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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Onde andará o meu doutor?

Hoje, irei apenas compartilhar uma poesia encontrada em uma página de relacionamento que me deixou estarrecida, principalmente por corresponder a nossa lamentável realidade...
Sinceramente, estamos vivendo em um mundo de doentes!

Onde andará o meu doutor?
Tatiana Bruscky

Hoje acordei sentindo uma dorzinha,
aquela dor sem explicação, e uma palpitação,
resolvi procurar um doutor,
fui divagando pelo caminho...
lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco
e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo...
o Meu Doutor que curava a minha dor,
não apenas a do meu corpo mas a da minha alma,
que me transmitia paz e calma!

Chegando à recepção do consultório,
fui atendida com uma pergunta:
“Qual o seu plano? “
Ah, o meu plano é viver mais e feliz!
é dar sorrisos, aquecer os que sentem frio
e preencher esse vazio que sinto agora!
Mas a resposta teria que ser outra...o meu plano de saúde!

Apresentei o documento do dito cujo
já meio suado, tanto quanto o meu bolso, e aguardei...
Quando fui chamada corri apressada,
ia ser atendida pelo Doutor,
aquele que cura qualquer tipo de dor,
entrei e o olhei, me surpreendi,
rosto trancado, triste e cansado...
será que ele estava adoentado?
é, quem sabe, talvez gripado
não tinha um semblante alegre,
provavelmente devido à febre...
dei um sorriso meio de lado e um bom dia...
Sobre a mesa, à sua frente,
um computador,
e no seu semblante a sua dor,
o que fizeram com o Doutor?

Quando ouvi a sua voz de repente:
O que a senhora sente?
Como eu gostaria de saber o que ELE estava sentindo...
parecia mais doente do que eu, a paciente...
Eu? ah! sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação
e esperei a sua reação,
vai me examinar, escutar a minha voz
auscultar o meu coração...
para minha surpresa apenas me entregou uma requisição e disse:
“peça autorização desses exames para conseguir a realização”...
quando li quase morri...

Tomografia computatorizada, ressonância magnética e cintilografia !

ai, meu Deus! que agonia!
eu só conhecia uma tal de abreugrafia...
só sabia o que era ressonar (dormir),
de magnético eu conhecia um olhar...
e cintilar só o das estrelas!
estaria eu à beira da morte? de ir para o céu?
iria morrer assim ao léu?
naquele instante timidamente pensei em falar:
terá o senhor uma amostra grátis
de calor humano para aquecer esse meu frio?
que fazer com essa sensação de vazio? e observe, Doutor,
o tal Pai da Medicina, o grego Hipócrates, acreditava que
A ARTE DA MEDICINA ESTAVA EM OBSERVAR.
Olhe para mim...
bem verdade que o juramento dele está ultrapassado!
médico não é sacerdote...
tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano...
mas, por favor, me olhe, ouça a minha história!
preciso que o senhor me escute, ausculte
e examine!

Estou sentindo falta de dizer até aquele 33!
não me abandone assim de uma vez!
procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança!
alimente a minha mente e o meu coração...
me dê, ao menos, uma explicação!
O senhor não se informou se eu ando descalça... ando sim!
gosto de pisar na areia e seguir em frente
deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida,
estarei errada?
ou estarei com o verme do amarelão?
existirá umas gotinhas de solução?

Será que já existe vacina contra o tédio?
ou não terá remédio?
que falta o senhor me faz, meu antigo Doutor!
cadê o Sccot, aquele da Emulsão?
que tinha um gosto horrível mas me deixava forte
que nem um Sansão!
e o Elixir? Paregórico e categórico,
e o chazinho de cidreira,
que me deixava a sorrir sem tonteiras?
será que pensei asneiras?
Ah! meu querido e adoentado Doutor!
sinto saudades
dos seus ouvidos para me escutar,
das suas mãos para me examinar,
do seu olhar compreensivo e amigo...
do seu pensar...
o seu sorriso que aliviava a minha dor...
que me dava forças para lutar contra a doença...
e que estimulava a minha saúde e a minha crença...
sairei daqui para um ataúde?
preciso viver e ter saúde!
por favor, me ajude!

Oh! meu Deus, cuide do meu médico e de mim,
caso contrário chegaremos ao fim...
porque da consulta só restou uma requisição
digitada em um computador
e o olhar vago e cansado do Doutor!
precisamos urgente dos nossos médicos amigos,
a medicina agoniza...
ouço até os seus gemidos...

Por favor, tragam de volta o meu Doutor!
estamos todos doentes e sentindo dor...
e peço, para o ser humano, uma receita de calor,
e para o exercício da medicina uma prescrição de amor!

Por fim, recomendo que assistam ao filme Patch Adams - O amor é contagioso. Muitos já devem ter visto, mas é sempre bom rever para refletirmos um pouco mais sobre nossas ações em prol do bem estar do lugar onde vivemos, das pessoas com as quais convivemos ou não e para a construção do mundo que queremos. Também recomendo que assistam à entrevista do "verdadeiro" Patch ao programa Roda Viva da TV Cultura, a qual está disponível no You Tube.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

História. Realidade. Tragédia.

Consequência de uma pausa...

A partir de 3 aulas recentes pensei nesse post. Uma aula de radioatividade (fissão e fusão nuclear = formação de bombas atômicas - produção de energia), outra de química orgânica com direito a saber dos poderes destrutivos do TNT (trinitroglicerina) e uma proposta de redação a respeito do papel das armas para a humanidade, com um ótimo intertexto com o filme Lord Of War (O Senhor das Armas - 2005). Acredito que vocês já compreenderam do que se trata os meus escritos de hoje, infelizmente, da nossa realidade, da capacidade destrutiva e autodestruição do ser humano.

Não é fácil falar de guerras, bombas, mortes, vidas - inocentes ou não -, desarmamento, armamento, destruição e tristeza. E, essa dificuldade maximiza-se quando, recentemente, uma tragédia ocorreu perto de nós, potencializada pelo uso de armas de fogo por pessoas civis. O infeliz acontecimento na escola Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, fez com que os discursos pró e contra o desarmamento voltassem mais veementes e categóricos. Estamos diante de um impasse, de difícil resolução, é certo alguns se desarmarem e outros não? E o direito a igualdade? Mas, e as mortes, as fatalidades, causadas por armas de fogo empregadas erroneamente? E as crianças que brincam com essas armas e acabam por machucar outras pessoas ou tornando-se mais violentas? E as reações a assaltos que poderiam não terminar em morte? E o direito a defesa que todo cidadão possui? E os bandidos, continuarão armados? O desarmamento, facilitará a ação policial? E aqueles subornos, vamos ficar livres deles? É possível (re)construirmos um país livre de armas de fogo e tudo o que as envolve? Como seria bom se pudéssemos prever o futuro tim-tim por tim-tim e assim evitar erros no presente...

Quanto ao desarmamento e toda a campanha, vale a pena ler pontos de vistas diferentes para que possam chegar a uma conclusão final. Eu prefiro não comentar muito sobre isso agora, se tudo der certo, posteriormente, publico uma dissertação a respeito disso, com a minha opinião, por enquanto, indico dois sites de opiniões opostas a respeito do tema:
Comitê Paz
Desarmamento: A Falácia

É sabido que as bombas atômicas lançadas no Japão pelos EUA durante a Segunda Guerra Mundial não eram necessárias, então, surge outra pergunta, por quê? Simples, demonstração de poder. O ex-presidente norte-americano H. Truman ao ser informado do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima, disse: "Este é o maior evento da história". Já o alto oficial cujo nome em código era Manhattan District Project, afirmou: "Era importante que a bomba atômica fosse um sucesso. Havia-se gastado tanto para construi-la...Todas as pessoas interessadas experimentaram um alívio enorme quando a bomba foi lançada". Assim, essas afirmações são claras demonstrações do significado dessas bombas, ou seja, o governo norte-americano ingnorava os princípios éticos (já que se tratava do fim de uma guerra, em que já se tinha a certeza dos "vencedores e derrotados") para impor a sua primazia político-militar no mundo, que, por sua vez, daria início ao período de Ordem Bipolar, determinado Guerra Fria, onde se contrapunham duas grandes potências mundias: EUA (capitalismo) X URSS (socialista), um período de "equilíbrio do terror" ou, de "guerra improvável, paz impossível".


 "A primeira bomba 'A' da história foi lançada pelos EUA sobre a cidade de Hiroshima no dia 06 de agosto de 1945. A explosão ergueu um cogumelo de devastação de 9000 metros de altura, gerando um calor perto de 5,5 milhões de graus centígrados. Na época, Hiroshima tinha 330 mil habitantes, o bombardeio matou cerca de 130 mil e feriu outras 80 mil pessoas".

Atualmente, as discussões em torno do enriquecimento de urânio e da geração de energia nuclear estão em evidência, principalmente pelo triste ocorrido no Japão. Então, ilustro com outro video a respeito dos testes nucleares, que nos faz imaginar o poder de destruição incrustado nessas bombas, que poderiam até mesmo disseminar a humanidade. O problema é: quando, afinal, o homem vai perceber que as guerras, as bombas atômicas, não passam de armas autodestrutivas incontroláveis? Quando o homem vai usar a ciência envolta nas bombas em favor da humanidade, em prol do bem estar social?




 Detalhe: Einstein no final indica uma expressão de: "como o homem é capaz de desviar progressos da ciência do bem para o mal?!" Já que Einstein era contra os testes nucleares e as bombas atômicas, inclusive, se não me engano, ele chegou a ganhar um Prêmio Nobel da Paz.





O filme O Senhor das Armas se passa nesse período (de Guerra Fria), e, trata sobre a indústria bélica e seus reflexos no mundo. Com uma crítica de alta qualidade, o filme é tanto para quem gosta de cinema e "bons filmes" como para quem gosta de filmes políticos, com vies de engajamento social e duras críticas, que vão desde o alto escalão da sociedade e do governo aos simples cidadãos envolvidos ou não em guerras - ou disputas de poder, mesmo que seja em um bairro ou favela (mais próximo da nossa realidade). Retrata o que se passava por trás das duas superpotências já citadas, suas indústrias bélicas, seus poderios e os efeitos de suas intervenções nos choques indiretos - guerras quentes que ocorreram sobre suas influências em outros territórios.



 


Enfim, a história nos mostra o quanto o progresso nos traz consequências boas e, também, ruins, tudo depende de como o homem irá usar o poder que tem em mãos. O mesmo posso dizer das armas, o homem a tem, só resta saber se vai ou não usa-la em prol do bem estar - por mais difícil que seja imaginar bem estar através de armas de fogo, pois sempre alguém ou algum animal termina machucado. Os filmes ilustram nossa realidade, e, assim, percebemos que vivemos cercados por tragédias. Imaginem quantos casos não noticiados existem a respeito de vítimas inocentes de armas, bombas, guerras e tudo o mais que o homem possui de ruim em seu interior e o externa através da violência, destruição e atos completamente irracionais. Espero que essa postagem de hoje sirva como reflexão para todos os que lerem e, a partir das reflexões, mudanças para o bem, por menores que sejam, ocorram a nossa volta, para podermos (re)construir um país, um mundo melhor, isso é o que verdadeiramente necessitamos!
Boa Quarta a todos!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ser solidário

Ontem passei pelo blog da Carla, o Le Petit Coin , e deparei-me com um post muito interessante, sobre o assunto solidariedade. Eu já tinha escrito alguma coisa a respeito do mesmo tema, assim, reuni partes desses textos, acrescentei mais algumas coisas e formei esse abaixo, visto que esse tema deve sempre ser comentado, divulgado, compartilhado e discutido.

Sem sombra de dúvidas a solidariedade é um gesto e uma atitude que nem todos são capazes de distribuir e menos ainda são os que sabem recebe-la. Quem sabe o significado de solidariedade a valoriza, pois ela é uma virtude, possui ideais cristãos de compartilhamento de bens espirituias antes mesmo dos materiais. Através da solidariedade também podemos promover um mundo mais igualitário e justo (pelo menos utopicamente). Mas, antes de possuir esse sentimento solidário acredito que devemos ter o sentimento da compaixão, tanto para quem quer ajudar quanto para quem quer receber. Se essas pessoas não estiverem com a alma repleta de compaixão não ajudarão verdadeiramente, ou, não deviam ter o direito a receber ajuda.



Há alguns finais de semana o programa Esquenta, com apresentação de Regina Casé, está no ar na TV Globo - todos os domingos na hora do almoço. Já assisti a uns 3 programas e percebi o quanto a Regina Casé é uma pessoa admirável. Sim, antes eu não era muito fã dela, vai ver era pelo jeito espalhafatoso, porque das roupas continuo não gostando, rs. Mas então, eu realmente vi, digamos que, a "alma" dela. Muitos exemplos de solidariedade foram mostrados, atitudes dignas de uma cidadã de corpo e alma e uma mistura brasileira como nunca tinha visto antes. Comecei a reparar no quanto aquela mulher tem um coração bondoso, enorme e se expressa muito bem, acorda as pessoas para a realidade, instiga-nos a darmos o nosso melhor em todas as áreas da vida, enfim, um grande ser humano. Lógico, não sei como é pessoalmente, sem estar na frente de uma câmera, mas espero profundamente que seja assim como se aprensenta para o público. Por que estou falando dela? Porque hoje eu quase chorei (de verdade) no programa dela, quando vi ela falando que ia ajudar uma criança e um outro rapaz apareceu com os olhos se derramando em lágrimas porque também já tinha sido ajudado por ela, e estava vendo no menino o seu passado, estava revendo as oportunidades que teve e o quanto a solidariedade da Regina lhe foi importante. Sabe, não sei se já comentei por aqui, mas meu sonho depois de me formar médica é poder dispor de um tempinho no meu dia-a-dia para poder ajudar quem não tem condições de pagar quase um salário mínimo numa consulta médica, quem não tem tempo de sobra pra ficar dias e dias numa fila para ser atendido (correção: mal atendido). Pretendo entrar no Projeto da Cruz Vermelha ou qualquer outro que possa ajudar-me a concretizar mais um sonho meu. Não vou fazer medicina pensando só no retorno financeiro, lógico que isso faz parte, mas antes de tudo eu quero entrar de corpo e alma na profissão, porque é uma coisa que eu gosto, porque vai me ajudar a distribuir um pouco de solidariedade, de ajuda humanitária, mundo afora, afinal, tem tanta gente precisando disso e disposta a receber com compaixão, não é mesmo? Também quero deixar claro que sou consciente de que não mudarei o mundo, mas as mudanças partem das pequenas atitudes que cada um tem no seu cotidiano.

Todos os finais de ano, todos os verões, veremos milhares de mortes por deslizamentos, soterramentos, desabamentos e tudo o mais de "entos" que surgir. Não, não estou desejando mal às pessoas e também não sou uma vidente, apenas estou falando da realidade que vivemos, é só questão de observação. O governo não tenta melhorar a vida desses cidadãos e os próprios cidadãos não tentam melhorar, então fica tudo na mesma. Até mesmo porque muitos sabem que se acontecer de novo aparecerão "um milhão" de pessoas para doar, ajudar e "facilitar" sua vida. Sim, muitos pensam dessa forma, acham que é obrigação de quem tem um "pouquinho mais" ser solidário com quem tem um "pouquinho menos", apenas ficam sentandos a espera de algum inocente disposto a ajudar. Enquanto isso inúmeras outras pessoas ralam dia-a-dia numa roça, num lixão, num serviço braçal e ganham menos do que o "pobre coitado" que recebe ajuda. Acho que antes de nos solidarizarmos com as pessoas devemos conhecer suas histórias, ver se realmente precisam dessa ajuda e se vão valorizar esse seu gesto e não tornarem-se uma sombra sua, vivendo as suas custas. Sim, é difícil "descobrir" isso tudo, mas ao menos você vai ajudar alguém que merece. Tenho certeza de que muitas doações feitas aos moradores atingidos pelo desastre na região serrana do Rio de Janeiro foram parar nas mãos de "voluntários", foram estocados por excesso, falta de necessidade ou porque não poderia ser usado mesmo (alguns tem o disparate de mandar o que não presta mais). Como eu já comentei no blog da Carla, tem tanta gente próxima a nós precisando de ajuda, porque não ir além de doar bens materiais e também doar um pouco de amor, de calor humano, de compreensão, elas não precisam só de mantimentos. Sem contar que no momento em que você manda esses tais mantimentos não sabe se realmente chegará nas mãos de quem precisa. Minha mãe já participou como voluntária, uma tia minha participou em Santa Catarina em Itajaí ano retrasado e ambas disseram as mesmas coisas, de que muita gente que estava como "voluntário" pegou para si objetos e mantimentos que foram enviados para os necessitados, ia só para "roubar" mesmo. Minha mãe também sempre diz que ao ajudar alguém, está fazendo a parte dela, de consciência limpa, o que a outra pessoa vai fazer com o dinheiro, por exemplo, é da consciência da pessoa. Mas, sabe, eu acho que se a gente pode ajudar e também pode saber se o que foi doado será bem aproveitado não precisamos dizer isso, às vezes a pessoa nem sabe o que é consciência pesada, afinal, já conseguiu os "trocadinhos" que queria mesmo! Antes de qualquer coisa quero ressaltar que em momento algum julgo as pessoas que mandam esses mantimentos, que fazem essas doações, se estão fazendo de coração é um gesto muito bonito, mas porque também não olhar mais para aqueles que estão a sua volta, que estão na sua cidade, no seu bairro?


A vida não é fácil pra ninguém, isso é fato. Mas se alguns são um pouco mais privilegiados que outros e tem a chance de ajudar a vida de alguém deveria ter uma atitude dessas, não custa muito. Como já disse, às vezes as pessoas precisam mais de apoio psicológico do que financeiro. A solidariedade é uma virtude ímpar, a partir dela muitas pessoas mudam de vida, mudam vidas e melhoram um pouco o mundo. Creio eu que ajudar alguém e ver nos olhos da pessoa a gratidão estampada não tem preço que pague, acho que foi por isso que eu quase chorei durante o programa da Regina Casé, foi lindo os olhos daquele rapaz, da criança e da mãe da criança cheio de lágrimas alegres por um ato que pouco custa à Regina. Nada melhor do que contribuir com alguém e poder ver um sorriso alegre, poder sentir um abraço caloroso, poder ser retribuido com uma cartinha, com um gesto simples, com um cafezinho que seja. Não tem preço que pague sentir-se bem consigo e com o mundo, sentir uma paz interior e saber que fez a sua parte. Acho que o mundo está em falta de pessoas com a alma limpa, com a consciência limpa e dispostas a melhorar o lugar em que vivemos, até mesmo porque, formamos uma sociedade, em que cada ação gera uma reação, cada gesto bom é retribuido por outro e mais outro. Por isso eu digo que tanto quem é solidário quanto quem recebe esse ato deve ter compaixão no coração, porque será através da compaixão que o solidário escolherá a quem ajudar e por meio da compaixão o escolhido poderá disseminar esse gesto, compartilhar com outros e ser para sempre grato a quem foi capaz de ajuda-lo. Vale ressaltar que compaixão é não ter indiferença frente ao sofrimento do outro. Então, sigamos assim, repletos de compaixão, amor, paz, simpatia, empatia e solidariedade!

Na obra "A História do Rei Lear" (texto quarto, cena 13), William Shakespeare descreve magistralmente o que é esta relação  com o sofrimento. 
(...) Quem sofre sozinho, sofre muito mais em sua mente (espírito). Deixa para trás a liberdade e a alegria. Mas a mente (espírito) com muito sofrimento pode superar-se, Quando a dor tem amigos e suportam a sua companhia, quão leve e suportável a minha dor parece agora. (...)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Anem, ENEM: a crítica não abala a esperança de um futuro melhor

Estava organizando meus pensamentos para saber ao certo o que escrever, o que pontuar e, principalmente, como criticar. No início tentei me desvencilhar desse assunto que me tormenta e traz más lembranças, entretanto, tornou-se indispensável falar sobre ele, o célebre ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). (Detalhe: estou revoltada, portanto, texto com alta carga de ironia, humor negro, criticidade e falta de paciência.)

Nos dias 06 e 07 de novembro de 2010 foram realizadas 4 provas, cada uma contendo – ao menos era pra ser assim – 45 questões. Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, mais a prova de Redação. O Brasil inteiro ficou alerta nos dias em que muitos estudantes estavam decidindo suas vidas. O futuro dessas vidas e, de certa forma, da nação, em evidência nas provas a se realizar. É lamentável apenas que um dos que mais deveriam estar interessados na qualidade das mãos-de-obra que serão formadas, tenha tido desatenções ao longo do planejamento dessa prova gigantesca, o governo e os que fazem acontecer essa “idéia”.

Era de se esperar que tudo fosse transcorrer às mil maravilhas, uma vez que em 2009 o modelo usado foi o mesmo e, geralmente, os erros cometidos no passado servem para que sejam corrigidos no futuro e não voltem a ocorrer. Mas, no Brasil em que vivemos e desde que o conhecemos, sabemos que as coisas não funcionam como deveriam. Eu e alguns amigos fizemos o ENEM em 2009 e em 2010 e a conclusão da maioria é que realmente o Brasil ainda tem muito a melhorar, e também vale lembrar que para muitos, o de 2009 foi mais positivo que de 2010, mesmo com o fato do roubo das provas. Por quê? Talvez seja porque em 2009 não vimos de modo tão descarado a má realização das provas e o mau treinamento dos fiscais como nesse último ano. Ou, então, pelo fato de estarmos mais preparados, alertas e experientes no quesito realização de vestibulares Brasil afora.

E daí se concorrentes usaram relógios? Quem se importa com o uso de lápis e borracha permitido a alguns e a outros não? O que tem alguém usar o celular dentro da sala, conversar normalmente e o fiscal apenas pedir para que desligasse e guardasse? Qual o problema de os fiscais não passarem informações corretas, não seguirem o edital e muito menos dar apoio aos estudantes? O que há de errado em vazar conteúdo das provas, tema de redação? Para quê levar identidade, para quê ser identificado se alguns fizeram sem ela? Não é verdade que a prova de matemática não precisa de rascunho e a de humanas sim? De que adianta provas bem feitas, com datas corretas, se não interfere na resposta, se os alunos errarão ou acertarão do mesmo jeito? Afinal, para quê edital se não precisa necessariamente ser seguido? Por que se preocupar com tudo isso? Assim foi a realização do ENEM 2010. Essa foi a importância dada, aos fatos e relatos de desigualdade, pelo alto escalão do governo, através do MEC, INEP e Ministério da Educação: nada de errado, tudo normal, nada que modificar, a educação “melhorou muito”, estamos de parabéns – pois eu digo: parabéns sim, pela incompetência! Com toda a certeza, eles desconhecem que são os erros de aplicação os que mais causam transtornos, alguns podem até serem considerados erros "pequenos", mas se somados tornam-se grandes "inimigos" de quem está tentando fazer uma boa prova em busca de uma vaga numa universidade federal para um dos cursos mais concorridos. Sem contar que erros acabam com a confiança na prova, abaixa mais ainda o nível da mesma, humilham o intelecto dos estudantes que se preparam para àquele momento, praticamente jogam no lixo anos de esforço e estudo, com direito a “sangue, suor e lágrimas”.

Para completar, diante de tais ocorrências, totalmente verídicas, ainda teve quem defendesse e dissesse que tudo não passava de “tempestade em copo d’água”. Vou ser sincera, fiquei puta de raiva dessa gente de pensamento pequeno, hipócritas e medíocres. Falam isso porque não tiveram que passar por tudo que nós, estudantes, passamos, porque não tem o seu futuro “em risco”, em “zona de perigo” por falta de atitude, por falta de competência de quem comanda essa prova, porque não tem o futuro nas mãos de poucos que nem se importam com você e muito menos sabem da sua existência e de tudo o que você passa até chegar esse momento e durante esse momento.

Vale ressaltar o modo de correção das provas, o método TRI, que segundo Fernando Haddad coloca todos em situação de igualdade, que evita os chutes e etc. Então, caro Haddad, por favor, me explique como alguém que erra somente 6 das 45 questões na prova de Linguagens tira uma nota absurdamente baixa, de 700 e poucos, e, ao contrário, quem erra mais tira uma nota maior que essa? Sem que nenhum dos 2 comparados chutasse a prova, e ambos, de certa forma, possuem o mesmo nível de conhecimento? Queria saber se quem fecha a prova tira menos de 1000, tem como? Tem muita gente que tem condições de fechar uma prova, e não é porque simplesmente chuta, até mesmo porque, não tem como depender de chutes para tirar boas notas e nem todo chute é certeiro, é somente por conta do conhecimento, adquirido com vários anos de estudo, que vocês, meus caros, não levam em consideração e desmerecem. Aí, nos aparece o caso da realização de novas provas. Lógico que ninguém queria arcar com as conseqüências desses erros, então “o TRI é um método de total igualdade”, mesmo que as provas sejam diferentes, que os enunciados sejam diferentes e o conteúdo seja diferente. Vem cá, me expliquem a diferença entre igualdade e equivalência, pode ser? 1+2 é uma coisa, 2+1 é outra totalmente diferente, cada um pensa de um jeito, para um, o primeiro modo pode ser mais fácil, para outro o segundo é mais fácil, e quem tem o direito de querer modificar isso – o fato de que cada cérebro enxerga as coisas de um jeito? Esse método não leva em conta que o que a maioria pode considerar fácil e acertar eu posso considerar difícil e errar, e assim, por essa questão, vou ter minha nota diminuída, mesmo que eu acerte o mesmo tanto no total bruto que outro candidato que acertou essa questão considerada “fácil”? O cérebro é único, exclusivo de cada um, sendo que cada um pensa de um jeito, tem um raciocínio, tem facilidade com aquilo e dificuldade com aquilo outro. Mas, lógico, governo é governo, Lula é Lula, no ápice de sua aceitação popular, no auge do seu governo, em fim de mandato, considerado um “ídolo” da história brasileira com direito a filme – que segundo eles nada tem a ver com política, “aham Cláudia, senta lá”, e Fernando Haddad é um ótimo Ministro, por dentro dos assuntos, educador, sábio, que toma ótimas decisões e melhorou demasiadamente nossa educação, tanto que continua lá, no Ministério, não é mesmo? Quem sou eu para criticá-los? De certo sou um simples alguém da oposição, alguém que luta contra o nosso desenvolvimento, ou melhor, uma conspiradora, que não merece a mínima atenção. Faça-me o favor né gente! Vamos acordar aê, porque se continuar assim fica difícil ter um futuro nesse país. Depois ainda ficam se perguntando por que os brasileiros do mais alto nível saem do país, por que fazem sucesso, tornam-se profissionais respeitados lá fora, comandam pesquisas importantíssimas enquanto aqui ninguém nunca ouviu falar, com uma população totalmente desinteressada em política, ciência, educação, apenas querendo comprar, comprar, comprar, ganhar, ganhar, ganhar e “subir na vida”. Meu Deus! Que país é esse? Como vamos melhorar se não tivermos educação de qualidade, como se “sobe na vida” sem saber ler, escrever e interpretar? Passem-me a receita que se for assim eu estou precisando urgente. Alguma coisa pode até ter melhorado, mas por enquanto, só sei de melhorias no salário de vocês, caros governantes.

Quanto aos que realizaram a “segunda prova”, nada a comentar, o que tinha para dizer acho que todos já compreenderam: uma total injustiça. Aí entra o detalhe dos presos e tal, e por que esses tais presos não podem realizar as provas nos mesmos dias que nós, reles mortais? Sinceramente, não vejo nenhum pingo de igualdade nessas provas, não é um segundo vestibular, é o mesmo vestibular, são os mesmos que concorrem com os que fizeram as provas nos dias 06 e 07. É claro que eles mereciam uma segunda prova, mas não é justo que só eles a recebessem. Ao meu ver, deveriam ter aberto para qualquer um que se sentisse prejudicado, automaticamente cancelando as primeiras provas. Desse modo, ninguém poderia reclamar posteriormente e haveria igualdade enquanto todos tiveram a chance de escolher entre refazer ou não.

De acordo com as correções que muitos andam reclamando, tenho a reclamar somente do método TRI, “só” isso, nada mais. Quanto às redações zeradas e etc., não vejo nada de mais, se o candidato não fez o que tinha que ser feito, não seguiu a risca as recomendações, não estava preparado, é certo que seja zerada, ao menos nesse quesito o edital foi seguido. Ah! Claro, a correção é feita por humanos normais, com a exceção de que tem conhecimento, sabem o que estão fazendo e as conseqüências dos seus atos.

Será que eu estou esquecendo de relatar mais alguma coisa? Há, sim, o SISU. Disseram que esse ano o site suportaria as milhares de entradas, sei disso porque participei do “bate-papo UOL” com uma repórter e um porta-voz. Até onde eu saiba passou longe, devido a minha desmotivação só fui tentar ontem de manhã por grande insistência dos meus pais – reconheço - e além de demorar um século para que abrisse a página consegui fazer só uma inscrição, a segunda ficou pra depois, nem sei se vai ter depois, mas ficou, por conta dos erros do site e da minha falta de paciência com tudo isso – concordemos, ninguém merece agüentar, não sou fantoche deles para que eles façam o que bem entendem. E os que estão isolados, prejudicados por motivos de força da natureza, vão ficar em desvantagem? Acho que agora o que eles estão pensando menos é sobre o SISU, perante aquela devastação, falta de água potável, comida, roupas, moradias. Mas o negócio é o seguinte, depois que passarem as 3 etapas do SISU eles não podem ter direito exclusivo de nova seleção, teria que haver mais uma etapa nacional até que a situação naqueles locais melhorem, para que ninguém saia prejudicado nessa história, nem eles, nem nós, saibam disso.

Acho absolutamente certo que entrem com processos contra o governo. Até mesmo passou pelas mentes aqui de casa essa possibilidade. Já passou da hora de alguém transformar essa realidade, acordar, se atentar e consertar o que tem de errado. Dilma está começando bem, colocando o povo para trabalhar, tirando um pouco das mordomias dos Srs. Ministros - sem levar em consideração alguns pontos negativos. Só espero que continue assim, que ela saiba o que fazer e olhe mais pela educação defasada que enfrentamos diariamente no Brasil. Como já disse, nós somos pessoas, gente, humanos, estudantes, que deram duro para conseguir realizar uma boa prova. No entanto, no “grande dia” dá tudo errado, sem termos culpa “no cartório”, mas nós pagamos o “pato”. Isso não está certo. Nós estamos, sim, submetidos ao governo, ao que eles aprontarem, fazerem ou deixarem de fazerem, só que não devemos, de forma alguma, agüentar calados, quietos, apenas assentir com a cabeça e ponto final. A vida não funciona assim, muito menos um país democrático, cujo lema é “Brasil, um país de todos”. Onde estão esses “todos” quando o Brasil precisa? Onde está a concretização desse lema? Onde está a “Ordem” e o “Progresso” na educação?

Resta-me saber apenas se depois de 2009 e 2010 ainda haverá ENEM no meio do ano. Será que vão ter competência para isso? Fica então mais uma dúvida, mais uma incerteza a martelar nas mentes dos jovens vestibulandos, que ainda tem esperança de melhoria da educação, melhoria do país que tanto amamos, fomos criados e vivemos. Esperança de um futuro melhor, que prioriza a educação, que dá importância à população, que leva em consideração os sonhos de cada jovem construtor desse país. Sei de uma coisa, a maioria dos brasileiros pode ter memória fraca, mas eu não, eu sei em quem votei, eu sei de quem cobrar, sei que a culpa não é só do governo, talvez seja mais da população apática, alienada, acomodada, egoísta e hipócrita, mas, de qualquer forma, não vou esquecer tão fácil assim desses acontecimentos determinantes para muitas vidas que estão apenas no seu início. Se eu pudesse, tivesse essa força, não deixaria que esses mesmos erros viessem nos acometer novamente, nenhum brasileiro merece passar por essa vergonha e humilhação.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Qual o futuro que queremos?

Não sou muito fã da Revista Veja (link) devido a sua clara tentativa de manipulação de mentes. Aos olhos de alguns posso até estar errada, mas é assim que eu a vejo. Se o leitor não for uma pessoa crítica com capacidade para formar opiniões próprias será sempre aquele “revolucionário leitor da Veja”, que terá opiniões de acordo com as ideias que a Revista deseja que os outros tenham em prol dela mesma – principalmente no que diz respeito a temas políticos. Porém, não tiro dessa revista os devidos méritos, sempre aborda temas polêmicos, as entrevistas das páginas amarelas são de grande interesse e outras abordagens muito bem feitas. Ao dizer que não sou muito fã, não quer dizer que eu não leia, ao contrário, sempre que posso leio, sem contar que é preciso ter acesso a todos os tipos de informações, manter-se sempre atualizado, etc. e por isso faço a crítica.

Repetidamente friso a questão educacional do nosso Brasil, que não é grande coisa. E nas duas últimas edições da Revista Veja me deparo com ótimas reportagens e crônicas a respeito da mesma. Lya Luft, Gustavo Ioschpe, J. R. Guzzo e Cia fazem belíssimos trabalhos quando a questão é revelar a população o caminho que nosso país está seguindo para que ajam melhoras. É fato que o Brasil poderia estar bem melhor classificado no quesito educação se maiores investimentos, bem canalizados, fossem feitos, se os políticos deixassem de se preocuparem consigo mesmos e o próprio bolso e parassem de desviar dinheiro público, se a população deixasse essa inércia de lado e fosse reivindicar melhorias e a garantia de que os direitos se cumpram, enfim, se toda a sociedade se preocupasse com o futuro da nação e das pessoas que constroem e fazem parte dessa nação.

Raros são os exemplos de pessoas que são capazes de agir e mudar algo no campo educacional. Admiro quem se dispõem a enfrentar inúmeros obstáculos para a promoção de mudanças que tem por finalidade beneficiar um todo. E também por conta disso fico preocupada que mais pessoas não o fazem. Será que lhes faltam motivos para agir em busca de melhorias para o “País de Todos”? Creio que não, diante de tantas notícias, dados numéricos e etc que nos são lançados diariamente mostrando os rumos da nossa educação. E, por sinal, não são somente as escolas públicas que possuem problemas grotescos, muitas escolas privadas também fazem parte de estatísticas nada satisfatórias. Ou seja, quem pensa somente nos filhos bem educados com apoio de escolas particulares não deve ter problemas com funcionários ou secretários vindos de escolas públicas com dificuldades em leitura e contas básicas, não é mesmo? Indico a vocês a leitura dos textos dos 3 autores já citados (Lya Luft, Gustavo Ioschpe e J. R. Guzzo) da última edição da Revista Veja (edição 2196).

Faço das palavras de J. R. Guzzo as minhas: “Tudo já muda completamente de figura, porém, quando se constata que 50% dos brasileiros não conseguem entender um texto simples de leitura, e 70% não são capazes de resolver questões primárias de matemática. Ou seja: diante de conhecimentos elementares, e sem os quais fica impossível ir um pouco adiante em qualquer atividade, estão na mesma situação de ignorância sem esperança experimentada pelo leitor no teste sugerido acima. Não se trata de um ou outro caso isolado; estamos falando, aí, de dezenas de milhões de cidadãos.”

“Sua maior aspiração possível é chegar, talvez, à ‘classe C’, que no momento deixa tão deslumbrados os cientistas políticos, economistas em geral e diretores de marketing. A cada notícia sobre o aumento da ‘classe C’, cada vez mais admirada por quem não precisa viver nela, o Brasil que pensa, influi e decide se enche de satisfação e dá o problema social do país por praticamente resolvido – ou garante que ‘estamos no caminho certo’. É óbvio que estamos no caminho errado. Como poderia ser o caminho certo, quando metade da população brasileira não entende o que lê?”.

E quanto a crônica da Lya nem vou comentar, sou uma fã dela, admiro demais o trabalho dela e está imperdível a última na Revista. Bem como a reportagem do Gustavo Ioschpe.

Gostaria também de dizer que embora eu ache que a revista tem mais espaço para publicidades e propagandas do que reportagens, ultimamente têm aproveitado bem os espaços com bons textos para leitura. Inclusive admiro o trabalho com a edição especial dessa semana, com uma revista exclusiva sobre sustentabilidade, otimizando a idéia de que é possível construirmos – ou reformarmos – um mundo melhor, em que riqueza, evolução, tecnologia, desenvolvimento, sejam compatíveis com o limite e o suporte da natureza. Enfim, confirmam o pensamento de que a sustentabilidade é possível sim, basta querermos e darmos o ponta pé inicial.

Também indico a leitura da "Carta ao Leitor" dessa última edição. Mais um crítica bem vinda aos nossos homens públicos, em decorrência do "pequeno" aumento salarial deles. Eu fico absurdamente indignada com isso tudo que se passa por aqui, no Congresso, na Câmara, na Presidência e na população apática que temos. É sério, eu fico com muita raiva no rumo que nossa política toma, no fato de que ninguém faça nada para mudar, ou ao menos tentar, e continuam resignados, milhões de resignados espalhados Brasil afora. Sem sombra de dúvidas esse é um grande erro que cometemos, e mais, sofremos as consequências e não nos importamos, apenas reclamamos numa fila de banco, numa reuniãozinha com os amigos e logo nos "esquecemos, viramos pro lado e dormimos" tranquilamente. Não concordo de forma alguma com essa situação, mas o que uma pessoa sozinha pode fazer para mudar um país inteiro? Pouca coisa, ainda mais quando grande parte dos que terião maiores possibilidades, chances de promover mudanças também tem o rabo preso nos esquemas ilícitos de grande parte dos políticos. Na República Democrática em que vivemos quase nada de democracia encontramos, e assim vamos levando, como se fosse tudo mil maravilhas.

Estamos presenciando, de acordo com os dados, o quanto o Brasil está progredindo, o quanto o Brasil terá um grande futuro, se transformará numa potência mundial. Mas, e principalmente, também estamos presenciando o nível catastrófico educacional, as calamidades da saúde pública, os desastres e a falta de infra-estrutura, a "qualidade" - se é que existe - dos nossos representantes no poder público com suas "bem feitorias" - em favor próprio. Num país repleto de riquezas, de natureza e paisagens inigualáveis, de uma boa economia, nem mesmo políticas ambientais são levadas a risca - isso, quando se tem as políticas ambientais, abrindo margem para que outros países "colonizem" o que já é nosso patrimônio. Diante desses fatos estamos realmente regredindo, de educação a políticas ambientais vamos de mal a pior. Mesmo que muito já tenha melhorado, tem muito mais na fila para que também seja melhorado. Até quando iremos suportar esses inúmeros "erros" calados, silenciosamente, submissos e dando carta branca para que os parlamentares façam o que bem entenderem? Qual o futuro que estamos construindo? Qual o futuro que estamos planejando? Qual o futuro que realmente queremos?

Lembrei-me de um trecho que li em algum lugar, mas, como percebe-se não lembro o lugar, nem mesmo o autor, quem souber, só informar. Diz assim: "Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso. O que eu faço é uma gota no meio de um oceano, mas sem ela o oceano será menor." 

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sobre Moluscos e Homens - A realidade do vestibular

SOBRE MOLUSCOS E HOMENS 
Rubem Alves

"O aprendido é aquilo que fica depois que tudo foi esquecido... Vestibulares: tanto sofrimento, tanta violência à inteligência. Piaget, antes de se dedicar aos estudos da psicologia da aprendizagem, fazia pesquisas sobre os moluscos dos lagos da Suíça. Os moluscos são animais fascinantes. Dotados de corpos moles, seriam petiscos deliciosos para os seres vorazes que habitam as profundezas das águas, e há muito teriam desaparecido se não fossem dotados de uma inteligência extraordinária. Sua inteligência se revela no artifício que inventaram para não se tornarem comida dos gulosos: constroem conchas duras e lindas (que os protegem da fome dos predadores)! Ignoro detalhes da biografia de Piaget e não sei o que o levou a abandonar seu interesse pelos moluscos e a se voltar para a psicologia da aprendizagem dos humanos. Não sabendo, tive de imaginar. E foi imaginando que pensei que Piaget não mudou o seu foco de interesse. Continuou interessado nos moluscos. Só que passou a concentrar sua atenção num tipo específico de molusco, chamado "homem". Muito nos parecemos com eles: nós, homens, somos animais de corpo mole, indefesos, soltos numa natureza cheia de predadores. Comparados com os outros animais, nossos corpos são totalmente inadequados à luta pela vida. Vejam os animais: eles dispõem apenas do seu corpo para viver. E o seu corpo lhes basta. Seus corpos são ferramentas maravilhosas: cavam, voam, correm, orientam-se, disfarçam-se, comem, reproduzem-se. Nós, se abandonados apenas com o nosso corpo, teríamos vida muito curta. A natureza nos pregou uma peça: deixou-nos, como herança, um corpo molengão e inadequado, que, sozinho, não é capaz de resolver os problemas vitais que temos de enfrentar. Mas, como diz o ditado, "é a necessidade que faz o sapo pular". E digo: é a necessidade que faz o homem pensar. Da nossa fraqueza surgiu a nossa força, o pensamento. Parece-me, então, que Piaget, provocado pelos moluscos, concluiu que o conhecimento é a concha que construímos a fim de sobreviver. O pensamento, mais que um simples processo lógico, desenvolve-se em resposta a desafios vitais. Sem o desafio da vida o pensamento fica a dormir... O pensamento se desenvolve como ferramenta para construirmos as conchas que a natureza não nos deu. O corpo aprende para viver. É isso que dá sentido ao conhecimento. O que se aprende são ferramentas, possibilidades de poder. O corpo não aprende por aprender. Aprender por aprender é estupidez. Somente os idiotas aprendem coisas para as quais eles não têm uso. É o desafio vital que excita o pensamento. E nisso o pensamento se parece com o pênis. Não é por acidente que os escritos bíblicos dão ao ato sexual o nome de "conhecimento"... Sem excitação, a inteligência permanece pendente, flácida, inútil, boba, impotente. Alguns há que, diante dessa inteligência flácida, rotulam o aluno de "burrinho"... Não, ele não é burrinho. Ele é inteligente. E sua inteligência se revela precisamente no ato de recusar-se a ficar excitada por algo que não é vital. Ao contrário, quando o objeto a excita, a inteligência se ergue, desejosa de penetrar no objeto que ela deseja possuir.
Os ditos "programas" escolares se baseiam no pressuposto de que os conhecimentos podem ser aprendidos numa ordem lógica predeterminada. Ou seja: ignoram que a aprendizagem só acontece em resposta aos desafios vitais no momento (insisto na expressão "no momento"; a vida só acontece "no momento") da vida do estudante. Isso explicaria o fracasso das nossas escolas. Explicaria também o sofrimento dos alunos, a sua justa recusa em aprender, a sua alegria ao saber que a professora ficou doente e vai faltar... Não há pedagogia ou didática que seja capaz de dar vida a um conhecimento morto.
Acontece, então, o esquecimento: o supostamente aprendido é esquecido. Não por memória fraca; é esquecido porque a memória é inteligente. A memória não carrega conhecimentos que não fazem sentido e não podem ser usados. Ela funciona como um escorredor de macarrão. Um escorredor de macarrão tem a função de deixar passar o inútil e guardar o útil e prazeroso. Se foi esquecido, não fazia sentido. Por isso acho inúteis os exames oficiais (inclusive os vestibulares) feitos para avaliar a qualidade do ensino. Eles produzem resultados mentirosos por serem realizados no momento em que a água ainda não escorreu. Eles só diriam a verdade se fossem feitos muito tempo depois, depois do esquecimento haver feito o seu trabalho. O aprendido é aquilo que fica depois que tudo foi esquecido... Vestibulares: tanto esforço, tanto sofrimento, tanto dinheiro, tanta violência à inteligência... O que sobra no escorredor de macarrão, depois de transcorridos dois meses? O que restou no seu escorredor de macarrão de tudo o que você teve de aprender? Duvido que os professores de cursinhos passem nos vestibulares. Duvido que um professor especialista em português se saia bem em matemática, física, química e biologia... Eles também esqueceram. Duvido que os professores universitários passem nos vestibulares. Eu não passaria. Então, por que essa violência sobre os estudantes?

Ah! Piaget! Que fizeram com a sua sabedoria? É preciso que os educadores voltem a aprender com os moluscos..."

(Folha de S. Paulo, Tendências e debates, 17/02/2002)


Rubem Alves, 68, educador, psicanalista e escritor, é professor emérito da Unicamp, autor de "A Escola com que Sempre Sonhei sem Imaginar que Pudesse Existir" (Papirus), entre outros. www.rubemalves.com.br


Tive o prazer de ler esse texto no blog do Kárcio Sángeles (Palco da Mente), e como uma estudante no curso pré-vestibular não poderia deixar de comentar e também me apropriar da idéia e aqui postar. Digo prazer porque não é todo dia que nos deparamos com textos tão bem escritos e colocados a respeito do vestibular, do sistema escolar, poucos tem essa capacidade de opinar, de se expressar, se posicionar de uma maneira crítica diante de tal assunto.

Nessas últimas semanas e já há muito tempo presenciamos notícias de professores ou alunos agredidos e alguns tem a morte como fim. Essa, infelizmente é a nossa realidade. Não digo que é tudo culpa do nosso “sistema”, do governo, da escola, dos pais, mas digo que é culpa de toda a sociedade, que deixa criminosos ficarem impunes, que aceita tudo o que nos é imposto passivamente, que não tem a iniciativa de numa simples ação tentar modificar o mundo ao seu redor, que é tida como espectadora diante de todas as adversidades que acontecem no nosso país, que é dona de uma inércia, desde mental à fisiológica, que é egoísta e só tem olhos para o próprio umbigo, que não dirige o olhar ao próximo e deixa que haja uma invisibiladade social discriminadora e totalmente prejudicial a nós. Enfim, não adianta tentarmos sempre achar um único culpado, uma vez que são vários os culpados que formam “brutamontes” soltos por aí.

Apaticamente assistimos a tudo, calados, como se nada estivesse nos atingindo, assim como no Jornal Folha de S. Paulo foi publicado que a nossa ditadura foi “ditabranda”. Como?!! Li certo? E para as famílias que tiveram filhos, pais, parentes assassinados? Será que para elas existiu ditabranda? E quem teve que se exilar, longe da sua terra natal? Percebe-se, nesse caso, que quando não nos atinge diretamente não nos importamos, até que chegue a nossa família, aos nossos conhecidos próximos, então brigamos, nos revoltamos, fazemos passeatas, discursos e vamos em defesa. Será que sempre teremos que esperar que os “problemas” nos atinjam para agirmos?

Mas...voltando ao assunto principal: vestibular! Quando era criança, meus pais já diziam - não sei se por “pressão psicológica” ou por realmente acreditarem que isso seria possível – que deveria manter boas notas no boletim, pois, quando chegasse minha vez, não existiria mais vestibular, e sim, seriam aprovados os que tivessem um bom desempenho no histórico escolar, portanto, seria analisada toda a vida escolar do estudante. Na realidade vejo isso como um método meritocrático. Certo? Pode ser que sim, mas estaria mais de acordo com meus pensamentos do que o vestibular de hoje em dia. Uma prova que testa não só o conhecimento, mas quem é o mais rápido, quem sabe controlar o “psicológico”, quem tem maior apoio familiar e escolar. E o maior problema é que muitas vezes os outros fatores pesam muito mais que o principal, que no caso seria o conhecimento. Entretanto, nas condições em que se encontra nosso sistema escolar, nossas escolas e sistema defasados, não teríamos condições de analisar o histórico escolar de todos, pois haveria desvantagens, uma vez que “passar de ano” numa escola de boa qualidade é mais difícil que numa escola desqualificada, despreparada, de nível menor que exigiria menos do aluno. Assim sendo, enquanto não houver equivalência entre os institutos educacionais esse método não poderá ser instaurado.

Talvez essa mesma idéia esteja prevalecendo em relação às ações afirmativas (ou cotas). Acredito que essa seja uma tentativa de colocar em “igualdade” estudantes preparados em níveis diferentes. Um exemplo são os pontos de corte dos vestibulares, para o curso de Medicina na UFG (Universidade Federal de Goiás) o ponto de corte para os de sistema universal foi 62 e para os negros foi 30. Como se sentirá esse aluno negro ao entrar na universidade com uma turma composta de mais da metade com pessoas – querendo ou não é a verdade - mais aptas, com notas maiores, que poderão estar mais acostumadas com o ritmo de estudo necessário? Sem contar na discriminação que estão sujeitos a enfrentar. Sei de caso de um aluno negro que ingressou no curso de Medicina na UFG e no segundo semestre foi reprovado por não conseguir manter boas notas e bom ritmo de estudo, ao contrário dos outros. Porém, creio ainda, que o preconceito aumenta com as cotas, pois é a mesma coisa de dizer que os outros não tem condições de competir, se esforçar e tirar uma boa nota por mérito próprio, é também, afirmar que o ensino público não tem qualidade, é uma tentativa de consertar os erros cometidos no início. Por que não investir na educação de base? Por que não propiciar maior aparato ao ensino fundamental, ensino médio público? Por que continuar no “jeitinho brasileiro” de sempre deixar as coisas para depois e tentar consertar na frente, quando o prejuízo já está causado e é maior?

Concluindo, faço das palavras de Rubem Alves as minhas. Nunca tinha pensado, nem sequer chegado perto, a essa comparação entre homens e moluscos. O que de certa forma abriu a minha cabeça, pois é a realidade que enfrentamos cotidianamente. Assim como a necessidade nos faz pensar, é ela que também nos faz enfrentar a vida de cabeça erguida, nos faz estudar acima do considerado normal, etc. E, pensando melhor, o que nos faz agir ou estagnar só depende da necessidade! E agora, vejo como necessidade uma mudança por completo em nosso sistema educacional - e digo isso não só por estar pensando em mim, mas por pensar em todos e no futuro do país. Podemos ter evoluido, mas diante do mundo e das necessidades no nosso país ainda estamos a desejar, é preciso muito mais para que sejamos um país desenvolvido. Para mim não importa sermos uma das maiores economias se as crianças que são o futuro (perdão pela frase clichê, mas nesse contexto enquadra-se perfeitmente...) da nação não terão condições de assumir postos de comando, ser mão de obras qualificadas, e aí, que rumo terá todo esse progresso em mãos despreparadas? É por essas e outras que vemos casos de violência, de erros médicos, de negligências, roubos, etc. Se o nosso país já tem essa condição de ser uma grande potência, imagina se tivéssemos políticos honestos - sem corrupção, empenhados em melhorar o Brasil que investissem prioritariamente na educação e na saúde? Se assim o fosse, com certeza teríamos um "Brasil - País de todos", pois hoje, ainda não é a realidade!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Doce ilusão

Retorno ao mundo dos sonhos, fantasias e, agora, ilusões. Dessa vez não é para falar especificamente do mundo do vestibulando e sim do mundo das mulheres, homens, jovens e qualquer um capaz de se apaixonar e/ou ser facilmente iludido. Depois de algumas conversas "de msn" e de fazer algumas leituras diárias deparei-me com esse assunto de ilusões, o quanto isso pode interferir na vida das pessoas, para o bem ou para o mal.

Lembro-me de um dia em que a família estava reunida, e como sempre, surgem fofocas, assuntos dos mais sérios aos mais variados e engraçados possíveis, eis que no meio disso tudo eu digo "- Ah, não sei se quero casar, formar família, ter filhos, acho que esse não é meu futuro, acho que simplesmente não nasci para isso!" e logo todos me olham, alguns dando risada, outros assustados, e nesses últimos minha mãe se enquadra, muito surpresa com essa "ideia" minha. E aí, surgem vários comentários, como não poderia deixar de ser, cada um dá sua "preciosa" contribuição para a minha "lavagem cerebral" e são opiniões sem fim, afinal, vinda de família tradicional, que segue piamente alguns costumes, tinha que ser assim. O que eu não esperava era tal repercussão e que eu fosse levada tão a sério. Nem 17 anos tinha ainda, mas como sempre fui um pouco mais "madura" acho que as pessoas geralmente levam em consideração o que eu falo, além de eu ter falado sério, mantido a postura e me defendido, como defendo meus argumentos até hoje - tenho esse defeito, sempre acho que estou certa, mesmo sabendo, lá no fundo, que o que eu estou a falar está "um pouco" errado...rsrs

Na verdade, até hoje não sei se eu realmente desejo isso para a minha vida. Nunca fui daquelas "menininhas ultra românticas", que sonham acordadas com o dia do casamento, sonham com o homem perfeito e o príncipe encantado - tenho até medo que depois de um beijo ele vire um sapo! Tenho amigas, inclusive, que já sonham até com os nomes dos filhos que terão. Eu sempre fui mais "revoltada e excêntrica" desse ponto de vista, sempre me diziam que eu nem mesmo tinha coração - lógico que diziam isso na brincadeira depois de eu fazer algum comentário doloroso para essas amigas, no meio de conversas romanceadas, e em relação a relacionamentos amorosos, realmente, às vezes eu quebrava o "clima". Afirmo que eu já cheguei a dizer que elas deverião se inspirar nos poetas da segunda geração ou nos românticos e alguns árcades e levar a vida assim, do tipo "Marília de Dirceu".

A palavra "paixão" ainda não surgiu no meu vocabulário, pode ser que eu esteja ainda muito nova - levo isso em consideração - mas eu sei que sou muito cética em relação a algumas coisas, tenho meus receios, sou exageradamente realista e não vivo de ilusões - recorde-se de que ilusão é completamente diferente de sonho ou fantasia, talvez seja um mix dos dois, confesso que tentei ler um artigo a respeito disso, mas era muito longo e complexo para o meu humilde currículo que só chega ao ensino médio. Na verdade o que acontece é que eu tenho meus planos, meus objetivos e sei o quanto isso pode me atrapalhar, e assim, me privo de tudo o que poderia intervir nos meus planos "tão bem feitos para dar certo"!

Sei que nunca irei encontrar alguém perfeito, sei que não será fácil encontrar quem me ature, sendo que geralmente nem eu me aturo em tempo integral - ainda bem que temos a necessidade fisiológica do sono, sei que encontrar alguém disposto a passar horas e horas conversando comigo, me dando atenção, compreendendo as minhas palavras e as entrelinhas que eu digo não será tarefa fácil - alguns já me disseram que tem medo de conversar comigo e que é complicado, vai entender né?! rs. Entretanto, tem quem diga que sempre alguém especial aparecerá na sua vida, que "toda panela tem sua tampa". Se é verdade? Não sei, quanto a isso também dizem que "quem procura acha" e se rezar pra São Longuinho e der 3 pulinhos você encontra, talvez seja melhor fazer novena para Sto. Antônio, pois realmente, não sei se isso é possível e se existe tudo tão certinho e pré-determinado assim. E também, como descobrir se "aquela" é realmente a pessoa. Acho isso tudo muito complexo, eu bem que tento abrir a minha mente, tentar ver as coisas de outro modo, mas sempre volto ao mesmo ponto, felizmente ou infelizmente, isso eu descubro com o tempo.

Pelo menos de amor, por enquanto, eu sei que não vou sofrer, rs. Não me conformo vendo amigas chorando por causa de namorado, enfrentando a família e os pais para defender alguém que amanhã pode não estar ao lado delas, assistindo a cenas em que afirmam morrer pelo outro, vendo como muitos se isolam ao iniciar um namoro, esquecem-se do mundo, acreditam que poderão viver somente do "amor" que um tem pelo outro e que viverão felizes para sempre. Muitos são iludidos de que realmente poderão se casar, formar família, trabalharem, serem ricos e viverem felizes para sempre. Conheço quem já abdicou de estudos, de sonhos e desejos profissionais ou não, para seguir com algum romance, será que vale a pena? Isso tudo que eu já disse e continuo a dizer e a me perguntar é relativo, afinal, cada um tem seus anseios, seus objetivos, sua vida, seu jeito de ser e agir, mas o que eu me pergunto mesmo é se no futuro quando tudo der uma reviravolta essa pessoa não vai sofrer damasiadamente, se arrepender dos feitos no ímpeto das ilusões, e o pior, arrumar alguém em quem despejar toda essa carga de culpa. Como disse, é relativo, porém, pode acontecer.

Continuo com a ideia de que não custa pensar muito mais que duas vezes antes de tomar algumas decisões. Deixar-se levar pelas ilusões pode não ser uma boa escolha. Por mais que você esteja se sentindo realizado, por mais que esse tipo de atitude nos dê uma certa liberdade, enfim, por mais que tudo diga para você segui-la, sempre terá a realidade ao seu lado, para você enfrentar, para você acordar todos os dias cheio de obrigações a cumprir. E então, duas coisas podem acontecer: a ilusão ter te levado a um caminho "certo" e relativamente fácil ou a um caminho complicado, repleto de tribulações...

Como já devem ter percebido não tenho paciência para assistir novelas. Na verdade, eu fico é muito indignada de que elas existam dessa maneira. Tá que não passa de novela, a maioria das histórias são fictícias, mas o problema está na publicidade em torno disso tudo. Os autores, atores e etc afirmando que isso tudo é real, que a novela se aproxima da vida das pessoas. Será que eles não se dão conta de que estão iludindo cidadãos humildes? Afinal, é tão fácil ir do Brasil para a Itália ou vice-versa, não é mesmo? Ou então, quem sabe um empregado se apaixona pela patroa e toda a sociedade acha a história linda, sem preconceitos, apoiam e os dois vivem sempre felizes. Melhor seria quando, nessa altura do campeonato, as pessoas ainda se submetem às chantagens da outra por medo, para salvar um "amor enterno". Posso estar sendo absurdamente crítica, pegando pesado e acreditando que tudo seja uma grande mentira. Calma, eu sei que algumas histórias parecidas existem por aí, mas também sei que são poucas e geralmente muito antigas, hoje em dia é muito difícil histórias assim. O que me chateia mesmo são as ilusões que deixam na vida das pessoas, ao contrário do que dizem, não são esperanças, são ilusões mesmo, ou melhor, falsas esperanças. Daquelas que nem se esforçando e lutando muito durante a vida inteira conseguirá alcançar. Sem contar todo o dinheiro que está por trás disso, aquelas propagandas "subliminares" que levam as pessoas a consumir sem nem mesmo olhar nas condições financeiras que possui e no fim do mês se "estrepam".

Também fico indignada com os nossos políticos. Analisando melhor acho até que a minha maior ilusão é "mudar - ou salvar - o mundo". Por que ir nas comunidades pobres, afirmar que vão tirá-los de lá, que a vida deles vai melhorar muito, que terão isso, isso e aquilo outro, se está bem esclarecido na cabeça deles que não vão cumprir? Por que maltratar essas pessoas humildes, que não tem condições de enxergar a realidade com clareza? Por que usar da obscuridade que cerca a mente desses coitados para subir na vida, enriquecer, aparecer, angariar votos? A máxima é verdadeira: "desgraça alheia é colírio aos olhos dos outros".

Um dos maiores erros que alguém está apto a cometer é iludir outra pessoa. Eu evito bastante - o que para mim não é tarefa muito difícil, rs - dar falsas esperanças a alguém, afinal, "é melhor uma verdade dolorosa do que uma doce ilusão". Às vezes penso como irei me comportar como médica, sendo desse jeito, ai vejo o quanto eu sei me relacionar com as pessoas, e entendi que tudo tem seu tempo, seu preparo, e que com cada pessoa agimos de um jeito. As relações humanas são móveis, com cada um você deve ter um jeito de agir, de levar a relação, se não, a convivência em sociedade fica complicada ao extremo.

Enfim, doces ilusões são bem-vindas desde que por um momento, por boas causas, bons motivos e que seja realmente necessário. Caso contrário, é melhor não. O que depende de cada relação e cada pessoa. O mais certo é a gente aprender a conviver, adquirir experiências no dia-a-dia para saber como agir diante de encruzilhadas, como agir com cada pessoa a nossa volta. Só não podemos deixar que as ilusões nos mova sempre. Não podemos deixar que ela tome conta da nossa vida. Não podemos deixar que ela influencie todas as nossas atitudes no "mundo real". E também não podemos só nos iludir, na verdade, ninguém tem o direito de iludir alguém. Não podemos alimentá-la demasiadamente. Não podemos confundir sonhos, fantasias e ilusões, tudo tem a hora e o lugar certo de entrar em ação!

Gostaria de esclarecer que todos estão em constante mudança, portanto, essas ideias aqui postadas hoje, poderão, num futuro serem completamente diferentes, principalmente no que diz respeito às relações amorosas, etc...Digo isso pois vai que posteriormente eu me "contradiga" por aqui, né?! rs Ah! E fiquem tranquilos porque eu tenho surtos de romantismo, e às vezes, assisto novelas - pena que eu não acredite em nada, isso não muda mesmo! rs, assisto regularmente filmes românticos, choro, como qualquer outra pessoa normal, não sou tão "grossa" quanto pareceu aqui, rs. Também me delicio com poemas e textos românticos...fiquem tranquilos quanto a isso, aprecio bons trabalhos, boas artes, bons poemas e textos!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Eleição 2010

Enfim, disporei de um tempinho para descrever algumas impressões a respeito da eleição desse ano.

Já é sabido que teremos uma mulher governando nosso querido país pela primeira vez. Não me surpreendeu essa vitória, uma vez que tudo indicava que isso seria possível. Mas como dizem, a esperança é a última que morre, e eu, na minha "ingenuidade" (ou seria fuga da realidade?) tinha esperança de que ela não vencesse.

Julgo Marina Silva mais experiente, competente, capaz, renovadora e muitas outras qualidades superiores às da Dilma. Porém, o que isso importa? O que importa é que a Dilma só terá a palavra final, mas o Congresso (Deputados, Senadores...), tem um papel maior e talvez até mais importante do que o do presidente, afinal, eles criam as leis, eles julgam se vão chegar às mãos do presidente, enfim, o presidente não passa de um representante no qual cabe acatar ou não, assinar ou não. Para se ter uma ideia, muitos discursos não são feitos pelo próprio presidente, sempre tem acessores mais capacitados para essa finalidade. Então, mais uma vez, as qualidades pessoais do presidente pouco interferem, porque na verdade o governo só se fará a partir do momento em que bons acessores o presidente tiver ao seu lado, cabe a ele escolher bem seus "companheiros".

Dilma dará continuidade ao goveno Lula. Teremos, portanto, 12 anos do PT a frente, incluindo um presidente de altíssima popularidade. Não concordo, diante do país democrático em que vivemos, que um mesmo partido, que as mesmas pessoas, permaneçam por tanto tempo no poder. Acredito que elas se acomodam, sentem-se superiores e no direito de fazer o que bem entenderem, talvez seja a pior escolha, a continuidade. É preciso mudar. Mudar para que os próximos que entrarem tentem dar o seu melhor, para mostrarem a população de que eles também são capazes e, lógico, para que nas posteriores eleições todos se lembrem do "bom" governo e votem neles, desse modo, não se arriscariam a fazer um "mal" governo. A continuidade é perigosa, pode trazer consigo a estagnação e, também, de certo modo, uma ditadura de um só poder, unipartidária. (Teoria da Conspiração? Creio que não.).

Os debates eleitorais desse ano foram lastimáveis. Assuntos sem grande relevância tomaram a frente, e os de maior importância ficaram obsoletos, escondidos debaixo do tapete para serem esquecidos, uma vez que sendo muito discutidos poderiam haver maiores discordâncias. Foram debates sem grande expressão, que pouco interferiram nas opções de voto dos eleitores. Muitos ainda dizem que só assistiram os do primeio turno por causa do Plínio Arruda (PSOL), que se tornou uma espécie de "animador", e com isso ele até conquistou alguns votos. No segundo turno, tudo na mesma.

Também não concordo com os chamados "votos de protesto". Acredito que é melhor você votar no "menos pior" ou anular. Grande parte dos eleitores desconhecem o fato de que a partir do momento em que você anula seu voto você está protestando e, ao mesmo tempo, dizendo que nenhum daqueles candidatos são dignos de se tornarem seu representante. A política pode até ter-se tornado motivo de piadas, mas, pelo contrário, ela não é piada. Política é seriedade, é o presente e o futuro de toda uma nação, não se pode brincar com algo que tem o poder, de certo modo, da sua vida nas mãos.

Concluindo essa parte, essa eleição foi vergonhosa. Esperava mais de todos os candidatos. As propagandas eleitorais foram as piores possíveis: Serra atacando Dilma, Dilma atacando Serra, Marina neutra. A intimidade das pessoas viraram motivos para se decidir um voto. Candidatos passaram a crer mais em Deus. Coisas pequenas tomavam grandes proporções. Dilma acreditando que é o Lula e só mostrando os dados bons do passado e pouco mostrando o próprio plano de governo. Serra muitas vezes preocupou-se mais em atacar a Dilma do que também mostrar o plano de governo. (Acho, inclusive, que os "marqueteiros" do Serra poderiam ter sido bem melhores).

E agora, Dilma eleita. Tudo continuará na mesma. Para quem tava ruim vai continuar ruim e para quem tava bom vai continuar bom. Classe média como sempre - independente do partido, isso já é questão histórica de muitos séculos atrás - sofrerá as consequências possíveis. E 2011 nem começou e já estão discutindo o retorno da CPMF, além de aumento nos salários dos 3 poderes, inclusive no da Presidente. Aproveitando esse fato, quero declarar que eles se esquecem de que o que ganham é um absurdo diante de uma maioria sobrevivendo e sustentando uma família com dificuldade, ganhando apenas um salário mínimo, trabalhando até mais que 8h por dia fora de casa e depois na própria casa, devido a falta de condições de se ter vários empregados. Esquecem-se de que não pagam por transporte e podem ir aode bem entederem. Esquecem-se dos privilégios que carregam consigo aonde forem. Esquecem-se que praticamente não trabalham, nas idas de 3 vezes por semana em um único turno permanecer tomando cafezinho no confortável escritório recebendo "visitas". Esquecem-se de que tem mais férias que muita gente. Esquecem-se das viagens que não pagam. Esquecem-se de que são invioláveis (imunidade material). Esquecem-se da imunidade formal a qual não os deixam ser presos (dentro de algumas condições). Por fim, esquecem-se de todos os privilégios que os colocam em superioridade perante o "restante" da população. Aí, eu pergunto: e a sociedade igualitária, democrática, quando vai funcionar?

Acesse: Folha.com - Poder - "Congresso quer aumentar o próprio salário e o de Dilma"

"Depois de desmontar a retórica, Dilma restaura a face." - Blog Josias de Souza - Folha Online