Consequência de uma pausa...
Sim, eu sei que sou uma desnaturada. Sei que fiz promessas e não as cumpri. Também estou ciente que inutilmente tentei organizar meu tempo a fim de escrever, no mínimo, uma vez a cada semana. Realmente, fracassei mais uma vez e, pior, não cumpri com as minhas palavras. Isso me deixa absurdamente chateada, mas de certa forma tenho o consolo de que o blog, no fundo, sempre foi uma maneira que eu encontrei de expor meus pensamentos para não fundir meu cérebro. Confesso que durante o ano de 2012 quase explodi minha mente com tantos pensamentos, tantas mudanças, tantos acontecimentos, tantas passagens e histórias na minha vida e, mesmo assim, não consegui escrever uma linha sequer. Muitas dessas vezes, nem mesmo tentei, em outras situações sinto que evolui meus métodos de escape e de todas as situações busquei um aprendizado e uma forma de crescer como ser humano.
Depois de tanto tempo impondo outras prioridades à minha vida é bem provável que tenha perdido minha maneira de escrever. O que é interessante, visto que a maneira é inerente a mim, logo, impossível perdê-la. Entretanto, como já foi dito, são muitos acontecimentos, muitas transformações para um ano só.
É engraçado como eu achava que me adaptava facilmente a qualquer situação, como me achava independente e madura para a minha idade. Em 2012 percebi que, realmente, sou bastante madura para minha idade se comparar-me a maioria dos meus colegas, porém, talvez não seja tão independente como esperava que fosse, principalmente se falarmos em independência emocional. Foram muitos momentos de fraquezas emocionais co-relacionados a problemas familiares, e são em momentos como esses que percebemos o quanto a menor distância um do outro pode parecer infinita. Além disso, é necessário acrescentar outro contribuinte às fraquezas emocionais: a adaptação a um novo ambiente, a um novo estilo de vida, a um novo método de estudo. Dei-me conta de que não é fácil simplesmente ir cursar uma faculdade de medicina em uma cidade totalmente desconhecida, na qual nem mesmo um parente você possui.
Então, eis que se passou um ano. Um ano pode ser pouco para muitas realizações e muito para outras, ainda mais em um mundo como o nosso que exige tudo da forma mais rápida possível, em que é tudo "para ontem" - muitas vezes esquecendo-se da qualidade -, entretanto, um ano foi suficiente para que eu amadurecesse mentalmente, para que mudasse minha perspectiva de vida, para que eu pudesse conhecer e re-conhecer outros estilos de vida, pessoas e ambientes, para que eu aprendesse a dar valor ao que deve e desapegar-me do desnecessário. Um ano passa rápido, muito rápido! Um ano voa e você nem se dá conta, quando vê está sentado numa tarde de domingo se perguntando "o que eu fiz desse ano na minha vida?". Pode ser que a resposta não seja o que você gostaria ou o contrário, pode ser que ao invés de responder com uma palavra, você sorria, e tenha certeza, sorrir é a melhor resposta. Sorrir é afirmar que seu ano foi ótimo, que você atingiu o esperado, e se não atingiu tentou, buscou, chegou perto, ou que simplesmente você se surpreendeu da melhor maneira possível com tudo o que ocorreu. Meu ano de 2012 teve mais lágrimas que sorrisos, contudo, muitos momentos de sorrisos valeram mais que muitas lágrimas que rolaram pelas minhas fartas bochechas. E, mesmo assim, apesar de todos os momentos de tristeza, o balanço final foi positivo, pois o que pude aprender em todo esse ano foi incrível, e, afinal, acho que é isso o que importa, de forma que 2013 seja diferente com base nos aprendizados passados, ou, que seja diferente trazendo-me outras fraquezas, outros acontecimentos inesperados que me tragam outros aprendizados. Como podem perceber, tornei-me uma pessoa mais forte também.
No decorrer de 2012 cheguei a pensar, na maioria do tempo, que estivesse perdendo minha essência, meu jeito de ser que construí ao longo de 19 anos. E, só hoje, percebi que não é bem assim - pode ser que tenha algo relacionado à "crise dos 20". A evolução não vem sozinha, ela traz consigo uma bagagem de experiências e fatos que te transformam de dentro para fora, para tanto, é preciso um tempo para se adaptar ao "novo peso", às novidades e, no meu caso, foi necessário um ano inteiro de ajustes até eu poder aprimorar o que carreguei comigo nesses 19 anos. Posso dizer que foi uma evolução brusca e sofrida, um ano foi pouco para tudo o que vivenciei e aprendi. Hoje, agora, nesse exato momento, sinto que minha alma está renovada, aperfeiçoada e que as coisas boas que possuía continuam, algumas ruins também, outras foram dispensadas e muitas chegaram sem nem pedir licença. Isso é ótimo, ninguém é perfeito. Como diz aquele clichê: "imaginem se todos fossem perfeitos?", concordemos que o mundo seria sem graça...
Mudanças positivas são sempre bem vindas, bem como momentos em que devemos parar um pouco algo em nossa vida para podermos subir mais um degrau. Por exemplo, um professor de língua estrangeira sempre deve parar um pouco de lecionar e tornar-se aluno novamente ou fazer uma viagem para que ao final suba um degrau quando retornar às salas de aula. Em sua maioria as transformações não são fáceis, mas são ótimas maneiras de aprendermos ao longo da vida. Uma vida patética, monótona não te traz muitos benefícios, pois é sempre tudo do mesmo jeito, é sempre um hábito, uma rotina. É preciso arriscar-se, buscar alternativas e enfrentar tudo o que chegar até você de mente e coração abertos, recebendo os fatos e transformando-os em ensinamentos sempre presentes. Antes disso, é necessário o reconhecimento do que realmente deve ser mudado, do que deve ser deixado para trás, do que deve se transformar apenas em lembrança, do que deve ser um aprendizado a ser repassado às próximas gerações, enfim, é necessário estar de olhos abertos para perceber todas as oportunidades e áreas de crescimento interior. Não é nada fácil, porém, pode ser a melhor coisa que aconteça em sua vida.
Dessa forma, quem sabe em 2013 eu consiga expor um pouco mais o que vivi em 2012 e estou vivendo no presente, afinal, muitos aprendizados devem ser compartilhados. Sinto que estou em débito e quero quitar o quanto antes. Assim, estou com novos planos para o blog nesse ano que já está no seu vigésimo sétimo dia - Uh lá lá, quase um mês!
P.S.: Pelo visto, textos grandes com vários assuntos misturados ainda são minha marca pessoal...
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domingo, 27 de janeiro de 2013
domingo, 5 de agosto de 2012
Amém!
Antes de tudo, cuidado
com sua interpretação. Essa postagem não tem a intenção de agredir ninguém, só
esclarecer ou garantir um pouco de reflexão nesse mundo de ideias deturpadas,
bem como não escrevi de má fé, muito pelo contrário. De antemão já peço
desculpas caso alguém se sinta prejudicado, realmente não é a intenção. E estou
ciente de toda a minha sinceridade (talvez ingênua, nesse caso). Caso queira
esclarecer algo, existem as opções de enviar-me um e-mail ou comentar aqui no
blog mesmo, pois sei que esse tema é muito delicado. (Sim, estou com receio de
possíveis consequências, no entanto, preciso desabafar).
As redes sociais têm seu lado positivo e negativo, como tudo
na vida. Entretanto, ultimamente, tenho visto postagens muito desagradáveis,
não somente religiosas, mas em todos os sentidos, estilos e temas. E, cá para
nós, essas redes sociais me cansam cada vez mais, já prevejo o dia em que
continuarei só com o blog e o Messenger (já em desuso) – e olhe lá!
No momento pretendo falar das religiosas. Muitos podem achar
que é por eu ser católica, mas essa não é a questão que irei discutir, até
mesmo porque, isso, teoricamente, não se discute - determinação cultural, moral
e ética, felizmente. Ou melhor, tentarei ser o mais imparcial possível, o que é
difícil diante dos fatos, porém, tentarei
ao máximo. De qualquer forma, o que entra em pauta é: respeito.
Há alguns dias, postaram no Facebook uma imagem com um texto
– como de praxe – sobre um paciente que vai ao médico e o mesmo não está, a
partir de então, comparam o médico a Deus, a mãe do médico à Maria e a
secretária aos Santos. De forma que a mãe e a secretária não resolvem os
problemas do paciente, só o médico, fazendo-se desnecessárias. Sinceramente, essa
comparação é infeliz!
O que mais me intriga não é nem a comparação realizada e sim
a falta de respeito para com as outras religiões. No meu caso, as duas pessoas
do meu vínculo de amizades que postaram são ambas evangélicas. Devo levar em
consideração que os evangélicos são aqueles que já foram – alguns ainda são – perseguidos,
assassinados, discriminados e criticados por serem evangélicos, de maneira que
sempre cobraram respeito, aceitação e educação por parte dos outros –
obviamente uma cobrança justa
perante a sociedade. Sendo assim, como podem atacar outras religiões? Será que
sua própria história não contribuiu para sua aprendizagem? (Quero deixar claro
que faço essas perguntas a casos isolados, pois como sempre, toda regra tem sua
exceção e, inclusive, a maioria dos meus (melhores) amigos e alguns familiares são
evangélicos, sendo que eu já frequentei festas comemorativas, cultos, encontros
e shows evangélicos sem maiores problemas, pelo contrário, sempre fui muito bem
recebida e aceita).
Minha concepção de vida é: eu acredito, de mim para mim, ou,
de mim para com Ele. Não sinto a necessidade de ficar afirmando a todo o
momento (uma vez ou outra escapa, faço uma citação, mas nada em excesso -
diária e constantemente), muito menos de atacar outras religiões, porque assim
como eu optei por ser católica outras pessoas optaram por ser evangélicas,
espíritas, judias, budistas e tantas outras formas de crer e manter a sua fé ou
simplesmente não acreditar. Dessa forma, eu nada tenho a ver com isso, cada um
faz sua escolha a partir do que lhe é necessário, do que lhe ajuda a ser
saudável, a ter paz interior ou ser uma pessoa melhor, e, acima de tudo, eu
respeito a escolha de cada um. Todos têm o livre
arbítrio de acreditar no que bem entende ser a melhor opção – ou não
acreditar em nada. Resumindo, cada um acredita no que quiser e mais ninguém
deve se importar com isso, obviamente desde que essa crença não interfira no
bem estar de outras pessoas ou meio ambiente. (Meu lado pessoal, parcial,
crítico, analítico e irônico quer que eu escreva: Qual é o problema se eu
acredito em Maria e nos Santos? Se alguns estiverem certos, quem vai para o
inferno será eu, não? Desculpa se agredi alguém, não é a intenção).
Lógico que muitas pessoas enxergam no Facebook uma maneira
de se autopromover ou deixarem bem claro suas concepções de vida. Não critico
quem não acredita nas intervenções de Maria ou dos Santos, quem não acredita tem seus porquês e seu direito em não acreditar,
porém, critico o modo como o fazem,
como querem esclarecer isso. Ao fazerem a comparação com uma consulta médica
não levaram em consideração que existem pessoas que acreditam e que poderiam se
magoar com a publicação, esqueceram-se do respeito
a crenças diferentes da sua e de que o fato de eles não acreditarem não os
tornam melhores ou piores do que os outros, afinal, nenhum ser humano é
dono da verdade – e enquanto na condição de humanos somos todos susceptíveis
aos erros - e cada um tem sua própria interpretação da Bíblia – ao menos é o
que se espera. Ah, só mais uma coisa, e se a mãe do médico também for uma
médica? E se a secretária te indicar para outro médico que resolve seu
problema? São boas intervenções, não? Risos.
Outra postagem que tem se propagado nas redes sociais, nesse
caso, principalmente por ateus e agnósticos, é a imagem do Papa sentado ao
trono, na qual o pessoal manda-o vender o trono de ouro para alimentar os
pobres. À primeira vista é mais do que justo, não é mesmo? Confesso que no
primeiro segundo até eu concordei com a ideia. Porém, vamos pensar um pouco
mais...
OK. O Papa desmancha seu trono, vende o ouro e alimenta os
necessitados. Pronto, o ouro acabou e novamente a Igreja precisará do dinheiro
dos fieis para continuar alimentando os pobres – que lamentavelmente são muitos
e a tendência é aumentarem. Agora, olhando pelo lado histórico, o trono é (mais
um) patrimônio da Igreja, portanto, muita burocracia e história o envolvem,
tornando difícil seu desfeito. Além disso, de acordo com o Tratado de Latrão o trono é intocável neste sentido.
Como uma pessoa de capacidade crítica e analítica possuo
muitas críticas à Igreja Católica Apostólica Romana, tanto positivas quanto
negativas, mas, acima de tudo, entendo que a Igreja é constituída por seres humanos, tão susceptíveis ao erro quanto
eu, uma mera mortal. Historicamente a Igreja Católica já errou muito,
alguns erros, inclusive, já foram reconhecidos e pedidos de desculpas feitos.
Confesso que não sigo todos os mandamentos da Igreja Católica, por simplesmente
não concordar, e tenho meus motivos e justificativas, entretanto, isso não
exclui ou diminui minha fé, que ao contrário se fortalece a cada dia, a cada
oração, a cada leitura diária da Bíblia. E, muitos trabalhos da Igreja Católica
ganham minha admiração, atenção e participação.
Outra questão é: o
que cada um de nós fazemos para ajudar os que não conseguem se manter sozinhos?
Doar uma cesta básica a cada Natal é suficiente? Entregar umas moedinhas no
sinal já está de bom tamanho? Por acaso já visitou alguém em alguma comunidade
ou algum país carente para entender a realidade em que vivem? Já distribuiu o amor, a atenção e a compreensão a essas
pessoas? Já as ouviu, sabe do que
elas mais precisam? Realmente, é muito fácil apontar os erros, os defeitos dos
outros não é? Como também é muito fácil sentar em uma cadeira e passar o tempo
nas redes sociais atacando-os. Por que
não usar este tempo para fazer o bem ao próximo?
E outra, qual a finalidade de sair divulgando trabalhos
voluntários? O mundo é tão hipócrita
que a quantidade de pessoas que fazem trabalhos “voluntários” e saem por
aí publicando fotos e textos bonitos só em busca do reconhecimento de que faz
algo uma vez ao ano para contribuir com a humanidade, só querem mostrar aos
amigos: “olha, eu participei” ou garantir uns pontinhos a mais em uma análise
de curriculum, mas e então, o que aprendeu com tudo isso? Por acaso não agregou
humildade e simplicidade às suas
características? Por que não propaga seu aprendizado?
Como eu imagino, deve ser muito fácil e cômodo ser bom ao próximo uma vez ao
ano e ser aclamado pela plateia.
O trono papal alimentaria sim muita gente, mas mais do que o
trono papal, a união e a boa vontade da
humanidade alimentaria muito mais. É uma pena que o ser humano seja
absurdamente hipócrita, egoísta, egocentrista, ambicioso, avarento e todos
esses adjetivos que dão repulsas. E, pobre de mim, ser tão idealista e ter um
senso de justiça e analítico tão aguçado quanto...
sábado, 28 de julho de 2012
Agenda telefônica
Consequência de uma pausa...
Enquanto enrolava para fugir da obrigação de ter que dar uma geral no apartamento inteiro (quero virar socialite logo para ter empreguetes e poder viajar /com meus peguetes? talvez/ hahaha) descobri que meu chip simplesmente apagou tudo e mais um pouco do que estava armazenado nele, ou seja, perdi todos os meus contatos da agenda telefônica. No primeiro momento fiquei super chateada, porque alguns contatos não utilizam redes sociais e morando longe fica complicado tê-los de volta à minha agenda. Após um tempo, comecei a filosofar embasada nesse acontecimento...
Ah, pequeno detalhe: meu chip já estava lotado!
(A ordem a seguir não tem relevância, foi apenas a ordem dos meus pensamentos, sem prioridades)
Primeiro: amigos também têm amigos, ou seja, a partir de outros amigos consigo todos os números de telefones de volta, ou 98% deles!
Segundo: sendo eles meus amigos, uma hora ou outra me ligarão ou mandarão uma mensagem e assim poderei armazenar de novo nos contatos.
Terceiro: os que se perderem, ficarem esquecidos por aí, é porque não faziam a diferença na minha agenda, muito menos na minha vida, só ocupavam espaço.
Quarto: já estava na hora de eu dedicar um tempo à minha agenda telefônica e impor prioridades, excluindo quem não faz mais parte da minha vida.
Quinto: há males que vem para o bem, ou melhor, há acontecimentos que nos fazem enxergar através de outros pontos de vistas.
Sexto: conforme o convívio social vou adicionando-os novamente.
Sétimo: observando minha vida do ponto de vista da agenda telefônica descobri que tenho muita dificuldade em me desapegar das pessoas ou das lembranças que eu tenho dessas pessoas. Alguns contatos só estavam lá ainda porque tinha receio de apagar, sempre pensando "ah, mas vai que um dia eu preciso..." ou "quem sabe a gente volta a amizade e etc" ou "vou combinar algo qualquer dia desses". Creio que preciso aprender a aceitar os fatos como eles são, se a amizade adormeceu, se o romance já teve fim, não existem possibilidades de algo voltar a acontecer, a não ser que por alguma reviravolta da vida nos encontremos mundo afora, porém, tornaremos a adicionar os novos contatos na agenda, visto que seremos outras pessoas aos olhos uns dos outros. O tempo nos transforma! Preciso praticar mais a lei do desapego - não só em relação aos contatos!
Oitavo: ainda analisando minha vida a partir desse ocorrido percebi que está muito confusa, sem regras, sem prioridades, basicamente a Deus dará. Com toda a certeza, preciso impor prioridades, escolher melhor quem eu quero que faça parte de mim, da minha história. E, a partir de agora, escolherei melhor quem irei adicionar o telefone novamente na minha agenda. Afinal, não preciso de números, preciso de amigos verdadeiros e companheiros, de amores fieis, de família, e ah, de comida e serviços básicos! (preciso conseguir aquele contato do sanduíche novamente! haha)
Nono: por que parei de passar meus contatos do celular para a agenda de papel? Era mais seguro e até facilitava a guardar os telefones na memória...hoje em dia ninguém sabe o telefone de ninguém de cor e salteado mais! E também usava toda a agenda. Confesso que só sei dos meus pais, do meu irmão mais velho, da fazenda, do hospital da minha cidade de origem, da minha madrinha, os meus e...só... Ó céus, minha memória está pior do que eu imaginava! Alguns amigos eu não sei de cor, mas se eu ver o número eu sei dizer de quem é...isso vale alguma coisa? hahaha
Décimo: acho que fiquei tão chocada com a minha memória que mudei os rumos das minhas vãs filosofias e já não sei mais nada sobre minha agenda telefônica, a não ser que voltarei a escrever no papel...
OBS.: Não quero, nem devo, tornar-me (ainda mais) dependente de tantas tecnologias!
Enquanto enrolava para fugir da obrigação de ter que dar uma geral no apartamento inteiro (quero virar socialite logo para ter empreguetes e poder viajar /com meus peguetes? talvez/ hahaha) descobri que meu chip simplesmente apagou tudo e mais um pouco do que estava armazenado nele, ou seja, perdi todos os meus contatos da agenda telefônica. No primeiro momento fiquei super chateada, porque alguns contatos não utilizam redes sociais e morando longe fica complicado tê-los de volta à minha agenda. Após um tempo, comecei a filosofar embasada nesse acontecimento...
Ah, pequeno detalhe: meu chip já estava lotado!
(A ordem a seguir não tem relevância, foi apenas a ordem dos meus pensamentos, sem prioridades)
Primeiro: amigos também têm amigos, ou seja, a partir de outros amigos consigo todos os números de telefones de volta, ou 98% deles!
Segundo: sendo eles meus amigos, uma hora ou outra me ligarão ou mandarão uma mensagem e assim poderei armazenar de novo nos contatos.
Terceiro: os que se perderem, ficarem esquecidos por aí, é porque não faziam a diferença na minha agenda, muito menos na minha vida, só ocupavam espaço.
Quarto: já estava na hora de eu dedicar um tempo à minha agenda telefônica e impor prioridades, excluindo quem não faz mais parte da minha vida.
Quinto: há males que vem para o bem, ou melhor, há acontecimentos que nos fazem enxergar através de outros pontos de vistas.
Sexto: conforme o convívio social vou adicionando-os novamente.
Sétimo: observando minha vida do ponto de vista da agenda telefônica descobri que tenho muita dificuldade em me desapegar das pessoas ou das lembranças que eu tenho dessas pessoas. Alguns contatos só estavam lá ainda porque tinha receio de apagar, sempre pensando "ah, mas vai que um dia eu preciso..." ou "quem sabe a gente volta a amizade e etc" ou "vou combinar algo qualquer dia desses". Creio que preciso aprender a aceitar os fatos como eles são, se a amizade adormeceu, se o romance já teve fim, não existem possibilidades de algo voltar a acontecer, a não ser que por alguma reviravolta da vida nos encontremos mundo afora, porém, tornaremos a adicionar os novos contatos na agenda, visto que seremos outras pessoas aos olhos uns dos outros. O tempo nos transforma! Preciso praticar mais a lei do desapego - não só em relação aos contatos!
Oitavo: ainda analisando minha vida a partir desse ocorrido percebi que está muito confusa, sem regras, sem prioridades, basicamente a Deus dará. Com toda a certeza, preciso impor prioridades, escolher melhor quem eu quero que faça parte de mim, da minha história. E, a partir de agora, escolherei melhor quem irei adicionar o telefone novamente na minha agenda. Afinal, não preciso de números, preciso de amigos verdadeiros e companheiros, de amores fieis, de família, e ah, de comida e serviços básicos! (preciso conseguir aquele contato do sanduíche novamente! haha)
Nono: por que parei de passar meus contatos do celular para a agenda de papel? Era mais seguro e até facilitava a guardar os telefones na memória...hoje em dia ninguém sabe o telefone de ninguém de cor e salteado mais! E também usava toda a agenda. Confesso que só sei dos meus pais, do meu irmão mais velho, da fazenda, do hospital da minha cidade de origem, da minha madrinha, os meus e...só... Ó céus, minha memória está pior do que eu imaginava! Alguns amigos eu não sei de cor, mas se eu ver o número eu sei dizer de quem é...isso vale alguma coisa? hahaha
Décimo: acho que fiquei tão chocada com a minha memória que mudei os rumos das minhas vãs filosofias e já não sei mais nada sobre minha agenda telefônica, a não ser que voltarei a escrever no papel...
OBS.: Não quero, nem devo, tornar-me (ainda mais) dependente de tantas tecnologias!
segunda-feira, 23 de julho de 2012
"Doutores"
Um fato, no mínimo, engraçado é quando se entra para
a faculdade de medicina, os familiares já começam a fazer perguntas,
brincadeiras, os amigos e até mesmo os desconhecidos idem. E mais real e
engraçado ainda é o status que o estudante de medicina possui no meio
social, mesmo que ainda esteja no primeiro período...
Sempre tive muito contato com pessoas mais
humildes/de baixa renda. E não só o carinho e a fidelidade que elas têm pelos
que as tratam com respeito e afeto chama a atenção, mas também a forma como se
colocam submissas a estes que elas consideram superiores. Assim que cheguei de
férias no interior de Goiás fiz algumas visitas com meus pais, dentre elas,
fomos comer um frango caipira na casa simples de uma família muito querida pela
minha. Fui recebida com abraços calorosos, perguntas de como está a faculdade e
tratada como “Doutorinha”. Sempre respondo que não precisa falar assim, até
mesmo porque, atualmente, ainda faltam 5 anos e meio para eu ser uma médica
generalista, fora o tempo de residência e outros estudos. Só que as pessoas insistem
no vocativo, e argumentam da seguinte maneira: “ah, mas você tem que ir se
acostumando, e agora vai ser nossa Doutora né?!”.
No fundo, porém, eu entendo que isso é cultural, uma
tradição. Apesar de contestar o vocativo, acho bonito quando bem empregado,
porque é uma forma de prestígio, de orgulho que sentem por quem conseguiu "chegar lá". Não o acho necessário, entretanto, não fico contestando a todo
o momento quem assim me chama, até mesmo para não causar algum constrangimento
ou evitar mágoas. Nesse momento nada melhor do que sorrir, acenar e receber de mente aberta esse "elogio"!
Muitos estudantes de medicina acham-se melhores do
que os outros somente por cursarem medicina. O que também é cultural, afinal, as
turmas de medicina são as que têm as formaturas mais esbanjadoras e caras
(coitados dos meus pais) desde o início dos tempos, o curso mais caro, o curso
de mais prestígio e o mais aclamado pela sociedade. Porém, até que ponto isso é
necessário? Concordo que medicina é um curso magnífico, lindo, tanto que o
escolhi para ser meu futuro, ao mesmo tempo é difícil, duro e cruel. Para quem
ama de verdade, o retorno de todo o trabalho é o melhor e mais esperado, acredito
que poucas coisas são melhores do que receber um sorriso sincero após salvar
uma vida ou auxiliar no bem estar da pessoa, do que um abraço verdadeiro
ou do que ganhar um pote de doce de presente – como ainda acontece no interior.
Ah, sim, esqueci-me do dinheiro não é mesmo? Pois é, muitos estudantes ainda
são ingênuos ao ponto de entrar para a faculdade acreditando veementemente de
que sairão ganhando rios de dinheiro, esquecem-se do propósito da medicina, do
juramento de Hipócrates, do objetivo humanitário e, principalmente, do quanto
terão que “ralar” para conseguir essa quantia que tanto almejam. Um médico só
ganha rios de dinheiro logo no início se tiver muitas influências e QI (quem
indica), e olhe lá ainda! E mesmo assim, de qualquer maneira, terá que
trabalhar mais do que imaginava que fosse capaz de aguentar, terá que enfrentar
inúmeros plantões e adversidades, ou seja, terá que esperar para construir/fazer
reconhecerem seu nome, que não passa da consequência do seu trabalho.
Estudantes de medicina são apenas estudantes, como
outros quaisquer. Estão no mesmo barco dos estudantes de farmácia, biomedicina, fisioterapia, odontologia, direito, letras, música, engenharias e tantos outros cursos, pois estão todos aprendendo e fazendo acontecer para concretizarem seus sonhos, para no final poderem se orgulhar do canudo que encontrarão em suas mãos. Cursar medicina não os torna diferentes de ninguém, muito menos mais inteligentes ou melhores. Portanto, privilégios não se fazem necessários. Não é por
estudarem medicina que são superiores do que os outros. Em termos
informais, acho ridículo quem se acha melhor, o dono da verdade por estar cursando
medicina. E entendo que é a própria sociedade que constrói, conserta e reforma
esse pedestal para os estudantes, afinal, vivencio isso.
Essa história começa da tradição cultural presente na infância. Nasce uma criança e os pais já dizem: "esse(a) será nosso(a) futuro(a) Doutor(a)!". Incrustam na cabeça das crianças de que a melhor e maior profissão que existe em todo o mundo é medicina. Felizmente, medicina não é a melhor, muito menos a maior, é apenas uma dentre tantas profissões que move o mundo, a humanidade. Na verdade, ela só é a melhor e a maior para quem é capaz de amá-la com toda a verdade e a sinceridade que existe em seu coração. Enquanto adolescentes, na fase de escolha da profissão, soma-se a cobrança que surge por parte das escolas e cursos pré-vestibulares. Segundo a maioria dessas instituições, medicina é o melhor e maior curso também, já que quanto maior o número de aprovações em medicina maior a publicidade e maior o retorno financeiro para elas. Como podemos perceber, ainda hoje as pessoas possuem essa ideia deturpada sobre a medicina, pois ainda hoje as pessoas tratam diferente os estudantes de medicina e os médicos propriamente ditos, e enquanto houver esse tratamento diferenciado, haverá quem faça de tudo para ter um filho médico, mesmo que forçosamente a partir de ideias errôneas e vergonhosas.
É incrível a vaidade de muitos estudantes de
medicina. São capazes de deixar de fazer algo ou achar que os outros o devem
fazer por ser um futuro médico. Repletos de “não-me-toques” e frescuras.
Acham-se, ainda, no direito de enfrentar tudo e todos. Também acreditam que o
mundo inteiro deve saber que eles estudam medicina. Alguns insistem mesmo cursando os períodos iniciais do curso em sair dizendo "sou médico". Vale ressaltar que o número
de estudantes de medicina que estão na faculdade ou no curso pré-vestibular em
busca dessa vaga devido ao retorno financeiro e status social é, geralmente,
maior do que o número de quem cursa medicina por aptidão e amor. E isso se
torna cada vez mais claro à medida que conheço estudantes de medicina em
faculdades particulares. Ah, ainda existem aqueles que só estão seguindo essa
carreira porque os pais, os avôs, os tios e os primos também o fizeram, como se
a aptidão passasse de geração a geração...
Dessa forma, constato que o estudante de medicina
têm razões socioculturais para engrandecer a si próprio, ao contrário, também
constato que a criação que os pais dão ao filho faz toda a diferença. Devo dizer
que ao longo desse tempo e da minha trajetória também conheci pessoas
indescritíveis, de enorme capacidade para amar a profissão, os estudos e os
seres humanos, até mesmo porque, se a pessoa não gosta do ser humano, não devia
ser médica.
Enfim, cursar medicina é indescritível, como qualquer realização de sonho, porém, isso não me torna melhor do que os demais, pelo contrário, me torna cada vez mais e mais humana - em seu sentido positivo -, mais e mais aprendiz. E não é por cursar medicina que vou exigir que me atendam melhor, que me garantam privilégios, que me chamem de doutora, visto que doutora só serei quando concluir um doutorado. Ser médico não significa ser melhor do que os outros ou ter privilégios, significa amar ao próximo de tal maneira que você seja capaz de doar-se a ele. Porque para mim medicina é doação, enquanto não houver doação por parte do médico não haverão ótimas consultas, ótimos tratamentos e pessoas saudáveis. Medicina é realmente para poucos, lamentavelmente muitos "poucos" não merecem, mas quem merece deve lutar até o fim, porque eu acredito - como paciente e como estudante - que são esses que fazem a diferença.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Dica do dia
Consequência de uma pausa...
Férias é sinônimo de ler, escrever, passear, dormir mais que o necessário, viajar, aprender algo novo ou reforçar o que já aprendeu, enfim, férias é padecer na folga e na preguiça! Por que não curtir esse período assistindo filmes? Bom, tenho uma lista enorme aqui, quatro já se foram!
Desses quatro primeiros já vistos, indico dois. Chocantes, talvez espetaculares. Porém, poucos são os que gostam, até mesmo porque, impossível se sentir confortável diante desses filmes...
O primeiro é um drama, muito bem escrito e dirigido. "Confi@r" é uma obra reflexiva, principalmente para quem já tem filhos. Ele mostra a realidade e a dificuldade de se criar filhos, principalmente com as novas tecnologias. Mas não só isso, vai além, faz-no refletir sobre as relações entre pais e filhos, sobre a compreensão de sentimentos. Outro ponto é a questão de saber onde mora o perigo, porque, ao contrário do que imaginamos, ele pode estar ao nosso lado ou onde menos esperamos. E, como suportar e superar uma tragédia? O título eu interpretei de várias formas:
1. Até que ponto podemos confiar em alguém que conhecemos pela internet?
2. Como criar uma relação de confiança entre pais e filhos?
3. Diante de uma tragédia, seria o suficiente confiar no poder público para solucioná-la?
4. Após essa tragédia, como confiar em mais alguém? Para quem contar segredos e compartilhar sua vida?
5. É possível confiar de olhos fechados em quem está "sempre ao nosso lado"? (Essa foi uma das últimas perguntas, irão verificar na última cena do filme, ao final de tudo. Foi também uma das cenas que me deixou mais surpreendida e chocada, diga-se de passagem!)
Ah, não se esqueçam do lencinho para secar as lágrimas!
O segundo está me fazendo ir em busca do livro que serviu de suporte - embora quase sempre me decepcione com filmes baseados em livros, visto que o filme, geralmente, foge muito do livro e até mesmo muda os rumos das histórias e as mensagens. "A pele que habito", dirigido por ninguém mais ninguém menos que Pedro Almodóvar, é motivo para muito debate, já que Almodóvar caiu no conceito da maioria depois do filme "Abraços Partidos". Sendo assim, muitas dúvidas surgiram em consideração a esse suspense, no mínimo, curioso. Em relação a maioria, no geral, digo que poucos gostam por não ser um filme hollywoodiano, porque querendo ou não, estamos mais acostumados com filmes americanos, infelizmente. Alguns não sabem o que estão perdendo com filmes franceses, indianos, espanhóis, e até brasileiros, que ultimamente têm ganhado pontos positivos comigo.
Voltando...Em A Pele que Habito uma estória extraordinária se desenrola aos poucos. Há algum tempo não via, em um único filme, tantos temas para debates e reflexão misturados ao terror e à ciência. Os encaixes se fazem ao longo do filme, e assim vamos decifrando enigmas e compreendendo ações e reações das personagens. São tantas surpresas e imprevisibilidades que ao final nos vemos boquiabertos.
No momento, citarei algumas das reflexões que perambulam em minha mente...
1. Até onde a ciência é bem vinda e até que ponto o homem pode usá-la ao seu bel prazer?
2. Seis anos é muito tempo! Muitas transformações podem acontecer...
3. O que é loucura? Quando devemos considerar alguém louco?
4. Vingança é loucura? Vingança: não é justo mas é correto? E a justiça pelas próprias mãos?
5. Segredos que podem interferir na vida de outrem devem ser revelados?
6. A fidelidade de uma mãe pelo filho deve superar atos inescrupulosos promovidos pelo filho?
Ah, atentem-se para as obras de arte/pinturas/quadros da mansão. E, uma cena que me deixou desconcertada/enojada - depois descobri que não fora só eu -, a do "tigrão com a Vera", vocês saberão identificá-la e o porquê...
Por último, sinceramente, na minha humilde opinião, Elena Anaya superou Antonio Banderas no quesito interpretação. Ambos surpreendem, entretanto, ela mais que ele!
Confiram essa crítica: http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/237267/a-pele-que-habito-almodovar-reitera-seu-potencial-de-contar-grandes-historias/
E questões que ambos os filmes geram: relação entre pai e filha e confiança.
1. O quanto um pai é capaz de suportar são/consciente atrocidades com sua filha? Qual a melhor maneira de agir?
2. Como se baseia a confiança de uma filha pelo pai em "estado de loucura"?
Enfim, são muitos detalhes, muitas estórias, muitas reviravoltas, vale a pena assistir a ambos os filmes! Caso não gostem, peço desculpas de antemão, mas gosto, realmente, não se discute! E, férias ou folga, tudo está valendo para suprir o tempo!
Férias é sinônimo de ler, escrever, passear, dormir mais que o necessário, viajar, aprender algo novo ou reforçar o que já aprendeu, enfim, férias é padecer na folga e na preguiça! Por que não curtir esse período assistindo filmes? Bom, tenho uma lista enorme aqui, quatro já se foram!
Desses quatro primeiros já vistos, indico dois. Chocantes, talvez espetaculares. Porém, poucos são os que gostam, até mesmo porque, impossível se sentir confortável diante desses filmes...
O primeiro é um drama, muito bem escrito e dirigido. "Confi@r" é uma obra reflexiva, principalmente para quem já tem filhos. Ele mostra a realidade e a dificuldade de se criar filhos, principalmente com as novas tecnologias. Mas não só isso, vai além, faz-no refletir sobre as relações entre pais e filhos, sobre a compreensão de sentimentos. Outro ponto é a questão de saber onde mora o perigo, porque, ao contrário do que imaginamos, ele pode estar ao nosso lado ou onde menos esperamos. E, como suportar e superar uma tragédia? O título eu interpretei de várias formas:
1. Até que ponto podemos confiar em alguém que conhecemos pela internet?
2. Como criar uma relação de confiança entre pais e filhos?
3. Diante de uma tragédia, seria o suficiente confiar no poder público para solucioná-la?
4. Após essa tragédia, como confiar em mais alguém? Para quem contar segredos e compartilhar sua vida?
5. É possível confiar de olhos fechados em quem está "sempre ao nosso lado"? (Essa foi uma das últimas perguntas, irão verificar na última cena do filme, ao final de tudo. Foi também uma das cenas que me deixou mais surpreendida e chocada, diga-se de passagem!)
Ah, não se esqueçam do lencinho para secar as lágrimas!
O segundo está me fazendo ir em busca do livro que serviu de suporte - embora quase sempre me decepcione com filmes baseados em livros, visto que o filme, geralmente, foge muito do livro e até mesmo muda os rumos das histórias e as mensagens. "A pele que habito", dirigido por ninguém mais ninguém menos que Pedro Almodóvar, é motivo para muito debate, já que Almodóvar caiu no conceito da maioria depois do filme "Abraços Partidos". Sendo assim, muitas dúvidas surgiram em consideração a esse suspense, no mínimo, curioso. Em relação a maioria, no geral, digo que poucos gostam por não ser um filme hollywoodiano, porque querendo ou não, estamos mais acostumados com filmes americanos, infelizmente. Alguns não sabem o que estão perdendo com filmes franceses, indianos, espanhóis, e até brasileiros, que ultimamente têm ganhado pontos positivos comigo.
Voltando...Em A Pele que Habito uma estória extraordinária se desenrola aos poucos. Há algum tempo não via, em um único filme, tantos temas para debates e reflexão misturados ao terror e à ciência. Os encaixes se fazem ao longo do filme, e assim vamos decifrando enigmas e compreendendo ações e reações das personagens. São tantas surpresas e imprevisibilidades que ao final nos vemos boquiabertos.
No momento, citarei algumas das reflexões que perambulam em minha mente...
1. Até onde a ciência é bem vinda e até que ponto o homem pode usá-la ao seu bel prazer?
2. Seis anos é muito tempo! Muitas transformações podem acontecer...
3. O que é loucura? Quando devemos considerar alguém louco?
4. Vingança é loucura? Vingança: não é justo mas é correto? E a justiça pelas próprias mãos?
5. Segredos que podem interferir na vida de outrem devem ser revelados?
6. A fidelidade de uma mãe pelo filho deve superar atos inescrupulosos promovidos pelo filho?
Ah, atentem-se para as obras de arte/pinturas/quadros da mansão. E, uma cena que me deixou desconcertada/enojada - depois descobri que não fora só eu -, a do "tigrão com a Vera", vocês saberão identificá-la e o porquê...
Por último, sinceramente, na minha humilde opinião, Elena Anaya superou Antonio Banderas no quesito interpretação. Ambos surpreendem, entretanto, ela mais que ele!
Confiram essa crítica: http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/237267/a-pele-que-habito-almodovar-reitera-seu-potencial-de-contar-grandes-historias/
E questões que ambos os filmes geram: relação entre pai e filha e confiança.
1. O quanto um pai é capaz de suportar são/consciente atrocidades com sua filha? Qual a melhor maneira de agir?
2. Como se baseia a confiança de uma filha pelo pai em "estado de loucura"?
Enfim, são muitos detalhes, muitas estórias, muitas reviravoltas, vale a pena assistir a ambos os filmes! Caso não gostem, peço desculpas de antemão, mas gosto, realmente, não se discute! E, férias ou folga, tudo está valendo para suprir o tempo!
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Aparências
Os Albuquerques formam uma família feliz.
A mãe acorda cedo diariamente para coordenar as funções das empregadas domésticas. Ela também acorda os filhos e o marido. O filho mais novo é o primeiro a se levantar e se preparar para ir à escola, ainda não entende muita coisa, mas o bastante. O filho do meio é menos ativo, porém, mais observador. O filho mais velho é calado e só pensa no mundo paralelo em que vive. O marido, a princípio, apenas trabalha, função de provedor da família.
O café-da-manhã transcorre em silêncio, até mesmo porque, cada um tem seu horário e suas atividades. Geralmente, o filho mais novo senta-se à mesa com o pai e a mãe. A única expressão dita é "dormiu bem?". Cerca de quarenta minutos depois aparecem os outros dois irmãos, ambos calados, cada um com seu fone de volume máximo no ouvido. Por fim, a mãe observa as empregadas retirarem a mesa enquanto os filhos se encaminham à escola, já que o marido há muito saiu para o trabalho.
Durante a manhã a mãe apenas observa os serviços das empregadas e vai para a academia, às vezes lê e, um dia na semana, vai ao salão. Os filhos estudam, ou, quase todos, já que o mais velho vive em um mundo paralelo que não o permite concentrar-se nos estudos. O marido trabalha.
Na hora do almoço todos voltam, menos o marido. O filho mais novo não para de conversar, o do meio ouve e o mais velho almoça no quarto, enquanto isso, a mãe sorri. O marido almoça em restaurantes próximos ao trabalho, nunca lhe falta companhia.
A tarde todos têm atividades a serem realizadas. O filho mais novo vai para a natação. O filho do meio vai ao curso de línguas. O filho mais velho sai para andar de bicicleta pelas ruas. A mãe não fica em casa.
Chega a noite, e com ela os jantares beneficentes, visitas, festas de bodas e aniversários, que são compromissos que aparecem quase todos os dias, afinal, a família Albuquerque possui muitos contatos. Apresentam-se sorrindo, felizes, educados, comunicativos, sinônimo de família perfeita para a maioria.
Só faltam algumas observações sobre a família Albuquerque. O marido trai. A mãe usa as tardes para ir ao psiquiatra, renovar a receita dos remédios controlados. O filho mais velho é viciado. O filho do meio tem depressão. O filho mais novo é o único que sabe de tudo isso.
A mãe acorda cedo diariamente para coordenar as funções das empregadas domésticas. Ela também acorda os filhos e o marido. O filho mais novo é o primeiro a se levantar e se preparar para ir à escola, ainda não entende muita coisa, mas o bastante. O filho do meio é menos ativo, porém, mais observador. O filho mais velho é calado e só pensa no mundo paralelo em que vive. O marido, a princípio, apenas trabalha, função de provedor da família.
O café-da-manhã transcorre em silêncio, até mesmo porque, cada um tem seu horário e suas atividades. Geralmente, o filho mais novo senta-se à mesa com o pai e a mãe. A única expressão dita é "dormiu bem?". Cerca de quarenta minutos depois aparecem os outros dois irmãos, ambos calados, cada um com seu fone de volume máximo no ouvido. Por fim, a mãe observa as empregadas retirarem a mesa enquanto os filhos se encaminham à escola, já que o marido há muito saiu para o trabalho.
Durante a manhã a mãe apenas observa os serviços das empregadas e vai para a academia, às vezes lê e, um dia na semana, vai ao salão. Os filhos estudam, ou, quase todos, já que o mais velho vive em um mundo paralelo que não o permite concentrar-se nos estudos. O marido trabalha.
Na hora do almoço todos voltam, menos o marido. O filho mais novo não para de conversar, o do meio ouve e o mais velho almoça no quarto, enquanto isso, a mãe sorri. O marido almoça em restaurantes próximos ao trabalho, nunca lhe falta companhia.
A tarde todos têm atividades a serem realizadas. O filho mais novo vai para a natação. O filho do meio vai ao curso de línguas. O filho mais velho sai para andar de bicicleta pelas ruas. A mãe não fica em casa.
Chega a noite, e com ela os jantares beneficentes, visitas, festas de bodas e aniversários, que são compromissos que aparecem quase todos os dias, afinal, a família Albuquerque possui muitos contatos. Apresentam-se sorrindo, felizes, educados, comunicativos, sinônimo de família perfeita para a maioria.
Só faltam algumas observações sobre a família Albuquerque. O marido trai. A mãe usa as tardes para ir ao psiquiatra, renovar a receita dos remédios controlados. O filho mais velho é viciado. O filho do meio tem depressão. O filho mais novo é o único que sabe de tudo isso.
Os Albuquerques formam uma família feliz, mas vivem de aparências.
"Porque não nos recomendamos outra vez a vós; mas damo-vos ocasião de vos gloriardes de nós, para que tenhais que responder aos que se gloriam na aparência e não no coração".(2 Coríntios 5:12)
"Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te". (2 Timóteo 3:5)
"E, olhando o filisteu, e vendo a Davi, o desprezou, porquanto era moço, ruivo, e de gentil aspecto". (1 Samuel 17:42)
"Porque não nos recomendamos outra vez a vós; mas damo-vos ocasião de vos gloriardes de nós, para que tenhais que responder aos que se gloriam na aparência e não no coração".(2 Coríntios 5:12)
"Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te". (2 Timóteo 3:5)
"E, olhando o filisteu, e vendo a Davi, o desprezou, porquanto era moço, ruivo, e de gentil aspecto". (1 Samuel 17:42)
sábado, 30 de junho de 2012
Frágil
Hoje, percebi que meus amigos íntimos estão mais do que certos quando dizem que eu visto a máscara de forte mas no fundo sou tão frágil quanto uma borboleta tentando sair do casulo.
Ao longo da vida passamos por inúmeros momentos, os quais, muitas vezes, nos fazem criar uma máscara para não passarmos a real expressão que há em nosso interior. Isso pode ser bom, ou não. Só depende de nós sabermos administrar nossos sentimentos, como também aprendermos a discernir entre o que é máscara e o que é verdadeiro, o que devemos mostrar e o que devemos esconder, e quando. Não significa que somos falsos ou fracos, significa apenas que mesmo inconscientemente encontramos algumas maneiras de fuga do que não nos é conveniente.
Ao longo da vida passamos por inúmeros momentos, os quais, muitas vezes, nos fazem criar uma máscara para não passarmos a real expressão que há em nosso interior. Isso pode ser bom, ou não. Só depende de nós sabermos administrar nossos sentimentos, como também aprendermos a discernir entre o que é máscara e o que é verdadeiro, o que devemos mostrar e o que devemos esconder, e quando. Não significa que somos falsos ou fracos, significa apenas que mesmo inconscientemente encontramos algumas maneiras de fuga do que não nos é conveniente.
Com certeza alguns acontecimentos me fizeram "inventar" essa máscara de "sou forte" - desde a infância - e outros contribuíram para que ela continuasse - ainda há 5 minutos. Posso dizer que ela já me livrou de constrangimentos e simultaneamente me deu força, ao contrário, já me fez magoar outras pessoas, sofrer interiormente sem entender ao certo o porquê. As máscaras não são construídas sem motivos bem embasados, contudo, também não são sustentadas se não houverem outras fortes justificativas.
Acima de tudo, o problema está no quanto nos escondemos por detrás dessas máscaras. Por vezes, eu sentia que o fardo era maior do que eu poderia carregar, e mesmo assim continuava com aquela cara de "sorria e acene" para todos a minha volta. Agora, me pergunto: qual a necessidade de agir assim? Sinceramente, não sei. Tudo não passa de mistérios da vida, do nosso cérebro, nosso maior protetor (junto de Deus, para pessoas, que assim como eu, ainda creem). Por mais que estivesse sofrendo, poucas eram as pessoas que reparavam os sinais de que algo estava errado comigo. Mesmo assim, eu continuava a sustentar não só as minhas dores, como também as dores de todo o mundo. Sabe aquela frase que quando um amigo chama, você esconde sua dor e para para ouvir a dele? Sempre agi assim, e poucas vezes eu era o amigo que chamava. Tanto fora quanto dentro de casa, tanto entre amigos e desconhecidos quanto entre familiares, sempre foi assim, até eu desabar. Aos poucos, mas desabei. Extrapolei e liberei todos os sentimentos que estavam adormecidos ou guardados lá no fundo, e assim, por vezes, exagerei como não devia. Fiz terapia e aprendi um pouco mais a lidar com essas máscaras enrustidas de falsos sentimentos, passando a ideia de "falsos eu" ao mundo a minha volta. E, digo com conhecimento de causa, não é nada fácil aceitar nossos sentimentos mais profundos e verdadeiros, até mesmo porque, já estamos acostumados e treinados com as máscaras, elas nos parecem tão fáceis de serem usadas, trocadas, amenizam tão bem as dores... Porém, nunca paramos para pensar até que ponto isso nos é saudável. Descobri que momentaneamente ela cura, no entanto, é uma cura muito superficial, uma fina crosta irregular, que a qualquer momento pode ser arrancada e sinalizar algo mais profundo e doloroso.
Foi só quando um amigo me disse: "havia tempos que não te via tão frágil", que eu percebi que aprendi bastante coisa nesse meio tempo. Descobri que aos poucos estou conseguindo abdicar da minha máscara de "sou forte" e, ao mesmo tempo, aceitando que os outros cuidem de mim, não só eu deles, que eles me acolham, me abracem, e demonstrem o afeto que existe dentro de nossos corações. Ou seja, o treinamento tem surtido efeito, também estou aprendendo a receber os sentimentos. E isso é bom, o calor humano, mesmo que expressado através de um telefonema, é de grande efeito para uma alma sedenta por atenção, acolhimento, compreensão e carinho.
Descobri que não é errado aceitar e assumir o fato de sentirmos algo, principalmente, de nos sentirmos frágeis, afinal, qual ser humano nunca passou por momentos assim? E, como uma borboleta, podemos, aos poucos, por etapas e com o apoio de outros componentes, chegar aos nossos objetivos, conseguir sobreviver e voar livremente, com uma verdadeira estampa no rosto, que pode ser colorida, ou não, entretanto, sempre verdadeira, desde que estejamos de bem conosco e com o mundo. Se hoje chorei, mesmo por motivo que não merecia uma lágrima sequer ou apenas bobo, é porque algum sentimento havia dentro de mim, e a forma que encontrou de se/me libertar foi a lágrima, que na sua forma mais genuína e sublime me fez entender alguma das transformações que vêm ocorrendo com o bater de asas da borboleta.
Enfim, é melhor parar por aqui, antes que os sentimentos aflorem demasiado e o texto torne-se mais pessoal do que já está e prolongue-se por longas páginas. Mais uma vez, uso a escrita como uma válvula de escape ou maneira de organizar meus pensamentos, agora, só espero que vocês o recebam de braços abertos e, por que não, troquem um pouco de experiências, pois é assim que vamos crescendo, e sempre é tempo de crescer, sempre é tempo de mais uma borboleta sair do casulo!


domingo, 24 de junho de 2012
Novos horizontes
Em praticamente um semestre fiz tantas descobertas que seria incapaz de transcrevê-las em poucas linhas. Descobri mais sobre o mundo e, principalmente, sobre mim. Percebi que nada acontece do dia para a noite, que cada decisão deve ser feita com todo o cuidado necessário e que muitos acontecimentos têm motivos para assim o serem, por mais que nos faça sofrer ou que acreditamos serem meras coincidências ou, ainda, que imaginemos ser ações do destino.
Não é fácil sair da nossa zona de conforto e partir rumo a experiências totalmente desconhecidas, como também não é bom seguir sempre pelos mesmos caminhos e não promover mudanças em nossas vidas. Nesse meio tempo aprendi o quanto é bom fazermos transformações, nem que seja no corte de cabelo, no estilo de roupa, ou, que seja, uma mudança para a vida inteira.
Sair de casa, por exemplo, é para muitos sinônimo de liberdade, mas será mesmo? Creio que é o contrário, nos tornamos mais presos do que antes. Quando se é jovem, tem-se muitas expectativas - e ilusões - em relação aos sonhados 18 anos de idade, ao momento de entrar para a faculdade e por aí vai, porém, não dos damos conta de que 18 anos não passa de uma idade simbólica de tempos passados, ainda mais se acompanhados da entrada na faculdade, até mesmo porque, a maioria dos jovens de classe média à alta não precisam trabalhar para se sustentarem, e assim, continuam dependendo dos pais. Outro fator importante, que mostra que ainda mantemos laços com o que deixamos para trás e não estamos nem um pouco livres, é a saudade, que aos poucos vai nos corroendo por dentro, apertando o coração e nos deixando engasgado com músicas e fotos icônicas. Entretanto, o cordão umbilical é cortado de vez e, para muitos, repentinamente - diferente do meu caso, que foi aos poucos, primeiro uma distância de 170km, com caronas praticamente diárias caso eu quisesse e familiares espalhados por toda a cidade, agora, uma distância de aproximadamente 950km, sem caronas e nem mesmo conhecidos na mesma cidade, é...pensando melhor, acho que a minha também foi um pouco repentina, só que de outra forma e já com outros pensamentos e um pouco mais de bagagem de vida, aprendizados.
Querendo ou não, ao sair de casa valorizamos mais nossa família, nossos amigos e todas as histórias que já vivemos e iremos viver. Aprendemos muito mais do que se permanecêssemos no mesmo lugar sempre, estáticos, sem ação, até mesmo porque, a maioria das histórias vivenciadas por nós, são frutos de atitudes - mais marcantes caso verdadeiras.
Além disso, amadurecemos. Mais do que somente amadurecimento, nos desenvolvemos através de responsabilidades antes não delegadas a nós, agora temos que saber equilibrar as finanças de forma que não passemos fome (mesmo que tenhamos que comer macarrão instantâneo às vezes) e também possamos nos divertir (nem que seja tomar um açaí com os amigos no final da tarde), temos que aprender a arte de equilibrar o tempo a fim de conseguir arrumar a casa, cozinhar, estudar todas as matérias e ainda dar uma saidinha no final de semana. Não posso me esquecer de um ponto primordial: saber conviver com pessoas de todos os cantos do Brasil - com as mais variadas características e criações - e com a pessoa com a qual você divide o apartamento. Porém, vou com calma, afinal, ainda não cheguei ao internato para saber como é conciliar tudo isso e ainda permanecer grande parte do tempo no hospital, subordinada a grandes profissionais e lidando com inúmeras vidas diariamente. Enfim, mais do que amadurecimento, é chegada a hora de nos tornarmos verdadeiros adultos, sair debaixo das asas dos pais e partir para o mundo com a incumbência de mostrar a todos tudo o que nossos pais nos ensinaram - e ensinam - ao londo dos anos, além do verdadeiro ser que somos/estamos construindo. Na realidade, alguns nem se importam com essa minha última opinião, talvez seja o tipo de criação, quem sabe a própria personalidade do indivíduo...mas isso fica para outro dia!
Permito-me concluir que sair de casa nos traz mais pontos positivos do que negativos, só devemos reconhecer o momento e a maneira certa para que essa atitude seja tomada, obviamente, de acordo com as opiniões dos pais. Talvez eu tenha esse pensamento porque já nasci com um instinto de liberdade e independência mais aguçado e, também, por ter ido morar fora da casa dos meus pais com 14 anos de idade recém-completados. De uma forma ou de outra, aprendi muito ao longo desses anos morando apenas nas férias com meus pais (desde o início de 2007). Obviamente, já "quebrei a cara" algumas vezes por imaturidade, já passei por crises existenciais e sentimentais, já deixei várias coisas para fazer de última hora - matando meus pais de raiva e preocupação, diga-se de passagem -, já sofri demasiado com a saudade e a falta de controle sobre meus sentimentos, já esqueci de coisas que não deveria - mais uma vez, deixando meus pais bastante irritados, e a mim também -, já tive que fazer muitas abdicações em prol de sonhos e objetivos, já deixei de sair para me divertir a fim de economizar, já fiz estrepolias e sofri consequências - algumas drásticas, por sinal -, já me estressei e irritei, xinguei e discuti por falta de aprendizagem de convivência, já gastei o dinheiro que não tinha por falta de controle ou capacidade de economia - embora eu realmente seja uma pessoa pão dura, extremamente poupadora -, e, acima de tudo, a maior certeza de todas: já deixei/e ainda deixo meus pais preocupados. Pois também aprendi que meus pais serão para sempre meus pais, de amor incondicional e com as mesmas preocupações desde quando me entendo por gente, daqueles que passarão a vida inteira te fazendo recomendações, como esse dias para trás, ao avisá-los de que estava saindo e começarem a dizer todo o discurso: "com quem você vai? (levando em consideração que nessa nova cidade eles não conhecem ninguém, mas sempre pedem as fichas completas), cuidado com as bebidas, não aceite nada de estranhos, qualquer coisa volta de táxi, quando chegar em casa liga - não manda mensagem porque pode demorar ou não chegar"...e por aí vai...ou seja, nossos pais serão para sempre nossos pais! Lamentavelmente, muitos não entendem isso, e acham que só porque não moram mais com eles não devem satisfações, respeito, honra. Sendo assim, pelo menos no início, alguns se rebelam, acham que são os donos do mundo, da verdade e da vida, e só com o passar do tempo descobrem que não funciona dessa maneira, pena que podem tê-los magoados inúmeras vezes ou descobrem de maneiras drásticas, as quais poderiam ter sido evitadas.
E assim, aquela menina nascida no interior de Goiás, mora hoje numa metrópole, na capital mineira. E, aos poucos, vai aprendendo e tentando absorver tudo o que o mundo pode lhe oferecer, sem deixar de ser quem é, sem esquecer de suas raízes ou dos ensinamentos adquiridos ao longo das experiências vividas - mesmo que poucas! -, afinal isso tem grandes contribuições para a mulher na qual está se transformando. A cada mudança, novos horizontes surgem, a visão se amplia e o mundo transcende lhe mostrando tudo aquilo que um dia sonhou e que a alma almeja para se completar. A cada passo, uma conquista, uma somatória e, simultaneamente, uma subtração, mas que fique claro: soma-se o útil e subtrai-se o inútil. E é dessa forma que eu tenho tentado viver: de maneira exponencial - ampliando tudo e aumentando os valores.
Querendo ou não, ao sair de casa valorizamos mais nossa família, nossos amigos e todas as histórias que já vivemos e iremos viver. Aprendemos muito mais do que se permanecêssemos no mesmo lugar sempre, estáticos, sem ação, até mesmo porque, a maioria das histórias vivenciadas por nós, são frutos de atitudes - mais marcantes caso verdadeiras.
Além disso, amadurecemos. Mais do que somente amadurecimento, nos desenvolvemos através de responsabilidades antes não delegadas a nós, agora temos que saber equilibrar as finanças de forma que não passemos fome (mesmo que tenhamos que comer macarrão instantâneo às vezes) e também possamos nos divertir (nem que seja tomar um açaí com os amigos no final da tarde), temos que aprender a arte de equilibrar o tempo a fim de conseguir arrumar a casa, cozinhar, estudar todas as matérias e ainda dar uma saidinha no final de semana. Não posso me esquecer de um ponto primordial: saber conviver com pessoas de todos os cantos do Brasil - com as mais variadas características e criações - e com a pessoa com a qual você divide o apartamento. Porém, vou com calma, afinal, ainda não cheguei ao internato para saber como é conciliar tudo isso e ainda permanecer grande parte do tempo no hospital, subordinada a grandes profissionais e lidando com inúmeras vidas diariamente. Enfim, mais do que amadurecimento, é chegada a hora de nos tornarmos verdadeiros adultos, sair debaixo das asas dos pais e partir para o mundo com a incumbência de mostrar a todos tudo o que nossos pais nos ensinaram - e ensinam - ao londo dos anos, além do verdadeiro ser que somos/estamos construindo. Na realidade, alguns nem se importam com essa minha última opinião, talvez seja o tipo de criação, quem sabe a própria personalidade do indivíduo...mas isso fica para outro dia!
Permito-me concluir que sair de casa nos traz mais pontos positivos do que negativos, só devemos reconhecer o momento e a maneira certa para que essa atitude seja tomada, obviamente, de acordo com as opiniões dos pais. Talvez eu tenha esse pensamento porque já nasci com um instinto de liberdade e independência mais aguçado e, também, por ter ido morar fora da casa dos meus pais com 14 anos de idade recém-completados. De uma forma ou de outra, aprendi muito ao longo desses anos morando apenas nas férias com meus pais (desde o início de 2007). Obviamente, já "quebrei a cara" algumas vezes por imaturidade, já passei por crises existenciais e sentimentais, já deixei várias coisas para fazer de última hora - matando meus pais de raiva e preocupação, diga-se de passagem -, já sofri demasiado com a saudade e a falta de controle sobre meus sentimentos, já esqueci de coisas que não deveria - mais uma vez, deixando meus pais bastante irritados, e a mim também -, já tive que fazer muitas abdicações em prol de sonhos e objetivos, já deixei de sair para me divertir a fim de economizar, já fiz estrepolias e sofri consequências - algumas drásticas, por sinal -, já me estressei e irritei, xinguei e discuti por falta de aprendizagem de convivência, já gastei o dinheiro que não tinha por falta de controle ou capacidade de economia - embora eu realmente seja uma pessoa pão dura, extremamente poupadora -, e, acima de tudo, a maior certeza de todas: já deixei/e ainda deixo meus pais preocupados. Pois também aprendi que meus pais serão para sempre meus pais, de amor incondicional e com as mesmas preocupações desde quando me entendo por gente, daqueles que passarão a vida inteira te fazendo recomendações, como esse dias para trás, ao avisá-los de que estava saindo e começarem a dizer todo o discurso: "com quem você vai? (levando em consideração que nessa nova cidade eles não conhecem ninguém, mas sempre pedem as fichas completas), cuidado com as bebidas, não aceite nada de estranhos, qualquer coisa volta de táxi, quando chegar em casa liga - não manda mensagem porque pode demorar ou não chegar"...e por aí vai...ou seja, nossos pais serão para sempre nossos pais! Lamentavelmente, muitos não entendem isso, e acham que só porque não moram mais com eles não devem satisfações, respeito, honra. Sendo assim, pelo menos no início, alguns se rebelam, acham que são os donos do mundo, da verdade e da vida, e só com o passar do tempo descobrem que não funciona dessa maneira, pena que podem tê-los magoados inúmeras vezes ou descobrem de maneiras drásticas, as quais poderiam ter sido evitadas.
E assim, aquela menina nascida no interior de Goiás, mora hoje numa metrópole, na capital mineira. E, aos poucos, vai aprendendo e tentando absorver tudo o que o mundo pode lhe oferecer, sem deixar de ser quem é, sem esquecer de suas raízes ou dos ensinamentos adquiridos ao longo das experiências vividas - mesmo que poucas! -, afinal isso tem grandes contribuições para a mulher na qual está se transformando. A cada mudança, novos horizontes surgem, a visão se amplia e o mundo transcende lhe mostrando tudo aquilo que um dia sonhou e que a alma almeja para se completar. A cada passo, uma conquista, uma somatória e, simultaneamente, uma subtração, mas que fique claro: soma-se o útil e subtrai-se o inútil. E é dessa forma que eu tenho tentado viver: de maneira exponencial - ampliando tudo e aumentando os valores.
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| Belo Horizonte, MG |
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Onde andará o meu doutor?
Hoje, irei apenas compartilhar uma poesia encontrada em uma página de relacionamento que me deixou estarrecida, principalmente por corresponder a nossa lamentável realidade...
Sinceramente, estamos vivendo em um mundo de doentes!
Tatiana Bruscky
Hoje acordei sentindo uma dorzinha,
aquela dor sem explicação, e uma palpitação,
resolvi procurar um doutor,
fui divagando pelo caminho...
lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco
e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo...
o Meu Doutor que curava a minha dor,
não apenas a do meu corpo mas a da minha alma,
que me transmitia paz e calma!
Chegando à recepção do consultório,
fui atendida com uma pergunta:
“Qual o seu plano? “
Ah, o meu plano é viver mais e feliz!
é dar sorrisos, aquecer os que sentem frio
e preencher esse vazio que sinto agora!
Mas a resposta teria que ser outra...o meu plano de saúde!
Apresentei o documento do dito cujo
já meio suado, tanto quanto o meu bolso, e aguardei...
Quando fui chamada corri apressada,
ia ser atendida pelo Doutor,
aquele que cura qualquer tipo de dor,
entrei e o olhei, me surpreendi,
rosto trancado, triste e cansado...
será que ele estava adoentado?
é, quem sabe, talvez gripado
não tinha um semblante alegre,
provavelmente devido à febre...
dei um sorriso meio de lado e um bom dia...
Sobre a mesa, à sua frente,
aquela dor sem explicação, e uma palpitação,
resolvi procurar um doutor,
fui divagando pelo caminho...
lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco
e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo...
o Meu Doutor que curava a minha dor,
não apenas a do meu corpo mas a da minha alma,
que me transmitia paz e calma!
Chegando à recepção do consultório,
fui atendida com uma pergunta:
“Qual o seu plano? “
Ah, o meu plano é viver mais e feliz!
é dar sorrisos, aquecer os que sentem frio
e preencher esse vazio que sinto agora!
Mas a resposta teria que ser outra...o meu plano de saúde!
Apresentei o documento do dito cujo
já meio suado, tanto quanto o meu bolso, e aguardei...
Quando fui chamada corri apressada,
ia ser atendida pelo Doutor,
aquele que cura qualquer tipo de dor,
entrei e o olhei, me surpreendi,
rosto trancado, triste e cansado...
será que ele estava adoentado?
é, quem sabe, talvez gripado
não tinha um semblante alegre,
provavelmente devido à febre...
dei um sorriso meio de lado e um bom dia...
Sobre a mesa, à sua frente,
um computador,
e no seu semblante a sua dor,
o que fizeram com o Doutor?
Quando ouvi a sua voz de repente:
O que a senhora sente?
Como eu gostaria de saber o que ELE estava sentindo...
parecia mais doente do que eu, a paciente...
Eu? ah! sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação
e esperei a sua reação,
vai me examinar, escutar a minha voz
auscultar o meu coração...
para minha surpresa apenas me entregou uma requisição e disse:
“peça autorização desses exames para conseguir a realização”...
quando li quase morri...
Tomografia computatorizada, ressonância magnética e cintilografia !
ai, meu Deus! que agonia!
eu só conhecia uma tal de abreugrafia...
só sabia o que era ressonar (dormir),
de magnético eu conhecia um olhar...
e cintilar só o das estrelas!
estaria eu à beira da morte? de ir para o céu?
iria morrer assim ao léu?
naquele instante timidamente pensei em falar:
terá o senhor uma amostra grátis
de calor humano para aquecer esse meu frio?
que fazer com essa sensação de vazio? e observe, Doutor,
o tal Pai da Medicina, o grego Hipócrates, acreditava que
A ARTE DA MEDICINA ESTAVA EM OBSERVAR.
e no seu semblante a sua dor,
o que fizeram com o Doutor?
Quando ouvi a sua voz de repente:
O que a senhora sente?
Como eu gostaria de saber o que ELE estava sentindo...
parecia mais doente do que eu, a paciente...
Eu? ah! sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação
e esperei a sua reação,
vai me examinar, escutar a minha voz
auscultar o meu coração...
para minha surpresa apenas me entregou uma requisição e disse:
“peça autorização desses exames para conseguir a realização”...
quando li quase morri...
Tomografia computatorizada, ressonância magnética e cintilografia !
ai, meu Deus! que agonia!
eu só conhecia uma tal de abreugrafia...
só sabia o que era ressonar (dormir),
de magnético eu conhecia um olhar...
e cintilar só o das estrelas!
estaria eu à beira da morte? de ir para o céu?
iria morrer assim ao léu?
naquele instante timidamente pensei em falar:
terá o senhor uma amostra grátis
de calor humano para aquecer esse meu frio?
que fazer com essa sensação de vazio? e observe, Doutor,
o tal Pai da Medicina, o grego Hipócrates, acreditava que
A ARTE DA MEDICINA ESTAVA EM OBSERVAR.
Olhe para mim...
bem verdade que o juramento dele está ultrapassado!
médico não é sacerdote...
tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano...
mas, por favor, me olhe, ouça a minha história!
preciso que o senhor me escute, ausculte
e examine!
Estou sentindo falta de dizer até aquele 33!
não me abandone assim de uma vez!
procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança!
alimente a minha mente e o meu coração...
me dê, ao menos, uma explicação!
O senhor não se informou se eu ando descalça... ando sim!
gosto de pisar na areia e seguir em frente
deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida,
estarei errada?
ou estarei com o verme do amarelão?
existirá umas gotinhas de solução?
Será que já existe vacina contra o tédio?
ou não terá remédio?
que falta o senhor me faz, meu antigo Doutor!
cadê o Sccot, aquele da Emulsão?
que tinha um gosto horrível mas me deixava forte
que nem um Sansão!
e o Elixir? Paregórico e categórico,
e o chazinho de cidreira,
que me deixava a sorrir sem tonteiras?
será que pensei asneiras?
bem verdade que o juramento dele está ultrapassado!
médico não é sacerdote...
tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano...
mas, por favor, me olhe, ouça a minha história!
preciso que o senhor me escute, ausculte
e examine!
Estou sentindo falta de dizer até aquele 33!
não me abandone assim de uma vez!
procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança!
alimente a minha mente e o meu coração...
me dê, ao menos, uma explicação!
O senhor não se informou se eu ando descalça... ando sim!
gosto de pisar na areia e seguir em frente
deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida,
estarei errada?
ou estarei com o verme do amarelão?
existirá umas gotinhas de solução?
Será que já existe vacina contra o tédio?
ou não terá remédio?
que falta o senhor me faz, meu antigo Doutor!
cadê o Sccot, aquele da Emulsão?
que tinha um gosto horrível mas me deixava forte
que nem um Sansão!
e o Elixir? Paregórico e categórico,
e o chazinho de cidreira,
que me deixava a sorrir sem tonteiras?
será que pensei asneiras?
Ah! meu querido e adoentado Doutor!
sinto saudades
dos seus ouvidos para me escutar,
das suas mãos para me examinar,
do seu olhar compreensivo e amigo...
do seu pensar...
o seu sorriso que aliviava a minha dor...
que me dava forças para lutar contra a doença...
e que estimulava a minha saúde e a minha crença...
sairei daqui para um ataúde?
preciso viver e ter saúde!
por favor, me ajude!
Oh! meu Deus, cuide do meu médico e de mim,
caso contrário chegaremos ao fim...
porque da consulta só restou uma requisição
digitada em um computador
e o olhar vago e cansado do Doutor!
precisamos urgente dos nossos médicos amigos,
a medicina agoniza...
ouço até os seus gemidos...
Por favor, tragam de volta o meu Doutor!
estamos todos doentes e sentindo dor...
e peço, para o ser humano, uma receita de calor,
e para o exercício da medicina uma prescrição de amor!
sinto saudades
dos seus ouvidos para me escutar,
das suas mãos para me examinar,
do seu olhar compreensivo e amigo...
do seu pensar...
o seu sorriso que aliviava a minha dor...
que me dava forças para lutar contra a doença...
e que estimulava a minha saúde e a minha crença...
sairei daqui para um ataúde?
preciso viver e ter saúde!
por favor, me ajude!
Oh! meu Deus, cuide do meu médico e de mim,
caso contrário chegaremos ao fim...
porque da consulta só restou uma requisição
digitada em um computador
e o olhar vago e cansado do Doutor!
precisamos urgente dos nossos médicos amigos,
a medicina agoniza...
ouço até os seus gemidos...
Por favor, tragam de volta o meu Doutor!
estamos todos doentes e sentindo dor...
e peço, para o ser humano, uma receita de calor,
e para o exercício da medicina uma prescrição de amor!
Por fim, recomendo que assistam ao filme Patch Adams - O amor é contagioso. Muitos já devem ter visto, mas é sempre bom rever para refletirmos um pouco mais sobre nossas ações em prol do bem estar do lugar onde vivemos, das pessoas com as quais convivemos ou não e para a construção do mundo que queremos. Também recomendo que assistam à entrevista do "verdadeiro" Patch ao programa Roda Viva da TV Cultura, a qual está disponível no You Tube.
domingo, 10 de junho de 2012
Só lembranças
Consequência de uma pausa...
Em pleno sábado a noite de feriado resolvi assistir um filme antes de dormir. Escolhi o filme aleatoriamente, quer dizer, escolhi pelo título e nada mais, sem ler sinopse nem gênero. Quando vi que o Robert Pattison era o ator principal, já fui imaginando que não seria um filme dos melhores. Engano meu. Comecei a assistir sem expectativas e terminei o filme admirando a capacidade de atuação do Robert Pattison, muito além do que já tinha visto nos filmes da saga Crepúsculo, que por sinal, não gostei muito.
Através do filme "Lembranças", dirigido por Allen Coulter, percebi que pequenas atitudes cotidianas, como expressar um sentimento, são fundamentais. Além disso, ficou mais claro ainda para mim, que durante nossa vida e até mesmo depois de morrermos, somos feitos apenas de lembranças. Afinal, todas as nossas atitudes vêm de experiências vividas desde a infância - também há quem diga que vêm desde vidas passadas, mas isso não vem ao caso no momento - e ao morrermos é somente isso que deixamos. Tive mais certeza ainda de que o dinheiro não é tudo, ele até pode nos proporcionar momentos felizes e dignos, mas, repito, não é tudo. O dinheiro não é capaz de amar alguém, ele é objeto, óbvio que todos precisamos de muitos objetos, mas precisamos muito mais de amor. Quem não é amado, ou, melhor, não se sente amado, pode ter todo o dinheiro do mundo que não será feliz. E aí entra outra questão...qual a melhor forma de demonstrar que amamos alguém?
Passei a maior parte do filme indignada com a postura do pai do Tyler (Robert), e no final, percebi que ele não era totalmente um monstro. Lembrei-me que muitos monstros só são monstros por causa de seus sentimentos a flor da pele, conflituosos e pela incapacidade de demonstrá-los de maneira civilizada. Apesar de tudo, monstros não passam de seres humanos em conflito consigo mesmo. Um pecado da maioria dos filmes - que é questão de lógica e eu entendo - é mostrar apenas o ponto de vista da personagem principal. Nesse caso, por exemplo, vemos os personagens do ponto de vista do Tyler, portanto, somos facilmente influenciados, no final, percebemos junto dele que nem todos são como imaginamos, que é muito difícil demonstrarmos nossos sentimentos da "maneira correta" - se é que existe maneira correta para isso -, que julgamos demais as pessoas sem saber o que se passa com elas, quais são seus conflitos internos, seus sentimentos ou o porquê de tais atitudes, como dizem por aí, sempre achamos que "a grama do vizinho é mais verde", mas será? Todos temos sentimentos, todos temos medos, anseios, desejos, angústias, dúvidas e cada um tem seu jeito de expressar tudo isso.
Outro fato curioso, é a capacidade do ser humano para postergar momentos que podem ser vividos no presente. Já se perguntou porque demorou para dizer a alguém que o (a) amava? Seria medo? Pois é, por que temos tanto receio em dizer a alguém algo tão sublime? Por que temer as reações da pessoa diante de algo bom, visto que todos queremos e gostamos de ser amados? Imagino que seja porque dentro de nós temos marcas de momentos passados, talvez um dia ao nos declararmos alguém desdenhou ou ignorou, mesmo que não tenha sido por maldade, afinal, quem nunca teve um "amor de infância"? E qual a criança que desdenharia por pura maldade? Ou até mesmo nossos pais, em um dia corrido, que ignoraram tal declaração ou postergaram a reação que esperávamos. Essas são lembranças arquivadas dentro de nós, são marcas deixadas por nossas experiências ao longo do tempo, e como cada um tem as suas marcas, cada um tem a própria reação em relação aos acontecimentos, tem uma maneira de aceitar ou não, de reagir. E, o pior de tudo, é quando só nos damos conta do quanto foi uma má ideia postergar depois que uma tragédia ocorre. Por que esperamos que uma tragédia ocorra para aprendermos a amar, a nos expressar? Por que é preciso que alguém morra para percebemos que agimos de maneira errada? Por que somente através do sofrimento nos damos conta de que estávamos indo pelo pior dos caminhos? Talvez seja porque a tragédia nos acorda para a vida, e num piscar de olhos revivemos as lembranças arquivadas e também nos transformamos.
Diante de tais fatos, imaginem se eu não me acabei em lágrimas no final do filme?!! Sem sombra de dúvidas! Chorei até não poder mais, tanto pelos ensinamentos que nos levam a pensar em nossas vidas e atitudes, quanto pelo final totalmente inesperado, surpreendente e simultaneamente trágico e lindo. Nunca imaginei que um drama romântico pudesse me fazer tão bem humana e espiritualmente. Percebi que ainda tenho muito a aprender, que na teoria é tudo muito fácil, o difícil acontece na prática. Vocês acham que tudo o que eu disse acima eu pratico? Pelo contrário, a minha dificuldade em demonstrar sentimentos é tamanha que tenho até vergonha de comentar sobre isso. Chegou a hora de rever conceitos e ainda bem que sempre é tempo de mudanças...
Em pleno sábado a noite de feriado resolvi assistir um filme antes de dormir. Escolhi o filme aleatoriamente, quer dizer, escolhi pelo título e nada mais, sem ler sinopse nem gênero. Quando vi que o Robert Pattison era o ator principal, já fui imaginando que não seria um filme dos melhores. Engano meu. Comecei a assistir sem expectativas e terminei o filme admirando a capacidade de atuação do Robert Pattison, muito além do que já tinha visto nos filmes da saga Crepúsculo, que por sinal, não gostei muito.
Através do filme "Lembranças", dirigido por Allen Coulter, percebi que pequenas atitudes cotidianas, como expressar um sentimento, são fundamentais. Além disso, ficou mais claro ainda para mim, que durante nossa vida e até mesmo depois de morrermos, somos feitos apenas de lembranças. Afinal, todas as nossas atitudes vêm de experiências vividas desde a infância - também há quem diga que vêm desde vidas passadas, mas isso não vem ao caso no momento - e ao morrermos é somente isso que deixamos. Tive mais certeza ainda de que o dinheiro não é tudo, ele até pode nos proporcionar momentos felizes e dignos, mas, repito, não é tudo. O dinheiro não é capaz de amar alguém, ele é objeto, óbvio que todos precisamos de muitos objetos, mas precisamos muito mais de amor. Quem não é amado, ou, melhor, não se sente amado, pode ter todo o dinheiro do mundo que não será feliz. E aí entra outra questão...qual a melhor forma de demonstrar que amamos alguém?
Passei a maior parte do filme indignada com a postura do pai do Tyler (Robert), e no final, percebi que ele não era totalmente um monstro. Lembrei-me que muitos monstros só são monstros por causa de seus sentimentos a flor da pele, conflituosos e pela incapacidade de demonstrá-los de maneira civilizada. Apesar de tudo, monstros não passam de seres humanos em conflito consigo mesmo. Um pecado da maioria dos filmes - que é questão de lógica e eu entendo - é mostrar apenas o ponto de vista da personagem principal. Nesse caso, por exemplo, vemos os personagens do ponto de vista do Tyler, portanto, somos facilmente influenciados, no final, percebemos junto dele que nem todos são como imaginamos, que é muito difícil demonstrarmos nossos sentimentos da "maneira correta" - se é que existe maneira correta para isso -, que julgamos demais as pessoas sem saber o que se passa com elas, quais são seus conflitos internos, seus sentimentos ou o porquê de tais atitudes, como dizem por aí, sempre achamos que "a grama do vizinho é mais verde", mas será? Todos temos sentimentos, todos temos medos, anseios, desejos, angústias, dúvidas e cada um tem seu jeito de expressar tudo isso.
Outro fato curioso, é a capacidade do ser humano para postergar momentos que podem ser vividos no presente. Já se perguntou porque demorou para dizer a alguém que o (a) amava? Seria medo? Pois é, por que temos tanto receio em dizer a alguém algo tão sublime? Por que temer as reações da pessoa diante de algo bom, visto que todos queremos e gostamos de ser amados? Imagino que seja porque dentro de nós temos marcas de momentos passados, talvez um dia ao nos declararmos alguém desdenhou ou ignorou, mesmo que não tenha sido por maldade, afinal, quem nunca teve um "amor de infância"? E qual a criança que desdenharia por pura maldade? Ou até mesmo nossos pais, em um dia corrido, que ignoraram tal declaração ou postergaram a reação que esperávamos. Essas são lembranças arquivadas dentro de nós, são marcas deixadas por nossas experiências ao longo do tempo, e como cada um tem as suas marcas, cada um tem a própria reação em relação aos acontecimentos, tem uma maneira de aceitar ou não, de reagir. E, o pior de tudo, é quando só nos damos conta do quanto foi uma má ideia postergar depois que uma tragédia ocorre. Por que esperamos que uma tragédia ocorra para aprendermos a amar, a nos expressar? Por que é preciso que alguém morra para percebemos que agimos de maneira errada? Por que somente através do sofrimento nos damos conta de que estávamos indo pelo pior dos caminhos? Talvez seja porque a tragédia nos acorda para a vida, e num piscar de olhos revivemos as lembranças arquivadas e também nos transformamos.
Diante de tais fatos, imaginem se eu não me acabei em lágrimas no final do filme?!! Sem sombra de dúvidas! Chorei até não poder mais, tanto pelos ensinamentos que nos levam a pensar em nossas vidas e atitudes, quanto pelo final totalmente inesperado, surpreendente e simultaneamente trágico e lindo. Nunca imaginei que um drama romântico pudesse me fazer tão bem humana e espiritualmente. Percebi que ainda tenho muito a aprender, que na teoria é tudo muito fácil, o difícil acontece na prática. Vocês acham que tudo o que eu disse acima eu pratico? Pelo contrário, a minha dificuldade em demonstrar sentimentos é tamanha que tenho até vergonha de comentar sobre isso. Chegou a hora de rever conceitos e ainda bem que sempre é tempo de mudanças...
domingo, 3 de junho de 2012
Domingo preguiçoso
Consequência de uma pausa...
Era apenas mais um dia, mais um daqueles domingos preguiçosos, em que se acorda tarde, liga o som e fica ouvindo uma música, e às vezes, só para variar um pouco, começa assistindo um programa dominical na televisão, por que não?
Foi então que as horas foram passando, passando, passando, e ela nem se deu conta de que a preguiça a tinha dominado. Assistiu filme, seriado, ouviu músicas, passou horas na internet, mas nem mesmo levantou da cama! Afinal, o que as tecnologias não nos propiciam hoje em dia? Basta um celular na mão - de preferência com bateria e créditos - que tudo se resolve em um instante!
Porém, chegou um momento no qual ela precisou parar e pensar, até ter a certeza de que estava faltando algo. Não sabia ao certo o que poderia ser, mas sentia que lhe faltava algo para completar esse domingo preguiçoso, ou esses dias cansativos...visto que a preguiça de domingo era apenas um sintoma de dias anteriores muito extenuantes.
Não se sentindo tão incomodada continuou a fazer o que a maioria faz em um domingo preguiçoso. Até que o incômodo foi aumentando e ela não suportou mais. A tensão era grande, precisava descobrir o que estava faltando.
Percebeu que não era apenas a saudade ameaçando seu domingo mais uma vez, era uma coisa boa que estava faltando para tornar o domingo completo, e que era possível vivenciá-la ali naquele exato instante...pensou, pensou, pensou, lembrou da última conversa com um amigo, na qual o tema era cultura, lembrou de outra conversa com um outro amigo, que a cobrava atualizações no blog. Pronto! Tudo se encaixou!
E em menos de 1 minuto, conforme palavras iam surgindo numa folha em branco, sentiu seu domingo preguiçoso completo, nada mais faltava!
Tinha voltado a escrever, talvez não como antes, já que o passar do tempo enferruja as pessoas que não praticam. Entretanto, escrevia novamente, de tal forma que as palavras fluíam e preenchiam não só o papel em branco, mas também a alma de quem há muito aguardava por esse momento.
Escrever não significa apenas transcrever as palavras que estão desajeitadas no cérebro para um papel, é, acima de tudo, mostrar ao mundo o que está guardado dentro de nós. Assim, mais um domingo preguiçoso se encerra na minha vida, quem sabe um pouco mais completo e feliz...
Era apenas mais um dia, mais um daqueles domingos preguiçosos, em que se acorda tarde, liga o som e fica ouvindo uma música, e às vezes, só para variar um pouco, começa assistindo um programa dominical na televisão, por que não?
Foi então que as horas foram passando, passando, passando, e ela nem se deu conta de que a preguiça a tinha dominado. Assistiu filme, seriado, ouviu músicas, passou horas na internet, mas nem mesmo levantou da cama! Afinal, o que as tecnologias não nos propiciam hoje em dia? Basta um celular na mão - de preferência com bateria e créditos - que tudo se resolve em um instante!
Porém, chegou um momento no qual ela precisou parar e pensar, até ter a certeza de que estava faltando algo. Não sabia ao certo o que poderia ser, mas sentia que lhe faltava algo para completar esse domingo preguiçoso, ou esses dias cansativos...visto que a preguiça de domingo era apenas um sintoma de dias anteriores muito extenuantes.
Não se sentindo tão incomodada continuou a fazer o que a maioria faz em um domingo preguiçoso. Até que o incômodo foi aumentando e ela não suportou mais. A tensão era grande, precisava descobrir o que estava faltando.
Percebeu que não era apenas a saudade ameaçando seu domingo mais uma vez, era uma coisa boa que estava faltando para tornar o domingo completo, e que era possível vivenciá-la ali naquele exato instante...pensou, pensou, pensou, lembrou da última conversa com um amigo, na qual o tema era cultura, lembrou de outra conversa com um outro amigo, que a cobrava atualizações no blog. Pronto! Tudo se encaixou!
E em menos de 1 minuto, conforme palavras iam surgindo numa folha em branco, sentiu seu domingo preguiçoso completo, nada mais faltava!
Tinha voltado a escrever, talvez não como antes, já que o passar do tempo enferruja as pessoas que não praticam. Entretanto, escrevia novamente, de tal forma que as palavras fluíam e preenchiam não só o papel em branco, mas também a alma de quem há muito aguardava por esse momento.
Escrever não significa apenas transcrever as palavras que estão desajeitadas no cérebro para um papel, é, acima de tudo, mostrar ao mundo o que está guardado dentro de nós. Assim, mais um domingo preguiçoso se encerra na minha vida, quem sabe um pouco mais completo e feliz...
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Dezembro
Consequência de uma pausa...
(Detalhe para o fato de que comecei a escrever esse texto há mais de quinze dias, sou o exemplo de muita coisa que digo abaixo, a verdade é que todos nós sempre temos o que melhorar e o que mudar, como também, o que continuar a fazer e aprimorar...)
Eis que chega o mês de dezembro. Acredito que não há quem não pare para pensar o que fez nesses últimos meses, ou deixou de fazer. É hábito pararmos um pouco para refletir, como também o é quando encontramos conhecidos e comentamos: "nossa, como o ano passou rápido, não é mesmo?", e todos são unânimes quanto à resposta: "sim, com toda certeza!". Os mais velhos ainda complementam dizendo: "parece que antigamente não passava tão rápido assim, quanto mais velho fico, mais rápido o tempo passa..." - invariavelmente com lamentação e tristeza estampadas no rosto, afinal, ninguém quer envelhecer "mais rápido do que antes".
Essa sensação de passagem do tempo ocorre porque cada vez mais deixamos de lado o que nos dá prazer - mesmo as coisas mais simples do dia-a-dia - para focarmos no que é necessidade e nem tão prazeroso como gostaríamos. Quem nunca deixou de ir a uma festa porque no outro dia tinha que trabalhar ou estudar? Será que não é possível irmos à festa, nos divertirmos um pouco, beber menos, comer menos e voltar mais cedo? Ou, por que tanto medo de enfiar o pé na jaca um dia ou outro? Lógico que todos nós temos nossas responsabilidades e devemos nos dedicar a elas, mas um dia ou outro que arriscarmos (na verdade, não é porque vamos a uma festa que devemos beber todas ou amanhecer, podemos nos divertir com mais moderação para estarmos inteiros e dispostos a assumir as responsabilidades no outro dia) não nos fará mal, como dizem por aí, "ninguém é de ferro"! Isso faz um sentido maior ainda quando vamos escolher nossa profissão, cada vez mais creio que realmente devemos optar pelo que mais se aproxima às nossas aptidões pessoais, ao nosso jeito, aos nossos planos, para podermos trabalhar mais felizes e não tornar uma obrigação o que deveríamos fazer com prazer e um sorriso no rosto - óbvio que, invariavelmente, ficamos cansados e temos vontade de jogar tudo para o ar, mas no fim, se for o que verdadeiramente gostamos, vamos voltar atrás e confirmar que é aquilo mesmo que queremos. E quanto aos idosos, conforme vão envelhecendo, vão perdendo um pouco dos sentidos, ficam um pouquinho mais surdos, não enxergam bem, os alimentos já não têm o mesmo sabor, os cheiros se confundem, os músculos fraquejam...dessa forma, o ato de viver torna-se complicado e a presença da morte mais próxima, às vezes a própria vida perde o sabor. Embora alguns consigam postergar um pouco seu fim, seja através da tecnologia, seja por meio de hábitos melhores, seja por atitudes favorecedoras ao longo da vida ou, simplesmente, pela vontade, ânsia de viver, apenas isso: querer viver - o que eu acho mais bonito, além da naturalidade.
Aquela famosa desculpa da "correria cotidiana" também entra nos motivos de sensação de passagem do tempo. É trabalho, é estudo, é academia, é família, é obrigação, é responsabilidade, é dever, é isso, é aquilo, é aquilo outro... No fim, sempre temos do que nos lamentar...poderia ter estudado mais, ter dado maior atenção a algumas coisas ou pessoas, ter trabalhado menos, ter viajado mais, ter me esbaldado naquela festa, ter esquecido o regime naquele dia, ter feito mais regime, ter praticado exercícios físicos, ter amado mais, ter estressado menos, ter aproveitado aquela chance, etc. Mal percebemos que fazendo tudo, simultaneamente fazemos nada, afinal, distribuir nosso tempo de forma igualitária é impossível. Ao contrário, é possível nos dedicar mais àquilo que estamos fazendo, de forma que enquanto trabalhamos, vamos só trabalhar e só pensar nisso, enquanto estamos com a família, vamos viver aquele momento em função tão somente dela, sem pensar em outras coisas. Ou seja, é preciso otimizar o tempo que temos, proporcionando a nós mesmos uma vida mais prazerosa. Além disso, é incrível a capacidade que temos e toda a energia que perdemos nos lamentando, ao invés de pensarmos no que aconteceu de bom ou o quanto somos capazes de melhorar o que foi ruim.
Não sou muito a favor de planos, listas e coisas do tipo "para o ano que vem..." ou "no próximo ano..." ou "em 2012 vou...". Será mesmo que isso adianta? Acho que se adiantasse não seria necessário fazê-los todos os anos, até mesmo porque já saberíamos como agir com base no último. A verdade é que cada momento é único, não tem como prever o que vai acontecer, de forma que não é possível adiantar como iremos agir - antes de tudo, é preciso nos conhecer um pouco mais, ir a fundo dentro de nós mesmos. Obviamente que sempre temos o que melhorar, o que "arrancar" de nós, o que fazer, o que deixar de fazer...mas tudo isso podemos fazer a qualquer momento - basta querer! -, as promessas não são necessárias em todos os finais de ano. Quem nunca fez promessas e listas e mais listas para o próximo ano? Agora eu pergunto: quantas você conseguiu cumprir satisfatoriamente? Difícil não é? Acho, inclusive, que isso nos deixa pior, pela pressão ou obrigação de ter que cumprir todos aqueles planos, alguns até mesmo frutos de pura ilusão e utopia. Com certeza tem o lado que diz que é necessário traçar metas e planos, no entanto, isso não se refere à todas as áreas da vida, muito menos a todos os momentos.
Dessa forma, creio que o único pedido que tenho a fazer para 2012 se resume em uma única palavra: equilíbrio. Quando se tem equilíbrio nos relacionamentos, na área financeira, na profissão, tudo se encaminha como deve ser. Por vezes alguns obstáculos aparecerão, mas, se estivermos focados e nos conhecermos bem, teremos força o suficiente para nos desviarmos ou enfrentá-los. Além de tudo isso, temos que ter em mente o poder da espiritualidade, em seu sentido amplo. Seja você protestante, católico apostólico romano, católico ortodóxico, espírita, budista, islamista, umbandista...não importa a religião, o que é interessante, nesse caso, é estar de bem com quem você acredita ser o "Ser Supremo", compreender sua alma e a alma do próximo, praticar o bem, seguir uma vida de paz, harmonia, equilíbrio e bem estar. Acho de extrema importância nos conectarmos com o que acreditamos, com aquele que cremos existir, com aquele que rege nossas vidas e possui capacidades extraordinárias, principalmente de fazer o bem independente de qualquer outra coisa. Apesar de muito estressada, ansiosa, nervosa e coisas do gênero, existe um lado dentro de mim que expressa o oposto, gosta muito de deixar algumas coisas acontecerem naturalmente, acredito no poder do tempo e creio em Deus e suas "façanhas". De modo que fazer listas não adiantam muita coisa, já que no fim, sempre vou "deixando a vida me levar", vivo bastante o presente (sem me esquecer das lembranças do passado e dos meus objetivos para o futuro).
Como é fácil falar, né?! Bom seria se soubéssemos um jeito de fazer tudo perfeito, porque a prática, ó céus, como suga nossas energias! Mas, se não tentarmos, não experimentarmos mudanças e aprimoramentos, o tempo passa, o mundo a sua volta se transforma, e você permanece, parado no tempo, no espaço, nos sentimentos, na vida. E o que resta? A lamentação ou inquietude (principalmente dos que estão ao seu redor) de estar no presente e viver no passado. Ao mesmo tempo, penso que se tudo fosse perfeito nada teria a mesma graça, seria tudo muito certinho, no lugar, e assim não haveria espaço para fatos bizarros, engraçados, inesperados, surpresas, vitórias e derrotas, como iríamos aprender, adquirir conhecimento e experiência ao longo da vida? De qualquer forma, como a perfeição é algo inalcançável (e como eu sofro por isso, pois confesso que às vezes a minha busca pela perfeição é algo surpreendente!), vamos lutando dia-a-dia para sermos melhores. Se não deu hoje, quem sabe amanhã, afinal, a vida segue! Os planos, as metas, os objetivos existem dentro de nós e devemos fazer o possível para alcançá-los e nos sentirmos inteiros, completos, porém, por que deixar para 2012? Vamos fazer hoje, agora, que tal, vai arriscar? Vamos ser um pouco mais ousados e ter mais coragem! Como disse no início, o tempo passa e, pior, cada vez mais rápido, então, não vamos desperdiçar o tempo que temos hoje, até mesmo porque a saudade é um sentimento sempre presente em nossas vidas - e saudável -, de maneira que seria bem melhor sentir saudade do passado, ao contrário de arrependimento ou más lembranças.
Embora o texto do vídeo não pertença à Clarice Lispector, e sim à Maria Eugênia de Viveiros, é muito bonito, não perde o brilho. (Como hoje em dia está confusa essa história de autores e suas citações, frases, textos, crônicas, não é mesmo?)
(Detalhe para o fato de que comecei a escrever esse texto há mais de quinze dias, sou o exemplo de muita coisa que digo abaixo, a verdade é que todos nós sempre temos o que melhorar e o que mudar, como também, o que continuar a fazer e aprimorar...)
Eis que chega o mês de dezembro. Acredito que não há quem não pare para pensar o que fez nesses últimos meses, ou deixou de fazer. É hábito pararmos um pouco para refletir, como também o é quando encontramos conhecidos e comentamos: "nossa, como o ano passou rápido, não é mesmo?", e todos são unânimes quanto à resposta: "sim, com toda certeza!". Os mais velhos ainda complementam dizendo: "parece que antigamente não passava tão rápido assim, quanto mais velho fico, mais rápido o tempo passa..." - invariavelmente com lamentação e tristeza estampadas no rosto, afinal, ninguém quer envelhecer "mais rápido do que antes".
Essa sensação de passagem do tempo ocorre porque cada vez mais deixamos de lado o que nos dá prazer - mesmo as coisas mais simples do dia-a-dia - para focarmos no que é necessidade e nem tão prazeroso como gostaríamos. Quem nunca deixou de ir a uma festa porque no outro dia tinha que trabalhar ou estudar? Será que não é possível irmos à festa, nos divertirmos um pouco, beber menos, comer menos e voltar mais cedo? Ou, por que tanto medo de enfiar o pé na jaca um dia ou outro? Lógico que todos nós temos nossas responsabilidades e devemos nos dedicar a elas, mas um dia ou outro que arriscarmos (na verdade, não é porque vamos a uma festa que devemos beber todas ou amanhecer, podemos nos divertir com mais moderação para estarmos inteiros e dispostos a assumir as responsabilidades no outro dia) não nos fará mal, como dizem por aí, "ninguém é de ferro"! Isso faz um sentido maior ainda quando vamos escolher nossa profissão, cada vez mais creio que realmente devemos optar pelo que mais se aproxima às nossas aptidões pessoais, ao nosso jeito, aos nossos planos, para podermos trabalhar mais felizes e não tornar uma obrigação o que deveríamos fazer com prazer e um sorriso no rosto - óbvio que, invariavelmente, ficamos cansados e temos vontade de jogar tudo para o ar, mas no fim, se for o que verdadeiramente gostamos, vamos voltar atrás e confirmar que é aquilo mesmo que queremos. E quanto aos idosos, conforme vão envelhecendo, vão perdendo um pouco dos sentidos, ficam um pouquinho mais surdos, não enxergam bem, os alimentos já não têm o mesmo sabor, os cheiros se confundem, os músculos fraquejam...dessa forma, o ato de viver torna-se complicado e a presença da morte mais próxima, às vezes a própria vida perde o sabor. Embora alguns consigam postergar um pouco seu fim, seja através da tecnologia, seja por meio de hábitos melhores, seja por atitudes favorecedoras ao longo da vida ou, simplesmente, pela vontade, ânsia de viver, apenas isso: querer viver - o que eu acho mais bonito, além da naturalidade.
Aquela famosa desculpa da "correria cotidiana" também entra nos motivos de sensação de passagem do tempo. É trabalho, é estudo, é academia, é família, é obrigação, é responsabilidade, é dever, é isso, é aquilo, é aquilo outro... No fim, sempre temos do que nos lamentar...poderia ter estudado mais, ter dado maior atenção a algumas coisas ou pessoas, ter trabalhado menos, ter viajado mais, ter me esbaldado naquela festa, ter esquecido o regime naquele dia, ter feito mais regime, ter praticado exercícios físicos, ter amado mais, ter estressado menos, ter aproveitado aquela chance, etc. Mal percebemos que fazendo tudo, simultaneamente fazemos nada, afinal, distribuir nosso tempo de forma igualitária é impossível. Ao contrário, é possível nos dedicar mais àquilo que estamos fazendo, de forma que enquanto trabalhamos, vamos só trabalhar e só pensar nisso, enquanto estamos com a família, vamos viver aquele momento em função tão somente dela, sem pensar em outras coisas. Ou seja, é preciso otimizar o tempo que temos, proporcionando a nós mesmos uma vida mais prazerosa. Além disso, é incrível a capacidade que temos e toda a energia que perdemos nos lamentando, ao invés de pensarmos no que aconteceu de bom ou o quanto somos capazes de melhorar o que foi ruim.
Não sou muito a favor de planos, listas e coisas do tipo "para o ano que vem..." ou "no próximo ano..." ou "em 2012 vou...". Será mesmo que isso adianta? Acho que se adiantasse não seria necessário fazê-los todos os anos, até mesmo porque já saberíamos como agir com base no último. A verdade é que cada momento é único, não tem como prever o que vai acontecer, de forma que não é possível adiantar como iremos agir - antes de tudo, é preciso nos conhecer um pouco mais, ir a fundo dentro de nós mesmos. Obviamente que sempre temos o que melhorar, o que "arrancar" de nós, o que fazer, o que deixar de fazer...mas tudo isso podemos fazer a qualquer momento - basta querer! -, as promessas não são necessárias em todos os finais de ano. Quem nunca fez promessas e listas e mais listas para o próximo ano? Agora eu pergunto: quantas você conseguiu cumprir satisfatoriamente? Difícil não é? Acho, inclusive, que isso nos deixa pior, pela pressão ou obrigação de ter que cumprir todos aqueles planos, alguns até mesmo frutos de pura ilusão e utopia. Com certeza tem o lado que diz que é necessário traçar metas e planos, no entanto, isso não se refere à todas as áreas da vida, muito menos a todos os momentos.
Dessa forma, creio que o único pedido que tenho a fazer para 2012 se resume em uma única palavra: equilíbrio. Quando se tem equilíbrio nos relacionamentos, na área financeira, na profissão, tudo se encaminha como deve ser. Por vezes alguns obstáculos aparecerão, mas, se estivermos focados e nos conhecermos bem, teremos força o suficiente para nos desviarmos ou enfrentá-los. Além de tudo isso, temos que ter em mente o poder da espiritualidade, em seu sentido amplo. Seja você protestante, católico apostólico romano, católico ortodóxico, espírita, budista, islamista, umbandista...não importa a religião, o que é interessante, nesse caso, é estar de bem com quem você acredita ser o "Ser Supremo", compreender sua alma e a alma do próximo, praticar o bem, seguir uma vida de paz, harmonia, equilíbrio e bem estar. Acho de extrema importância nos conectarmos com o que acreditamos, com aquele que cremos existir, com aquele que rege nossas vidas e possui capacidades extraordinárias, principalmente de fazer o bem independente de qualquer outra coisa. Apesar de muito estressada, ansiosa, nervosa e coisas do gênero, existe um lado dentro de mim que expressa o oposto, gosta muito de deixar algumas coisas acontecerem naturalmente, acredito no poder do tempo e creio em Deus e suas "façanhas". De modo que fazer listas não adiantam muita coisa, já que no fim, sempre vou "deixando a vida me levar", vivo bastante o presente (sem me esquecer das lembranças do passado e dos meus objetivos para o futuro).
Como é fácil falar, né?! Bom seria se soubéssemos um jeito de fazer tudo perfeito, porque a prática, ó céus, como suga nossas energias! Mas, se não tentarmos, não experimentarmos mudanças e aprimoramentos, o tempo passa, o mundo a sua volta se transforma, e você permanece, parado no tempo, no espaço, nos sentimentos, na vida. E o que resta? A lamentação ou inquietude (principalmente dos que estão ao seu redor) de estar no presente e viver no passado. Ao mesmo tempo, penso que se tudo fosse perfeito nada teria a mesma graça, seria tudo muito certinho, no lugar, e assim não haveria espaço para fatos bizarros, engraçados, inesperados, surpresas, vitórias e derrotas, como iríamos aprender, adquirir conhecimento e experiência ao longo da vida? De qualquer forma, como a perfeição é algo inalcançável (e como eu sofro por isso, pois confesso que às vezes a minha busca pela perfeição é algo surpreendente!), vamos lutando dia-a-dia para sermos melhores. Se não deu hoje, quem sabe amanhã, afinal, a vida segue! Os planos, as metas, os objetivos existem dentro de nós e devemos fazer o possível para alcançá-los e nos sentirmos inteiros, completos, porém, por que deixar para 2012? Vamos fazer hoje, agora, que tal, vai arriscar? Vamos ser um pouco mais ousados e ter mais coragem! Como disse no início, o tempo passa e, pior, cada vez mais rápido, então, não vamos desperdiçar o tempo que temos hoje, até mesmo porque a saudade é um sentimento sempre presente em nossas vidas - e saudável -, de maneira que seria bem melhor sentir saudade do passado, ao contrário de arrependimento ou más lembranças.
Embora o texto do vídeo não pertença à Clarice Lispector, e sim à Maria Eugênia de Viveiros, é muito bonito, não perde o brilho. (Como hoje em dia está confusa essa história de autores e suas citações, frases, textos, crônicas, não é mesmo?)
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Escrever, apenas
Consequência de uma pausa...
Não sei o porquê, nem o quê, nem pra quê, nem como, mas hoje me deu uma vontade enorme de escrever. Deve ser saudades daqueles tempos em que eu simplesmente deixava tudo aflorar, em que os sentimentos vinham, literalmente, à flor da pele, em que mesmo sem tempo eu dava um jeito de arrumar algum só para não deixar o blog às mínguas, em que era fácil fazer apenas um fluxo de consciência com minhas opiniões e rapidamente publicá-lo sem nem pensar muito...ê saudades, não tem como, ela sempre vai estar presente em nossas vidas, seja para nos trazer boas lembranças, seja para nos alertar para o modo como estamos levando nossas vidas ou seja apenas para senti-la, assim, tão dentro de nós, às vezes mais perturbadora do que gostaríamos, por outras tão singela que dá até vontade de não expulsá-la de nós, talvez para nos fazer sofrer um pouco, afinal, que importância tem, se só sentimos saudades do que foi bom, não é mesmo? Acho até que saudade é um dos sentimentos mais verdadeiros, porque ela simplesmente acontece, principalmente quando menos esperamos, quando vemos alguma imagem/cena que nos faça rememorar aquela lembrança e pensar: "nossa como foi/era bom!". E aí tudo acaba em outro pensamento: "pena que não tem como voltar atrás, que não tem como fazer tudo acontecer de novo". Querem a verdade do meu ponto de vista? Sim, aquelas lembranças nunca mais voltarão. Primeiro, sua idade é outra. Segundo, o momento da sua vida é outro. Terceiro, seus amigos podem não ser os mesmos e conseguir reunir os de "antigamente" é mais difícil do que se possa imaginar! Quarto, cada momento é único - sim é uma frase clichê mas que faz todo o sentido -, portanto é impossível, mesmo que tudo seja reproduzido como antes, sentir tudo do mesmo jeito, pelo contrário, provavelmente será mais uma lembrança guardada com carinho para te fazer sentir saudades depois...
Agora, uma curiosidade que eu gosto dizer, também sem saber o porquê, na verdade, deve ser apenas aquele instinto patriota que insiste e persiste dentro de mim - mesmo perante tantas coisas que nos faça pensar justamente o contrário, infelizmente! Alguém aqui já sabia que a palavra saudade só existe no Brasil? Sim, o que não exclui o fato de o sentimento ser universal, acontece que nos outros países ela é chamada de outra forma, ou simplesmente não tem denominação própria, pode ser apenas um "I miss..." norte americano, traduzindo: "sinto falta...".
Parece até que estou escrevendo como antes, misturando assuntos, começando de um jeito, terminando de outro, e sendo bastante informal. Será só saudades ou uma volta repentina ao verdadeiro jeito de ser? Não, creio que exagerei, meu jeito de ser é o mesmo, talvez com uns pequenos aperfeiçoamentos...nunca deixei de falar como antes, sempre falo, falo, falo, falo, falo, falo, falo, e falo mais um pouco até misturar todos os assuntos num só, aprontar confusões, provocar risadas, fazer intertexto com coisas "nada a ver", lembrar de uma música (isso sempre acontece, incrível!) ou de outra história e começar a contá-la também, porém o melhor é que no fim me entendo muito bem com todos e chego ao meu objetivo de falar o que queria a princípio, bom pelo menos é o que eu julgo acontecer!
Talvez só me faltasse um pouco mais de força de vontade em me dedicar à escrita. Por várias vezes tenho vontade de escrever um conto, uma crônica, um desabafo, mas sempre paro diante de pequenos impasses ou até mesmo da preguiça...aaaah, essa é outra que foi inventada para atrapalhar a vida gente, na maioria das vezes. Preguiça é até bom, desde que seja naquele dia que você pode descansar, pode simplesmente acordar, comer, dormir de novo, acordar, comer, assistir um filme, ler um livro, comer, dormir e um ciclo vicioso se inicia...caso contrário, ela dá um trabalhão! Deixa-nos apáticos, cabisbaixos, cansados, pensando alto (ou seja, no que menos nos interessa), faz com que nos tornemos verdadeiros "enroladores", deixando tudo para depois. Ainda bem que a preguiça atinge a todos, se não, ficaria envergonhada ao dizer que por vezes deixo de escrever por pura e simples preguiça...tá, já estou envergonhada! Contudo, penso que a preguiça é apenas um pretexto para o que eu não quero admitir: a falta de inspiração, ou de vontade de pensar ('coisa' que para mim é um absurdo ter que admitir, mas já que a sinceridade também é um dos meus pontos fortes...). No fundo, tenho para mim que o que é bom mesmo é fazer aquilo que se tem vontade, não que seja sempre assim, porque nem dá né, mas fazer o que gostamos, quando queremos e podemos, realmente não tem preço, e quando não se tem vontade: "aah, deixa pra depois mesmo..." E como o blog não é algo obrigatório, é para me dar prazer (e tentar dar prazer aos outros, quem sabe de vez em quando eu consiga, ficaria até feliz), vale a máxima de se escrever o que eu quiser (dentro do politicamente correto, obviamente, o que não é problema para mim, uma pessoa exageradamente politicamente correta, rsrs), quando quiser. Espero que com você aconteça o mesmo, afinal, nada melhor do que ter liberdade para viver!
Estou "sentindo" que falei demais, misturei assuntos e agora estou encalhada de pensamentos aqui, sem saber como terminar um post que começa falando da vontade de escrever, fala sobre saudade, em seguida sobre preguiça e termina com liberdade. Então, ainda bem que existe livre arbítrio e eu me permito usufruí-lo (tá, só às vezes...), portanto termino assim mesmo, como sempre terminei: simplesmente terminando (?). Apenas dizendo que a vontade de escrever voltou a florescer, que o fluxo de consciência continua o mesmo - até um pouco mais organizado - e que os sentimentos estão aí, para serem vividos, experimentados, alguns excluídos outros para serem vícios e quem sabe bem guardados...até mesmo porque, o que seria de nós, seres humanos, sem as memórias, sem as lembranças, não sei se já repararam, mas muitas vezes somos movidos por conta delas.
Que tal um poema de João Cabral de Melo Neto, bastante sugestivo? Pois dessa vez termino com um poema, não com uma música ou um pensamento ou uma simples conclusão!
Não sei o porquê, nem o quê, nem pra quê, nem como, mas hoje me deu uma vontade enorme de escrever. Deve ser saudades daqueles tempos em que eu simplesmente deixava tudo aflorar, em que os sentimentos vinham, literalmente, à flor da pele, em que mesmo sem tempo eu dava um jeito de arrumar algum só para não deixar o blog às mínguas, em que era fácil fazer apenas um fluxo de consciência com minhas opiniões e rapidamente publicá-lo sem nem pensar muito...ê saudades, não tem como, ela sempre vai estar presente em nossas vidas, seja para nos trazer boas lembranças, seja para nos alertar para o modo como estamos levando nossas vidas ou seja apenas para senti-la, assim, tão dentro de nós, às vezes mais perturbadora do que gostaríamos, por outras tão singela que dá até vontade de não expulsá-la de nós, talvez para nos fazer sofrer um pouco, afinal, que importância tem, se só sentimos saudades do que foi bom, não é mesmo? Acho até que saudade é um dos sentimentos mais verdadeiros, porque ela simplesmente acontece, principalmente quando menos esperamos, quando vemos alguma imagem/cena que nos faça rememorar aquela lembrança e pensar: "nossa como foi/era bom!". E aí tudo acaba em outro pensamento: "pena que não tem como voltar atrás, que não tem como fazer tudo acontecer de novo". Querem a verdade do meu ponto de vista? Sim, aquelas lembranças nunca mais voltarão. Primeiro, sua idade é outra. Segundo, o momento da sua vida é outro. Terceiro, seus amigos podem não ser os mesmos e conseguir reunir os de "antigamente" é mais difícil do que se possa imaginar! Quarto, cada momento é único - sim é uma frase clichê mas que faz todo o sentido -, portanto é impossível, mesmo que tudo seja reproduzido como antes, sentir tudo do mesmo jeito, pelo contrário, provavelmente será mais uma lembrança guardada com carinho para te fazer sentir saudades depois...
Agora, uma curiosidade que eu gosto dizer, também sem saber o porquê, na verdade, deve ser apenas aquele instinto patriota que insiste e persiste dentro de mim - mesmo perante tantas coisas que nos faça pensar justamente o contrário, infelizmente! Alguém aqui já sabia que a palavra saudade só existe no Brasil? Sim, o que não exclui o fato de o sentimento ser universal, acontece que nos outros países ela é chamada de outra forma, ou simplesmente não tem denominação própria, pode ser apenas um "I miss..." norte americano, traduzindo: "sinto falta...".
Parece até que estou escrevendo como antes, misturando assuntos, começando de um jeito, terminando de outro, e sendo bastante informal. Será só saudades ou uma volta repentina ao verdadeiro jeito de ser? Não, creio que exagerei, meu jeito de ser é o mesmo, talvez com uns pequenos aperfeiçoamentos...nunca deixei de falar como antes, sempre falo, falo, falo, falo, falo, falo, falo, e falo mais um pouco até misturar todos os assuntos num só, aprontar confusões, provocar risadas, fazer intertexto com coisas "nada a ver", lembrar de uma música (isso sempre acontece, incrível!) ou de outra história e começar a contá-la também, porém o melhor é que no fim me entendo muito bem com todos e chego ao meu objetivo de falar o que queria a princípio, bom pelo menos é o que eu julgo acontecer!
Talvez só me faltasse um pouco mais de força de vontade em me dedicar à escrita. Por várias vezes tenho vontade de escrever um conto, uma crônica, um desabafo, mas sempre paro diante de pequenos impasses ou até mesmo da preguiça...aaaah, essa é outra que foi inventada para atrapalhar a vida gente, na maioria das vezes. Preguiça é até bom, desde que seja naquele dia que você pode descansar, pode simplesmente acordar, comer, dormir de novo, acordar, comer, assistir um filme, ler um livro, comer, dormir e um ciclo vicioso se inicia...caso contrário, ela dá um trabalhão! Deixa-nos apáticos, cabisbaixos, cansados, pensando alto (ou seja, no que menos nos interessa), faz com que nos tornemos verdadeiros "enroladores", deixando tudo para depois. Ainda bem que a preguiça atinge a todos, se não, ficaria envergonhada ao dizer que por vezes deixo de escrever por pura e simples preguiça...tá, já estou envergonhada! Contudo, penso que a preguiça é apenas um pretexto para o que eu não quero admitir: a falta de inspiração, ou de vontade de pensar ('coisa' que para mim é um absurdo ter que admitir, mas já que a sinceridade também é um dos meus pontos fortes...). No fundo, tenho para mim que o que é bom mesmo é fazer aquilo que se tem vontade, não que seja sempre assim, porque nem dá né, mas fazer o que gostamos, quando queremos e podemos, realmente não tem preço, e quando não se tem vontade: "aah, deixa pra depois mesmo..." E como o blog não é algo obrigatório, é para me dar prazer (e tentar dar prazer aos outros, quem sabe de vez em quando eu consiga, ficaria até feliz), vale a máxima de se escrever o que eu quiser (dentro do politicamente correto, obviamente, o que não é problema para mim, uma pessoa exageradamente politicamente correta, rsrs), quando quiser. Espero que com você aconteça o mesmo, afinal, nada melhor do que ter liberdade para viver!
Estou "sentindo" que falei demais, misturei assuntos e agora estou encalhada de pensamentos aqui, sem saber como terminar um post que começa falando da vontade de escrever, fala sobre saudade, em seguida sobre preguiça e termina com liberdade. Então, ainda bem que existe livre arbítrio e eu me permito usufruí-lo (tá, só às vezes...), portanto termino assim mesmo, como sempre terminei: simplesmente terminando (?). Apenas dizendo que a vontade de escrever voltou a florescer, que o fluxo de consciência continua o mesmo - até um pouco mais organizado - e que os sentimentos estão aí, para serem vividos, experimentados, alguns excluídos outros para serem vícios e quem sabe bem guardados...até mesmo porque, o que seria de nós, seres humanos, sem as memórias, sem as lembranças, não sei se já repararam, mas muitas vezes somos movidos por conta delas.
Que tal um poema de João Cabral de Melo Neto, bastante sugestivo? Pois dessa vez termino com um poema, não com uma música ou um pensamento ou uma simples conclusão!
A lição de poesia - João Cabral de Melo Neto
1.
Toda a manhã consumida
como um sol imóvel
diante da folha em branco:
princípio do mundo, lua nova.
como um sol imóvel
diante da folha em branco:
princípio do mundo, lua nova.
Já não podias desenhar
sequer uma linha;
um nome, sequer uma flor
desabrochava no verão da mesa:
sequer uma linha;
um nome, sequer uma flor
desabrochava no verão da mesa:
nem no meio-dia iluminado,
cada dia comprado,
do papel, que pode aceitar,
contudo, qualquer mundo.
cada dia comprado,
do papel, que pode aceitar,
contudo, qualquer mundo.
2.
A noite inteira o poeta
em sua mesa, tentando
salvar da morte os monstros
germinados em seu tinteiro.
em sua mesa, tentando
salvar da morte os monstros
germinados em seu tinteiro.
Monstros, bichos, fantasmas
de palavras, circulando,
urinando sobre o papel,
sujando-o com seu carvão.
de palavras, circulando,
urinando sobre o papel,
sujando-o com seu carvão.
Carvão de lápis, carvão
da idéia fixa, carvão
da emoção extinta, carvão
consumido nos sonhos.
da idéia fixa, carvão
da emoção extinta, carvão
consumido nos sonhos.
3.
A luta branca sobre o papel
que o poeta evita,
luta branca onde corre o sangue
de suas veias de água salgada.
que o poeta evita,
luta branca onde corre o sangue
de suas veias de água salgada.
A física do susto percebida
entre os gestos diários;
susto das coisas jamais pousadas
porém imóveis - naturezas vivas.
entre os gestos diários;
susto das coisas jamais pousadas
porém imóveis - naturezas vivas.
E as vinte palavras recolhidas
as águas salgadas do poeta
e de que se servirá o poeta
em sua máquina útil.
as águas salgadas do poeta
e de que se servirá o poeta
em sua máquina útil.
Vinte palavras sempre as mesmas
de que conhece o funcionamento,
a evaporação, a densidade
menor que a do ar.
de que conhece o funcionamento,
a evaporação, a densidade
menor que a do ar.
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