas. Pois bem, essas aranhas nos deram uma verdadeira lição de vida, nos mostraram o quanto somos capazes de nos adaptar, de enfrentar a realidade diante dos piores acontecimentos, não esmorecer perante as dificuldades, e, assim, sobrevivermos. Afinal, muitos dizem que não vivem, e, sim, sobrevivem, não é mesmo?! Portanto, as aranhas também fizeram dessa maneira.
Outro ponto interessante é a maneira como a natureza se re-organiza e, com ela, todo o restante do ecossistema, assim como a população dos mosquitos, que diminuiu. Entre os humanos também é assim, conforme alguém se transforma, muda tudo a sua volta, o seu jeito de ver e enfrentar o mundo e toda a realidade que o cerca, as relações interpessoais também sofrem modificação e, então, uma vida nova começa. E, vale ressaltar, que essa vida nova só foi capaz de se formar porque, antes, transformações ocorreram, e, como o próprio Lamarck já disse um dia: "Em tudo o que a natureza opera, ela nada o faz bruscamente." Desse modo, se olharmos atentamente a tudo o que nos acontece veremos que alguns sinais de mudanças aparecem no decorrer da caminhada...
Concluindo, hoje percebi, mais uma vez, que assim como as aranhas e outros animais, também somos capazes de nos re-fazer, re-construir, re-inventar, re-erguer, como dizem: "levantar, sacudir a poeira e seguir em frente". Independente do que possa ocorrer para nos colocar para baixo, nos diminuir, nos machucar, nos tornar inferiores, somos privilegiados com a racionalidade, com a segunda oportunidade, sendo assim, devemos aproveitá-la e continuar a viver, não como antes, porque "naquela época" o olhar para o mundo e para a vida era outro, era tudo diferente do "agora". Realmente, tudo isso tem muito a ver com a minha vida, comigo, com o modo com eu vejo - ou via - as coisas a minha volta, enfim...não vou prolongar-me mais, rs. Mas, saibam, a vida é imprevisível.
Se me permitem, usarei de citações para ilustrar tudo o que quero dizer:
"Existe em nós a capacidade de realizar e dar vida nova a tudo que nos cerca. Basta querer."
"O problema da vida não é andar, tropeçar, cair...é voltar sempre para o mesmo lugar."
"Quando tudo parece dar errado, acontecem coisas boas que não teriam acontecido se tudo tivesse dado certo". (Renato Russo).
Enfim, em toda nossa vida, nos deparamos com dificuldades impostas por ela, que devem ser superadas. Também devemos passar por esses desafios, faz parte - e que parte! - e, para isso, precisamos tentar, pois se não tentarmos, a vida passará diante de nós, apenas passará...
P.S.: Lado humanitário do post:
“Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.” (Martin Luther King).
Mais um dos meus "posts rápidos", então, desconsiderem qualquer coisa...
É assim, no dia-a-dia que crescemos, amadurecemos e aprendemos. Posso até dizer que dá para aprender de tudo, bom ou ruim, por vontade própria, influência ou imposição, nós aprendemos inúmeras coisas, úteis ou não. Hoje, entrei para fazer uma pesquisa e, como sempre, abri na página da UOL para ler as últimas notícias, eis que me deparo com um álbum de fotos de teias de aranhas cobrindo as árvores do Paquistão. Exótico, inusitado, inacreditável, fim dos tempos, desequilíbrio, enfim, muitas palavras vem à nossa mente ao lermos e vermos imagens e reportagens como essa, mas, a que mais pesa é adaptação.
Diariamente somos submetidos a situações adversas, não costumeiras, e somos "obrigados" a nos acostumar a elas, ou seja, a nos adaptarmos. Através dessas fotos percebemos o quanto fazemos parte da natureza. A enchente dominou a cidade, deixando-a com poucos, ou nenhum, espaço seco para que as aranhas pudessem armar suas teias, se alimentarem e reproduzirem. Obviamente não foram só elas que perderam seu habitat, as pessoas - e outros animais terrestres - também, e, ao mesmo modo, se viram numa situação "inusitada" em que deveriam buscar outras condições de vida e garantir, assim, sua sobrevivência e a não extinção da espécie.
A adaptação é alvo de muitos estudos e controversias, de seguidores de Lamarck a seguidores de Darwin, principalmente. Para Lamarck a pressão ambiental leva a modificações adaptativas ("Lei do Uso e Desuso") que, por sua vez, seriam características hereditárias ("Lei da Transmissão das características adquiridas"), e, no fim, teríamos a evolução da espécie. Segundo Darwin, as espécies possuem variabilidade biológica, que sofrem efeitos da pressão ambiental e, então, ocorre a seleção natural, garantindo a sobrevivência dos indivíduos mais aptos, que irão reproduzirem-se (perpetuarem-se) e, assim, acontece a evolução da espécie. Essa foi uma breve e super superficial comparação entre as duas linhas de pensamento, o que, de certa forma, nem vem ao caso, mas, eu quis aproveitar enquanto escrevia para estudar um pouco mais de biologia, ou seja, acabei de maximizar meu tempo de estudo, bom, enfim...voltando ao assunto principal...
Ao ver essas imagens (clique aqui caso ainda não tenha clicado acima) e a notícia pensei no quanto o ser humano devia aprender com esse fato. Confesso que eu, a cada dia, tento aprender mais e mais, não só no que diz respeito as matérias escolares, mas também para a vida, como diz uma professora minha: "devemos deixar de ser ignorantes, parar de estudar só para passar no vestibular e começar a estudar para a vida" - sim, ela leciona fisiologia humana e comparada, o básico, ou nem tão básico assim, que todos deveriam conhecer para levar uma vida saudável e salvar outras vidas. Pois bem, essas aranhas nos deram uma verdadeira lição de vida, nos mostraram o quanto somos capazes de nos adaptar, de enfrentar a realidade diante dos piores acontecimentos, não esmorecer perante as dificuldades, e, assim, sobrevivermos. Afinal, muitos dizem que não vivem, e, sim, sobrevivem, não é mesmo?! Portanto, as aranhas também fizeram dessa maneira.
Outro ponto interessante é a maneira como a natureza se re-organiza e, com ela, todo o restante do ecossistema, assim como a população dos mosquitos, que diminuiu. Entre os humanos também é assim, conforme alguém se transforma, muda tudo a sua volta, o seu jeito de ver e enfrentar o mundo e toda a realidade que o cerca, as relações interpessoais também sofrem modificação e, então, uma vida nova começa. E, vale ressaltar, que essa vida nova só foi capaz de se formar porque, antes, transformações ocorreram, e, como o próprio Lamarck já disse um dia: "Em tudo o que a natureza opera, ela nada o faz bruscamente." Desse modo, se olharmos atentamente a tudo o que nos acontece veremos que alguns sinais de mudanças aparecem no decorrer da caminhada...
Concluindo, hoje percebi, mais uma vez, que assim como as aranhas e outros animais, também somos capazes de nos re-fazer, re-construir, re-inventar, re-erguer, como dizem: "levantar, sacudir a poeira e seguir em frente". Independente do que possa ocorrer para nos colocar para baixo, nos diminuir, nos machucar, nos tornar inferiores, somos privilegiados com a racionalidade, com a segunda oportunidade, sendo assim, devemos aproveitá-la e continuar a viver, não como antes, porque "naquela época" o olhar para o mundo e para a vida era outro, era tudo diferente do "agora". Realmente, tudo isso tem muito a ver com a minha vida, comigo, com o modo com eu vejo - ou via - as coisas a minha volta, enfim...não vou prolongar-me mais, rs. Mas, saibam, a vida é imprevisível.
Se me permitem, usarei de citações para ilustrar tudo o que quero dizer:
"Existe em nós a capacidade de realizar e dar vida nova a tudo que nos cerca. Basta querer."
"O problema da vida não é andar, tropeçar, cair...é voltar sempre para o mesmo lugar."
"Quando tudo parece dar errado, acontecem coisas boas que não teriam acontecido se tudo tivesse dado certo". (Renato Russo).
Enfim, em toda nossa vida, nos deparamos com dificuldades impostas por ela, que devem ser superadas. Também devemos passar por esses desafios, faz parte - e que parte! - e, para isso, precisamos tentar, pois se não tentarmos, a vida passará diante de nós, apenas passará...
P.S.: Lado humanitário do post:
“Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.” (Martin Luther King).
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Ser solidário
Ontem passei pelo blog da Carla, o Le Petit Coin , e deparei-me com um post muito interessante, sobre o assunto solidariedade. Eu já tinha escrito alguma coisa a respeito do mesmo tema, assim, reuni partes desses textos, acrescentei mais algumas coisas e formei esse abaixo, visto que esse tema deve sempre ser comentado, divulgado, compartilhado e discutido.
Sem sombra de dúvidas a solidariedade é um gesto e uma atitude que nem todos são capazes de distribuir e menos ainda são os que sabem recebe-la. Quem sabe o significado de solidariedade a valoriza, pois ela é uma virtude, possui ideais cristãos de compartilhamento de bens espirituias antes mesmo dos materiais. Através da solidariedade também podemos promover um mundo mais igualitário e justo (pelo menos utopicamente). Mas, antes de possuir esse sentimento solidário acredito que devemos ter o sentimento da compaixão, tanto para quem quer ajudar quanto para quem quer receber. Se essas pessoas não estiverem com a alma repleta de compaixão não ajudarão verdadeiramente, ou, não deviam ter o direito a receber ajuda.
Há alguns finais de semana o programa Esquenta, com apresentação de Regina Casé, está no ar na TV Globo - todos os domingos na hora do almoço. Já assisti a uns 3 programas e percebi o quanto a Regina Casé é uma pessoa admirável. Sim, antes eu não era muito fã dela, vai ver era pelo jeito espalhafatoso, porque das roupas continuo não gostando, rs. Mas então, eu realmente vi, digamos que, a "alma" dela. Muitos exemplos de solidariedade foram mostrados, atitudes dignas de uma cidadã de corpo e alma e uma mistura brasileira como nunca tinha visto antes. Comecei a reparar no quanto aquela mulher tem um coração bondoso, enorme e se expressa muito bem, acorda as pessoas para a realidade, instiga-nos a darmos o nosso melhor em todas as áreas da vida, enfim, um grande ser humano. Lógico, não sei como é pessoalmente, sem estar na frente de uma câmera, mas espero profundamente que seja assim como se aprensenta para o público. Por que estou falando dela? Porque hoje eu quase chorei (de verdade) no programa dela, quando vi ela falando que ia ajudar uma criança e um outro rapaz apareceu com os olhos se derramando em lágrimas porque também já tinha sido ajudado por ela, e estava vendo no menino o seu passado, estava revendo as oportunidades que teve e o quanto a solidariedade da Regina lhe foi importante. Sabe, não sei se já comentei por aqui, mas meu sonho depois de me formar médica é poder dispor de um tempinho no meu dia-a-dia para poder ajudar quem não tem condições de pagar quase um salário mínimo numa consulta médica, quem não tem tempo de sobra pra ficar dias e dias numa fila para ser atendido (correção: mal atendido). Pretendo entrar no Projeto da Cruz Vermelha ou qualquer outro que possa ajudar-me a concretizar mais um sonho meu. Não vou fazer medicina pensando só no retorno financeiro, lógico que isso faz parte, mas antes de tudo eu quero entrar de corpo e alma na profissão, porque é uma coisa que eu gosto, porque vai me ajudar a distribuir um pouco de solidariedade, de ajuda humanitária, mundo afora, afinal, tem tanta gente precisando disso e disposta a receber com compaixão, não é mesmo? Também quero deixar claro que sou consciente de que não mudarei o mundo, mas as mudanças partem das pequenas atitudes que cada um tem no seu cotidiano.
Todos os finais de ano, todos os verões, veremos milhares de mortes por deslizamentos, soterramentos, desabamentos e tudo o mais de "entos" que surgir. Não, não estou desejando mal às pessoas e também não sou uma vidente, apenas estou falando da realidade que vivemos, é só questão de observação. O governo não tenta melhorar a vida desses cidadãos e os próprios cidadãos não tentam melhorar, então fica tudo na mesma. Até mesmo porque muitos sabem que se acontecer de novo aparecerão "um milhão" de pessoas para doar, ajudar e "facilitar" sua vida. Sim, muitos pensam dessa forma, acham que é obrigação de quem tem um "pouquinho mais" ser solidário com quem tem um "pouquinho menos", apenas ficam sentandos a espera de algum inocente disposto a ajudar. Enquanto isso inúmeras outras pessoas ralam dia-a-dia numa roça, num lixão, num serviço braçal e ganham menos do que o "pobre coitado" que recebe ajuda. Acho que antes de nos solidarizarmos com as pessoas devemos conhecer suas histórias, ver se realmente precisam dessa ajuda e se vão valorizar esse seu gesto e não tornarem-se uma sombra sua, vivendo as suas custas. Sim, é difícil "descobrir" isso tudo, mas ao menos você vai ajudar alguém que merece. Tenho certeza de que muitas doações feitas aos moradores atingidos pelo desastre na região serrana do Rio de Janeiro foram parar nas mãos de "voluntários", foram estocados por excesso, falta de necessidade ou porque não poderia ser usado mesmo (alguns tem o disparate de mandar o que não presta mais). Como eu já comentei no blog da Carla, tem tanta gente próxima a nós precisando de ajuda, porque não ir além de doar bens materiais e também doar um pouco de amor, de calor humano, de compreensão, elas não precisam só de mantimentos. Sem contar que no momento em que você manda esses tais mantimentos não sabe se realmente chegará nas mãos de quem precisa. Minha mãe já participou como voluntária, uma tia minha participou em Santa Catarina em Itajaí ano retrasado e ambas disseram as mesmas coisas, de que muita gente que estava como "voluntário" pegou para si objetos e mantimentos que foram enviados para os necessitados, ia só para "roubar" mesmo. Minha mãe também sempre diz que ao ajudar alguém, está fazendo a parte dela, de consciência limpa, o que a outra pessoa vai fazer com o dinheiro, por exemplo, é da consciência da pessoa. Mas, sabe, eu acho que se a gente pode ajudar e também pode saber se o que foi doado será bem aproveitado não precisamos dizer isso, às vezes a pessoa nem sabe o que é consciência pesada, afinal, já conseguiu os "trocadinhos" que queria mesmo! Antes de qualquer coisa quero ressaltar que em momento algum julgo as pessoas que mandam esses mantimentos, que fazem essas doações, se estão fazendo de coração é um gesto muito bonito, mas porque também não olhar mais para aqueles que estão a sua volta, que estão na sua cidade, no seu bairro?
A vida não é fácil pra ninguém, isso é fato. Mas se alguns são um pouco mais privilegiados que outros e tem a chance de ajudar a vida de alguém deveria ter uma atitude dessas, não custa muito. Como já disse, às vezes as pessoas precisam mais de apoio psicológico do que financeiro. A solidariedade é uma virtude ímpar, a partir dela muitas pessoas mudam de vida, mudam vidas e melhoram um pouco o mundo. Creio eu que ajudar alguém e ver nos olhos da pessoa a gratidão estampada não tem preço que pague, acho que foi por isso que eu quase chorei durante o programa da Regina Casé, foi lindo os olhos daquele rapaz, da criança e da mãe da criança cheio de lágrimas alegres por um ato que pouco custa à Regina. Nada melhor do que contribuir com alguém e poder ver um sorriso alegre, poder sentir um abraço caloroso, poder ser retribuido com uma cartinha, com um gesto simples, com um cafezinho que seja. Não tem preço que pague sentir-se bem consigo e com o mundo, sentir uma paz interior e saber que fez a sua parte. Acho que o mundo está em falta de pessoas com a alma limpa, com a consciência limpa e dispostas a melhorar o lugar em que vivemos, até mesmo porque, formamos uma sociedade, em que cada ação gera uma reação, cada gesto bom é retribuido por outro e mais outro. Por isso eu digo que tanto quem é solidário quanto quem recebe esse ato deve ter compaixão no coração, porque será através da compaixão que o solidário escolherá a quem ajudar e por meio da compaixão o escolhido poderá disseminar esse gesto, compartilhar com outros e ser para sempre grato a quem foi capaz de ajuda-lo. Vale ressaltar que compaixão é não ter indiferença frente ao sofrimento do outro. Então, sigamos assim, repletos de compaixão, amor, paz, simpatia, empatia e solidariedade!
Na obra "A História do Rei Lear" (texto quarto, cena 13), William Shakespeare descreve magistralmente o que é esta relação com o sofrimento.
(...) Quem sofre sozinho, sofre muito mais em sua mente (espírito). Deixa para trás a liberdade e a alegria. Mas a mente (espírito) com muito sofrimento pode superar-se, Quando a dor tem amigos e suportam a sua companhia, quão leve e suportável a minha dor parece agora. (...)
Sem sombra de dúvidas a solidariedade é um gesto e uma atitude que nem todos são capazes de distribuir e menos ainda são os que sabem recebe-la. Quem sabe o significado de solidariedade a valoriza, pois ela é uma virtude, possui ideais cristãos de compartilhamento de bens espirituias antes mesmo dos materiais. Através da solidariedade também podemos promover um mundo mais igualitário e justo (pelo menos utopicamente). Mas, antes de possuir esse sentimento solidário acredito que devemos ter o sentimento da compaixão, tanto para quem quer ajudar quanto para quem quer receber. Se essas pessoas não estiverem com a alma repleta de compaixão não ajudarão verdadeiramente, ou, não deviam ter o direito a receber ajuda.
Há alguns finais de semana o programa Esquenta, com apresentação de Regina Casé, está no ar na TV Globo - todos os domingos na hora do almoço. Já assisti a uns 3 programas e percebi o quanto a Regina Casé é uma pessoa admirável. Sim, antes eu não era muito fã dela, vai ver era pelo jeito espalhafatoso, porque das roupas continuo não gostando, rs. Mas então, eu realmente vi, digamos que, a "alma" dela. Muitos exemplos de solidariedade foram mostrados, atitudes dignas de uma cidadã de corpo e alma e uma mistura brasileira como nunca tinha visto antes. Comecei a reparar no quanto aquela mulher tem um coração bondoso, enorme e se expressa muito bem, acorda as pessoas para a realidade, instiga-nos a darmos o nosso melhor em todas as áreas da vida, enfim, um grande ser humano. Lógico, não sei como é pessoalmente, sem estar na frente de uma câmera, mas espero profundamente que seja assim como se aprensenta para o público. Por que estou falando dela? Porque hoje eu quase chorei (de verdade) no programa dela, quando vi ela falando que ia ajudar uma criança e um outro rapaz apareceu com os olhos se derramando em lágrimas porque também já tinha sido ajudado por ela, e estava vendo no menino o seu passado, estava revendo as oportunidades que teve e o quanto a solidariedade da Regina lhe foi importante. Sabe, não sei se já comentei por aqui, mas meu sonho depois de me formar médica é poder dispor de um tempinho no meu dia-a-dia para poder ajudar quem não tem condições de pagar quase um salário mínimo numa consulta médica, quem não tem tempo de sobra pra ficar dias e dias numa fila para ser atendido (correção: mal atendido). Pretendo entrar no Projeto da Cruz Vermelha ou qualquer outro que possa ajudar-me a concretizar mais um sonho meu. Não vou fazer medicina pensando só no retorno financeiro, lógico que isso faz parte, mas antes de tudo eu quero entrar de corpo e alma na profissão, porque é uma coisa que eu gosto, porque vai me ajudar a distribuir um pouco de solidariedade, de ajuda humanitária, mundo afora, afinal, tem tanta gente precisando disso e disposta a receber com compaixão, não é mesmo? Também quero deixar claro que sou consciente de que não mudarei o mundo, mas as mudanças partem das pequenas atitudes que cada um tem no seu cotidiano.
Todos os finais de ano, todos os verões, veremos milhares de mortes por deslizamentos, soterramentos, desabamentos e tudo o mais de "entos" que surgir. Não, não estou desejando mal às pessoas e também não sou uma vidente, apenas estou falando da realidade que vivemos, é só questão de observação. O governo não tenta melhorar a vida desses cidadãos e os próprios cidadãos não tentam melhorar, então fica tudo na mesma. Até mesmo porque muitos sabem que se acontecer de novo aparecerão "um milhão" de pessoas para doar, ajudar e "facilitar" sua vida. Sim, muitos pensam dessa forma, acham que é obrigação de quem tem um "pouquinho mais" ser solidário com quem tem um "pouquinho menos", apenas ficam sentandos a espera de algum inocente disposto a ajudar. Enquanto isso inúmeras outras pessoas ralam dia-a-dia numa roça, num lixão, num serviço braçal e ganham menos do que o "pobre coitado" que recebe ajuda. Acho que antes de nos solidarizarmos com as pessoas devemos conhecer suas histórias, ver se realmente precisam dessa ajuda e se vão valorizar esse seu gesto e não tornarem-se uma sombra sua, vivendo as suas custas. Sim, é difícil "descobrir" isso tudo, mas ao menos você vai ajudar alguém que merece. Tenho certeza de que muitas doações feitas aos moradores atingidos pelo desastre na região serrana do Rio de Janeiro foram parar nas mãos de "voluntários", foram estocados por excesso, falta de necessidade ou porque não poderia ser usado mesmo (alguns tem o disparate de mandar o que não presta mais). Como eu já comentei no blog da Carla, tem tanta gente próxima a nós precisando de ajuda, porque não ir além de doar bens materiais e também doar um pouco de amor, de calor humano, de compreensão, elas não precisam só de mantimentos. Sem contar que no momento em que você manda esses tais mantimentos não sabe se realmente chegará nas mãos de quem precisa. Minha mãe já participou como voluntária, uma tia minha participou em Santa Catarina em Itajaí ano retrasado e ambas disseram as mesmas coisas, de que muita gente que estava como "voluntário" pegou para si objetos e mantimentos que foram enviados para os necessitados, ia só para "roubar" mesmo. Minha mãe também sempre diz que ao ajudar alguém, está fazendo a parte dela, de consciência limpa, o que a outra pessoa vai fazer com o dinheiro, por exemplo, é da consciência da pessoa. Mas, sabe, eu acho que se a gente pode ajudar e também pode saber se o que foi doado será bem aproveitado não precisamos dizer isso, às vezes a pessoa nem sabe o que é consciência pesada, afinal, já conseguiu os "trocadinhos" que queria mesmo! Antes de qualquer coisa quero ressaltar que em momento algum julgo as pessoas que mandam esses mantimentos, que fazem essas doações, se estão fazendo de coração é um gesto muito bonito, mas porque também não olhar mais para aqueles que estão a sua volta, que estão na sua cidade, no seu bairro?
A vida não é fácil pra ninguém, isso é fato. Mas se alguns são um pouco mais privilegiados que outros e tem a chance de ajudar a vida de alguém deveria ter uma atitude dessas, não custa muito. Como já disse, às vezes as pessoas precisam mais de apoio psicológico do que financeiro. A solidariedade é uma virtude ímpar, a partir dela muitas pessoas mudam de vida, mudam vidas e melhoram um pouco o mundo. Creio eu que ajudar alguém e ver nos olhos da pessoa a gratidão estampada não tem preço que pague, acho que foi por isso que eu quase chorei durante o programa da Regina Casé, foi lindo os olhos daquele rapaz, da criança e da mãe da criança cheio de lágrimas alegres por um ato que pouco custa à Regina. Nada melhor do que contribuir com alguém e poder ver um sorriso alegre, poder sentir um abraço caloroso, poder ser retribuido com uma cartinha, com um gesto simples, com um cafezinho que seja. Não tem preço que pague sentir-se bem consigo e com o mundo, sentir uma paz interior e saber que fez a sua parte. Acho que o mundo está em falta de pessoas com a alma limpa, com a consciência limpa e dispostas a melhorar o lugar em que vivemos, até mesmo porque, formamos uma sociedade, em que cada ação gera uma reação, cada gesto bom é retribuido por outro e mais outro. Por isso eu digo que tanto quem é solidário quanto quem recebe esse ato deve ter compaixão no coração, porque será através da compaixão que o solidário escolherá a quem ajudar e por meio da compaixão o escolhido poderá disseminar esse gesto, compartilhar com outros e ser para sempre grato a quem foi capaz de ajuda-lo. Vale ressaltar que compaixão é não ter indiferença frente ao sofrimento do outro. Então, sigamos assim, repletos de compaixão, amor, paz, simpatia, empatia e solidariedade!
Na obra "A História do Rei Lear" (texto quarto, cena 13), William Shakespeare descreve magistralmente o que é esta relação com o sofrimento.
(...) Quem sofre sozinho, sofre muito mais em sua mente (espírito). Deixa para trás a liberdade e a alegria. Mas a mente (espírito) com muito sofrimento pode superar-se, Quando a dor tem amigos e suportam a sua companhia, quão leve e suportável a minha dor parece agora. (...)
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Qual o futuro que queremos?
Não sou muito fã da Revista Veja (link) devido a sua clara tentativa de manipulação de mentes. Aos olhos de alguns posso até estar errada, mas é assim que eu a vejo. Se o leitor não for uma pessoa crítica com capacidade para formar opiniões próprias será sempre aquele “revolucionário leitor da Veja”, que terá opiniões de acordo com as ideias que a Revista deseja que os outros tenham em prol dela mesma – principalmente no que diz respeito a temas políticos. Porém, não tiro dessa revista os devidos méritos, sempre aborda temas polêmicos, as entrevistas das páginas amarelas são de grande interesse e outras abordagens muito bem feitas. Ao dizer que não sou muito fã, não quer dizer que eu não leia, ao contrário, sempre que posso leio, sem contar que é preciso ter acesso a todos os tipos de informações, manter-se sempre atualizado, etc. e por isso faço a crítica.
Repetidamente friso a questão educacional do nosso Brasil, que não é grande coisa. E nas duas últimas edições da Revista Veja me deparo com ótimas reportagens e crônicas a respeito da mesma. Lya Luft, Gustavo Ioschpe, J. R. Guzzo e Cia fazem belíssimos trabalhos quando a questão é revelar a população o caminho que nosso país está seguindo para que ajam melhoras. É fato que o Brasil poderia estar bem melhor classificado no quesito educação se maiores investimentos, bem canalizados, fossem feitos, se os políticos deixassem de se preocuparem consigo mesmos e o próprio bolso e parassem de desviar dinheiro público, se a população deixasse essa inércia de lado e fosse reivindicar melhorias e a garantia de que os direitos se cumpram, enfim, se toda a sociedade se preocupasse com o futuro da nação e das pessoas que constroem e fazem parte dessa nação.
Raros são os exemplos de pessoas que são capazes de agir e mudar algo no campo educacional. Admiro quem se dispõem a enfrentar inúmeros obstáculos para a promoção de mudanças que tem por finalidade beneficiar um todo. E também por conta disso fico preocupada que mais pessoas não o fazem. Será que lhes faltam motivos para agir em busca de melhorias para o “País de Todos”? Creio que não, diante de tantas notícias, dados numéricos e etc que nos são lançados diariamente mostrando os rumos da nossa educação. E, por sinal, não são somente as escolas públicas que possuem problemas grotescos, muitas escolas privadas também fazem parte de estatísticas nada satisfatórias. Ou seja, quem pensa somente nos filhos bem educados com apoio de escolas particulares não deve ter problemas com funcionários ou secretários vindos de escolas públicas com dificuldades em leitura e contas básicas, não é mesmo? Indico a vocês a leitura dos textos dos 3 autores já citados (Lya Luft, Gustavo Ioschpe e J. R. Guzzo) da última edição da Revista Veja (edição 2196).
Faço das palavras de J. R. Guzzo as minhas: “Tudo já muda completamente de figura, porém, quando se constata que 50% dos brasileiros não conseguem entender um texto simples de leitura, e 70% não são capazes de resolver questões primárias de matemática. Ou seja: diante de conhecimentos elementares, e sem os quais fica impossível ir um pouco adiante em qualquer atividade, estão na mesma situação de ignorância sem esperança experimentada pelo leitor no teste sugerido acima. Não se trata de um ou outro caso isolado; estamos falando, aí, de dezenas de milhões de cidadãos.”
“Sua maior aspiração possível é chegar, talvez, à ‘classe C’, que no momento deixa tão deslumbrados os cientistas políticos, economistas em geral e diretores de marketing. A cada notícia sobre o aumento da ‘classe C’, cada vez mais admirada por quem não precisa viver nela, o Brasil que pensa, influi e decide se enche de satisfação e dá o problema social do país por praticamente resolvido – ou garante que ‘estamos no caminho certo’. É óbvio que estamos no caminho errado. Como poderia ser o caminho certo, quando metade da população brasileira não entende o que lê?”.
E quanto a crônica da Lya nem vou comentar, sou uma fã dela, admiro demais o trabalho dela e está imperdível a última na Revista. Bem como a reportagem do Gustavo Ioschpe.
Gostaria também de dizer que embora eu ache que a revista tem mais espaço para publicidades e propagandas do que reportagens, ultimamente têm aproveitado bem os espaços com bons textos para leitura. Inclusive admiro o trabalho com a edição especial dessa semana, com uma revista exclusiva sobre sustentabilidade, otimizando a idéia de que é possível construirmos – ou reformarmos – um mundo melhor, em que riqueza, evolução, tecnologia, desenvolvimento, sejam compatíveis com o limite e o suporte da natureza. Enfim, confirmam o pensamento de que a sustentabilidade é possível sim, basta querermos e darmos o ponta pé inicial.
Também indico a leitura da "Carta ao Leitor" dessa última edição. Mais um crítica bem vinda aos nossos homens públicos, em decorrência do "pequeno" aumento salarial deles. Eu fico absurdamente indignada com isso tudo que se passa por aqui, no Congresso, na Câmara, na Presidência e na população apática que temos. É sério, eu fico com muita raiva no rumo que nossa política toma, no fato de que ninguém faça nada para mudar, ou ao menos tentar, e continuam resignados, milhões de resignados espalhados Brasil afora. Sem sombra de dúvidas esse é um grande erro que cometemos, e mais, sofremos as consequências e não nos importamos, apenas reclamamos numa fila de banco, numa reuniãozinha com os amigos e logo nos "esquecemos, viramos pro lado e dormimos" tranquilamente. Não concordo de forma alguma com essa situação, mas o que uma pessoa sozinha pode fazer para mudar um país inteiro? Pouca coisa, ainda mais quando grande parte dos que terião maiores possibilidades, chances de promover mudanças também tem o rabo preso nos esquemas ilícitos de grande parte dos políticos. Na República Democrática em que vivemos quase nada de democracia encontramos, e assim vamos levando, como se fosse tudo mil maravilhas.
Estamos presenciando, de acordo com os dados, o quanto o Brasil está progredindo, o quanto o Brasil terá um grande futuro, se transformará numa potência mundial. Mas, e principalmente, também estamos presenciando o nível catastrófico educacional, as calamidades da saúde pública, os desastres e a falta de infra-estrutura, a "qualidade" - se é que existe - dos nossos representantes no poder público com suas "bem feitorias" - em favor próprio. Num país repleto de riquezas, de natureza e paisagens inigualáveis, de uma boa economia, nem mesmo políticas ambientais são levadas a risca - isso, quando se tem as políticas ambientais, abrindo margem para que outros países "colonizem" o que já é nosso patrimônio. Diante desses fatos estamos realmente regredindo, de educação a políticas ambientais vamos de mal a pior. Mesmo que muito já tenha melhorado, tem muito mais na fila para que também seja melhorado. Até quando iremos suportar esses inúmeros "erros" calados, silenciosamente, submissos e dando carta branca para que os parlamentares façam o que bem entenderem? Qual o futuro que estamos construindo? Qual o futuro que estamos planejando? Qual o futuro que realmente queremos?
Lembrei-me de um trecho que li em algum lugar, mas, como percebe-se não lembro o lugar, nem mesmo o autor, quem souber, só informar. Diz assim: "Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso. O que eu faço é uma gota no meio de um oceano, mas sem ela o oceano será menor."
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
O sonhado século XXI
Em meio as montanhas tudo parecia mais fácil. A vida parecia uma “coisa” de tão simples. Aquele vento singelo com aquele chiadinho que nos transmite uma calma transcendental, a brisa circundando e acariciando meu corpo como nunca alguém foi capaz de fazer, o chacoalhar do capim, das árvores e o vôo dos pássaros acompanhando o vento, pareciam estar na melhor brincadeira do mundo, voando de cá para lá e de lá para cá, sem preocupações e em plena harmonia. Que vontade de saltar do alto, saltar do cavalo, abrir os braços e simplesmente voar. Passear pelo azul do céu, encoberto de belas nuvens, será que elas eram doces como algodão doce? Visualizar toda aquela paisagem do alto, que bela visão panorâmica seria! Tanto verde, tanta água, tantos animais, quanto vento, quanta calma.
Nada melhor que galopar, abrir os braços e se deixar levar. Seguir os instintos. Seguir o coração. Não se importar. Esquecer as conseqüências, que elas venham depois, agora não, agora não. A brisa torna-se mais forte, a ventania principia e com ela a chuva. Não uma chuva qualquer, mas sim aquela chuva capaz de nos lavar, nos livrar. Aquela chuva que carrega junto dela tudo o que não queremos, que leva as impurezas e as escondem embaixo da terra ou nas nuvens, mas que independente de como for, não deixam que essas impurezas voltem. Aquela chuva sem ácidos. Pura. Limpa. Gostosa. Gelada. Macia. Sentir o cheirinho de terra molhada, nada melhor. Sentir a chuva batendo direto no seu corpo. Fechar os olhos. Imaginar. Lembrar. Se acalmar. Chorar. Sentir-se purificada. Correr. Cair. Levantar. Sujar. Nem ligar. Deitar. Descansar. Se libertar. Como é mesmo ser criança?
A chuva passa e leva consigo tudo o que tinha para levar. Leva a terra. Leva bichinhos. Leva o que tinha de indesejável. Leva o que era leve. Faz seu papel na terra. Faz seu papel no ar. Faz seu papel na alma. Volto a subir no cavalo e faz-se o caminho de volta. Tudo belo, alegre, colorido, em paz. Quanta tranqüilidade, há quanto tempo não me sentia assim mesmo?
– Onde você estava? – Voltou a ser criança? – Nos deixou preocupados! – Como foi capaz de fazer isso? – Você tem que deixar de ser inconseqüente! – Olha seu tamanho, já é uma mulher! Sim. Já sou uma mulher, e essa é a melhor resposta. Tudo em paz? Aquele era um momento meu, só meu, ninguém deveria interferir. Solidão nem sempre é ruim. Como também nem sempre é ruim realizar os desejos mais profundos, dar espaço para a liberdade da mente e não se importar com o que os outros pensam ou digam.
Já tinha me esquecido de como é gostosa a liberdade, de como a natureza é benéfica. Nem lembrava mais de como é bom andar à-toa, desligar-se do mundo real (ou seria virtual?), deixar-se levar, ir de acordo com os sons do coração, da natureza, de acordo com o instinto. Ainda existe vontade própria? Sim, existe.
Voltei à cidade. Contrariei meu coração, minha mente, minha liberdade, a natureza. Mas é a necessidade (a ocasião não faz o ladrão? – poderia interferir e colocar um ‘geralmente’). Troquei o chiadinho do vento pelo grande chiado das buzinas. Troquei o chacoalhar do capim pelo chacoalhar da academia. Troquei meu cavalo pelo carro. Troquei o banho de chuva pelo chuveiro de água quente. Troquei a cama de capim pela cama de colchão ortopédico. Troquei a música da natureza pela música estridente do toque do celular. Troquei a paisagem natural pela antrópica, reta, cinza e concrética. Troquei a pureza pela ardência dos pecados que nos rodeiam a todo o momento. Troquei a solidão pelos conselhos intermináveis de que não é possível viver sozinha, de que obrigatoriamente tem que ter alguém, pelas festas, pela presença de pessoas indesejáveis por pura interferência alheia e nada de espontaneidade e franqueza. Troquei o ar puro pelo peso e sujeira da poluição. Troquei o livre arbítrio pelos livros de auto-ajuda e mandamentos. Troquei a liberdade pela clausura das grades, das câmeras de segurança. Troquei o ar livre pela caverna de Platão.
Assinar:
Postagens (Atom)