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domingo, 5 de agosto de 2012

Amém!

Antes de tudo, cuidado com sua interpretação. Essa postagem não tem a intenção de agredir ninguém, só esclarecer ou garantir um pouco de reflexão nesse mundo de ideias deturpadas, bem como não escrevi de má fé, muito pelo contrário. De antemão já peço desculpas caso alguém se sinta prejudicado, realmente não é a intenção. E estou ciente de toda a minha sinceridade (talvez ingênua, nesse caso). Caso queira esclarecer algo, existem as opções de enviar-me um e-mail ou comentar aqui no blog mesmo, pois sei que esse tema é muito delicado. (Sim, estou com receio de possíveis consequências, no entanto, preciso desabafar).
As redes sociais têm seu lado positivo e negativo, como tudo na vida. Entretanto, ultimamente, tenho visto postagens muito desagradáveis, não somente religiosas, mas em todos os sentidos, estilos e temas. E, cá para nós, essas redes sociais me cansam cada vez mais, já prevejo o dia em que continuarei só com o blog e o Messenger (já em desuso) – e olhe lá!
No momento pretendo falar das religiosas. Muitos podem achar que é por eu ser católica, mas essa não é a questão que irei discutir, até mesmo porque, isso, teoricamente, não se discute - determinação cultural, moral e ética, felizmente. Ou melhor, tentarei ser o mais imparcial possível, o que é difícil diante dos fatos, porém, tentarei ao máximo. De qualquer forma, o que entra em pauta é: respeito.
Há alguns dias, postaram no Facebook uma imagem com um texto – como de praxe – sobre um paciente que vai ao médico e o mesmo não está, a partir de então, comparam o médico a Deus, a mãe do médico à Maria e a secretária aos Santos. De forma que a mãe e a secretária não resolvem os problemas do paciente, só o médico, fazendo-se desnecessárias. Sinceramente, essa comparação é infeliz!
O que mais me intriga não é nem a comparação realizada e sim a falta de respeito para com as outras religiões. No meu caso, as duas pessoas do meu vínculo de amizades que postaram são ambas evangélicas. Devo levar em consideração que os evangélicos são aqueles que já foram – alguns ainda são – perseguidos, assassinados, discriminados e criticados por serem evangélicos, de maneira que sempre cobraram respeito, aceitação e educação por parte dos outros – obviamente uma cobrança justa perante a sociedade. Sendo assim, como podem atacar outras religiões? Será que sua própria história não contribuiu para sua aprendizagem? (Quero deixar claro que faço essas perguntas a casos isolados, pois como sempre, toda regra tem sua exceção e, inclusive, a maioria dos meus (melhores) amigos e alguns familiares são evangélicos, sendo que eu já frequentei festas comemorativas, cultos, encontros e shows evangélicos sem maiores problemas, pelo contrário, sempre fui muito bem recebida e aceita).
Minha concepção de vida é: eu acredito, de mim para mim, ou, de mim para com Ele. Não sinto a necessidade de ficar afirmando a todo o momento (uma vez ou outra escapa, faço uma citação, mas nada em excesso - diária e constantemente), muito menos de atacar outras religiões, porque assim como eu optei por ser católica outras pessoas optaram por ser evangélicas, espíritas, judias, budistas e tantas outras formas de crer e manter a sua fé ou simplesmente não acreditar. Dessa forma, eu nada tenho a ver com isso, cada um faz sua escolha a partir do que lhe é necessário, do que lhe ajuda a ser saudável, a ter paz interior ou ser uma pessoa melhor, e, acima de tudo, eu respeito a escolha de cada um. Todos têm o livre arbítrio de acreditar no que bem entende ser a melhor opção – ou não acreditar em nada. Resumindo, cada um acredita no que quiser e mais ninguém deve se importar com isso, obviamente desde que essa crença não interfira no bem estar de outras pessoas ou meio ambiente. (Meu lado pessoal, parcial, crítico, analítico e irônico quer que eu escreva: Qual é o problema se eu acredito em Maria e nos Santos? Se alguns estiverem certos, quem vai para o inferno será eu, não? Desculpa se agredi alguém, não é a intenção).
Lógico que muitas pessoas enxergam no Facebook uma maneira de se autopromover ou deixarem bem claro suas concepções de vida. Não critico quem não acredita nas intervenções de Maria ou dos Santos, quem não acredita tem seus porquês e seu direito em não acreditar, porém, critico o modo como o fazem, como querem esclarecer isso. Ao fazerem a comparação com uma consulta médica não levaram em consideração que existem pessoas que acreditam e que poderiam se magoar com a publicação, esqueceram-se do respeito a crenças diferentes da sua e de que o fato de eles não acreditarem não os tornam melhores ou piores do que os outros, afinal, nenhum ser humano é dono da verdade – e enquanto na condição de humanos somos todos susceptíveis aos erros - e cada um tem sua própria interpretação da Bíblia – ao menos é o que se espera. Ah, só mais uma coisa, e se a mãe do médico também for uma médica? E se a secretária te indicar para outro médico que resolve seu problema? São boas intervenções, não? Risos.
Outra postagem que tem se propagado nas redes sociais, nesse caso, principalmente por ateus e agnósticos, é a imagem do Papa sentado ao trono, na qual o pessoal manda-o vender o trono de ouro para alimentar os pobres. À primeira vista é mais do que justo, não é mesmo? Confesso que no primeiro segundo até eu concordei com a ideia. Porém, vamos pensar um pouco mais...
OK. O Papa desmancha seu trono, vende o ouro e alimenta os necessitados. Pronto, o ouro acabou e novamente a Igreja precisará do dinheiro dos fieis para continuar alimentando os pobres – que lamentavelmente são muitos e a tendência é aumentarem. Agora, olhando pelo lado histórico, o trono é (mais um) patrimônio da Igreja, portanto, muita burocracia e história o envolvem, tornando difícil seu desfeito. Além disso, de acordo com o Tratado de Latrão o trono é intocável neste sentido.
Como uma pessoa de capacidade crítica e analítica possuo muitas críticas à Igreja Católica Apostólica Romana, tanto positivas quanto negativas, mas, acima de tudo, entendo que a Igreja é constituída por seres humanos, tão susceptíveis ao erro quanto eu, uma mera mortal. Historicamente a Igreja Católica já errou muito, alguns erros, inclusive, já foram reconhecidos e pedidos de desculpas feitos. Confesso que não sigo todos os mandamentos da Igreja Católica, por simplesmente não concordar, e tenho meus motivos e justificativas, entretanto, isso não exclui ou diminui minha fé, que ao contrário se fortalece a cada dia, a cada oração, a cada leitura diária da Bíblia. E, muitos trabalhos da Igreja Católica ganham minha admiração, atenção e participação.
Outra questão é: o que cada um de nós fazemos para ajudar os que não conseguem se manter sozinhos? Doar uma cesta básica a cada Natal é suficiente? Entregar umas moedinhas no sinal já está de bom tamanho? Por acaso já visitou alguém em alguma comunidade ou algum país carente para entender a realidade em que vivem? Já distribuiu o amor, a atenção e a compreensão a essas pessoas? Já as ouviu, sabe do que elas mais precisam? Realmente, é muito fácil apontar os erros, os defeitos dos outros não é? Como também é muito fácil sentar em uma cadeira e passar o tempo nas redes sociais atacando-os. Por que não usar este tempo para fazer o bem ao próximo?
E outra, qual a finalidade de sair divulgando trabalhos voluntários? O mundo é tão hipócrita que a quantidade de pessoas que fazem trabalhos “voluntários” e saem por aí publicando fotos e textos bonitos só em busca do reconhecimento de que faz algo uma vez ao ano para contribuir com a humanidade, só querem mostrar aos amigos: “olha, eu participei” ou garantir uns pontinhos a mais em uma análise de curriculum, mas e então, o que aprendeu com tudo isso? Por acaso não agregou humildade e simplicidade às suas características? Por que não propaga seu aprendizado? Como eu imagino, deve ser muito fácil e cômodo ser bom ao próximo uma vez ao ano e ser aclamado pela plateia.
O trono papal alimentaria sim muita gente, mas mais do que o trono papal, a união e a boa vontade da humanidade alimentaria muito mais. É uma pena que o ser humano seja absurdamente hipócrita, egoísta, egocentrista, ambicioso, avarento e todos esses adjetivos que dão repulsas. E, pobre de mim, ser tão idealista e ter um senso de justiça e analítico tão aguçado quanto...

sábado, 28 de julho de 2012

Agenda telefônica

Consequência de uma pausa...

Enquanto enrolava para fugir da obrigação de ter que dar uma geral no apartamento inteiro (quero virar socialite logo para ter empreguetes e poder viajar /com meus peguetes? talvez/ hahaha)  descobri que meu chip simplesmente apagou tudo e mais um pouco do que estava armazenado nele, ou seja, perdi todos os meus contatos da agenda telefônica. No primeiro momento fiquei super chateada, porque alguns contatos não utilizam redes sociais e morando longe fica complicado tê-los de volta à minha agenda. Após um tempo, comecei a filosofar embasada nesse acontecimento...

Ah, pequeno detalhe: meu chip já estava lotado!

(A ordem a seguir não tem relevância, foi apenas a ordem dos meus pensamentos, sem prioridades)

Primeiro: amigos também têm amigos, ou seja, a partir de outros amigos consigo todos os números de telefones de volta, ou 98% deles!

Segundo: sendo eles meus amigos, uma hora ou outra me ligarão ou mandarão uma mensagem e assim poderei armazenar de novo nos contatos.

Terceiro: os que se perderem, ficarem esquecidos por aí, é porque não faziam a diferença na minha agenda, muito menos na minha vida, só ocupavam espaço.

Quarto: já estava na hora de eu dedicar um tempo à minha agenda telefônica e impor prioridades, excluindo quem não faz mais parte da minha vida.

Quinto: há males que vem para o bem, ou melhor, há acontecimentos que nos fazem enxergar através de outros pontos de vistas.

Sexto: conforme o convívio social vou adicionando-os novamente.

Sétimo: observando minha vida do ponto de vista da agenda telefônica descobri que tenho muita dificuldade em me desapegar das pessoas ou das lembranças que eu tenho dessas pessoas. Alguns contatos só estavam lá ainda porque tinha receio de apagar, sempre pensando "ah, mas vai que um dia eu preciso..." ou "quem sabe a gente volta a amizade e etc" ou "vou combinar algo qualquer dia desses". Creio que preciso aprender a aceitar os fatos como eles são, se a amizade adormeceu, se o romance já teve fim, não existem possibilidades de algo voltar a acontecer, a não ser que por alguma reviravolta da vida nos encontremos mundo afora, porém, tornaremos a adicionar os novos contatos na agenda, visto que seremos outras pessoas aos olhos uns dos outros. O tempo nos transforma! Preciso praticar mais a lei do desapego - não só em relação aos contatos!

Oitavo: ainda analisando minha vida a partir desse ocorrido percebi que está muito confusa, sem regras, sem prioridades, basicamente a Deus dará. Com toda a certeza, preciso impor prioridades, escolher melhor quem eu quero que faça parte de mim, da minha história. E, a partir de agora, escolherei melhor quem irei adicionar o telefone novamente na minha agenda. Afinal, não preciso de números, preciso de amigos verdadeiros e companheiros, de amores fieis, de família, e ah, de comida e serviços básicos! (preciso conseguir aquele contato do sanduíche novamente! haha)

Nono: por que parei de passar meus contatos do celular para a agenda de papel? Era mais seguro e até facilitava a guardar os telefones na memória...hoje em dia ninguém sabe o telefone de ninguém de cor e salteado mais! E também usava toda a agenda. Confesso que só sei dos meus pais, do meu irmão mais velho, da fazenda, do hospital da minha cidade de origem, da minha madrinha, os meus e...só... Ó céus, minha memória está pior do que eu imaginava! Alguns amigos eu não sei de cor, mas se eu ver o número eu sei dizer de quem é...isso vale alguma coisa? hahaha

Décimo: acho que fiquei tão chocada com a minha memória que mudei os rumos das minhas vãs filosofias e já não sei mais nada sobre minha agenda telefônica, a não ser que voltarei a escrever no papel...
OBS.: Não quero, nem devo, tornar-me (ainda mais) dependente de tantas tecnologias!



sábado, 30 de junho de 2012

Frágil

Hoje, percebi que meus amigos íntimos estão mais do que certos quando dizem que eu visto a máscara de forte mas no fundo sou tão frágil quanto uma borboleta tentando sair do casulo.



Ao longo da vida passamos por inúmeros momentos, os quais, muitas vezes, nos fazem criar uma máscara para não passarmos a real expressão que há em nosso interior. Isso pode ser bom, ou não. Só depende de nós sabermos administrar nossos sentimentos, como também aprendermos a discernir entre o que é máscara e o que é verdadeiro, o que devemos mostrar e o que devemos esconder, e quando. Não significa que somos falsos ou fracos, significa apenas que mesmo inconscientemente encontramos algumas maneiras de fuga do que não nos é conveniente.

Com certeza alguns acontecimentos me fizeram "inventar" essa máscara de "sou forte" - desde a infância - e outros contribuíram para que ela continuasse - ainda há 5 minutos. Posso dizer que ela já me livrou de constrangimentos e simultaneamente me deu força, ao contrário, já me fez magoar outras pessoas, sofrer interiormente sem entender ao certo o porquê. As máscaras não são construídas sem motivos bem embasados, contudo, também não são sustentadas se não houverem outras fortes justificativas.

Acima de tudo, o problema está no quanto nos escondemos por detrás dessas máscaras. Por vezes, eu sentia que o fardo era maior do que eu poderia carregar, e mesmo assim continuava com aquela cara de "sorria e acene" para todos a minha volta. Agora, me pergunto: qual a necessidade de agir assim? Sinceramente, não sei. Tudo não passa de mistérios da vida, do nosso cérebro, nosso maior protetor (junto de Deus, para pessoas, que assim como eu, ainda creem). Por mais que estivesse sofrendo, poucas eram as pessoas que reparavam os sinais de que algo estava errado comigo. Mesmo assim, eu continuava a sustentar não só as minhas dores, como também as dores de todo o mundo. Sabe aquela frase que quando um amigo chama, você esconde sua dor e para para ouvir a dele? Sempre agi assim, e poucas vezes eu era o amigo que chamava. Tanto fora quanto dentro de casa, tanto entre amigos e desconhecidos quanto entre familiares, sempre foi assim, até eu desabar. Aos poucos, mas desabei. Extrapolei e liberei todos os sentimentos que estavam adormecidos ou guardados lá no fundo, e assim, por vezes, exagerei como não devia. Fiz terapia e aprendi um pouco mais a lidar com essas máscaras enrustidas de falsos sentimentos, passando a ideia de "falsos eu" ao mundo a minha volta. E, digo com conhecimento de causa, não é nada fácil aceitar nossos sentimentos mais profundos e verdadeiros, até mesmo porque, já estamos acostumados e treinados com as máscaras, elas nos parecem tão fáceis de serem usadas, trocadas, amenizam tão bem as dores... Porém, nunca paramos para pensar até que ponto isso nos é saudável. Descobri que momentaneamente ela cura, no entanto, é uma cura muito superficial, uma fina crosta irregular, que a qualquer momento pode ser arrancada e sinalizar algo mais profundo e doloroso.

Foi só quando um amigo me disse: "havia tempos que não te via tão frágil", que eu percebi que aprendi bastante coisa nesse meio tempo. Descobri que aos poucos estou conseguindo abdicar da minha máscara de "sou forte" e, ao mesmo tempo, aceitando que os outros cuidem de mim, não só eu deles, que eles me acolham, me abracem, e demonstrem o afeto que existe dentro de nossos corações. Ou seja, o treinamento tem surtido efeito, também estou aprendendo a receber os sentimentos. E isso é bom, o calor humano, mesmo que expressado através de um telefonema, é de grande efeito para uma alma sedenta por atenção, acolhimento, compreensão e carinho.

Descobri que não é errado aceitar e assumir o fato de sentirmos algo, principalmente, de nos sentirmos frágeis, afinal, qual ser humano nunca passou por momentos assim? E, como uma borboleta, podemos, aos poucos, por etapas e com o apoio de outros componentes, chegar aos nossos objetivos, conseguir sobreviver e voar livremente, com uma verdadeira estampa no rosto, que pode ser colorida, ou não, entretanto, sempre verdadeira, desde que estejamos de bem conosco e com o mundo. Se hoje chorei, mesmo por motivo que não merecia uma lágrima sequer ou apenas bobo, é porque algum sentimento havia dentro de mim, e a forma que encontrou de se/me libertar foi a lágrima, que na sua forma mais genuína e sublime me fez entender alguma das transformações que vêm ocorrendo com o bater de asas da borboleta.

Enfim, é melhor parar por aqui, antes que os sentimentos aflorem demasiado e o texto torne-se mais pessoal do que já está e prolongue-se por longas páginas. Mais uma vez, uso a escrita como uma válvula de escape ou maneira de organizar meus pensamentos, agora, só espero que vocês o recebam de braços abertos e, por que não, troquem um pouco de experiências, pois é assim que vamos crescendo, e sempre é tempo de crescer, sempre é tempo de mais uma borboleta sair do casulo!









sexta-feira, 22 de junho de 2012

Onde andará o meu doutor?

Hoje, irei apenas compartilhar uma poesia encontrada em uma página de relacionamento que me deixou estarrecida, principalmente por corresponder a nossa lamentável realidade...
Sinceramente, estamos vivendo em um mundo de doentes!

Onde andará o meu doutor?
Tatiana Bruscky

Hoje acordei sentindo uma dorzinha,
aquela dor sem explicação, e uma palpitação,
resolvi procurar um doutor,
fui divagando pelo caminho...
lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco
e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo...
o Meu Doutor que curava a minha dor,
não apenas a do meu corpo mas a da minha alma,
que me transmitia paz e calma!

Chegando à recepção do consultório,
fui atendida com uma pergunta:
“Qual o seu plano? “
Ah, o meu plano é viver mais e feliz!
é dar sorrisos, aquecer os que sentem frio
e preencher esse vazio que sinto agora!
Mas a resposta teria que ser outra...o meu plano de saúde!

Apresentei o documento do dito cujo
já meio suado, tanto quanto o meu bolso, e aguardei...
Quando fui chamada corri apressada,
ia ser atendida pelo Doutor,
aquele que cura qualquer tipo de dor,
entrei e o olhei, me surpreendi,
rosto trancado, triste e cansado...
será que ele estava adoentado?
é, quem sabe, talvez gripado
não tinha um semblante alegre,
provavelmente devido à febre...
dei um sorriso meio de lado e um bom dia...
Sobre a mesa, à sua frente,
um computador,
e no seu semblante a sua dor,
o que fizeram com o Doutor?

Quando ouvi a sua voz de repente:
O que a senhora sente?
Como eu gostaria de saber o que ELE estava sentindo...
parecia mais doente do que eu, a paciente...
Eu? ah! sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação
e esperei a sua reação,
vai me examinar, escutar a minha voz
auscultar o meu coração...
para minha surpresa apenas me entregou uma requisição e disse:
“peça autorização desses exames para conseguir a realização”...
quando li quase morri...

Tomografia computatorizada, ressonância magnética e cintilografia !

ai, meu Deus! que agonia!
eu só conhecia uma tal de abreugrafia...
só sabia o que era ressonar (dormir),
de magnético eu conhecia um olhar...
e cintilar só o das estrelas!
estaria eu à beira da morte? de ir para o céu?
iria morrer assim ao léu?
naquele instante timidamente pensei em falar:
terá o senhor uma amostra grátis
de calor humano para aquecer esse meu frio?
que fazer com essa sensação de vazio? e observe, Doutor,
o tal Pai da Medicina, o grego Hipócrates, acreditava que
A ARTE DA MEDICINA ESTAVA EM OBSERVAR.
Olhe para mim...
bem verdade que o juramento dele está ultrapassado!
médico não é sacerdote...
tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano...
mas, por favor, me olhe, ouça a minha história!
preciso que o senhor me escute, ausculte
e examine!

Estou sentindo falta de dizer até aquele 33!
não me abandone assim de uma vez!
procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança!
alimente a minha mente e o meu coração...
me dê, ao menos, uma explicação!
O senhor não se informou se eu ando descalça... ando sim!
gosto de pisar na areia e seguir em frente
deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida,
estarei errada?
ou estarei com o verme do amarelão?
existirá umas gotinhas de solução?

Será que já existe vacina contra o tédio?
ou não terá remédio?
que falta o senhor me faz, meu antigo Doutor!
cadê o Sccot, aquele da Emulsão?
que tinha um gosto horrível mas me deixava forte
que nem um Sansão!
e o Elixir? Paregórico e categórico,
e o chazinho de cidreira,
que me deixava a sorrir sem tonteiras?
será que pensei asneiras?
Ah! meu querido e adoentado Doutor!
sinto saudades
dos seus ouvidos para me escutar,
das suas mãos para me examinar,
do seu olhar compreensivo e amigo...
do seu pensar...
o seu sorriso que aliviava a minha dor...
que me dava forças para lutar contra a doença...
e que estimulava a minha saúde e a minha crença...
sairei daqui para um ataúde?
preciso viver e ter saúde!
por favor, me ajude!

Oh! meu Deus, cuide do meu médico e de mim,
caso contrário chegaremos ao fim...
porque da consulta só restou uma requisição
digitada em um computador
e o olhar vago e cansado do Doutor!
precisamos urgente dos nossos médicos amigos,
a medicina agoniza...
ouço até os seus gemidos...

Por favor, tragam de volta o meu Doutor!
estamos todos doentes e sentindo dor...
e peço, para o ser humano, uma receita de calor,
e para o exercício da medicina uma prescrição de amor!

Por fim, recomendo que assistam ao filme Patch Adams - O amor é contagioso. Muitos já devem ter visto, mas é sempre bom rever para refletirmos um pouco mais sobre nossas ações em prol do bem estar do lugar onde vivemos, das pessoas com as quais convivemos ou não e para a construção do mundo que queremos. Também recomendo que assistam à entrevista do "verdadeiro" Patch ao programa Roda Viva da TV Cultura, a qual está disponível no You Tube.

domingo, 7 de agosto de 2011

Análises

Embora pareça que este blog foi jogado ao vento, não é verdade. O que acontece é que mudanças ocorrem, nosso jeito de pensar muda, o que era importante ontem pode não ser hoje, o que antes era prioridade hoje é praticamente insignificante, porque, na verdade, vivemos e sobrevivemos, de acordo com o que a vida nos designa a viver. É certo que ela sempre nos apresenta opções de escolha, e a cada decisão tomada nossa vida segue por um caminho, mas, nem sempre as escolhas feitas nos levam para onde queremos ou um dia sonhamos. E, levando em consideração as escolhas a mim apresentadas e as que eu fiz, fui levada para longe do blog por um tempo. Postei pouca coisa esse ano, isso é fato, mas nunca o esqueci, sempre que entrava na internet uma das primeiras páginas visitadas era ele, o fruto do meus sentimentos, pensamentos e pausas – e que nostalgia batia, viu?! Também tem os leitores, que não deixam o blog ser esquecido.

Minha vida está diretamente relacionada ao tempo – acho que a de todos nós. Em cada fase da vida enxergamos e trabalhamos com o tempo de forma particular. Quando crianças bem pequenas, nem sabemos do que se trata. Crescemos um pouquinho e, pronto, não estamos satisfeitos com nossa idade, invejamos nossos primos e irmãos mais velhos. Quando chegamos na idade desejada com a qual sonhávamos quando crianças/pré-adolescentes, nos assustamos e, pior, percebemos que nada daquilo que pensávamos era a verdade, tudo não passou de ilusão, e o tempo agora é dividido nas horas passadas na escola e nas horas fora da escola (que incluem o início de uma vida social e os estudos um dia antes das provas – embora eu raras vezes tenha deixado pra estudar na véspera, rs). Como dizem por aí, se algo ruim te acontece, ainda pode piorar, então, nos tornamos adultos e vemos que no nosso processo de formação não tínhamos teorias a estudar sobre a vida adulta e suas consequências, nesse momento já estamos cientes de que o tempo, além de subjetivo, passa mais rápido do que esperávamos. Eu ainda estou nessa fase, mas pelo que observo, depois que crescemos ainda mais, o tempo parece ficar realmente escasso, a vida está a todo vapor e a nossa vontade é poder agarrar o tempo, nem que fosse por uns 15 minutinhos. Chegamos na casa dos 60/70 e começamos a fazer análises da vida, do que passou, já conversamos dizendo “no meu tempo”, “naquela época”, e a cada aniversário o temor aumenta, pois segundo meu avô: “não sei porque comemorar aniversário, se a cada vez estamos mais perto da morte”. Mas, talvez nada disso seja verdade, até mesmo porque, existem as exceções e o modo de enxergar a vida é particular, variando de pessoa a pessoa. De qualquer modo, a única certeza, que vem junto da certeza da morte, é a de que o tempo passa. Diante de tal fato surgem perguntas – a maioria retórica, diga-se de passagem –, em respeito ao modo que estamos levando a vida, se estamos no caminho certo e aproveitando nosso tempo de vida. Quem nunca refletiu sobre isso? Pelo menos nos finais de ano tenho certeza que essas dúvidas existem! Pode parecer que tudo o que disse até agora foi embromação, mas, não foi. Apenas quis dizer o quanto o tempo é vago e preenchido, simultaneamente. O que ocorrre é que ainda não sabemos lidar com ele, um dia estamos atrasados, no outro estamos adiantados, mais a frente lamentamos, outras vezes arrependemos, e diante disso tudo, pensamos: “seria tão bom se o tempo voltasse” ou “seria tão bom se as horas passassem logo”, ou seja, nunca estamos no tempo certo, embora as pessoas insistam em dizer às outras que “tudo tem seu tempo”. Para mim tem sido muito difícil lidar com o tempo, em todos os sentidos, a médio e a longo prazo. Nunca estou feliz com o dia de estudos, porque sempre fica aquela perturbação de que não deu tempo de estudar aquela matéria, de que a outra está atrasada, de que as listas estão acumulando e, para piorar, você tem a certeza de que é impossível resolver todas. Depois vem aquela história de idade adulta, de maioridade, o tão festejado 18 anos, que, particularmente, não gostei muito, afinal, nos meus planos, com essa idade já era para estar na faculdade, numa vida um pouco diferente da que tenho hoje. Assim, mais uma vez o tempo age sobre mim, acabando com meus planos, desfazendo minhas metas, trazendo desilusões e decepções. Muito pessimismo e desânimo? Prefiro acreditar que a realidade é assim mesmo e que a única pessoa capaz de transformá-la sou eu, um ser humano frágil e pequeno diante da imensidão de possibilidades e caminhos que é a vida. Voltando ao assunto principal, que desencadeou todas essas ideias, fui praticamente obrigada a me afastar do blog nesses últimos meses, e vocês já sabem quem me obrigou, não poderia ser diferente, né Sr. Tempo?

O tempo não foi o único fator que me afastou do blog nesse período. Confesso que algumas mudanças interiores consequentemente não me deixaram escrever muito. Muitas dúvidas me cercearam nesse último semestre, o que, na maioria das vezes, não me permitia ter naturalidade, organicidade, tranquilidade e certeza para escrever. Dúvidas sobre o que eu penso, sobre o que digo, aconselho e o que pratico, sobre autenticidade, sobre o certo e o errado, sobre o bom e o ruim e outras dúvidas maniqueístas, existenciais e filosóficas. Creio que essas dúvidas foram desencadeadas pelas sessões de análises que comecei a fazer com A psicóloga, além disso, pela lógica, como usava o blog para “despejar” meus sentimentos, pensamentos e, de certa forma, melhorar minha vida e minha mente, nas sessões com a psicóloga já fazia isso, o que diminuia um pouco a importância e a prioridade do blog na minha vida repleta de incertezas e “falta” de tempo. Uma das maiores e mais problemáticas buscas desse período foi a tentativa de ir ao encontro do meu eu interior, desfazendo-me das máscaras pelo caminho, com a certeza de que mesmo assim, no fundo, sempre vai ter aquela pontinha de dúvida me perguntando: “quem sou eu?”. O trabalho ainda não terminou e é bastante complicado e longo, por isso, ainda não estou em completo contato com meu eu interior, muito menos sei quem sou eu. Entretanto, senti que muitas transformações ocorreram perante meus olhos e dentro da minha mente, e já tenho a certeza de que a cada dia transformo-me mais e torno-me uma pessoa diferente, talvez, isso seja sintoma de maturidade. Saber enxergar a vida, compreender o máximo possível, ter calma e paciência, saber lidar com as adversidades, conseguir viver em sociedade relacionando-se bem com todos, ir em busca de respostas, respeitar limites e vontades, tentar encontrar motivos para as ações praticadas, tudo isso e muito mais, fazem parte de um trabalho profundo e incessante que todo homem deveria fazer, não precisa ir em consultórios psicológicos ou psiquiátricos, basta se perguntar o por quê das coisas e situaçoes, trabalhar mais a mente e abrir a cabeça para o novo, para o conhecimento, mas, principalmente, estar disposto e apto às transformações. Portanto, devido à maneira intensa como eu vivi no último semestre, escrever no blog ficou em segundo plano. Felizmente, com a ajuda da análise, de pessoas a minha volta e minha disposição em evoluir e melhorar, consegui retornar a um estado de espírito melhor, fui capaz de superar grandes verdades, dúvidas e problemas, não consegui voltar a ser aquela menina que criou esse blog – nem pretendia, no entanto, consegui crescer e amadurecer, o que não me impede de continuar a escrever e transmitir meus pensamentos, minhas opiniões e meus sentimentos, só que de um modo diferente de outrora – talvez nem tão diferente assim, visto que esse texto está ficando enorme, prolixo e carregado de impressões e experiências pessoais como os outros textos iniciais do blog…a verdade é que aquela menina de antes faz parte de mim e estará sempre presente na minha vida!

Acredito que por hoje já está de bom tamanho essas informações e explicações, como percebem, minha sinceridade continua a mesma, bem como minha mania de explicar tudo tim-tim por tim-tim. Apenas gostaria de esclarecer o momentâneo desamparo sofrido pelo blog, e afirmar que ele é muito importante pra mim, é parte de mim, do meu eu, e adquiriu um grande espaço na minha vida, portanto, é praticamente impossível que eu consiga me separar dele, pelo menos por enquanto, enquanto eu ainda sou essa pessoa de hoje, vai que amanhã algo mude, não é mesmo?! Pode até ser que os fatores não tenham sido só o tempo e as mudanças a nível mental, uma preguiça de escrever e pensar depois de muito estudo, ir ao cinema ao invés de me entreter na internet, enfim, como já disse, são muitas escolhas, que nos levam a diferentes caminhos…inclusive, meu plano era explicar ainda mais, mas, escolhi que por hoje chega, fica para a próxima…

domingo, 12 de junho de 2011

O lado cômico do vestibular

Consequência de uma pausa...

Como já faz um tempinho que não atualizava o blog, pensei em inúmeras maneiras de o fazer. Para primeiro post de junho, no dia dos namorados, por que não falar sobre essa data? Não, todo mundo vai falar, melhor fazer algo diferente. Que tal um conto, suave, bonito e inteligente? Talvez. E o vestibular que você prestou domingo, cujos detalhes estão ativos na memória? Sim, uma abordagem diferente, pode ser legal! Pronto, decidi!

Véspera e dia de vestibular são momentos de comicidade para muitos. Na véspera você se sente nervoso e ansioso, seu estômago já está te incomodando, sente que está precisando se expressar, se libertar de tudo o que te sufoca. Alguns choram, outros cantam, há os que dançam, tem aqueles que escrevem, os que vão para a balada (não indico!), os que precisam "dar uma última olhadinha no caderno", os que dormem o dia inteiro, aqueles que vão ao cinema ou apenas passear no shopping ou parque, uns que se trancam no quarto, outros que se reúnem com a família, aqueles que vão à igreja, enfim, cada um tem seu "ritual" de véspera de prova. Qual o melhor? Bom, cada um sabe de si, o melhor programa é aquele que vai te ajudar, que te fará sentir-se melhor e pronto pra "fechar" a prova no outro dia! No dia do vestibular, o que te incomodava na véspera, agora te desespera. Lógico que sempre tem aqueles tranquilos, que não se importam com nada, do tipo "tanto faz, tanto fez", que chegam a dormir durante a prova e estão o tempo inteiro sorrindo. Mas, a maioria, sente-se pressionada, sufocada, insegura, com medo de não conseguir obter êxito, da não realização de um sonho, dos julgamentos alheios. É nessa hora que os amigos e a família ajudam bastante, pena que muitos não reconhecem o valor e a importância que possuem na vida de alguém. Na verdade, ninguém é feliz no dia do vestibular, nem os mais confiantes, que se dizem com um pé dentro da faculdade, nem aquele candidato que fecha a prova tem certeza que vai conseguir, afinal, "tudo pode acontecer", "já fiz cursinho mesmo, pra fazer de novo não custa muito", muito menos o que se diz tranquilo ou passa essa ideia, porque tranquilo mesmo, ninguém fica, já que a prova é incerta, e diante das incertezas da vida, é impossível ter calma. E assim as coisas vão se encaminhando até o dia da divulgação dos resultados, pois, somente nesse dia tem-se a certeza do sucesso ou do fracasso, porque dentro dentro de si, todos tem a esperança brilhando.

Depois desse relato generalizado, vou direto ao ponto. Quem já prestou vestibular sabe que sempre acontece alguma coisa que te faz cair na risada (depois da prova, porque antes você fica tentando imaginar as questões e as respectivas resoluções - é uma pena que a gente custe a acertar nas adivinhações!). Depois de alguns ocorridos no último domingo, antes, durante e depois do vestibular da UFT, peguei-me recordando momentos "alegres" que já presenciei nas minhas maratonas prestando vestibular.

1. Os Novatos: Tem sempre aqueles novatos (diga-se os candidatos que estão prestando vestibular pela primeira vez) que não leem o edital. E então chegam totalmente desorganizados para realizar a prova, com alguns desrespeitos ao edital, usando boné, por exemplo. Os fiscais se aproximam e eles enchem os fiscais de perguntas, cujas respostas eles saberiam se estivessem se informado melhor antes. Chamam a atenção de todos pela curiosidade, ou medo de cometer algum erro e ser desclassificado antes mesmo de começar a prova. Alguns ficam muito nervosos e não compreendem o próprio sentimento, por ser a primeira vez sentindo aquela sensação que só quem já passou por isso sabe, por isso, ficam um pouco descontrolados, o que também chama a atenção. Enfim, é possível reconhecer alguns marinheiros de primeira viagem facilmente.

2. Os Super Comunicativos: Aquelas pessoas nervosas - ou não, prefiro acreditar que é nervosismo do que aceitar a existência de pessoas tão sem noção-, que não conseguem se conter e iniciam conversas com o desconhecido que está ao lado. Na maioria das vezes puxam assuntos sem pé nem cabeça. Geralmente são essas pessoas que riem demais, alto e desnecessariamente, que acham que já tem intimidade, que querem descobrir tudo da vida dos concorrentes, que ficam oferecendo balinhas, chicletes e chocolates, começam a dividir suas vidas e, pior, tentam passar o telefone, o orkut, o msn, o facebook, para se comunicarem e dizerem se foram aprovados...vai entender, né?!

3. Os "piqueniqueiros": Por falar nisso...sempre tem os ansiosos de plantão que não se contentam com uma simples barrinha de cereal e levam pacotes de bolachas recheadas, caixas de bombons, barras de chocolate, refrigerante, energético, uma caixa de balinha e inúmeros chicletes, é tanta guloseima que muitas vezes levam numa sacola - sacola, não sacolinha!. Como dizem alguns conhecidos: "tem gente que vai pra prova só pra comer e não fazer!". Lógico que todos estão ansiosos, mas, acredito que essa comilança, ou piquenique, mais atrapalha que ajuda. Além do quê, não atrapalha só o candidato mas todos que estão na sala, porque, convenhamos, é insuportável quando alguém fica o tempo inteiro abrindo esses pacotes, fazendo aquele barulhinho irritante, pior ainda quando tenta esconder e vai aos poucos, devagarinho...

4. Os modelos: Quanto às roupas...aaah se eu pudesse tirar fotos! Tem umas pessoas que sentem necessidade de aparecer e chamar atenção, isso é fato, mas no vestibular é demais! Esse tópico é voltado principalmente às meninas, aquelas que vão com a ideia de seduzir um fiscal, com super decotes, ou "barriguinha" a mostra - mesmo fora de forma!, mini-saias - daquelas que você não acredita que a pessoa vai ter coragem de sentar! Compreendo que devemos ir do jeito que acharmos melhor, confortáveis, entretanto, também acredito que é preciso ter bom-senso, né?! Já presenciei meninas de bota de cano alto em pleno verão goiano também, melhor nem comentar! Os meninos nesse quesito não aparecem tanto, ao menos nas minhas observações. Algumas se produzem tanto que você até imagina "essa aí nem dormiu, veio direto da festa". Maquiagem exagerada, roupa exagerada, acessórios exagerados, e eu só gostaria de uma coisa, que minhas notas sejam exageradas!

5. O plac-plac: Pior que maquiagens, roupas e acessórios exagerados, que além de alguma poluição visual não causam mais nada, é o salto alto. Sim, o salto alto de algumas fiscais, principalmente, é horrível. Elas ficam andando, verificando, observando, e o salto lá, marcando mais presença que a própria dona, com aquele barulho plac-plac-plac enquanto você está tentando resolver aquela questão absurda de física. Então, fica a dica, para fiscais e candidatas, não vão de salto alto, ok?!

6. Os necessitados: O nervosismo muitas vezes faz com que o organismo se desequilibre, assim sendo, não são poucos os candidatos que necessitam ir ao banheiro ou beber água de meia em meia hora, nesse caso, eu apenas digo o que dizem: "se não fosse trágico, seria cômico!"

7. Os Fotógrafos: Recentemente, numa prova de vestibular, uma menina - muito alegre diga-se de passagem - levou sua máquina fotográfica e chamou os "colegas" da sala de prova para tirarem uma foto de recordação!! Ao saber dessa história, foi impossível não rir, e fiquei sabendo a partir de uma testemunha que estava na mesma sala que a menina feliz! Agora me pergunto, como pode uma coisa dessas? O que ela tem na cabeça? Sem contar que o porte desse tipo de equipamento causa eliminação. Portanto, caros candidatos, nunca  inventem de querer tirar fotos no local de prova, não há necessidade disso, apenas passem no vestibular que todos irão saber que você fez a prova...

8. Os tranquilões: Os mais tranquilos chegam com boné, óculos escuros (sem prescrição médica), aparelhos eletrônicos e mascando chiclete de boca aberta. Aí, os fiscais se aproximam com as informações de proibições e consequências. Eles tiram o boné e deixam a mostra o cabelo desarrumado, colocam o óculos escuro e o celular dentro do boné no chão, ou, no saquinho disponibilizado, continuam mascando chiclete de boca aberta. Fazem a prova como se fosse algo normal, chegam e saem sorrindo. Geralmente vão de bermudões e chinelo. Você percebe que ao sair eles já tem um esquema ajeitado (uma festa pra ir, por exemplo). E, provavelmente ele tomará sua vaga, porque está tranquilo, relaxado, e você nervoso, pense nisso também!

9. Os derradeiros: Sempre tem aqueles que chegam de última hora, esbaforidos, com suor escorrendo, cara de cansados e assustados. Não são tão cômicos devido a situação, visto que por pouco eles perderiam a prova, mas, sem hipocrisia, a pessoa chega com uma cara engraçada. Alguns riem de nervosismo, rezam, vão contar a história, ficam vermelhos de vergonha e constrangimento. Também tem os que perdem a hora e não fazem a prova. É complicado isso, porque você estuda o ano inteiro para àquele momento, conta os meses, os dias, as horas e quando chega você simplesmente vacila?!! Nem que tenha que sair 1 dia antes de casa, se é o que você quer, tem que correr atrás, ou melhor, tem que ir com calma, chegar com antecedência, se concentrar e preparar, não dá para deixar tudo de última hora!

10. Os curiosos: Também ocorre de nos depararmos com candidatos que não estão corretamente ou tecnicamente preparados para a prova. Mesmo com todas as informações nos cartões resposta, com as informações que os fiscais transmitem, com as explicações dos editais, não param de fazer perguntas. Tiveram alguns que também erraram e fizeram o maior escândalo na minha sala, uma menina, por exemplo, simplesmente resolveu as 2 provas de lingua estrangeira e marcou as 2 no gabarito, sendo que deveria ser só uma, a que escolhemos no momento da inscrição, desse modo, a matéria que tinha pra marcar depois da prova de língua estrangeira, ela não marcou, ou seja, com gabaritos trocados e errados, ela não tinha chance. Vale a pena perguntar quando se tem dúvida, lógico, mas como vestibulandos devemos ler os editais, se informar antes da prova.

11. Os excessivamente inseguros: Alguns candidatos sentem-se mais confortáveis e preparados se estudarem até os 30 segundos antes do início das provas, daí, levam cadernos, livros, apostilas, chegam cedo, ficam lendo, escrevendo, falando em voz alta, entram pra sala, sentam e continuam, até o fiscal chegar e mandar guardar. Pode até ser que ajude, mas, é difícil né colegas?! Você vai fazer a prova com o que você sabe de verdade, com o que está guardado na sua mente, com o seu cérebro exercitado durante todo o ano. Não dá para aprender muito na reta final, concordemos...

Bom, provavelmente esqueci de alguns, deixei de contar alguns casos, mas, o que vale é a intenção, não é mesmo? Se alguém aí quiser completar, comentar, discordar, concordar, só deixar nos comentários. De qualquer forma, acreditem, tudo o que está aqui é a verdade. E, por favor, você que vai prestar vestibular, prepare-se beeeeeeem antes, pra não passar vergonha, não correr o risco de ser eliminado, não atrapalhar os outros que também deram duro ou não virar história contada num blog...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Nem tudo é perfeito...

...nem tudo é tão maravilhoso quanto parece...

Primeiramente refiro-me à cidade do Rio de janeiro - a célebre "Cidade Maravilhosa" - conhecida internacionalmente pela sua beleza, que recebe milhares de turistas todos os anos e será palco de grandes acontecimentos esportivos. Mas, que ultimamente, também tem ganhado notoriedade pelas atrocidades que acontecem por lá, principalmente no que se refere às favelas, drogas e atos de violência urbana, infelizmente. Eis que a cidade perde, dia-a-dia, seu brilho de maravilhosa...Acredito que todos ficaram chocados, indignados, sensibilizados com o ocorrido na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no RJ. Tenho que confessar que lágrimas escorreram dos meus olhos quando assisti às reportagens nas emissoras televisivas. Arrepiei-me muito quando um menino contou que o assassino estava matando colegas ao seu lado, e, a única coisa que ele fazia era rezar, pedir proteção a Deus, e, enquanto isso o atirador virou-se para ele e disse que se acalmace, pois não atiraria nele e ele ia sobreviver. Fiquei indignada ao ver que as emissoras tiveram coragem de transmitir o sofrimento de uma mãe telefonando ao pai da filha avisando-o da morte da menina, um momento como esse não deve tornar-se instrumento de sensasionalismo, acho que tudo tem limite, posso até estar exagerando, mas, num momento como esse, acredito que o que a família mais deseja é privacidade, ou não, talvez nem pensem nisso diante do tamanho do sofrimento e da dor que as assolam, de qualquer forma, acho errado esse tipo de comportamento por parte das emissoras. Fiquei chocada com a crueldade, com o modo como tudo foi planejado e friamente executado, porém, não gostei quando alguns programas e cia chamarem o atirador de monstro. Sabe, creio que o termo monstro não se encaixe nesse caso, ele era um homem, sim, um homem com problemas psíquicos, patologias mentais, doente, que precisava de ajuda, ele não era um monstro, para mim, monstro são aqueles que tem plena consciência do que estão fazendo, sem vozes falando ao pé do ouvido, e fazem o mal por mero gosto e prazer. Wellington Menezes de Oliveira, ele também tinha um nome, uma cidadania. Acredito, ainda, que de todas as almas, a que mais precisa de orações é a dele, a que mais está sofrendo, é a dele, não é porque ele fez uma atrocidade de tal proporção que devemos esquecer de orar por ele, pelo contrário, é pela dele que devemos dedicar nossas orações - obviamente que não vamos deixar de rezar pelas crianças. Eu lamento muito, muito mesmo, essa tragédia, a morte de crianças inocentes, que não tiveram a chance de se defender, de escolher viver e aproveitar mais do que uma década de vida. Lamento pela história desse assassino, pois foi ela a motivação para que tudo ocorresse. Lamento pela nossa impotência em reconhecer o quanto as pessoas a nossa volta estão sofrendo, estão doentes e, então, não as ajudamos. Lamento que a linha entre morte e vida seja tão tênue e frágil. E, mais, que a vida seja tão imprevisível a ponto de não podermos nos despedir das pessoas que amamos.

"Segundamente", quero dizer que hoje foi um dia muito interessante, e, conforme tudo caminhar, será o marco para o início de mudanças na minha vida. Conheci uma pessoa que logo no início da nossa conversa me disse: "olha só, ninguém é perfeito!". Frase clichê? Talvez. O problema está no fato de que mesmo sabendo disso não nos damos por satisfeitos, não conseguimos nos conformar com essa situação, e, sempre restam dúvidas. Será mesmo que a perfeição é inatingível? Será mesmo que os meus sonhos não podem se realizar? Se ninguém é perfeito, por que alguns julgam-se perfeitos e são felizes? É só questão de auto-estima? Por que para muitos tudo parece tão fácil? Percebo que, às vezes, nos preocupamos demais com o jeito de ser dos outros, com a vida dos outros, afinal, a grama do vizinho é sempre mais verde e bonita, não é mesmo? E, muitas dessas vezes, não nos damos conta do que essas pessoas já passaram para chegarem aonde estão. Prefiro não me estender muito quanto ao sentido de perfeição, porque, na verdade, ainda estou "digerindo" essa ideia e é difícil falar sobre isso, teria que pensar e refletir sobre vários pontos para chegar a uma ideia final, ou não, já que, quando nos referimos a mim, ideia final torna-se um tanto contraditório, rsrs, e, no momento, não estou muito voltada para as respostas, confesso, dá um pouco de medo e receio, e também requer pensamentos profundos, o que vai contra a minha ideia de descansar um pouco a minha mente. De qualquer forma, quem nunca lutou, ou luta, pela perfeição? Quem nunca foi em busca, ou, está em busca dela? A perfeição pode adquirir inúmeras definições, facetas, pode variar de uma pessoa à outra, é simplesmente mutável. Então, como conviver com algo que sofre mutações constantes? É...como perceberam, trago mais dúvidas do que soluções, como disse, ainda acho complicado falar sobre isso, nem sei por que adiantei esse assunto...deve ser porque acho um assunto muito importante, que pode nos ajudar, nos ensinar e, assim, aprendemos a viver melhor nossas vidas, nosso cotidiano. Pois, fiquem com as perguntas retóricas, pelo menos vale a reflexão que advém delas.

Hoje não vou me prolongar - mais - , passei aqui somente porque senti essa necessidade de compartilhar alguns dos meus pensamentos e sentimentos do momento. Também, para deixar uma pequena opinião a respeito do que aconteceu no RJ, até mesmo porque, se eu fosse dizer tudo o que penso e toda a minha análise sobre esse fato, ninguém leria de tão grande ficaria o post, rs. Compreendo que estou longe da perfeição, isso me chateia um pouco - ou muito - , mas, continuo a tentar alcançar o mais próximo disso, - o que eu sei que para muitos pode ser considerado um erro - e, sobretudo, deixar que vocês descubram um sentido para a perfeição de vocês e também iniciem uma busca pelo mais próximo da mesma, se não sentirem necessidade disso, considerem-se grandes sortudos, como já disseram um dia: "Feliz do homem que não espera nada, pois nunca terá desilusões", ou, ao menos saibam - afinal, não quero ser responsável por maiores problemas na vida de alguém, longe disso: "A culpa existencial do homem consiste no seu fracasso em cumprir a exigência de realizar todas as suas possibilidades". - Sim, eu já tinha essa frase na minha cabeça há um tempo, mas, só hoje, diante de alguns ocorridos, dei-me conta do quanto isso é verdade e faz parte da minha vida...

sábado, 5 de março de 2011

Às vezes mudamos de opinião...

Ou não. Quem já leu algo desses textos aleatórios que eu publico por aqui, se atento, foi capaz de perceber que não sou muito fã das leituras de "autoajuda", pois é, ainda continuo não sendo muita fã. Em alguns momentos de descanso parei para perceber o que andava escrevendo, e vi que não passavam de palavras escritas para me "autoajudar". Posso não gostar de ler (e tenho inúmeros motivos para isso!), mas pelo jeito estou gostando de escrever. Não que meu objetivo principal seja ajudar alguém, pelo contrário, escrevo porque me faz bem, escrevo para beneficiar a mim mesma. Alguns podem até achar que é egoísmo, entretanto, foram com essas intenções que eu comecei a escrever, por prazer, por me fazer feliz e melhor, o fato de servir para ajudar alguém, entrou por tabela, em segundo plano, nem imaginava que um blog poderia ter tantos acessos e seguidores (não estou me referindo ao meu, estou generalizando, rs). Assim como eu vejo que muitos dos que escrevem livros de autoajuda primeiro pensam no dinheiro, pelo que eu analiso ainda não vi nehuma Madre Teresa de Calcutá em meio a esses, ou um São Francisco de Assis, pelo contrário, ganham milhões com palestras, livros e "participações especiais" simplesmente porque "praticam o bem, ajudam o próximo", acho que só esqueceram-se daquela parte: "sem ver a quem", ou melhor, eles nem veem mesmo! rs De qualquer forma, qualquer literatura é válida, tem sua importância, seu papel na sociedade.

Aonde quero chegar com tudo isso? Simples. Sabe quando você se sente desanimado, nostálgico, melancólico e todas essas espécies de sentimentos misturados? Pois então, ultimamente tenho me sentido assim, por mais que me esforce para "melhorar", é tudo em vão. Aquelas horas que você não sabe de onde tirar forças, o que fazer, como agir e, principalmente, como reagir. Eis que você tira um momento de ócio no seu dia e vai passar o tempo futricando comunidades no orkut (tem cada uma...) e, então, se depara com o perfil de um jovem, da sua cidade, que acaba de ser aprovado no vestibular da federal para medicina (aquele sonho que eu ainda não realizei...e também não tenho a mínima noção de como cheguei ao perfil dele, rs). No início você pensa: "Nossa, que inveja!". E logo após para para ler os escritos por lá. E você pensa: "Nossa, como ele deve estar feliz!", lê mais um pouco e chega na parte "About Me". Surpresa? Um verdadeiro depoimento, com parcelas de autoajuda. Daqueles textos simples que você bate o olho, lê e se identifica na hora, e por consequência, várias coisas, vários filmes, várias "invenções" passam pela sua cabeça. Os filmes de tudo o que você já passou misturados a imaginação das coisas que o rapaz também passou para estar onde está hoje, e ainda tem os filmes que você imagina que acontecerão com você. Não sei se a intenção do menino foi ajudar alguém, mas sei que com aquele texto ele me fez uma pessoa melhor hoje. Mostrando todas aquelas frases clichês, que são como eu digo, por mais que você já tenha ouvido e decorado a maioria e ache ruim ouvir de novo, às vezes é bom relembrá-las, porque, com certeza, fazem todo o sentido, caso contrário, não seriam tão ditas e disseminadas. Entretanto, ele mistura as frases clichês com a subjetividade de quem já passou por aquela situação, viveu na pele e à flor da pele. Como se não bastasse esse "depoimento", um amigo indica um video, do nada, mas que quando você começa a assistir, percebe a intenção e vê que pode ter tudo a ver com sua situação atual. Outra vez, um video de autoajuda, na verdade, mais pra "motivacional" (se é que existe alguma diferença prática nisso, rs).O fato é que você percebe que pode mudar de ideia, e, principalmente, que autoajuda e motivações a parte, podem não ser tão ruins, depende do momento da vida em que você se encontra. Agora, sinceramente, continuo a não gostar de autoajuda, bem que eu tento ler, mas, infelizmente (ou felizmente) não consigo passar das primeiras páginas, rs. Bom, isso agora não importa, o que importa é que certos textos, certos videos, certas palavras, tem momento certo para serem lidos, vistos e ouvidas, se não for nesse momento, não serão bem aceitos.

Resumindo, alguns textos, e-mails e videos que me passaram nessa semana me cairam muito bem, foram bem recebidos e vistos com outros olhos (talves mais maduros, rs). Assim sendo, qualquer ajuda, independente de quem for o ajudante, se foi de propósito ou não, pensando em retorno ou não, é sempre bem vinda. São nesses momentos "cabisbaixos" que percebemos o quanto existem "coisas" importantes em nossas vidas, se não o eram antes, era porque simplesmente ainda não era o momento de serem, assim como algumas pessoas convivem com você por muito tempo, mas só depois de todo esse tempo você percebe o quanto essa pessoa é importante e especial. Posso dizer que a partir de amanhã vou estar melhor. Depois dos relatos que eu li e de ter confirmado, mais uma vez, que nenhum sonho é impossível, desde que você esteja disposto a lutar, a não desistir e, principalmente, a fazer renúnicas por ele, vou transformar-me outra vez, a pedidos da vida!


Quem desejar letra e tradução da música é só clicar aqui!
 Só gostaria de frisar alguns trechos: "and hold your own / and go your own way / and everything will be fine / hang on / help is on the way / stay strong"
(Detalhe: reencontrei esse video e essa música através do perfil do meu futuro colega de profissão, rs. Tudo a ver...!)

Mais o video "motivacional" que tinha citado:

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ser solidário

Ontem passei pelo blog da Carla, o Le Petit Coin , e deparei-me com um post muito interessante, sobre o assunto solidariedade. Eu já tinha escrito alguma coisa a respeito do mesmo tema, assim, reuni partes desses textos, acrescentei mais algumas coisas e formei esse abaixo, visto que esse tema deve sempre ser comentado, divulgado, compartilhado e discutido.

Sem sombra de dúvidas a solidariedade é um gesto e uma atitude que nem todos são capazes de distribuir e menos ainda são os que sabem recebe-la. Quem sabe o significado de solidariedade a valoriza, pois ela é uma virtude, possui ideais cristãos de compartilhamento de bens espirituias antes mesmo dos materiais. Através da solidariedade também podemos promover um mundo mais igualitário e justo (pelo menos utopicamente). Mas, antes de possuir esse sentimento solidário acredito que devemos ter o sentimento da compaixão, tanto para quem quer ajudar quanto para quem quer receber. Se essas pessoas não estiverem com a alma repleta de compaixão não ajudarão verdadeiramente, ou, não deviam ter o direito a receber ajuda.



Há alguns finais de semana o programa Esquenta, com apresentação de Regina Casé, está no ar na TV Globo - todos os domingos na hora do almoço. Já assisti a uns 3 programas e percebi o quanto a Regina Casé é uma pessoa admirável. Sim, antes eu não era muito fã dela, vai ver era pelo jeito espalhafatoso, porque das roupas continuo não gostando, rs. Mas então, eu realmente vi, digamos que, a "alma" dela. Muitos exemplos de solidariedade foram mostrados, atitudes dignas de uma cidadã de corpo e alma e uma mistura brasileira como nunca tinha visto antes. Comecei a reparar no quanto aquela mulher tem um coração bondoso, enorme e se expressa muito bem, acorda as pessoas para a realidade, instiga-nos a darmos o nosso melhor em todas as áreas da vida, enfim, um grande ser humano. Lógico, não sei como é pessoalmente, sem estar na frente de uma câmera, mas espero profundamente que seja assim como se aprensenta para o público. Por que estou falando dela? Porque hoje eu quase chorei (de verdade) no programa dela, quando vi ela falando que ia ajudar uma criança e um outro rapaz apareceu com os olhos se derramando em lágrimas porque também já tinha sido ajudado por ela, e estava vendo no menino o seu passado, estava revendo as oportunidades que teve e o quanto a solidariedade da Regina lhe foi importante. Sabe, não sei se já comentei por aqui, mas meu sonho depois de me formar médica é poder dispor de um tempinho no meu dia-a-dia para poder ajudar quem não tem condições de pagar quase um salário mínimo numa consulta médica, quem não tem tempo de sobra pra ficar dias e dias numa fila para ser atendido (correção: mal atendido). Pretendo entrar no Projeto da Cruz Vermelha ou qualquer outro que possa ajudar-me a concretizar mais um sonho meu. Não vou fazer medicina pensando só no retorno financeiro, lógico que isso faz parte, mas antes de tudo eu quero entrar de corpo e alma na profissão, porque é uma coisa que eu gosto, porque vai me ajudar a distribuir um pouco de solidariedade, de ajuda humanitária, mundo afora, afinal, tem tanta gente precisando disso e disposta a receber com compaixão, não é mesmo? Também quero deixar claro que sou consciente de que não mudarei o mundo, mas as mudanças partem das pequenas atitudes que cada um tem no seu cotidiano.

Todos os finais de ano, todos os verões, veremos milhares de mortes por deslizamentos, soterramentos, desabamentos e tudo o mais de "entos" que surgir. Não, não estou desejando mal às pessoas e também não sou uma vidente, apenas estou falando da realidade que vivemos, é só questão de observação. O governo não tenta melhorar a vida desses cidadãos e os próprios cidadãos não tentam melhorar, então fica tudo na mesma. Até mesmo porque muitos sabem que se acontecer de novo aparecerão "um milhão" de pessoas para doar, ajudar e "facilitar" sua vida. Sim, muitos pensam dessa forma, acham que é obrigação de quem tem um "pouquinho mais" ser solidário com quem tem um "pouquinho menos", apenas ficam sentandos a espera de algum inocente disposto a ajudar. Enquanto isso inúmeras outras pessoas ralam dia-a-dia numa roça, num lixão, num serviço braçal e ganham menos do que o "pobre coitado" que recebe ajuda. Acho que antes de nos solidarizarmos com as pessoas devemos conhecer suas histórias, ver se realmente precisam dessa ajuda e se vão valorizar esse seu gesto e não tornarem-se uma sombra sua, vivendo as suas custas. Sim, é difícil "descobrir" isso tudo, mas ao menos você vai ajudar alguém que merece. Tenho certeza de que muitas doações feitas aos moradores atingidos pelo desastre na região serrana do Rio de Janeiro foram parar nas mãos de "voluntários", foram estocados por excesso, falta de necessidade ou porque não poderia ser usado mesmo (alguns tem o disparate de mandar o que não presta mais). Como eu já comentei no blog da Carla, tem tanta gente próxima a nós precisando de ajuda, porque não ir além de doar bens materiais e também doar um pouco de amor, de calor humano, de compreensão, elas não precisam só de mantimentos. Sem contar que no momento em que você manda esses tais mantimentos não sabe se realmente chegará nas mãos de quem precisa. Minha mãe já participou como voluntária, uma tia minha participou em Santa Catarina em Itajaí ano retrasado e ambas disseram as mesmas coisas, de que muita gente que estava como "voluntário" pegou para si objetos e mantimentos que foram enviados para os necessitados, ia só para "roubar" mesmo. Minha mãe também sempre diz que ao ajudar alguém, está fazendo a parte dela, de consciência limpa, o que a outra pessoa vai fazer com o dinheiro, por exemplo, é da consciência da pessoa. Mas, sabe, eu acho que se a gente pode ajudar e também pode saber se o que foi doado será bem aproveitado não precisamos dizer isso, às vezes a pessoa nem sabe o que é consciência pesada, afinal, já conseguiu os "trocadinhos" que queria mesmo! Antes de qualquer coisa quero ressaltar que em momento algum julgo as pessoas que mandam esses mantimentos, que fazem essas doações, se estão fazendo de coração é um gesto muito bonito, mas porque também não olhar mais para aqueles que estão a sua volta, que estão na sua cidade, no seu bairro?


A vida não é fácil pra ninguém, isso é fato. Mas se alguns são um pouco mais privilegiados que outros e tem a chance de ajudar a vida de alguém deveria ter uma atitude dessas, não custa muito. Como já disse, às vezes as pessoas precisam mais de apoio psicológico do que financeiro. A solidariedade é uma virtude ímpar, a partir dela muitas pessoas mudam de vida, mudam vidas e melhoram um pouco o mundo. Creio eu que ajudar alguém e ver nos olhos da pessoa a gratidão estampada não tem preço que pague, acho que foi por isso que eu quase chorei durante o programa da Regina Casé, foi lindo os olhos daquele rapaz, da criança e da mãe da criança cheio de lágrimas alegres por um ato que pouco custa à Regina. Nada melhor do que contribuir com alguém e poder ver um sorriso alegre, poder sentir um abraço caloroso, poder ser retribuido com uma cartinha, com um gesto simples, com um cafezinho que seja. Não tem preço que pague sentir-se bem consigo e com o mundo, sentir uma paz interior e saber que fez a sua parte. Acho que o mundo está em falta de pessoas com a alma limpa, com a consciência limpa e dispostas a melhorar o lugar em que vivemos, até mesmo porque, formamos uma sociedade, em que cada ação gera uma reação, cada gesto bom é retribuido por outro e mais outro. Por isso eu digo que tanto quem é solidário quanto quem recebe esse ato deve ter compaixão no coração, porque será através da compaixão que o solidário escolherá a quem ajudar e por meio da compaixão o escolhido poderá disseminar esse gesto, compartilhar com outros e ser para sempre grato a quem foi capaz de ajuda-lo. Vale ressaltar que compaixão é não ter indiferença frente ao sofrimento do outro. Então, sigamos assim, repletos de compaixão, amor, paz, simpatia, empatia e solidariedade!

Na obra "A História do Rei Lear" (texto quarto, cena 13), William Shakespeare descreve magistralmente o que é esta relação  com o sofrimento. 
(...) Quem sofre sozinho, sofre muito mais em sua mente (espírito). Deixa para trás a liberdade e a alegria. Mas a mente (espírito) com muito sofrimento pode superar-se, Quando a dor tem amigos e suportam a sua companhia, quão leve e suportável a minha dor parece agora. (...)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sim, Senhor (ou seria você?)

É, está mais do que comprovado que educação vem de berço, é aprimorada na experiência de vida e o dinheiro não interfere tanto quanto muitos imaginam.

Hoje aconteceu algo que eu fiquei chocada, tá, para muitos é normal, já estão acostumados com falta de educação, com a heterogeneidade que envolve o ser humano e etc. Mas vejam bem, no meio de uma aula uma aluna foi tirar uma dúvida com o professor e ao se direcionar a ele disse: "Professor, o SENHOR poderia......" e nessa hora percebi que todos a minha volta e mais um monte de gente da sala comentava o fato de ela ter usado o termo Senhor e, pior, davam risada desse vocativo. O que eu acho? Simplesmente um absurdo!

By Google


O professor é novo (deve estar perto dos 30 anos) e não é casado, no entanto, o termo Senhor é questão de educação, de saber como se comportar e se direcionar às pessoas. Ao rir da menina estavam confirmando minha tese do quanto a educação e o modo de criar os filhos se modifica e varia de um pai para outro, de uma relação familiar para a outra. Quanto a isso tem pessoas dizendo que as "coisas evoluem" e o modo de criar os filhos também, não gosto muito de falar o termo evolução para essa questão, mas pode até ser, visto que evolução não corresponde a processos exclusivamente bons, que trarão ótimos resultados, também relaciona-se a processos que não trarão bons resultados, o que porteriormente o meio selecionará (Dá-lhe Darwin!).

Não sei se é porque eu vim de uma família muito tradicional, na qual desde pequena (e até hoje) era obrigatório pedir a benção para todos da família e comprimentar todos de um por um. Se a pessoa a que você fosse se dirigir fosse mais velha também deveria chamar de Senhor ou Senhora, do mesmo modo quando se direcionava aos meus pais e parentes. Quando o pai chama devia responder: "Senhor" e não "que foi". Assim eu, meus irmãos e muita gente foi criada. Acredito que rir de alguém pelo modo como ela se direciona à outra pessoa, sendo que esse modo, em momento algum, é perjorativo ou algo do tipo, é completamente ridículo, inescrupuloso e de gente sem educação com a visão turva.

Hoje me senti muito mal em relação a esses colegas. Percebi que as pessoas deixaram de se importar uma com as outras, que não respeitam nem o emissor nem o receptor da fala, que só porque uma pessoa é nova não pode ser bem tratada, que tudo vira motivo de risada e zombação. Não acho certo esse tipo de comportamento, é o que acaba com a sociedade, com as relações interpessoais. Quanto custa dizer palavras bonitas, dizer obrigado, boa tarde, boa noite, e chamar alguém de senhor, demonstrando respeito?!! Chegamos ao ponto em que as pessoas dão risada de alguém que se comporta com educação e respeito, mas, muito pelo contrário, acham bonito coisas apelativas, fofocas, chamar o outro de "véi" e etc. Sério, fiquei muito, muito mesmo, indignada e incrédula com o acontecido do dia, até mesmo porque eu também me direciono aos professores e às pessoas mais velhas com o vocativo "senhor ou senhora" e acho absolutamente certo e normal.

E para completar, só para constar o quanto é inadmissível, no meu local de estudo não tem gente de classe baixa (com raras exceções de alguns bolsistas, rs), a maioria são de classe média-alta (alguns bastante alta, diga-se de passagem), ou seja, tem de tudo para serem educados, possuem acesso mais fácil a cultura e educação, completamente o oposto de grande parte da população. É lamentável que não saibam aproveitar as chances que tem de crescer e evoluir, como pessoas (seres humanos) e como profissionais que serão no futuro. Não gostaria de chegar num consultório médico e vê-lo desrespeitando outras pessoas (funcionários por exemplo) e muito menos me chamando por gírias. Mais uma vez dinheiro não quer dizer nada, uma vez que educação e respeito são adquiridos no ceio familiar e na convivência do dia-a-dia, só espero que, como adultos que já são, a vida lhes ensine como tratar bem as pessoas.

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Anem, ENEM: a crítica não abala a esperança de um futuro melhor

Estava organizando meus pensamentos para saber ao certo o que escrever, o que pontuar e, principalmente, como criticar. No início tentei me desvencilhar desse assunto que me tormenta e traz más lembranças, entretanto, tornou-se indispensável falar sobre ele, o célebre ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). (Detalhe: estou revoltada, portanto, texto com alta carga de ironia, humor negro, criticidade e falta de paciência.)

Nos dias 06 e 07 de novembro de 2010 foram realizadas 4 provas, cada uma contendo – ao menos era pra ser assim – 45 questões. Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, mais a prova de Redação. O Brasil inteiro ficou alerta nos dias em que muitos estudantes estavam decidindo suas vidas. O futuro dessas vidas e, de certa forma, da nação, em evidência nas provas a se realizar. É lamentável apenas que um dos que mais deveriam estar interessados na qualidade das mãos-de-obra que serão formadas, tenha tido desatenções ao longo do planejamento dessa prova gigantesca, o governo e os que fazem acontecer essa “idéia”.

Era de se esperar que tudo fosse transcorrer às mil maravilhas, uma vez que em 2009 o modelo usado foi o mesmo e, geralmente, os erros cometidos no passado servem para que sejam corrigidos no futuro e não voltem a ocorrer. Mas, no Brasil em que vivemos e desde que o conhecemos, sabemos que as coisas não funcionam como deveriam. Eu e alguns amigos fizemos o ENEM em 2009 e em 2010 e a conclusão da maioria é que realmente o Brasil ainda tem muito a melhorar, e também vale lembrar que para muitos, o de 2009 foi mais positivo que de 2010, mesmo com o fato do roubo das provas. Por quê? Talvez seja porque em 2009 não vimos de modo tão descarado a má realização das provas e o mau treinamento dos fiscais como nesse último ano. Ou, então, pelo fato de estarmos mais preparados, alertas e experientes no quesito realização de vestibulares Brasil afora.

E daí se concorrentes usaram relógios? Quem se importa com o uso de lápis e borracha permitido a alguns e a outros não? O que tem alguém usar o celular dentro da sala, conversar normalmente e o fiscal apenas pedir para que desligasse e guardasse? Qual o problema de os fiscais não passarem informações corretas, não seguirem o edital e muito menos dar apoio aos estudantes? O que há de errado em vazar conteúdo das provas, tema de redação? Para quê levar identidade, para quê ser identificado se alguns fizeram sem ela? Não é verdade que a prova de matemática não precisa de rascunho e a de humanas sim? De que adianta provas bem feitas, com datas corretas, se não interfere na resposta, se os alunos errarão ou acertarão do mesmo jeito? Afinal, para quê edital se não precisa necessariamente ser seguido? Por que se preocupar com tudo isso? Assim foi a realização do ENEM 2010. Essa foi a importância dada, aos fatos e relatos de desigualdade, pelo alto escalão do governo, através do MEC, INEP e Ministério da Educação: nada de errado, tudo normal, nada que modificar, a educação “melhorou muito”, estamos de parabéns – pois eu digo: parabéns sim, pela incompetência! Com toda a certeza, eles desconhecem que são os erros de aplicação os que mais causam transtornos, alguns podem até serem considerados erros "pequenos", mas se somados tornam-se grandes "inimigos" de quem está tentando fazer uma boa prova em busca de uma vaga numa universidade federal para um dos cursos mais concorridos. Sem contar que erros acabam com a confiança na prova, abaixa mais ainda o nível da mesma, humilham o intelecto dos estudantes que se preparam para àquele momento, praticamente jogam no lixo anos de esforço e estudo, com direito a “sangue, suor e lágrimas”.

Para completar, diante de tais ocorrências, totalmente verídicas, ainda teve quem defendesse e dissesse que tudo não passava de “tempestade em copo d’água”. Vou ser sincera, fiquei puta de raiva dessa gente de pensamento pequeno, hipócritas e medíocres. Falam isso porque não tiveram que passar por tudo que nós, estudantes, passamos, porque não tem o seu futuro “em risco”, em “zona de perigo” por falta de atitude, por falta de competência de quem comanda essa prova, porque não tem o futuro nas mãos de poucos que nem se importam com você e muito menos sabem da sua existência e de tudo o que você passa até chegar esse momento e durante esse momento.

Vale ressaltar o modo de correção das provas, o método TRI, que segundo Fernando Haddad coloca todos em situação de igualdade, que evita os chutes e etc. Então, caro Haddad, por favor, me explique como alguém que erra somente 6 das 45 questões na prova de Linguagens tira uma nota absurdamente baixa, de 700 e poucos, e, ao contrário, quem erra mais tira uma nota maior que essa? Sem que nenhum dos 2 comparados chutasse a prova, e ambos, de certa forma, possuem o mesmo nível de conhecimento? Queria saber se quem fecha a prova tira menos de 1000, tem como? Tem muita gente que tem condições de fechar uma prova, e não é porque simplesmente chuta, até mesmo porque, não tem como depender de chutes para tirar boas notas e nem todo chute é certeiro, é somente por conta do conhecimento, adquirido com vários anos de estudo, que vocês, meus caros, não levam em consideração e desmerecem. Aí, nos aparece o caso da realização de novas provas. Lógico que ninguém queria arcar com as conseqüências desses erros, então “o TRI é um método de total igualdade”, mesmo que as provas sejam diferentes, que os enunciados sejam diferentes e o conteúdo seja diferente. Vem cá, me expliquem a diferença entre igualdade e equivalência, pode ser? 1+2 é uma coisa, 2+1 é outra totalmente diferente, cada um pensa de um jeito, para um, o primeiro modo pode ser mais fácil, para outro o segundo é mais fácil, e quem tem o direito de querer modificar isso – o fato de que cada cérebro enxerga as coisas de um jeito? Esse método não leva em conta que o que a maioria pode considerar fácil e acertar eu posso considerar difícil e errar, e assim, por essa questão, vou ter minha nota diminuída, mesmo que eu acerte o mesmo tanto no total bruto que outro candidato que acertou essa questão considerada “fácil”? O cérebro é único, exclusivo de cada um, sendo que cada um pensa de um jeito, tem um raciocínio, tem facilidade com aquilo e dificuldade com aquilo outro. Mas, lógico, governo é governo, Lula é Lula, no ápice de sua aceitação popular, no auge do seu governo, em fim de mandato, considerado um “ídolo” da história brasileira com direito a filme – que segundo eles nada tem a ver com política, “aham Cláudia, senta lá”, e Fernando Haddad é um ótimo Ministro, por dentro dos assuntos, educador, sábio, que toma ótimas decisões e melhorou demasiadamente nossa educação, tanto que continua lá, no Ministério, não é mesmo? Quem sou eu para criticá-los? De certo sou um simples alguém da oposição, alguém que luta contra o nosso desenvolvimento, ou melhor, uma conspiradora, que não merece a mínima atenção. Faça-me o favor né gente! Vamos acordar aê, porque se continuar assim fica difícil ter um futuro nesse país. Depois ainda ficam se perguntando por que os brasileiros do mais alto nível saem do país, por que fazem sucesso, tornam-se profissionais respeitados lá fora, comandam pesquisas importantíssimas enquanto aqui ninguém nunca ouviu falar, com uma população totalmente desinteressada em política, ciência, educação, apenas querendo comprar, comprar, comprar, ganhar, ganhar, ganhar e “subir na vida”. Meu Deus! Que país é esse? Como vamos melhorar se não tivermos educação de qualidade, como se “sobe na vida” sem saber ler, escrever e interpretar? Passem-me a receita que se for assim eu estou precisando urgente. Alguma coisa pode até ter melhorado, mas por enquanto, só sei de melhorias no salário de vocês, caros governantes.

Quanto aos que realizaram a “segunda prova”, nada a comentar, o que tinha para dizer acho que todos já compreenderam: uma total injustiça. Aí entra o detalhe dos presos e tal, e por que esses tais presos não podem realizar as provas nos mesmos dias que nós, reles mortais? Sinceramente, não vejo nenhum pingo de igualdade nessas provas, não é um segundo vestibular, é o mesmo vestibular, são os mesmos que concorrem com os que fizeram as provas nos dias 06 e 07. É claro que eles mereciam uma segunda prova, mas não é justo que só eles a recebessem. Ao meu ver, deveriam ter aberto para qualquer um que se sentisse prejudicado, automaticamente cancelando as primeiras provas. Desse modo, ninguém poderia reclamar posteriormente e haveria igualdade enquanto todos tiveram a chance de escolher entre refazer ou não.

De acordo com as correções que muitos andam reclamando, tenho a reclamar somente do método TRI, “só” isso, nada mais. Quanto às redações zeradas e etc., não vejo nada de mais, se o candidato não fez o que tinha que ser feito, não seguiu a risca as recomendações, não estava preparado, é certo que seja zerada, ao menos nesse quesito o edital foi seguido. Ah! Claro, a correção é feita por humanos normais, com a exceção de que tem conhecimento, sabem o que estão fazendo e as conseqüências dos seus atos.

Será que eu estou esquecendo de relatar mais alguma coisa? Há, sim, o SISU. Disseram que esse ano o site suportaria as milhares de entradas, sei disso porque participei do “bate-papo UOL” com uma repórter e um porta-voz. Até onde eu saiba passou longe, devido a minha desmotivação só fui tentar ontem de manhã por grande insistência dos meus pais – reconheço - e além de demorar um século para que abrisse a página consegui fazer só uma inscrição, a segunda ficou pra depois, nem sei se vai ter depois, mas ficou, por conta dos erros do site e da minha falta de paciência com tudo isso – concordemos, ninguém merece agüentar, não sou fantoche deles para que eles façam o que bem entendem. E os que estão isolados, prejudicados por motivos de força da natureza, vão ficar em desvantagem? Acho que agora o que eles estão pensando menos é sobre o SISU, perante aquela devastação, falta de água potável, comida, roupas, moradias. Mas o negócio é o seguinte, depois que passarem as 3 etapas do SISU eles não podem ter direito exclusivo de nova seleção, teria que haver mais uma etapa nacional até que a situação naqueles locais melhorem, para que ninguém saia prejudicado nessa história, nem eles, nem nós, saibam disso.

Acho absolutamente certo que entrem com processos contra o governo. Até mesmo passou pelas mentes aqui de casa essa possibilidade. Já passou da hora de alguém transformar essa realidade, acordar, se atentar e consertar o que tem de errado. Dilma está começando bem, colocando o povo para trabalhar, tirando um pouco das mordomias dos Srs. Ministros - sem levar em consideração alguns pontos negativos. Só espero que continue assim, que ela saiba o que fazer e olhe mais pela educação defasada que enfrentamos diariamente no Brasil. Como já disse, nós somos pessoas, gente, humanos, estudantes, que deram duro para conseguir realizar uma boa prova. No entanto, no “grande dia” dá tudo errado, sem termos culpa “no cartório”, mas nós pagamos o “pato”. Isso não está certo. Nós estamos, sim, submetidos ao governo, ao que eles aprontarem, fazerem ou deixarem de fazerem, só que não devemos, de forma alguma, agüentar calados, quietos, apenas assentir com a cabeça e ponto final. A vida não funciona assim, muito menos um país democrático, cujo lema é “Brasil, um país de todos”. Onde estão esses “todos” quando o Brasil precisa? Onde está a concretização desse lema? Onde está a “Ordem” e o “Progresso” na educação?

Resta-me saber apenas se depois de 2009 e 2010 ainda haverá ENEM no meio do ano. Será que vão ter competência para isso? Fica então mais uma dúvida, mais uma incerteza a martelar nas mentes dos jovens vestibulandos, que ainda tem esperança de melhoria da educação, melhoria do país que tanto amamos, fomos criados e vivemos. Esperança de um futuro melhor, que prioriza a educação, que dá importância à população, que leva em consideração os sonhos de cada jovem construtor desse país. Sei de uma coisa, a maioria dos brasileiros pode ter memória fraca, mas eu não, eu sei em quem votei, eu sei de quem cobrar, sei que a culpa não é só do governo, talvez seja mais da população apática, alienada, acomodada, egoísta e hipócrita, mas, de qualquer forma, não vou esquecer tão fácil assim desses acontecimentos determinantes para muitas vidas que estão apenas no seu início. Se eu pudesse, tivesse essa força, não deixaria que esses mesmos erros viessem nos acometer novamente, nenhum brasileiro merece passar por essa vergonha e humilhação.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Quando você vê seu castelo de areia desmoronar...

Ajudando a confusão total dos meus pensamentos se ordenarem – por enquanto apenas tentativa!

A difícil vivência do dia a dia está me sacrificando com acontecimentos ruins diários. Na última postagem delatei minha tristeza, com uma pontinha de tentativa de recuperação, com um pouco mais de alívio e compreensão. No entanto, aquele dia ainda me reservava notícias piores, o que tem a ver com o ENEM, mas não pretendo entrar em detalhes, pois já me chateei demais, desde o primeiro dia de provas (o que conto em detalhes mais tarde). Então, eis que desabo, literalmente, nada de compreensão, de alívio, mansidão, dessa vez até mesmo meu pai – que afirma não gostar de me deixar muito sozinha, porque segundo ele eu sofro mais – interveio. Foi um choro constante, contínuo, que parecia não ter fim, meio escondido entre os cabelos e as mãos, num canto de uma sala em que ninguém mais iria àquela hora da noite, visto que as mulheres da casa estavam assistindo ao penúltimo capítulo da novela Passione (a qual nem comento, pois essas novelas não merecem meu comentário, e sim, hoje acho que estou um “pouco” rebelde, se é que existe “meio” rebelde, rs), os homens estavam entretidos com futebol, comida e sei lá o quê mais e as crianças estavam procurando um jeito de se machucarem na rede (diga-se de passagem: mais uma vez) balançando desordenadamente, ou, de se sujarem depois do banho que as deixam parecendo gente outra vez, brincando de “homenzinhos” e outras invenções próprias da idade, já que da piscina já estavam cansadas e àquela hora da noite nem podiam mais. Dessa vez, consegui minha solidão até certo momento, ta certo, foi num péssimo dia, mas pelo menos essa “vitória” de alguns minutos eu consegui, rs. (Agora que eu reparei o quanto minha descrição ficou parecendo cena de filme, rsrs). Nesse dia chorei como se o mundo tivesse acabado para mim, como se a minha vida tivesse ganhado um ponto final, como se nada mais importasse, como se os meus sonhos tivessem que completamente permanecer no mundo das idéias, como se meu castelo de areia tivesse desmoronado. Não sou de xingar, acho horrível, feio, nojento, principalmente quando vejo meninas, ou mulheres, xingando, mas foi tão forte que eu o fiz. O ENEM simplesmente pôs fim no que restava de mim (já disse que eu sou dramática, mas, de certa forma, não deixa de ser verdade, as últimas esperanças sempre são últimas, e, sempre tem um fim, mesmo que não seja o que a gente espera). Sabe quando você já se sente no chão, e aí lembra: “do chão eu não passo”, mas recebe uma notícia, ouve uma frase inoportuna e percebe que isso cavou um buraco e lá você foi parar, mais no fundo ainda. Nessas horas você também se lembra dessa outra frase batida: “quando tudo está ruim, lembre-se, sempre pode piorar”, e confirma que é a mais simples e pura verdade. Tá bom, meu pai me acolheu, as frases ditas por ele foram as de sempre, o que já torna praticamente em vão, lógico, tem sempre um peso emocional no momento, só que depois passa (já virou rotina, rsrs). E fui dormir, fim. Fim? Nãããão...(Não, também não sou Adolph Klimber, mas aos poucos eu chego lá, kkk, credo! To longe daquele “sofrimento”, mas não me “abati” totalmente – gosto de evitar o verbo “abater”, já que ouço muito falar em abate de vaca, boi, porco nos frigoríficos, rsrs, não morri ainda, e foi o primeiro termo que veio a minha cabeça, como já disse, redijo tudo no ápice da vontade e conforme vou lembrando e pensando, por isso as coisas ficam meio confusas às vezes, como agora em que houve uma “fuga ao tema” enorme, rsrs). Na manhã seguinte, como se já não bastasse, chorei mais, e nada melhor para consolar do que uma música quando estamos fora do nosso território, do nosso campo de atuação, com muitas pessoas em volta (pessoas essas que se te vissem chorando, com toda a certeza do mundo, perguntariam o motivo, iriam espalhar aos outros, ficar preocupadas, etc, etc, etc, como ocorre em toda família, principalmente nas mais unidas, rs). E as primeiras a tocarem foram do Padre Fábio de Melo, preciso dizer o quanto mais chorei? As mensagens de “Não Foi Tua Culpa” e “O Caderno”, me fez refletir, refletir, refletir, e encharcar o travesseiro, mas, para variar, de nada adiantou, porque a dor e o sofrimento da realidade são maiores nos primeiros instantes, só depois de um tempo você vê que o que foi dito realmente é interessante e importante “levar para a vida” e fazer acontecer. Porém, também sabe o quanto é difícil tornar esses ensinamentos realidade na própria vida, do mesmo jeito que livros de autoajuda não ajudam quem não tem força de vontade. Ou seja, tudo na vida não passa de uma questão de força de vontade. Estou aprendendo isso.

Diante de tais relatos é claramente perceptível (não poderia passar sem falar mais uma frase clichê de redações, né?! rs) que tenho 99% de chances de voltar a uma sala de cursinho. Dessa vez, um cursinho diferente, já deu o que tinha que dar o local onde eu estudei desde um semestre do primeiro ano ao fim do terceiro e mais um ano de cursinho. Embora tenha vários motivos para lá permanecer, como o desconto da bolsa meritocrática que eu tenho, o nível da escola, a relação com os funcionários, professores e diretores, as relações de amizade, o querido e amável diretor Permínio, ainda prefiro mudar. Acredito que voltar para lá só se não houvesse alternativas, uma vez que também tenho outros tantos motivos para não permanecer, tais como enfrentar as mesmas aulas com os mesmos professores (alguns, inclusive, desde o primeiro ano), enfrentar a cara de pena de quem já te conhece e te vê no estabelecimento há 3 anos e meio pensando “ela aqui outra vez?!!”, enfrentar algumas pessoas da “MED 1A Sala 1” te olhando com olhar mortífero só porque você é concorrente, enfrentar essas mesmas pessoas dando a entender que são as melhores, a última Coca-Cola do deserto, a última bolacha do pacote, enfim, com todo sua prepotência e arrogância (estou ciente de que encontrarei pessoas desse mesmo jeito em outros locais e por toda a minha vida, mas pelo menos as caras mudariam, rs), enfrentar algumas desordenações, enfrentar aquele local, aquele espaço, aquelas salas que você freqüenta parece que já há uma eternidade, enfrentar as mesmas piadas sem graças do professores que nunca mudam o repertório. Infelizmente voltar para lá é ir de encontro à desmotivação.

Tem momentos na vida que exigem mudanças, esse é um que chegou para mim. Portanto, a partir de hoje, agora um pouco melhor e mais recuperada, estou passando por mudanças, interior e exteriormente falando. (Não, não pretendo fazer plásticas, mas sim voltar às corridas, talvez às danças e em última caso à academia – eu gosto bastante, mas anda tão caro, não tenho coragem de pagar em torno de R$150,00 para mais, para fazer 2 ou 3 dias de exercícios, sendo que tenho o ar livre com locais propícios para caminhadas, corridas e etc. rs). Agora sim, estou me libertando do ano de 2010. Mas sei que: “O pior dos castigos, para o qual só há pior no inferno, é a gente recordar. O passado te persegue como um cão perverso nos teus calcanhares. Não há dia claro, nem céu azul, nem esperança de futuro que resista aos assaltos das lembranças.” – isso nos dias ruins, e a partir de memórias ruins, caso contrário, tudo mil maravilhas! Também sei que de planejamentos no papel ninguém vive, por isso nem coloquei no papel propriamente dito. Eu sou a prova viva de que planejamentos tem tudo para dar errado. Deixei de fazer listinhas, com exceção das de livros e filmes para adquirir, e ler ou assistir depois que passar no vestibular ou quando tiver um tempinho sobrando - o que para mim é praticamente utopia, rs. Deixei de fazer planos a longo prazo, tais como o plano de passar no vestibular direto do terceiro ano, só não contava que iria escolher medicina, rs. Enfim, estou me sentindo pronta para enfrentar a vida novamente, com todos os seus indecifráveis desígnios perante a pequenez e fragilidade própria dos  humanos, inclusive a mim.

Mais um motivo para essa “virada” e maior força de vontade foi o Guia Veja da última edição, a 2200, intitulada: “Faculdade particular ou mais um ano de cursinho?” Confirmei o que já sabia: resta-me mais um ano de cursinho. E lembrei-me também de que não estou sozinha nessa, como na própria reportagem foi afirmado sobre o vestibular da FUVEST, no qual foram 122.177 os que realizaram a segunda fase, desconsiderando os treineiros, apenas 10.652 terão sua vaga garantida na tão sonhada USP, ou seja, 9 em cada 10 candidatos terão que fazer outra alternativa, incluindo a matrícula em outras instituições, abandonar o barco ou o cursinho. Só não estou de acordo com o coordenador de vestibular do Anglo de São Paulo, Alberto Francisco do Nascimento, de que “o ideal é começar a faculdade até os 25 anos”. Deus me livre! Imagina passar praticamente uma vida inteira no cursinho?!! Pensa só, nas minhas condições, desde os 17 no cursinho até os 25, seriam 8 anos, o curso de medicina dura 6 anos, mais uns 4 de especialização. Não, quero isso pra minha vida não. Sei que dependem das circunstâncias, que, geralmente, em outros estados, a maioria dos estudantes termina o ensino médio mais velho e que talvez não tenha aquela disputa para ver quem aprova mais alunos que saíram direto do terceiro ano como existe em Goiânia. Foi visível a diferença, pelo menos nos meus locais de prova, das competições entre as escolas no Sul do país. Em Goiânia – digo sempre Goiânia porque é o maior centro dos cursinhos, dos estudantes em Goiás – há uma enorme competição entre as escolas, entre os cursinhos. Há casos de professores demitidos porque começaram a lecionar em concorrentes, ou, escolas que simplesmente impõem aos professores que eles só abram específicas nos seus estabelecimentos. Fora daqui, não vi casos parecidos, até deve existir, mas desconheço. E quanto a isso, acho tudo um grande absurdo, e sem mais comentários!

Virei à folhinha do calendário, assim, que 2011 comece! Ele é muito bem vindo, pois espero que ele esteja trazendo ótimas realizações e conquistas para mim e todos vocês – olha só, meu lado otimista me surpreendendo, eu que geralmente sou tão pessimista, mesmo nas melhores circunstâncias! Também né, se com 2 anos de cursinho eu não conseguir, não sei se me agüento – confesso, iria dizer coisas piores aqui, mas capaz que vocês me “condenariam”, rs – mas, ainda estarei dentro do prazo do meu pai, de 3 anos de cursinho, e olha que ele já está me fazendo a “lavagem cerebral” para que preste em faculdades particulares, se não fosse a “pequena” mensalidade que gira de R$4000,00 a R$8000,00 – reitero, esse gasto SÓ em mensalidade – queria taaaaaaaanto ter ganho na mega-sena da virada, ou qualquer outra, só para vocês terem noção, que se eu fosse depender de chute nas provas estava ferrada, não acertei sequer um (1) número da mega, incrível, feitos que só eu consigo! kkk

Bom, termino por aqui, acho que já escrevi o bastante. De qualquer forma, apesar de uma leve intoxicação alimentar – a qual também já estou acostumada, visto que meu sistema digestório é fraco e, vez ou outra, tenho esses transtornos, e que meu sistema imunológico anda baixo devido ao alto nível de estresse e a vida pouco saudável que ando levando – e desses transtornos emocionais, sinto-me melhor, produzindo meus textos de autoajuda (para atingir a mim mesma, um pouco contraditório do usual, mas acho que estou certa, afinal, estou ajudando a mim mesma produzindo textos, enfim, não vou me aprofundar nessas dúvidas superficiais!). Como a Teca já disse, as letras me fazem companhia! De uma certeza eu tenho, estou beeeeeeeeeeem mais aliviada!