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segunda-feira, 23 de julho de 2012

"Doutores"

Um fato, no mínimo, engraçado é quando se entra para a faculdade de medicina, os familiares já começam a fazer perguntas, brincadeiras, os amigos e até mesmo os desconhecidos idem. E mais real e engraçado ainda é o status que o estudante de medicina possui no meio social, mesmo que ainda esteja no primeiro período...

Sempre tive muito contato com pessoas mais humildes/de baixa renda. E não só o carinho e a fidelidade que elas têm pelos que as tratam com respeito e afeto chama a atenção, mas também a forma como se colocam submissas a estes que elas consideram superiores. Assim que cheguei de férias no interior de Goiás fiz algumas visitas com meus pais, dentre elas, fomos comer um frango caipira na casa simples de uma família muito querida pela minha. Fui recebida com abraços calorosos, perguntas de como está a faculdade e tratada como “Doutorinha”. Sempre respondo que não precisa falar assim, até mesmo porque, atualmente, ainda faltam 5 anos e meio para eu ser uma médica generalista, fora o tempo de residência e outros estudos. Só que as pessoas insistem no vocativo, e argumentam da seguinte maneira: “ah, mas você tem que ir se acostumando, e agora vai ser nossa Doutora né?!”.

No fundo, porém, eu entendo que isso é cultural, uma tradição. Apesar de contestar o vocativo, acho bonito quando bem empregado, porque é uma forma de prestígio, de orgulho que sentem por quem conseguiu "chegar lá". Não o acho necessário, entretanto, não fico contestando a todo o momento quem assim me chama, até mesmo para não causar algum constrangimento ou evitar mágoas. Nesse momento nada melhor do que sorrir, acenar e receber de mente aberta esse "elogio"!

Muitos estudantes de medicina acham-se melhores do que os outros somente por cursarem medicina. O que também é cultural, afinal, as turmas de medicina são as que têm as formaturas mais esbanjadoras e caras (coitados dos meus pais) desde o início dos tempos, o curso mais caro, o curso de mais prestígio e o mais aclamado pela sociedade. Porém, até que ponto isso é necessário? Concordo que medicina é um curso magnífico, lindo, tanto que o escolhi para ser meu futuro, ao mesmo tempo é difícil, duro e cruel. Para quem ama de verdade, o retorno de todo o trabalho é o melhor e mais esperado, acredito que poucas coisas são melhores do que receber um sorriso sincero após salvar uma vida ou auxiliar no bem estar da pessoa, do que um abraço verdadeiro ou do que ganhar um pote de doce de presente – como ainda acontece no interior. Ah, sim, esqueci-me do dinheiro não é mesmo? Pois é, muitos estudantes ainda são ingênuos ao ponto de entrar para a faculdade acreditando veementemente de que sairão ganhando rios de dinheiro, esquecem-se do propósito da medicina, do juramento de Hipócrates, do objetivo humanitário e, principalmente, do quanto terão que “ralar” para conseguir essa quantia que tanto almejam. Um médico só ganha rios de dinheiro logo no início se tiver muitas influências e QI (quem indica), e olhe lá ainda! E mesmo assim, de qualquer maneira, terá que trabalhar mais do que imaginava que fosse capaz de aguentar, terá que enfrentar inúmeros plantões e adversidades, ou seja, terá que esperar para construir/fazer reconhecerem seu nome, que não passa da consequência do seu trabalho.

Estudantes de medicina são apenas estudantes, como outros quaisquer. Estão no mesmo barco dos estudantes de farmácia, biomedicina, fisioterapia, odontologia, direito, letras, música, engenharias e tantos outros cursos, pois estão todos aprendendo e fazendo acontecer para concretizarem seus sonhos, para no final poderem se orgulhar do canudo que encontrarão em suas mãos. Cursar medicina não os torna diferentes de ninguém, muito menos mais inteligentes ou melhores. Portanto, privilégios não se fazem necessários. Não é por estudarem medicina que são superiores do que os outros. Em termos informais, acho ridículo quem se acha melhor, o dono da verdade por estar cursando medicina. E entendo que é a própria sociedade que constrói, conserta e reforma esse pedestal para os estudantes, afinal, vivencio isso.

Essa história começa da tradição cultural presente na infância. Nasce uma criança e os pais já dizem: "esse(a) será nosso(a) futuro(a) Doutor(a)!". Incrustam na cabeça das crianças de que a melhor e maior profissão que existe em todo o mundo é medicina. Felizmente, medicina não é a melhor, muito menos a maior, é apenas uma dentre tantas profissões que move o mundo, a humanidade. Na verdade, ela só é a melhor e a maior para quem é capaz de amá-la com toda a verdade e a sinceridade que existe em seu coração. Enquanto adolescentes, na fase de escolha da profissão, soma-se a cobrança que surge por parte das escolas e cursos pré-vestibulares. Segundo a maioria dessas instituições, medicina é o melhor e maior curso também, já que quanto maior o número de aprovações em medicina maior a publicidade e maior o retorno financeiro para elas. Como podemos perceber, ainda hoje as pessoas possuem essa ideia deturpada sobre a medicina, pois ainda hoje as pessoas tratam diferente os estudantes de medicina e os médicos propriamente ditos, e enquanto houver esse tratamento diferenciado, haverá quem faça de tudo para ter um filho médico, mesmo que forçosamente a partir de ideias errôneas e vergonhosas.

É incrível a vaidade de muitos estudantes de medicina. São capazes de deixar de fazer algo ou achar que os outros o devem fazer por ser um futuro médico. Repletos de “não-me-toques” e frescuras. Acham-se, ainda, no direito de enfrentar tudo e todos. Também acreditam que o mundo inteiro deve saber que eles estudam medicina. Alguns insistem mesmo cursando os períodos iniciais do curso em sair dizendo "sou médico". Vale ressaltar que o número de estudantes de medicina que estão na faculdade ou no curso pré-vestibular em busca dessa vaga devido ao retorno financeiro e status social é, geralmente, maior do que o número de quem cursa medicina por aptidão e amor. E isso se torna cada vez mais claro à medida que conheço estudantes de medicina em faculdades particulares. Ah, ainda existem aqueles que só estão seguindo essa carreira porque os pais, os avôs, os tios e os primos também o fizeram, como se a aptidão passasse de geração a geração...

Dessa forma, constato que o estudante de medicina têm razões socioculturais para engrandecer a si próprio, ao contrário, também constato que a criação que os pais dão ao filho faz toda a diferença. Devo dizer que ao longo desse tempo e da minha trajetória também conheci pessoas indescritíveis, de enorme capacidade para amar a profissão, os estudos e os seres humanos, até mesmo porque, se a pessoa não gosta do ser humano, não devia ser médica.

Enfim, cursar medicina é indescritível, como qualquer realização de sonho, porém, isso não me torna melhor do que os demais, pelo contrário, me torna cada vez mais e mais humana - em seu sentido positivo -, mais e mais aprendiz. E não é por cursar medicina que vou exigir que me atendam melhor, que me garantam privilégios, que me chamem de doutora, visto que doutora só serei quando concluir um doutorado. Ser médico não significa ser melhor do que os outros ou ter privilégios, significa amar ao próximo de tal maneira que você seja capaz de doar-se a ele. Porque para mim medicina é doação, enquanto não houver doação por parte do médico não haverão ótimas consultas, ótimos tratamentos e pessoas saudáveis. Medicina é realmente para poucos, lamentavelmente muitos "poucos" não merecem, mas quem merece deve lutar até o fim, porque eu acredito - como paciente e como estudante - que são esses que fazem a diferença.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Onde andará o meu doutor?

Hoje, irei apenas compartilhar uma poesia encontrada em uma página de relacionamento que me deixou estarrecida, principalmente por corresponder a nossa lamentável realidade...
Sinceramente, estamos vivendo em um mundo de doentes!

Onde andará o meu doutor?
Tatiana Bruscky

Hoje acordei sentindo uma dorzinha,
aquela dor sem explicação, e uma palpitação,
resolvi procurar um doutor,
fui divagando pelo caminho...
lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco
e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo...
o Meu Doutor que curava a minha dor,
não apenas a do meu corpo mas a da minha alma,
que me transmitia paz e calma!

Chegando à recepção do consultório,
fui atendida com uma pergunta:
“Qual o seu plano? “
Ah, o meu plano é viver mais e feliz!
é dar sorrisos, aquecer os que sentem frio
e preencher esse vazio que sinto agora!
Mas a resposta teria que ser outra...o meu plano de saúde!

Apresentei o documento do dito cujo
já meio suado, tanto quanto o meu bolso, e aguardei...
Quando fui chamada corri apressada,
ia ser atendida pelo Doutor,
aquele que cura qualquer tipo de dor,
entrei e o olhei, me surpreendi,
rosto trancado, triste e cansado...
será que ele estava adoentado?
é, quem sabe, talvez gripado
não tinha um semblante alegre,
provavelmente devido à febre...
dei um sorriso meio de lado e um bom dia...
Sobre a mesa, à sua frente,
um computador,
e no seu semblante a sua dor,
o que fizeram com o Doutor?

Quando ouvi a sua voz de repente:
O que a senhora sente?
Como eu gostaria de saber o que ELE estava sentindo...
parecia mais doente do que eu, a paciente...
Eu? ah! sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação
e esperei a sua reação,
vai me examinar, escutar a minha voz
auscultar o meu coração...
para minha surpresa apenas me entregou uma requisição e disse:
“peça autorização desses exames para conseguir a realização”...
quando li quase morri...

Tomografia computatorizada, ressonância magnética e cintilografia !

ai, meu Deus! que agonia!
eu só conhecia uma tal de abreugrafia...
só sabia o que era ressonar (dormir),
de magnético eu conhecia um olhar...
e cintilar só o das estrelas!
estaria eu à beira da morte? de ir para o céu?
iria morrer assim ao léu?
naquele instante timidamente pensei em falar:
terá o senhor uma amostra grátis
de calor humano para aquecer esse meu frio?
que fazer com essa sensação de vazio? e observe, Doutor,
o tal Pai da Medicina, o grego Hipócrates, acreditava que
A ARTE DA MEDICINA ESTAVA EM OBSERVAR.
Olhe para mim...
bem verdade que o juramento dele está ultrapassado!
médico não é sacerdote...
tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano...
mas, por favor, me olhe, ouça a minha história!
preciso que o senhor me escute, ausculte
e examine!

Estou sentindo falta de dizer até aquele 33!
não me abandone assim de uma vez!
procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança!
alimente a minha mente e o meu coração...
me dê, ao menos, uma explicação!
O senhor não se informou se eu ando descalça... ando sim!
gosto de pisar na areia e seguir em frente
deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida,
estarei errada?
ou estarei com o verme do amarelão?
existirá umas gotinhas de solução?

Será que já existe vacina contra o tédio?
ou não terá remédio?
que falta o senhor me faz, meu antigo Doutor!
cadê o Sccot, aquele da Emulsão?
que tinha um gosto horrível mas me deixava forte
que nem um Sansão!
e o Elixir? Paregórico e categórico,
e o chazinho de cidreira,
que me deixava a sorrir sem tonteiras?
será que pensei asneiras?
Ah! meu querido e adoentado Doutor!
sinto saudades
dos seus ouvidos para me escutar,
das suas mãos para me examinar,
do seu olhar compreensivo e amigo...
do seu pensar...
o seu sorriso que aliviava a minha dor...
que me dava forças para lutar contra a doença...
e que estimulava a minha saúde e a minha crença...
sairei daqui para um ataúde?
preciso viver e ter saúde!
por favor, me ajude!

Oh! meu Deus, cuide do meu médico e de mim,
caso contrário chegaremos ao fim...
porque da consulta só restou uma requisição
digitada em um computador
e o olhar vago e cansado do Doutor!
precisamos urgente dos nossos médicos amigos,
a medicina agoniza...
ouço até os seus gemidos...

Por favor, tragam de volta o meu Doutor!
estamos todos doentes e sentindo dor...
e peço, para o ser humano, uma receita de calor,
e para o exercício da medicina uma prescrição de amor!

Por fim, recomendo que assistam ao filme Patch Adams - O amor é contagioso. Muitos já devem ter visto, mas é sempre bom rever para refletirmos um pouco mais sobre nossas ações em prol do bem estar do lugar onde vivemos, das pessoas com as quais convivemos ou não e para a construção do mundo que queremos. Também recomendo que assistam à entrevista do "verdadeiro" Patch ao programa Roda Viva da TV Cultura, a qual está disponível no You Tube.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Quanto à discriminação

Consequência de uma pausa...

Um amigo, ainda num caminho de incertezas e aceitação, me indicou dois videos cujas campanhas são voltadas aos gays. Fui assistir e me encantei com as mensagens transmitidas. Acredito que ser ou não gay está acima de qualquer escolha que se possa fazer por influências externas, a pessoa nasce ou não gay. E quando se nasce de um jeito, não se muda. Certa pessoa me disse uma vez que por mais que achamos que estamos errados, não precisamos mudar, devemos apenas nos harmonizar conosco e com o mundo que nos cerca, simplesmente aprender a viver.





A homossexualidade já faz parte do nosso cotidiano, não temos o que discutir quanto a isso. O problema está no fato de algumas pessoas ainda rejeitarem e, pior, agirem com violência, achando que tem o direito de interferir nas escolhas dos outros e que vão mudar alguém a base de tapas, quanta ignorância! Ainda tem aqueles que por medo de represálias, discriminações, não aceitação, julgamentos alheios, tentam fugir do que realmente são, ou, esconder o máximo que puderem. Isso tudo só acontece porque mesmo vivendo em um país de enorme miscigenação e heterogeneidade, ainda há preconceito. Os homossexuais sentem-se reprimidos em assumir suas escolhas, simplesmente porque alguns acham-se os certos, os donos da "verdade absoluta" e enxergam-se no direito de julgar os outros por serem diferentes. Oops! Quem falou em diferença?? Nada disso, conceito errado, não existem diferenças. Homossexuais também amam, sentem, choram, sorriem, enfim, não são "bichos" estranhos, são humanos como quaisquer heterossexuais.

Aproveito o ensejo para esclarecer que não só o preconceito contra os homossexuais, mas qualquer tipo de precoceito e discriminação, qualquer tipo de bullying, em desfavorecimento à qualquer pessoa, é totalmente ultrapassado e inadmissível. Qual a dificuldade em aceitarmos as pessoas como elas são? Tudo bem se você não gosta de se relacionar (no sentido de manter amizade, trabalhar, conversar...) com homossexuais, sei lá por qual motivo, mas, se esse for o caso, basta distanciar para evitar qualquer constrangimento, pronto. Por que podemos viver bem em meio aos heteros e não em meio aos GLBT's? Por que os negros, os portadores de síndrome de down, os "gordinhos", os "magrinhos", os autistas e etc., são diferentes dos considerados normais? Na verdade, o que é ser normal? Sabe, adoro a propaganda dos portadores de síndrome de Down, que diz: "Ser diferente é normal", será por quê, né?!
- - Como a propaganda, acredito eu, todos já viram, posto aqui uma música da Xuxa (sim, a "Rainha dos Baixinhos" - apelido do qual eu não sou muito simpatizante, nem dela, mas, fica pra outra vez...rs), que fala sobre bullying, discriminação e preconceito e, que pode ser uma aliada para a conscientização das crianças e adultos ainda imaturos...



Também quero postar aqui, um texto de uma campanha, iniciada há algum tempo...

#eusougay

"Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, foi encontrada morta na pequena cidade de Itarumã, Goiás, no último dia 6. O fazendeiro Cláudio Roberto de Assis, 36 anos, e seus dois filhos, um de 17 e outro de 13 anos, estão detidos e são acusados do assassinato. Segundo o delegado, o crime é de homofobia. Adriele era namorada da filha do fazendeiro que nunca admitiu o relacionamento das duas. E ainda que essa suspeita não se prove verdade, é preciso dizer algo.
Eu conhecia Adriele Camacho de Almeida. E você conhecia também. Porque Adriele somos nós. Assim, com sua morte, morremos um pouco. A menina que aos 16 anos foi, segundo testemunhas, ameaçada de morte e assassinada por namorar uma outra menina, é aquela carta de amor que você teve vergonha de entregar, é o sorriso discreto que veio depois daquele olhar cruzado, é o telefonema que não queríamos desligar. É cada vez mais difícil acreditar, mas tudo indica que Adriele foi vítima de um crime de ódio porque, vulnerável como todos nós, estava amando.
Sem conseguir entender mais nada depois de uma semana de “Bolsonaros”, me perguntei o que era possível ser feito. O que, se Adriele e tantos outros já morreram? Sim, porque estamos falando de um país que acaba de registrar um aumento de mais de 30% em assassinatos de homossexuais, entre gays, lésbicas e travestis.
E me ocorreu que, nessa ideia de que também morremos um pouco quando os nossos se vão, todos, eu, você, pais, filhos e amigos podemos e devemos ser gays. Porque a afirmação de ser gay já deixou de ser uma questão de orientação sexual.
Ser gay é uma questão de posicionamento e atitude diante desse mundo tão miseravelmente cheio de raiva.
Ser gay é ter o seu direito negado. É ser interrompido. Quantos de nós não nos reconhecemos assim?
Quero então compartilhar essa ideia com todos.
Sejamos gays.
Independente de idade, sexo, cor, religião e, sobretudo, independente de orientação sexual, é hora de passar a seguinte mensagem pra fora da janela: #EUSOUGAY
Para que sejamos vistos e ouvidos é simples:
1) Basta que cada um de vocês, sozinhos ou acompanhados da família, namorado, namorada, marido, mulher, amigo, amiga, presidente, presidenta, tirem uma foto com um cartaz, folha, post-it, o que for mais conveniente, com a seguinte mensagem estampada: #EUSOUGAY
2) Enviar essa foto para o mail projetoeusougay@gmail.com
3) E só!
Todas essas imagens serão usadas em uma vídeo-montagem será divulgada pelo You Tube e, se tudo der certo, por festivais, fóruns, palestras, mesas-redondas e no monitor de várias pessoas que tomam a todos nós que amamos por seres invisíveis.
A edição desse vídeo será feita pelo Daniel Ribeiro, diretor de curtas que, além de lindos de morrer, são super premiados: Café com Leite e Eu Não Quero Voltar Sozinho.
Quanto à minha pessoa, me chamo Carol Almeida, sou jornalista e espero por um mundo melhor, sempre.
As fotos podem ser enviadas até o dia 1º de maio.
Como diria uma canção de ninar da banda Belle & Sebastian: ”Faça algo bonito enquanto você pode. Não adormeça.” Não vamos adormecer. Vamos acordar. Acordar Adriele.
— Convido a todos os blogueiros de plantão a dar um Ctrl C + Ctrl V neste texto e saírem replicando essa iniciativa —" 
(O prazo para enviar as fotos foi prorrogado até o dia 08 de maio!)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

História. Realidade. Tragédia.

Consequência de uma pausa...

A partir de 3 aulas recentes pensei nesse post. Uma aula de radioatividade (fissão e fusão nuclear = formação de bombas atômicas - produção de energia), outra de química orgânica com direito a saber dos poderes destrutivos do TNT (trinitroglicerina) e uma proposta de redação a respeito do papel das armas para a humanidade, com um ótimo intertexto com o filme Lord Of War (O Senhor das Armas - 2005). Acredito que vocês já compreenderam do que se trata os meus escritos de hoje, infelizmente, da nossa realidade, da capacidade destrutiva e autodestruição do ser humano.

Não é fácil falar de guerras, bombas, mortes, vidas - inocentes ou não -, desarmamento, armamento, destruição e tristeza. E, essa dificuldade maximiza-se quando, recentemente, uma tragédia ocorreu perto de nós, potencializada pelo uso de armas de fogo por pessoas civis. O infeliz acontecimento na escola Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, fez com que os discursos pró e contra o desarmamento voltassem mais veementes e categóricos. Estamos diante de um impasse, de difícil resolução, é certo alguns se desarmarem e outros não? E o direito a igualdade? Mas, e as mortes, as fatalidades, causadas por armas de fogo empregadas erroneamente? E as crianças que brincam com essas armas e acabam por machucar outras pessoas ou tornando-se mais violentas? E as reações a assaltos que poderiam não terminar em morte? E o direito a defesa que todo cidadão possui? E os bandidos, continuarão armados? O desarmamento, facilitará a ação policial? E aqueles subornos, vamos ficar livres deles? É possível (re)construirmos um país livre de armas de fogo e tudo o que as envolve? Como seria bom se pudéssemos prever o futuro tim-tim por tim-tim e assim evitar erros no presente...

Quanto ao desarmamento e toda a campanha, vale a pena ler pontos de vistas diferentes para que possam chegar a uma conclusão final. Eu prefiro não comentar muito sobre isso agora, se tudo der certo, posteriormente, publico uma dissertação a respeito disso, com a minha opinião, por enquanto, indico dois sites de opiniões opostas a respeito do tema:
Comitê Paz
Desarmamento: A Falácia

É sabido que as bombas atômicas lançadas no Japão pelos EUA durante a Segunda Guerra Mundial não eram necessárias, então, surge outra pergunta, por quê? Simples, demonstração de poder. O ex-presidente norte-americano H. Truman ao ser informado do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima, disse: "Este é o maior evento da história". Já o alto oficial cujo nome em código era Manhattan District Project, afirmou: "Era importante que a bomba atômica fosse um sucesso. Havia-se gastado tanto para construi-la...Todas as pessoas interessadas experimentaram um alívio enorme quando a bomba foi lançada". Assim, essas afirmações são claras demonstrações do significado dessas bombas, ou seja, o governo norte-americano ingnorava os princípios éticos (já que se tratava do fim de uma guerra, em que já se tinha a certeza dos "vencedores e derrotados") para impor a sua primazia político-militar no mundo, que, por sua vez, daria início ao período de Ordem Bipolar, determinado Guerra Fria, onde se contrapunham duas grandes potências mundias: EUA (capitalismo) X URSS (socialista), um período de "equilíbrio do terror" ou, de "guerra improvável, paz impossível".


 "A primeira bomba 'A' da história foi lançada pelos EUA sobre a cidade de Hiroshima no dia 06 de agosto de 1945. A explosão ergueu um cogumelo de devastação de 9000 metros de altura, gerando um calor perto de 5,5 milhões de graus centígrados. Na época, Hiroshima tinha 330 mil habitantes, o bombardeio matou cerca de 130 mil e feriu outras 80 mil pessoas".

Atualmente, as discussões em torno do enriquecimento de urânio e da geração de energia nuclear estão em evidência, principalmente pelo triste ocorrido no Japão. Então, ilustro com outro video a respeito dos testes nucleares, que nos faz imaginar o poder de destruição incrustado nessas bombas, que poderiam até mesmo disseminar a humanidade. O problema é: quando, afinal, o homem vai perceber que as guerras, as bombas atômicas, não passam de armas autodestrutivas incontroláveis? Quando o homem vai usar a ciência envolta nas bombas em favor da humanidade, em prol do bem estar social?




 Detalhe: Einstein no final indica uma expressão de: "como o homem é capaz de desviar progressos da ciência do bem para o mal?!" Já que Einstein era contra os testes nucleares e as bombas atômicas, inclusive, se não me engano, ele chegou a ganhar um Prêmio Nobel da Paz.





O filme O Senhor das Armas se passa nesse período (de Guerra Fria), e, trata sobre a indústria bélica e seus reflexos no mundo. Com uma crítica de alta qualidade, o filme é tanto para quem gosta de cinema e "bons filmes" como para quem gosta de filmes políticos, com vies de engajamento social e duras críticas, que vão desde o alto escalão da sociedade e do governo aos simples cidadãos envolvidos ou não em guerras - ou disputas de poder, mesmo que seja em um bairro ou favela (mais próximo da nossa realidade). Retrata o que se passava por trás das duas superpotências já citadas, suas indústrias bélicas, seus poderios e os efeitos de suas intervenções nos choques indiretos - guerras quentes que ocorreram sobre suas influências em outros territórios.



 


Enfim, a história nos mostra o quanto o progresso nos traz consequências boas e, também, ruins, tudo depende de como o homem irá usar o poder que tem em mãos. O mesmo posso dizer das armas, o homem a tem, só resta saber se vai ou não usa-la em prol do bem estar - por mais difícil que seja imaginar bem estar através de armas de fogo, pois sempre alguém ou algum animal termina machucado. Os filmes ilustram nossa realidade, e, assim, percebemos que vivemos cercados por tragédias. Imaginem quantos casos não noticiados existem a respeito de vítimas inocentes de armas, bombas, guerras e tudo o mais que o homem possui de ruim em seu interior e o externa através da violência, destruição e atos completamente irracionais. Espero que essa postagem de hoje sirva como reflexão para todos os que lerem e, a partir das reflexões, mudanças para o bem, por menores que sejam, ocorram a nossa volta, para podermos (re)construir um país, um mundo melhor, isso é o que verdadeiramente necessitamos!
Boa Quarta a todos!

domingo, 10 de abril de 2011

Mix Dominical!

Consequência de uma pausa...

Pois é, hoje vou tentar falar (ou escrever e pensar) menos e ilustrar mais.

Começo com um video muito lindo e fofo que trata de um assunto muito interessante: amor, e as suas formas de expressão, ou tudo o que esse sentimento envolve, as dúvidas e incertezas, medos e receios, paz e alegria, enfim, amor e seus segredos. Antes, é claro, quero dizer que encontrei o video no blog Uni ver sos, de autoria da Ester. Embora já tivesse assistido há algum tempo, essa semana, quando eu o vi novamente, foi diferente, talvez porque diante de tantos acontecimentos ruins a nossa volta algumas coisas tenham transformado em mim, como dar maior valor à simplicidade e perceber o quanto é importante dizer a alguém muito especial que você a ama, obviamente, sem banalizações e sem "medo de ser feliz". Fico imaginando os pais das crianças assassinadas em Realengo, quantas vezes disseram para seus filhos que os amavam, que os queriam bem? Quantas vezes dissemos a uma pessoa que convivemos, estamos sempre ao seu lado, dia-a-dia, que gostamos dela, que ela é importante em nossa vida? Confesso que para mim não é tão fácil assim falar "ao vivo" sobre essas coisas, acho que é por isso que eu escrevo e que me sinto tão bem ao fazê-lo, porque chega um momento que precisamos "jogar tudo pra fora"....rsrs.

Então, você tem medo de dizer eu te amo?


                                                                              ***

Agora, mudando de assunto...política! Enfim, a "lua-de-mel" chegou ao fim, e, com ela, se passaram 100 dias do governo Dilma. Hoje não estou afim de deixar minha opinião a respeito disso, mas, saibam que ela tem me deixado mais surpreendida do que "revoltada". Na verdade, acho que isso está acontecendo porque independente de quem quer que esteja na Presidência, enquanto o comportamento dos "homens públicos" não passar por uma verdadeira transformação, muita coisa não vai mudar, quase nada muda, assim sendo, como os motivos das minhas revoltas e indignações no ramo político geralmente são pelos mesmos motivos, enquanto "eles" não mudarem, nada muda. Bem como, se a população não mudar, nada muda. Mas, como já disse, hoje pretendo escrever menos, então, aproveitando a ocasião, abro aqui uma brecha para convidá-los a visitar o blog do Marcio JR, Abismo das Vaidades e lerem mais a respeito do "Movimento Abre o Olho Brasil!", de antemão: vale muito a pena ler, participar, disseminar e praticar!

O tema é política e os 100 dias do governo Dilma (estou rindo aqui, quase escrevi 100 anos! - ou será que não tem graça?! hahaha), vou mudar um pouco a maneira da conversa e convidá-los a assistir um video do UOL, intitulado "Top 5 das gafes da Dilma em 100 dias de poder". Faço esse convite porque sei que o que mais encontraremos a respeito desse assunto serão análises políticas que nos levarão sempre para os mesmos assuntos, rumos e etc, etc, etc, então, nada melhor que mudar um pouco o ângulo, e, também, dar um pouco de risada, antecipo que tem nada a ver com "rir da desgraça alheia", é apenas um olhar diferente e humorístico, até mesmo porque, convenhamos, tem como não rir do suposto omelete feito na cozinha da Ana Maria Braga?

                                                                           ***

Então, para terminar, nada melhor que um pouco de música, não é mesmo? Nem preciso comentar o quanto sou apaixonada por músicas, em todos os seus estilos, se tem qualidade, se tem ritmo, se tem letra, estou ouvindo! Hoje, vou compartilhar com vocês músicas da banda Oasis, uma em que participa só a banda e outra com a presença do Coldplay. Espero que gostem! :)

Esse é da música Whatever. Também quero dizer que para quem não está tão bom no inglês assim, vale a pena conferir a letra e a tradução da música, aqui!


O próximo é com a participação do Coldplay:

Finalmente, um ótimo domingo a todos!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Nem tudo é perfeito...

...nem tudo é tão maravilhoso quanto parece...

Primeiramente refiro-me à cidade do Rio de janeiro - a célebre "Cidade Maravilhosa" - conhecida internacionalmente pela sua beleza, que recebe milhares de turistas todos os anos e será palco de grandes acontecimentos esportivos. Mas, que ultimamente, também tem ganhado notoriedade pelas atrocidades que acontecem por lá, principalmente no que se refere às favelas, drogas e atos de violência urbana, infelizmente. Eis que a cidade perde, dia-a-dia, seu brilho de maravilhosa...Acredito que todos ficaram chocados, indignados, sensibilizados com o ocorrido na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no RJ. Tenho que confessar que lágrimas escorreram dos meus olhos quando assisti às reportagens nas emissoras televisivas. Arrepiei-me muito quando um menino contou que o assassino estava matando colegas ao seu lado, e, a única coisa que ele fazia era rezar, pedir proteção a Deus, e, enquanto isso o atirador virou-se para ele e disse que se acalmace, pois não atiraria nele e ele ia sobreviver. Fiquei indignada ao ver que as emissoras tiveram coragem de transmitir o sofrimento de uma mãe telefonando ao pai da filha avisando-o da morte da menina, um momento como esse não deve tornar-se instrumento de sensasionalismo, acho que tudo tem limite, posso até estar exagerando, mas, num momento como esse, acredito que o que a família mais deseja é privacidade, ou não, talvez nem pensem nisso diante do tamanho do sofrimento e da dor que as assolam, de qualquer forma, acho errado esse tipo de comportamento por parte das emissoras. Fiquei chocada com a crueldade, com o modo como tudo foi planejado e friamente executado, porém, não gostei quando alguns programas e cia chamarem o atirador de monstro. Sabe, creio que o termo monstro não se encaixe nesse caso, ele era um homem, sim, um homem com problemas psíquicos, patologias mentais, doente, que precisava de ajuda, ele não era um monstro, para mim, monstro são aqueles que tem plena consciência do que estão fazendo, sem vozes falando ao pé do ouvido, e fazem o mal por mero gosto e prazer. Wellington Menezes de Oliveira, ele também tinha um nome, uma cidadania. Acredito, ainda, que de todas as almas, a que mais precisa de orações é a dele, a que mais está sofrendo, é a dele, não é porque ele fez uma atrocidade de tal proporção que devemos esquecer de orar por ele, pelo contrário, é pela dele que devemos dedicar nossas orações - obviamente que não vamos deixar de rezar pelas crianças. Eu lamento muito, muito mesmo, essa tragédia, a morte de crianças inocentes, que não tiveram a chance de se defender, de escolher viver e aproveitar mais do que uma década de vida. Lamento pela história desse assassino, pois foi ela a motivação para que tudo ocorresse. Lamento pela nossa impotência em reconhecer o quanto as pessoas a nossa volta estão sofrendo, estão doentes e, então, não as ajudamos. Lamento que a linha entre morte e vida seja tão tênue e frágil. E, mais, que a vida seja tão imprevisível a ponto de não podermos nos despedir das pessoas que amamos.

"Segundamente", quero dizer que hoje foi um dia muito interessante, e, conforme tudo caminhar, será o marco para o início de mudanças na minha vida. Conheci uma pessoa que logo no início da nossa conversa me disse: "olha só, ninguém é perfeito!". Frase clichê? Talvez. O problema está no fato de que mesmo sabendo disso não nos damos por satisfeitos, não conseguimos nos conformar com essa situação, e, sempre restam dúvidas. Será mesmo que a perfeição é inatingível? Será mesmo que os meus sonhos não podem se realizar? Se ninguém é perfeito, por que alguns julgam-se perfeitos e são felizes? É só questão de auto-estima? Por que para muitos tudo parece tão fácil? Percebo que, às vezes, nos preocupamos demais com o jeito de ser dos outros, com a vida dos outros, afinal, a grama do vizinho é sempre mais verde e bonita, não é mesmo? E, muitas dessas vezes, não nos damos conta do que essas pessoas já passaram para chegarem aonde estão. Prefiro não me estender muito quanto ao sentido de perfeição, porque, na verdade, ainda estou "digerindo" essa ideia e é difícil falar sobre isso, teria que pensar e refletir sobre vários pontos para chegar a uma ideia final, ou não, já que, quando nos referimos a mim, ideia final torna-se um tanto contraditório, rsrs, e, no momento, não estou muito voltada para as respostas, confesso, dá um pouco de medo e receio, e também requer pensamentos profundos, o que vai contra a minha ideia de descansar um pouco a minha mente. De qualquer forma, quem nunca lutou, ou luta, pela perfeição? Quem nunca foi em busca, ou, está em busca dela? A perfeição pode adquirir inúmeras definições, facetas, pode variar de uma pessoa à outra, é simplesmente mutável. Então, como conviver com algo que sofre mutações constantes? É...como perceberam, trago mais dúvidas do que soluções, como disse, ainda acho complicado falar sobre isso, nem sei por que adiantei esse assunto...deve ser porque acho um assunto muito importante, que pode nos ajudar, nos ensinar e, assim, aprendemos a viver melhor nossas vidas, nosso cotidiano. Pois, fiquem com as perguntas retóricas, pelo menos vale a reflexão que advém delas.

Hoje não vou me prolongar - mais - , passei aqui somente porque senti essa necessidade de compartilhar alguns dos meus pensamentos e sentimentos do momento. Também, para deixar uma pequena opinião a respeito do que aconteceu no RJ, até mesmo porque, se eu fosse dizer tudo o que penso e toda a minha análise sobre esse fato, ninguém leria de tão grande ficaria o post, rs. Compreendo que estou longe da perfeição, isso me chateia um pouco - ou muito - , mas, continuo a tentar alcançar o mais próximo disso, - o que eu sei que para muitos pode ser considerado um erro - e, sobretudo, deixar que vocês descubram um sentido para a perfeição de vocês e também iniciem uma busca pelo mais próximo da mesma, se não sentirem necessidade disso, considerem-se grandes sortudos, como já disseram um dia: "Feliz do homem que não espera nada, pois nunca terá desilusões", ou, ao menos saibam - afinal, não quero ser responsável por maiores problemas na vida de alguém, longe disso: "A culpa existencial do homem consiste no seu fracasso em cumprir a exigência de realizar todas as suas possibilidades". - Sim, eu já tinha essa frase na minha cabeça há um tempo, mas, só hoje, diante de alguns ocorridos, dei-me conta do quanto isso é verdade e faz parte da minha vida...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ser solidário

Ontem passei pelo blog da Carla, o Le Petit Coin , e deparei-me com um post muito interessante, sobre o assunto solidariedade. Eu já tinha escrito alguma coisa a respeito do mesmo tema, assim, reuni partes desses textos, acrescentei mais algumas coisas e formei esse abaixo, visto que esse tema deve sempre ser comentado, divulgado, compartilhado e discutido.

Sem sombra de dúvidas a solidariedade é um gesto e uma atitude que nem todos são capazes de distribuir e menos ainda são os que sabem recebe-la. Quem sabe o significado de solidariedade a valoriza, pois ela é uma virtude, possui ideais cristãos de compartilhamento de bens espirituias antes mesmo dos materiais. Através da solidariedade também podemos promover um mundo mais igualitário e justo (pelo menos utopicamente). Mas, antes de possuir esse sentimento solidário acredito que devemos ter o sentimento da compaixão, tanto para quem quer ajudar quanto para quem quer receber. Se essas pessoas não estiverem com a alma repleta de compaixão não ajudarão verdadeiramente, ou, não deviam ter o direito a receber ajuda.



Há alguns finais de semana o programa Esquenta, com apresentação de Regina Casé, está no ar na TV Globo - todos os domingos na hora do almoço. Já assisti a uns 3 programas e percebi o quanto a Regina Casé é uma pessoa admirável. Sim, antes eu não era muito fã dela, vai ver era pelo jeito espalhafatoso, porque das roupas continuo não gostando, rs. Mas então, eu realmente vi, digamos que, a "alma" dela. Muitos exemplos de solidariedade foram mostrados, atitudes dignas de uma cidadã de corpo e alma e uma mistura brasileira como nunca tinha visto antes. Comecei a reparar no quanto aquela mulher tem um coração bondoso, enorme e se expressa muito bem, acorda as pessoas para a realidade, instiga-nos a darmos o nosso melhor em todas as áreas da vida, enfim, um grande ser humano. Lógico, não sei como é pessoalmente, sem estar na frente de uma câmera, mas espero profundamente que seja assim como se aprensenta para o público. Por que estou falando dela? Porque hoje eu quase chorei (de verdade) no programa dela, quando vi ela falando que ia ajudar uma criança e um outro rapaz apareceu com os olhos se derramando em lágrimas porque também já tinha sido ajudado por ela, e estava vendo no menino o seu passado, estava revendo as oportunidades que teve e o quanto a solidariedade da Regina lhe foi importante. Sabe, não sei se já comentei por aqui, mas meu sonho depois de me formar médica é poder dispor de um tempinho no meu dia-a-dia para poder ajudar quem não tem condições de pagar quase um salário mínimo numa consulta médica, quem não tem tempo de sobra pra ficar dias e dias numa fila para ser atendido (correção: mal atendido). Pretendo entrar no Projeto da Cruz Vermelha ou qualquer outro que possa ajudar-me a concretizar mais um sonho meu. Não vou fazer medicina pensando só no retorno financeiro, lógico que isso faz parte, mas antes de tudo eu quero entrar de corpo e alma na profissão, porque é uma coisa que eu gosto, porque vai me ajudar a distribuir um pouco de solidariedade, de ajuda humanitária, mundo afora, afinal, tem tanta gente precisando disso e disposta a receber com compaixão, não é mesmo? Também quero deixar claro que sou consciente de que não mudarei o mundo, mas as mudanças partem das pequenas atitudes que cada um tem no seu cotidiano.

Todos os finais de ano, todos os verões, veremos milhares de mortes por deslizamentos, soterramentos, desabamentos e tudo o mais de "entos" que surgir. Não, não estou desejando mal às pessoas e também não sou uma vidente, apenas estou falando da realidade que vivemos, é só questão de observação. O governo não tenta melhorar a vida desses cidadãos e os próprios cidadãos não tentam melhorar, então fica tudo na mesma. Até mesmo porque muitos sabem que se acontecer de novo aparecerão "um milhão" de pessoas para doar, ajudar e "facilitar" sua vida. Sim, muitos pensam dessa forma, acham que é obrigação de quem tem um "pouquinho mais" ser solidário com quem tem um "pouquinho menos", apenas ficam sentandos a espera de algum inocente disposto a ajudar. Enquanto isso inúmeras outras pessoas ralam dia-a-dia numa roça, num lixão, num serviço braçal e ganham menos do que o "pobre coitado" que recebe ajuda. Acho que antes de nos solidarizarmos com as pessoas devemos conhecer suas histórias, ver se realmente precisam dessa ajuda e se vão valorizar esse seu gesto e não tornarem-se uma sombra sua, vivendo as suas custas. Sim, é difícil "descobrir" isso tudo, mas ao menos você vai ajudar alguém que merece. Tenho certeza de que muitas doações feitas aos moradores atingidos pelo desastre na região serrana do Rio de Janeiro foram parar nas mãos de "voluntários", foram estocados por excesso, falta de necessidade ou porque não poderia ser usado mesmo (alguns tem o disparate de mandar o que não presta mais). Como eu já comentei no blog da Carla, tem tanta gente próxima a nós precisando de ajuda, porque não ir além de doar bens materiais e também doar um pouco de amor, de calor humano, de compreensão, elas não precisam só de mantimentos. Sem contar que no momento em que você manda esses tais mantimentos não sabe se realmente chegará nas mãos de quem precisa. Minha mãe já participou como voluntária, uma tia minha participou em Santa Catarina em Itajaí ano retrasado e ambas disseram as mesmas coisas, de que muita gente que estava como "voluntário" pegou para si objetos e mantimentos que foram enviados para os necessitados, ia só para "roubar" mesmo. Minha mãe também sempre diz que ao ajudar alguém, está fazendo a parte dela, de consciência limpa, o que a outra pessoa vai fazer com o dinheiro, por exemplo, é da consciência da pessoa. Mas, sabe, eu acho que se a gente pode ajudar e também pode saber se o que foi doado será bem aproveitado não precisamos dizer isso, às vezes a pessoa nem sabe o que é consciência pesada, afinal, já conseguiu os "trocadinhos" que queria mesmo! Antes de qualquer coisa quero ressaltar que em momento algum julgo as pessoas que mandam esses mantimentos, que fazem essas doações, se estão fazendo de coração é um gesto muito bonito, mas porque também não olhar mais para aqueles que estão a sua volta, que estão na sua cidade, no seu bairro?


A vida não é fácil pra ninguém, isso é fato. Mas se alguns são um pouco mais privilegiados que outros e tem a chance de ajudar a vida de alguém deveria ter uma atitude dessas, não custa muito. Como já disse, às vezes as pessoas precisam mais de apoio psicológico do que financeiro. A solidariedade é uma virtude ímpar, a partir dela muitas pessoas mudam de vida, mudam vidas e melhoram um pouco o mundo. Creio eu que ajudar alguém e ver nos olhos da pessoa a gratidão estampada não tem preço que pague, acho que foi por isso que eu quase chorei durante o programa da Regina Casé, foi lindo os olhos daquele rapaz, da criança e da mãe da criança cheio de lágrimas alegres por um ato que pouco custa à Regina. Nada melhor do que contribuir com alguém e poder ver um sorriso alegre, poder sentir um abraço caloroso, poder ser retribuido com uma cartinha, com um gesto simples, com um cafezinho que seja. Não tem preço que pague sentir-se bem consigo e com o mundo, sentir uma paz interior e saber que fez a sua parte. Acho que o mundo está em falta de pessoas com a alma limpa, com a consciência limpa e dispostas a melhorar o lugar em que vivemos, até mesmo porque, formamos uma sociedade, em que cada ação gera uma reação, cada gesto bom é retribuido por outro e mais outro. Por isso eu digo que tanto quem é solidário quanto quem recebe esse ato deve ter compaixão no coração, porque será através da compaixão que o solidário escolherá a quem ajudar e por meio da compaixão o escolhido poderá disseminar esse gesto, compartilhar com outros e ser para sempre grato a quem foi capaz de ajuda-lo. Vale ressaltar que compaixão é não ter indiferença frente ao sofrimento do outro. Então, sigamos assim, repletos de compaixão, amor, paz, simpatia, empatia e solidariedade!

Na obra "A História do Rei Lear" (texto quarto, cena 13), William Shakespeare descreve magistralmente o que é esta relação  com o sofrimento. 
(...) Quem sofre sozinho, sofre muito mais em sua mente (espírito). Deixa para trás a liberdade e a alegria. Mas a mente (espírito) com muito sofrimento pode superar-se, Quando a dor tem amigos e suportam a sua companhia, quão leve e suportável a minha dor parece agora. (...)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sim, Senhor (ou seria você?)

É, está mais do que comprovado que educação vem de berço, é aprimorada na experiência de vida e o dinheiro não interfere tanto quanto muitos imaginam.

Hoje aconteceu algo que eu fiquei chocada, tá, para muitos é normal, já estão acostumados com falta de educação, com a heterogeneidade que envolve o ser humano e etc. Mas vejam bem, no meio de uma aula uma aluna foi tirar uma dúvida com o professor e ao se direcionar a ele disse: "Professor, o SENHOR poderia......" e nessa hora percebi que todos a minha volta e mais um monte de gente da sala comentava o fato de ela ter usado o termo Senhor e, pior, davam risada desse vocativo. O que eu acho? Simplesmente um absurdo!

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O professor é novo (deve estar perto dos 30 anos) e não é casado, no entanto, o termo Senhor é questão de educação, de saber como se comportar e se direcionar às pessoas. Ao rir da menina estavam confirmando minha tese do quanto a educação e o modo de criar os filhos se modifica e varia de um pai para outro, de uma relação familiar para a outra. Quanto a isso tem pessoas dizendo que as "coisas evoluem" e o modo de criar os filhos também, não gosto muito de falar o termo evolução para essa questão, mas pode até ser, visto que evolução não corresponde a processos exclusivamente bons, que trarão ótimos resultados, também relaciona-se a processos que não trarão bons resultados, o que porteriormente o meio selecionará (Dá-lhe Darwin!).

Não sei se é porque eu vim de uma família muito tradicional, na qual desde pequena (e até hoje) era obrigatório pedir a benção para todos da família e comprimentar todos de um por um. Se a pessoa a que você fosse se dirigir fosse mais velha também deveria chamar de Senhor ou Senhora, do mesmo modo quando se direcionava aos meus pais e parentes. Quando o pai chama devia responder: "Senhor" e não "que foi". Assim eu, meus irmãos e muita gente foi criada. Acredito que rir de alguém pelo modo como ela se direciona à outra pessoa, sendo que esse modo, em momento algum, é perjorativo ou algo do tipo, é completamente ridículo, inescrupuloso e de gente sem educação com a visão turva.

Hoje me senti muito mal em relação a esses colegas. Percebi que as pessoas deixaram de se importar uma com as outras, que não respeitam nem o emissor nem o receptor da fala, que só porque uma pessoa é nova não pode ser bem tratada, que tudo vira motivo de risada e zombação. Não acho certo esse tipo de comportamento, é o que acaba com a sociedade, com as relações interpessoais. Quanto custa dizer palavras bonitas, dizer obrigado, boa tarde, boa noite, e chamar alguém de senhor, demonstrando respeito?!! Chegamos ao ponto em que as pessoas dão risada de alguém que se comporta com educação e respeito, mas, muito pelo contrário, acham bonito coisas apelativas, fofocas, chamar o outro de "véi" e etc. Sério, fiquei muito, muito mesmo, indignada e incrédula com o acontecido do dia, até mesmo porque eu também me direciono aos professores e às pessoas mais velhas com o vocativo "senhor ou senhora" e acho absolutamente certo e normal.

E para completar, só para constar o quanto é inadmissível, no meu local de estudo não tem gente de classe baixa (com raras exceções de alguns bolsistas, rs), a maioria são de classe média-alta (alguns bastante alta, diga-se de passagem), ou seja, tem de tudo para serem educados, possuem acesso mais fácil a cultura e educação, completamente o oposto de grande parte da população. É lamentável que não saibam aproveitar as chances que tem de crescer e evoluir, como pessoas (seres humanos) e como profissionais que serão no futuro. Não gostaria de chegar num consultório médico e vê-lo desrespeitando outras pessoas (funcionários por exemplo) e muito menos me chamando por gírias. Mais uma vez dinheiro não quer dizer nada, uma vez que educação e respeito são adquiridos no ceio familiar e na convivência do dia-a-dia, só espero que, como adultos que já são, a vida lhes ensine como tratar bem as pessoas.

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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

De tema livre à instituição familiar...

Consequência de uma pausa...

Consegui, felizmente, tirar uma horinha de pausa hoje. Aproveitei para ler, assistir um pouco de TV e também entrar na internet. Entrei no blog, fiquei um tempo olhando e me surgiu uma vontade de escrever. Para hoje não estava prescrito publicar algo, mas, sabe quando surgem aquelas vontades que, se podem ser realizadas, não custa nada?! Está sendo assim. Estou com vontade de escrever e vou escrevendo, simplesmente sem ter nem quê nem por quê, só quero escrever...(Na verdade, deve ser porque hoje tive 2 aulas de redação, algo inesperado, pois geralmente as escolas só tem no cronograma 1 aula de redação por semana! - Inesperado e inspirador.)

Ações, vontades, desejos inexplicáveis ocorrem conosco a todo momento. O que devemos fazer então é apenas nos controlar e saber lidar com as maiores adversidades que a vida nos prega cotidianamente. Uma chuva inesperada e pronto, você praticamente toma um banho, só faltou o sabonete pra ser completo, não é mesmo?! Mas, o fato é que ninguém acha "legal" ser pego de surpresa por uma chuva, pelo contrário, o estresse aumenta. Muitas surpresas não são bem vindas ou então não são bem aproveitadas. E a vida nada mais é que bombardeios de surpresas em nossa direção a todo instante. Principalmente agora, no século XXI, que a mídia e os recursos da internet estão cada vez mais rápidos, disseminando qualquer notícia em poucos segundos.

Essa semana estava jantando e assistindo TV (atitude nada saudável, inclusive que minha mãe, nutricionista, condena, mas, como reza o ditado: "santo de casa não faz milagre" ou, "casa de ferreiro espeto de pau", na verdade, é basicamente nas horas das refeições que eu aproveito para assistir TV e jornais e me atualizar um pouco mais, o resto do tempo, os estudos me consomem, rs) quando me deparo com o video da ex-modelo Cristina Mortágua e seu filho na delegacia causando o maior escândalo. Lembro-me bem quando ela causou o maior rebuliço ao divulgar um video considerado por mim um tanto "caliente" no qual fazia "par" com seu filho menor de idade. Agora, vejo-os em plena briga dentro de uma delegacia. Desse modo, pergunto-me: o que realmente é família? Qual o verdadeiro conceito de "família moderna"? Como os pais devem educar seus filhos?

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Com certeza a resposta para a última pergunta não existe. Não podemos nos direcionar à Mortágua e simplesmente dizer que está errada, que não sabe educar o filho e cuidar da família e dar "receitas" para que tudo melhore. Ela tem uma personalidade, o filho dela tem outra e assim por diante, pois cada um é cada um. Entretanto, devemos sim saber como lidar com as pessoas, devemos sim ensinar o que é considero certo e errado, devemos sim compartilhar o amor, o carinho, o respeito, devemos sim mostrar o que é uma família, devemos sim ter pudor e respeitar a privacidade, devemos sim nos preservar mais, devemos sim procurar tratamento e ajuda quando estamos "doentes". Acho que educar é uma das tarefas mais difíceis existentes, uma responsabilidade enorme com inúmeras consequências, não só para a família em si, mas para a sociedade em geral. A partir desse acontecimento entre a ex-modelo e o filho percebemos o quanto está defasado o sentido de "família" e tudo o que está envolto. Sem contar que essa questão é tratada por mídias de "fofoca" quando deveria ser analisada por psicólogos, psiquiatras, sociólogos e etc, e ainda fazem sensacionalismo, degradam bastante a imagem da "celebridade" e no fim da "reportagem" fazem "cara de gente séria" inconformada com a situação. Compaixão? Solidariedade? Apoio? Ajuda? Esse tipo de programa não sabe o que é isso.

E quanto ao significado de "família moderna", termo enormemente citado? Nenhum preconceito para com casais homossexuais, para com pais separados, para com famílias que não as consideradas "tradicionais". Apenas gostaria que o conceito de família fosse levado mais a sério, que os pais respeitassem os filhos e os filhos respeitassem os pais, que houvesse realmente amor, compreensão, diálogo, convivência. Ninguém é feliz só com dinheiro recebido de pensão ou não. É feliz quem tem amor ao redor, quem tem presença e convivência familiar, quem tem alguém para apoiar, criticar, orientar e fazer de tudo para que sempre melhore, progrida. Lógico, dinheiro é imprescindível, mas também não é único e sozinho não basta. Em todas essas "intrigas" familiares pouco se vê a opinião e a interferência do pai do garoto, o ex-jogador Edmundo. Acredito que deviam existir mais escolas para ajudar os pais despreparados, já que a vida não é o bastante para ensinar e sozinhos também não são capazes de compreender os erros e acertos para saber educar os filhos e formar uma família de verdade.

Violência, drogas, excessos, vícios, descontrole, doenças mentais. Tudo isso tem ligação direta com a questão familiar. Família é um dos alicerces da sociedade e quando está frágil, decadente, abala toda a estrutura social. Apenas é lamentável que com o passar do tempo, com o desenvolvimento, as mudanças ocorridas na sociedade tenham interferido no conceito e na experiência de família. Hoje em dia muitas crianças não sabem o que é isso, muitos adultos não tiveram essa chance e ainda terão muitas pessoas que crescerão sem saber.

Bom, iniciei com vontade de escrever e escrevi. Confesso que minha vontade era escrever uma coisa mais leve, pois era o que eu estava sentindo. No entanto, ao ler algumas reportagens e lembrar-me desse fato "familiar" não resisti e opinei. Só quero deixar claro que não sou estudiosa e não tenho carga experimental e técnica para falar desse assunto, apenas expressei-me. E, ainda, não estou falando exclusivamente dessa família, simplesmente peguei-a como exemplo para citar o que ocorre em muitas outras famílias mundo afora. E outra, quem sou eu para sair falando da vida dos outros com desdém, superioridade? Confirmo, não quero ofender ninguém.

Ah! Indico duas leituras hoje: Escândalos da "vida real" fazem dura concorrência ao BBB , texto escrito e postado por Mauricio Stycer.
Compre bastante, coma muito. Mas seja magro texto escrito e postado por Leonardo Sakamoto. Até gostaria de afirmar para que priorize esse texto do Sakamoto caso seu tempo seja curto. Sobre esse assunto falarei outro momento - de preferência num momento em que não esteje comendo muito, como agora!

Termino aqui, matei minha vontade de escrever e ainda falei sobre um assunto impertinente e um tanto polêmico que gera muitos debates.
Um bom final de semana a todos, agora voltarei aos estudos - vestibular no meio e no fim do ano, e ainda prova no cursinho amanhã!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vale a pena assistir!

Consequência de uma pausa...
 
Ano passado, no início do meu segundo semestre de cursinho, uma professora indicou para que a turma assistisse a esses videos. Naquela época (não que seja num passado muito remoto), eu assisti e gostei bastante. Semana passada fui dar um limpa no meu computador, eis que acho novamente os videos. Assisti-os outra vez. Então, meu olhar muda, meu modo de pensar muda, pois agora estou mais madura para o que acontece a minha volta e com a sociedade de um modo geral. Depois de sofrer outra derrota nos vestibulares da vida os videos ficam mais claros, mais necessários ainda.

Esses videos apenas mostram a realidade em que vivemos. Se é certo ou errado só o futuro, só a história que virá poderá julgar e viver com as consequências. De qualquer forma, sou fã assumida do Mário Sérgio Cortella e estou de completo acordo com os dizeres dele.

E, agora, enfrentando mais um semestre de cursinho, ansiosa para entrar na faculdade, me pergunto: ansiosa, por quê? Preciso de mais tempo para quê? Será mesmo que já devia saber disso tudo? Não nasci pronta mesmo?

É, confesso que as respostas para as duas primeiras perguntas eu tenho, ô se tenho, mas deixo para depois. Abaixo postei os videos, caso algum erro ocorra, aqui vai o link no You Tube:  http://www.youtube.com/watch?v=89BMhivvRFE

Ah! Detalhe: o link acima entra direto na parte 1, ao todo são 4 videos, todos postados pela mesma pessoa e facilmente encontrados no lado direito da tela, podem parecer longos, demorados, mas são ótimos, apenas alguns minutinhos, vale a pena mesmo conferir, refletir e, principalmente, agir, levar as conclusões para o dia a dia! E o título do vídeo é: Mario Sergio Cortella - Não Nascemos Prontos

Bom, dizendo a verdade: minha conexão está um tanto lenta (ela faz isso só pra me irritar, sempre quando preciso de coisas urgentes, rápidas!, rsrs), esperei por uns 20 minutos para que carregasse os 4 videos, entretanto, meu tempo hoje é curtíssimo e tive que cancelar. Assim sendo, o link dos videos está aí, quem se interessar, só clicar! Quem preferir assistir aos videos depois, salva o link, ou me peça para mandar por e-mail, só comunicar que a gente dá um "jeitinho brasileiro" para que todos tenham acesso garantido!

Tenham um bom resto de semana!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Anem, ENEM: a crítica não abala a esperança de um futuro melhor

Estava organizando meus pensamentos para saber ao certo o que escrever, o que pontuar e, principalmente, como criticar. No início tentei me desvencilhar desse assunto que me tormenta e traz más lembranças, entretanto, tornou-se indispensável falar sobre ele, o célebre ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). (Detalhe: estou revoltada, portanto, texto com alta carga de ironia, humor negro, criticidade e falta de paciência.)

Nos dias 06 e 07 de novembro de 2010 foram realizadas 4 provas, cada uma contendo – ao menos era pra ser assim – 45 questões. Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, mais a prova de Redação. O Brasil inteiro ficou alerta nos dias em que muitos estudantes estavam decidindo suas vidas. O futuro dessas vidas e, de certa forma, da nação, em evidência nas provas a se realizar. É lamentável apenas que um dos que mais deveriam estar interessados na qualidade das mãos-de-obra que serão formadas, tenha tido desatenções ao longo do planejamento dessa prova gigantesca, o governo e os que fazem acontecer essa “idéia”.

Era de se esperar que tudo fosse transcorrer às mil maravilhas, uma vez que em 2009 o modelo usado foi o mesmo e, geralmente, os erros cometidos no passado servem para que sejam corrigidos no futuro e não voltem a ocorrer. Mas, no Brasil em que vivemos e desde que o conhecemos, sabemos que as coisas não funcionam como deveriam. Eu e alguns amigos fizemos o ENEM em 2009 e em 2010 e a conclusão da maioria é que realmente o Brasil ainda tem muito a melhorar, e também vale lembrar que para muitos, o de 2009 foi mais positivo que de 2010, mesmo com o fato do roubo das provas. Por quê? Talvez seja porque em 2009 não vimos de modo tão descarado a má realização das provas e o mau treinamento dos fiscais como nesse último ano. Ou, então, pelo fato de estarmos mais preparados, alertas e experientes no quesito realização de vestibulares Brasil afora.

E daí se concorrentes usaram relógios? Quem se importa com o uso de lápis e borracha permitido a alguns e a outros não? O que tem alguém usar o celular dentro da sala, conversar normalmente e o fiscal apenas pedir para que desligasse e guardasse? Qual o problema de os fiscais não passarem informações corretas, não seguirem o edital e muito menos dar apoio aos estudantes? O que há de errado em vazar conteúdo das provas, tema de redação? Para quê levar identidade, para quê ser identificado se alguns fizeram sem ela? Não é verdade que a prova de matemática não precisa de rascunho e a de humanas sim? De que adianta provas bem feitas, com datas corretas, se não interfere na resposta, se os alunos errarão ou acertarão do mesmo jeito? Afinal, para quê edital se não precisa necessariamente ser seguido? Por que se preocupar com tudo isso? Assim foi a realização do ENEM 2010. Essa foi a importância dada, aos fatos e relatos de desigualdade, pelo alto escalão do governo, através do MEC, INEP e Ministério da Educação: nada de errado, tudo normal, nada que modificar, a educação “melhorou muito”, estamos de parabéns – pois eu digo: parabéns sim, pela incompetência! Com toda a certeza, eles desconhecem que são os erros de aplicação os que mais causam transtornos, alguns podem até serem considerados erros "pequenos", mas se somados tornam-se grandes "inimigos" de quem está tentando fazer uma boa prova em busca de uma vaga numa universidade federal para um dos cursos mais concorridos. Sem contar que erros acabam com a confiança na prova, abaixa mais ainda o nível da mesma, humilham o intelecto dos estudantes que se preparam para àquele momento, praticamente jogam no lixo anos de esforço e estudo, com direito a “sangue, suor e lágrimas”.

Para completar, diante de tais ocorrências, totalmente verídicas, ainda teve quem defendesse e dissesse que tudo não passava de “tempestade em copo d’água”. Vou ser sincera, fiquei puta de raiva dessa gente de pensamento pequeno, hipócritas e medíocres. Falam isso porque não tiveram que passar por tudo que nós, estudantes, passamos, porque não tem o seu futuro “em risco”, em “zona de perigo” por falta de atitude, por falta de competência de quem comanda essa prova, porque não tem o futuro nas mãos de poucos que nem se importam com você e muito menos sabem da sua existência e de tudo o que você passa até chegar esse momento e durante esse momento.

Vale ressaltar o modo de correção das provas, o método TRI, que segundo Fernando Haddad coloca todos em situação de igualdade, que evita os chutes e etc. Então, caro Haddad, por favor, me explique como alguém que erra somente 6 das 45 questões na prova de Linguagens tira uma nota absurdamente baixa, de 700 e poucos, e, ao contrário, quem erra mais tira uma nota maior que essa? Sem que nenhum dos 2 comparados chutasse a prova, e ambos, de certa forma, possuem o mesmo nível de conhecimento? Queria saber se quem fecha a prova tira menos de 1000, tem como? Tem muita gente que tem condições de fechar uma prova, e não é porque simplesmente chuta, até mesmo porque, não tem como depender de chutes para tirar boas notas e nem todo chute é certeiro, é somente por conta do conhecimento, adquirido com vários anos de estudo, que vocês, meus caros, não levam em consideração e desmerecem. Aí, nos aparece o caso da realização de novas provas. Lógico que ninguém queria arcar com as conseqüências desses erros, então “o TRI é um método de total igualdade”, mesmo que as provas sejam diferentes, que os enunciados sejam diferentes e o conteúdo seja diferente. Vem cá, me expliquem a diferença entre igualdade e equivalência, pode ser? 1+2 é uma coisa, 2+1 é outra totalmente diferente, cada um pensa de um jeito, para um, o primeiro modo pode ser mais fácil, para outro o segundo é mais fácil, e quem tem o direito de querer modificar isso – o fato de que cada cérebro enxerga as coisas de um jeito? Esse método não leva em conta que o que a maioria pode considerar fácil e acertar eu posso considerar difícil e errar, e assim, por essa questão, vou ter minha nota diminuída, mesmo que eu acerte o mesmo tanto no total bruto que outro candidato que acertou essa questão considerada “fácil”? O cérebro é único, exclusivo de cada um, sendo que cada um pensa de um jeito, tem um raciocínio, tem facilidade com aquilo e dificuldade com aquilo outro. Mas, lógico, governo é governo, Lula é Lula, no ápice de sua aceitação popular, no auge do seu governo, em fim de mandato, considerado um “ídolo” da história brasileira com direito a filme – que segundo eles nada tem a ver com política, “aham Cláudia, senta lá”, e Fernando Haddad é um ótimo Ministro, por dentro dos assuntos, educador, sábio, que toma ótimas decisões e melhorou demasiadamente nossa educação, tanto que continua lá, no Ministério, não é mesmo? Quem sou eu para criticá-los? De certo sou um simples alguém da oposição, alguém que luta contra o nosso desenvolvimento, ou melhor, uma conspiradora, que não merece a mínima atenção. Faça-me o favor né gente! Vamos acordar aê, porque se continuar assim fica difícil ter um futuro nesse país. Depois ainda ficam se perguntando por que os brasileiros do mais alto nível saem do país, por que fazem sucesso, tornam-se profissionais respeitados lá fora, comandam pesquisas importantíssimas enquanto aqui ninguém nunca ouviu falar, com uma população totalmente desinteressada em política, ciência, educação, apenas querendo comprar, comprar, comprar, ganhar, ganhar, ganhar e “subir na vida”. Meu Deus! Que país é esse? Como vamos melhorar se não tivermos educação de qualidade, como se “sobe na vida” sem saber ler, escrever e interpretar? Passem-me a receita que se for assim eu estou precisando urgente. Alguma coisa pode até ter melhorado, mas por enquanto, só sei de melhorias no salário de vocês, caros governantes.

Quanto aos que realizaram a “segunda prova”, nada a comentar, o que tinha para dizer acho que todos já compreenderam: uma total injustiça. Aí entra o detalhe dos presos e tal, e por que esses tais presos não podem realizar as provas nos mesmos dias que nós, reles mortais? Sinceramente, não vejo nenhum pingo de igualdade nessas provas, não é um segundo vestibular, é o mesmo vestibular, são os mesmos que concorrem com os que fizeram as provas nos dias 06 e 07. É claro que eles mereciam uma segunda prova, mas não é justo que só eles a recebessem. Ao meu ver, deveriam ter aberto para qualquer um que se sentisse prejudicado, automaticamente cancelando as primeiras provas. Desse modo, ninguém poderia reclamar posteriormente e haveria igualdade enquanto todos tiveram a chance de escolher entre refazer ou não.

De acordo com as correções que muitos andam reclamando, tenho a reclamar somente do método TRI, “só” isso, nada mais. Quanto às redações zeradas e etc., não vejo nada de mais, se o candidato não fez o que tinha que ser feito, não seguiu a risca as recomendações, não estava preparado, é certo que seja zerada, ao menos nesse quesito o edital foi seguido. Ah! Claro, a correção é feita por humanos normais, com a exceção de que tem conhecimento, sabem o que estão fazendo e as conseqüências dos seus atos.

Será que eu estou esquecendo de relatar mais alguma coisa? Há, sim, o SISU. Disseram que esse ano o site suportaria as milhares de entradas, sei disso porque participei do “bate-papo UOL” com uma repórter e um porta-voz. Até onde eu saiba passou longe, devido a minha desmotivação só fui tentar ontem de manhã por grande insistência dos meus pais – reconheço - e além de demorar um século para que abrisse a página consegui fazer só uma inscrição, a segunda ficou pra depois, nem sei se vai ter depois, mas ficou, por conta dos erros do site e da minha falta de paciência com tudo isso – concordemos, ninguém merece agüentar, não sou fantoche deles para que eles façam o que bem entendem. E os que estão isolados, prejudicados por motivos de força da natureza, vão ficar em desvantagem? Acho que agora o que eles estão pensando menos é sobre o SISU, perante aquela devastação, falta de água potável, comida, roupas, moradias. Mas o negócio é o seguinte, depois que passarem as 3 etapas do SISU eles não podem ter direito exclusivo de nova seleção, teria que haver mais uma etapa nacional até que a situação naqueles locais melhorem, para que ninguém saia prejudicado nessa história, nem eles, nem nós, saibam disso.

Acho absolutamente certo que entrem com processos contra o governo. Até mesmo passou pelas mentes aqui de casa essa possibilidade. Já passou da hora de alguém transformar essa realidade, acordar, se atentar e consertar o que tem de errado. Dilma está começando bem, colocando o povo para trabalhar, tirando um pouco das mordomias dos Srs. Ministros - sem levar em consideração alguns pontos negativos. Só espero que continue assim, que ela saiba o que fazer e olhe mais pela educação defasada que enfrentamos diariamente no Brasil. Como já disse, nós somos pessoas, gente, humanos, estudantes, que deram duro para conseguir realizar uma boa prova. No entanto, no “grande dia” dá tudo errado, sem termos culpa “no cartório”, mas nós pagamos o “pato”. Isso não está certo. Nós estamos, sim, submetidos ao governo, ao que eles aprontarem, fazerem ou deixarem de fazerem, só que não devemos, de forma alguma, agüentar calados, quietos, apenas assentir com a cabeça e ponto final. A vida não funciona assim, muito menos um país democrático, cujo lema é “Brasil, um país de todos”. Onde estão esses “todos” quando o Brasil precisa? Onde está a concretização desse lema? Onde está a “Ordem” e o “Progresso” na educação?

Resta-me saber apenas se depois de 2009 e 2010 ainda haverá ENEM no meio do ano. Será que vão ter competência para isso? Fica então mais uma dúvida, mais uma incerteza a martelar nas mentes dos jovens vestibulandos, que ainda tem esperança de melhoria da educação, melhoria do país que tanto amamos, fomos criados e vivemos. Esperança de um futuro melhor, que prioriza a educação, que dá importância à população, que leva em consideração os sonhos de cada jovem construtor desse país. Sei de uma coisa, a maioria dos brasileiros pode ter memória fraca, mas eu não, eu sei em quem votei, eu sei de quem cobrar, sei que a culpa não é só do governo, talvez seja mais da população apática, alienada, acomodada, egoísta e hipócrita, mas, de qualquer forma, não vou esquecer tão fácil assim desses acontecimentos determinantes para muitas vidas que estão apenas no seu início. Se eu pudesse, tivesse essa força, não deixaria que esses mesmos erros viessem nos acometer novamente, nenhum brasileiro merece passar por essa vergonha e humilhação.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Quando você vê seu castelo de areia desmoronar...

Ajudando a confusão total dos meus pensamentos se ordenarem – por enquanto apenas tentativa!

A difícil vivência do dia a dia está me sacrificando com acontecimentos ruins diários. Na última postagem delatei minha tristeza, com uma pontinha de tentativa de recuperação, com um pouco mais de alívio e compreensão. No entanto, aquele dia ainda me reservava notícias piores, o que tem a ver com o ENEM, mas não pretendo entrar em detalhes, pois já me chateei demais, desde o primeiro dia de provas (o que conto em detalhes mais tarde). Então, eis que desabo, literalmente, nada de compreensão, de alívio, mansidão, dessa vez até mesmo meu pai – que afirma não gostar de me deixar muito sozinha, porque segundo ele eu sofro mais – interveio. Foi um choro constante, contínuo, que parecia não ter fim, meio escondido entre os cabelos e as mãos, num canto de uma sala em que ninguém mais iria àquela hora da noite, visto que as mulheres da casa estavam assistindo ao penúltimo capítulo da novela Passione (a qual nem comento, pois essas novelas não merecem meu comentário, e sim, hoje acho que estou um “pouco” rebelde, se é que existe “meio” rebelde, rs), os homens estavam entretidos com futebol, comida e sei lá o quê mais e as crianças estavam procurando um jeito de se machucarem na rede (diga-se de passagem: mais uma vez) balançando desordenadamente, ou, de se sujarem depois do banho que as deixam parecendo gente outra vez, brincando de “homenzinhos” e outras invenções próprias da idade, já que da piscina já estavam cansadas e àquela hora da noite nem podiam mais. Dessa vez, consegui minha solidão até certo momento, ta certo, foi num péssimo dia, mas pelo menos essa “vitória” de alguns minutos eu consegui, rs. (Agora que eu reparei o quanto minha descrição ficou parecendo cena de filme, rsrs). Nesse dia chorei como se o mundo tivesse acabado para mim, como se a minha vida tivesse ganhado um ponto final, como se nada mais importasse, como se os meus sonhos tivessem que completamente permanecer no mundo das idéias, como se meu castelo de areia tivesse desmoronado. Não sou de xingar, acho horrível, feio, nojento, principalmente quando vejo meninas, ou mulheres, xingando, mas foi tão forte que eu o fiz. O ENEM simplesmente pôs fim no que restava de mim (já disse que eu sou dramática, mas, de certa forma, não deixa de ser verdade, as últimas esperanças sempre são últimas, e, sempre tem um fim, mesmo que não seja o que a gente espera). Sabe quando você já se sente no chão, e aí lembra: “do chão eu não passo”, mas recebe uma notícia, ouve uma frase inoportuna e percebe que isso cavou um buraco e lá você foi parar, mais no fundo ainda. Nessas horas você também se lembra dessa outra frase batida: “quando tudo está ruim, lembre-se, sempre pode piorar”, e confirma que é a mais simples e pura verdade. Tá bom, meu pai me acolheu, as frases ditas por ele foram as de sempre, o que já torna praticamente em vão, lógico, tem sempre um peso emocional no momento, só que depois passa (já virou rotina, rsrs). E fui dormir, fim. Fim? Nãããão...(Não, também não sou Adolph Klimber, mas aos poucos eu chego lá, kkk, credo! To longe daquele “sofrimento”, mas não me “abati” totalmente – gosto de evitar o verbo “abater”, já que ouço muito falar em abate de vaca, boi, porco nos frigoríficos, rsrs, não morri ainda, e foi o primeiro termo que veio a minha cabeça, como já disse, redijo tudo no ápice da vontade e conforme vou lembrando e pensando, por isso as coisas ficam meio confusas às vezes, como agora em que houve uma “fuga ao tema” enorme, rsrs). Na manhã seguinte, como se já não bastasse, chorei mais, e nada melhor para consolar do que uma música quando estamos fora do nosso território, do nosso campo de atuação, com muitas pessoas em volta (pessoas essas que se te vissem chorando, com toda a certeza do mundo, perguntariam o motivo, iriam espalhar aos outros, ficar preocupadas, etc, etc, etc, como ocorre em toda família, principalmente nas mais unidas, rs). E as primeiras a tocarem foram do Padre Fábio de Melo, preciso dizer o quanto mais chorei? As mensagens de “Não Foi Tua Culpa” e “O Caderno”, me fez refletir, refletir, refletir, e encharcar o travesseiro, mas, para variar, de nada adiantou, porque a dor e o sofrimento da realidade são maiores nos primeiros instantes, só depois de um tempo você vê que o que foi dito realmente é interessante e importante “levar para a vida” e fazer acontecer. Porém, também sabe o quanto é difícil tornar esses ensinamentos realidade na própria vida, do mesmo jeito que livros de autoajuda não ajudam quem não tem força de vontade. Ou seja, tudo na vida não passa de uma questão de força de vontade. Estou aprendendo isso.

Diante de tais relatos é claramente perceptível (não poderia passar sem falar mais uma frase clichê de redações, né?! rs) que tenho 99% de chances de voltar a uma sala de cursinho. Dessa vez, um cursinho diferente, já deu o que tinha que dar o local onde eu estudei desde um semestre do primeiro ano ao fim do terceiro e mais um ano de cursinho. Embora tenha vários motivos para lá permanecer, como o desconto da bolsa meritocrática que eu tenho, o nível da escola, a relação com os funcionários, professores e diretores, as relações de amizade, o querido e amável diretor Permínio, ainda prefiro mudar. Acredito que voltar para lá só se não houvesse alternativas, uma vez que também tenho outros tantos motivos para não permanecer, tais como enfrentar as mesmas aulas com os mesmos professores (alguns, inclusive, desde o primeiro ano), enfrentar a cara de pena de quem já te conhece e te vê no estabelecimento há 3 anos e meio pensando “ela aqui outra vez?!!”, enfrentar algumas pessoas da “MED 1A Sala 1” te olhando com olhar mortífero só porque você é concorrente, enfrentar essas mesmas pessoas dando a entender que são as melhores, a última Coca-Cola do deserto, a última bolacha do pacote, enfim, com todo sua prepotência e arrogância (estou ciente de que encontrarei pessoas desse mesmo jeito em outros locais e por toda a minha vida, mas pelo menos as caras mudariam, rs), enfrentar algumas desordenações, enfrentar aquele local, aquele espaço, aquelas salas que você freqüenta parece que já há uma eternidade, enfrentar as mesmas piadas sem graças do professores que nunca mudam o repertório. Infelizmente voltar para lá é ir de encontro à desmotivação.

Tem momentos na vida que exigem mudanças, esse é um que chegou para mim. Portanto, a partir de hoje, agora um pouco melhor e mais recuperada, estou passando por mudanças, interior e exteriormente falando. (Não, não pretendo fazer plásticas, mas sim voltar às corridas, talvez às danças e em última caso à academia – eu gosto bastante, mas anda tão caro, não tenho coragem de pagar em torno de R$150,00 para mais, para fazer 2 ou 3 dias de exercícios, sendo que tenho o ar livre com locais propícios para caminhadas, corridas e etc. rs). Agora sim, estou me libertando do ano de 2010. Mas sei que: “O pior dos castigos, para o qual só há pior no inferno, é a gente recordar. O passado te persegue como um cão perverso nos teus calcanhares. Não há dia claro, nem céu azul, nem esperança de futuro que resista aos assaltos das lembranças.” – isso nos dias ruins, e a partir de memórias ruins, caso contrário, tudo mil maravilhas! Também sei que de planejamentos no papel ninguém vive, por isso nem coloquei no papel propriamente dito. Eu sou a prova viva de que planejamentos tem tudo para dar errado. Deixei de fazer listinhas, com exceção das de livros e filmes para adquirir, e ler ou assistir depois que passar no vestibular ou quando tiver um tempinho sobrando - o que para mim é praticamente utopia, rs. Deixei de fazer planos a longo prazo, tais como o plano de passar no vestibular direto do terceiro ano, só não contava que iria escolher medicina, rs. Enfim, estou me sentindo pronta para enfrentar a vida novamente, com todos os seus indecifráveis desígnios perante a pequenez e fragilidade própria dos  humanos, inclusive a mim.

Mais um motivo para essa “virada” e maior força de vontade foi o Guia Veja da última edição, a 2200, intitulada: “Faculdade particular ou mais um ano de cursinho?” Confirmei o que já sabia: resta-me mais um ano de cursinho. E lembrei-me também de que não estou sozinha nessa, como na própria reportagem foi afirmado sobre o vestibular da FUVEST, no qual foram 122.177 os que realizaram a segunda fase, desconsiderando os treineiros, apenas 10.652 terão sua vaga garantida na tão sonhada USP, ou seja, 9 em cada 10 candidatos terão que fazer outra alternativa, incluindo a matrícula em outras instituições, abandonar o barco ou o cursinho. Só não estou de acordo com o coordenador de vestibular do Anglo de São Paulo, Alberto Francisco do Nascimento, de que “o ideal é começar a faculdade até os 25 anos”. Deus me livre! Imagina passar praticamente uma vida inteira no cursinho?!! Pensa só, nas minhas condições, desde os 17 no cursinho até os 25, seriam 8 anos, o curso de medicina dura 6 anos, mais uns 4 de especialização. Não, quero isso pra minha vida não. Sei que dependem das circunstâncias, que, geralmente, em outros estados, a maioria dos estudantes termina o ensino médio mais velho e que talvez não tenha aquela disputa para ver quem aprova mais alunos que saíram direto do terceiro ano como existe em Goiânia. Foi visível a diferença, pelo menos nos meus locais de prova, das competições entre as escolas no Sul do país. Em Goiânia – digo sempre Goiânia porque é o maior centro dos cursinhos, dos estudantes em Goiás – há uma enorme competição entre as escolas, entre os cursinhos. Há casos de professores demitidos porque começaram a lecionar em concorrentes, ou, escolas que simplesmente impõem aos professores que eles só abram específicas nos seus estabelecimentos. Fora daqui, não vi casos parecidos, até deve existir, mas desconheço. E quanto a isso, acho tudo um grande absurdo, e sem mais comentários!

Virei à folhinha do calendário, assim, que 2011 comece! Ele é muito bem vindo, pois espero que ele esteja trazendo ótimas realizações e conquistas para mim e todos vocês – olha só, meu lado otimista me surpreendendo, eu que geralmente sou tão pessimista, mesmo nas melhores circunstâncias! Também né, se com 2 anos de cursinho eu não conseguir, não sei se me agüento – confesso, iria dizer coisas piores aqui, mas capaz que vocês me “condenariam”, rs – mas, ainda estarei dentro do prazo do meu pai, de 3 anos de cursinho, e olha que ele já está me fazendo a “lavagem cerebral” para que preste em faculdades particulares, se não fosse a “pequena” mensalidade que gira de R$4000,00 a R$8000,00 – reitero, esse gasto SÓ em mensalidade – queria taaaaaaaanto ter ganho na mega-sena da virada, ou qualquer outra, só para vocês terem noção, que se eu fosse depender de chute nas provas estava ferrada, não acertei sequer um (1) número da mega, incrível, feitos que só eu consigo! kkk

Bom, termino por aqui, acho que já escrevi o bastante. De qualquer forma, apesar de uma leve intoxicação alimentar – a qual também já estou acostumada, visto que meu sistema digestório é fraco e, vez ou outra, tenho esses transtornos, e que meu sistema imunológico anda baixo devido ao alto nível de estresse e a vida pouco saudável que ando levando – e desses transtornos emocionais, sinto-me melhor, produzindo meus textos de autoajuda (para atingir a mim mesma, um pouco contraditório do usual, mas acho que estou certa, afinal, estou ajudando a mim mesma produzindo textos, enfim, não vou me aprofundar nessas dúvidas superficiais!). Como a Teca já disse, as letras me fazem companhia! De uma certeza eu tenho, estou beeeeeeeeeeem mais aliviada!