quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo e a condição de ser humano

Nessa terça-feira aproveitei uma viagem no melhor estilo "De volta para minha terra" (para maiores esclarecimentos a cidade é Goianésia - GO) para ler um livro. O escolhido da vez foi "Feliz Ano Novo", um livro de contos do célebre Rubem Fonseca, o qual eu estava anciosamente esperando para iniciar a leitura, tanto foi que consegui ler praticamente todo o livro na viagem de 2h30min, deixei 2 contos para terminar ao chegar em casa, visto que precisei dar uma cochilada na estrada, rs.

Image by Google


Feliz Ano Novo foi lançado no ano de 1975, em época de ditadura militar no Brasil. Mas, no fim de 1976, depois de já terem sido vendidos mais de 30 mil exemplares, o Departamento de Polícia Federal recolheu todos os exemplares devido a um despacho do Ministro da Justiça da época, Armando Falcão, o qual proibia a publicação e circulação do referido livro. Em 1977 o escritor entrou com um processo contra a União e somente em 1989 a obra foi liberada pelo Tribunal Regional Federal.

O livro consta de 15 contos, obviamente muito bem escritos, que nos levam a refletir sobre a própria sociedade e suas atitudes e, ainda, sobre o instindo animal que todo ser humano possui, uma vez que, como já disse em posts anteriores, muitas vezes nos esquecemos desse "pequeno detalhe" e nos julgamos acima de tudo e todos. Creio que justamente por analisar sobre as ações humanas, seus instintos e pensamentos mais pervertidos, depravados e sujos os políticos da época decidiram por suspender o livro e "livrar a sociedade" de tal análise, que diga-se de passagem, é totalmente verdadeira.

Embora sejam contos ficcionais a impressão que tenho é que existe mais realidade que ficção nesses escritos. Pode ser que nos deixam imagens feias, algumas sensações de nojo, com palavreados nem um pouco cultos e sim coloquiais, usados principalmente pelas camadas mais simples da sociedade. Mas "a verdade está nos olhos de quem vê", e para mim esse livro mostra a realidade. Ele foi escrito na década de 70 e vale para a realidade que estamos vivendo agora e sempre vivemos, ele nos mostra verdades universais, válidas para todos os territórios e épocas.

Essa obra nos mostra os instintos humanos que muitos suprimem no dia-a-dia, por não serem bem vistos pela sociedade ou por realmente fugirem das leis que deviam manter a ordem numa civilização.Vou me apropriar dos dizeres da contra-capa do livro e aqui esclarecer melhor o que gostaria de dizer-lhes.

"Feliz Ano Novo é, do ponto de vista temático, uma coletânea de faits divers da vida diária: mesquinhas ocorrências, histórias sem glória e sem heroísmo que nos jornais ganhariam um canto das páginas policiais. [...] O que inquieta no livro é que esse mundo marginal distante se vai aos poucos revelando como nosso prórpio mundo, onde os desvios são cada vez mais a norma." (Zuenir Ventura, Visão, 10.11.75)

"A violência, em Rubem Fonseca, não é uma atitude; é simplesmente um meio de expressão que se impõe, uma verdade gritada no faroeste urbano." (Hélio Pólvora, Jornal do Brasil, 8.10.75)

"Para Rubem Fonseca, a questão básica não é o crime, a pornografia e a violência, mas exatamente a desmistificação dos atuais conceitos de violência, pornografia e crime." (Affonso Romano de Sant'Anna, Veja, 05.11.75)

Acredito que agora vocês já devem ter percebido os temas centrais do livro e o quanto são, digamos que, fortes. Com certeza quem não tem um olhar crítico é obrigado a ter estômago e sangue frio para ler essa obra, pois quem tem já está acostumado com as verdades bem ditas. Os contos indicam o que já passou ou o que se passa na mente de muitos, mas que o bom senso e a questão de ser um ser humano "racional e civilizado" - ou ao menos a lembrança e os resquícios disso e, o medo de ser preso -  o levam a despensar e não fazer. Acontece que nas obras, os crimes são cometidos e a maneira/modo é considerada normal.

Não existe nenhum esteriótipo no livro, muito menos pensamentos no "melhor" estilo burguês. Tanto homens ricos como homens miseráveis cometem crimes e atos totalmente brutais e horrendos. Pensando bem, acho até que o livro chegou às mãos de alguns e serviu de inspiração para muitos bandidos por aí, pois hoje em dia os crimes relatados nos textos podem ser vistos em manchetes. O interessante é que já estamos tão acostumados com brutalidade, crimes, manchetes, noticiários policiais que a importância dada a esses atos não nos chocam e nem nos "acordam" para a vida que estamos levando, para os riscos que estamos correndo diariamente. O que estamos vivenciando são os sintomas da banalização a que estamos submetidos com tantas informações superficiais e surpléfuas, além das disputas midiáticas. Crimes viram palcos para que herois surjam - como aconteceu na caso dos Nardoni, no qual o promotor Francisco Cembranelli foi considerado um grande heroi e tudo na TV parecia uma peça de teatro, com direito a comemoração com fogos de artifício no final - e a atenção das pessoas estão voltadas para o que "cai na mídia" e, principalmente, para si mesmas, para o próprio umbigo, como se o que acontece na sociedade está extremamente longinquo da realidade dela, o que, sinto dizer-lhes, não é a verdade.

Voltando...todos estamos aptos a cometer crimes e ter os pensamentos mais impróprios possíveis, tais como nos é mostrado nos contos do livro. Os instintos animalescos estarão sempre conosco, podemos andar vestidos, virar vegetarianos ou não maltratar os animais, nos comportar numa mesa e seguir regras de etiqueta e simplesmente - ou dificilmente, isso é relativo - viver em sociedade, mas, no fundo sempre temos os nossos instintos abafados e prontos para nos subir a cabeça quando algo dá errado, está fora do "normal" ou do que esperamos. Quando a adrenalina é liberada em alta quantidade nem mesmo temos consciência do que estamos fazendo, e são nesses momentos que os atos mais impensados possíveis podem se concretizar e chocar após tudo ter acontecido. Para exemplificar, você tem a consciência de que no seu estado normal não matará ninguém, nem mesmo um animal, mas se um criminoso adentrar sua casa e fizer atos brutais com sua família e você assistindo a tudo conseguir pegar numa arma, o que fará?

Então, fica aí a dica para quem se interessar. Eu gostei bastante. Poderia ficar horas e horas escrevendo sobre cada conto, sobre o meu ponto de vista de cada parte, pois, com certeza, ainda há muito o que se dizer sobre os contos, mas, agora não dá, deixo para mais tarde. E podem deixar que não me esquecerei disso...com o tempo vamos comentando sobre os contos por aqui, afinal, são tão universais, não é mesmo?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Relax: dica musical

Hoje resolvi fazer jus ao nome do blog e postar aqui uma dica musical para os momentos de pausa da mente.

Na verdade, assim será para quem curte o estilo musical, o som, mas, de qualquer forma, espero que gostem.

Apesar de o "tempo de vida" da banda ser maior que o meu a descobri há pouco tempo e o som me cativou, depois desse dia não passo um dia sem ouvir alguma música deles - o que não é difícil para mim, que sou realmente movida a música!

Quem se interessar e quiser saber mais poderá se direcionar ao site oficial da Banda: Dave Mattews Band - o site é em inglês, portanto, para quem não é fluente na língua estrangeira tem um site em português a respeito da mesma: DMBrasil

Detalhe: devido a erros constantes - e falta de tempo também, não consegui postar os videos diretamente aqui, então, vou deixar o link que irá direcionar para o canal oficial da banda e consequentemente para os videos, no you tube.

Canal de davemattewsband

Espero, humildemente, que apreciem.

Obs.: Quem tiver alguma dica de música boa por aí, pode me mandar que eu vou ver se passa no meu teste de qualidade, kkkkk, brincadeira, ouço de tudo e sou muito fã de música, então, todas as dicas serão bem vindas!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ainda sobre sonhos...

Ao ler o comentário do Marcio JR do úlitmo post: De fantasias a sonhos: o mundo do vestibulando... a respeito de que devemos "ter em mente que o sonho é algo extremamente necessário na vida de alguém", lembrei-me de uma redação que eu redigi esse ano no cursinho a respeito desse mesmo tema: sonhos e fantasias. Então, senti-me na obrigação de publicá-la aqui, na íntegra.

Tema: "Em que nível a fantasia deve intervir na vida humana?"
Modalidade textual: Carta Pessoal
Proposta: Como não sei onde se encontra a folha de proposta da redação, não tem como publicar aqui. Mas lembro-me que devíamos nos colocar na posição de um pai que mandaria a carta para o filho falando a respeito do tema indicado. Vale ressaltar que na proposta de redação também tem a coletânea de textos que devemos nos "inspirar", serve de apoio para nos mostrar o rumo do tema, etc...
Obs.: Nas cartas que produzimos em vestibular e concursos não devemos nos identeficar, portanto, fica sem assinatura.

Goiânia, 14 de março de 2010.

Amado filho,

Espero que esse seja verdadeiramente o melhor momento para a leitura desta carta. Imagino que já se conformou com a minha morte, acho até que deveria estar feliz pois, provavelmente, encontrei a Pasárgada dos meus devaneios. Sei o quanto deve estar confuso, ainda mais com as minhas graças até a beira da morte. Porém, é claro que não poderia deixar passar sem um dos meus objetivos finais, inclusive exercer meu papel de pai, ajudá-lo na compreensão do mundo e esclarer o meu mundo, bastante criticado, principalmente por você.
Confortam-me as lembranças da sua infãncia. Lembro-me perfeitamente das histórias que eu contava, inventadas por mim ou não, a você e seu irmão. Misturas de fantasia e realidade que vocês adoravam e "viajavam" comigo sem precisar de grande esforço, pelo menos até sua mãe nos chamar e libertar do mundo fantástico a que éramos submetidos por nossa imaginação. Filho, a cada dia percebo o quanto é semelhante a sua mãe. Isso é bom, porque, na verdade, era sempre ela que me "acordava para a vida", talves esse era o segredo da nossa relação, eu e meu mundo de fantasias mantínhamos a levesa e a alegria da casa, e ela, muito séria e pragmática não me deixava esquecer das obrigações reais, assim, nossos mundos se misturavam e entravam em perfeita harmonia.
Os primeiros momentos após a descoberta do meu câncer foram difíceis de serem vividos. Só tenho a agradecer a você e toda a família pela força que irradiava de vocês e me fazia sobreviver. No entanto, o mundo isolado na minha mente também contribuiu, se não fosse ele a angústia teria me dominado. Esse mundo paralelo era um refúgio à realidade, nele tudo era belo, a dor e o sofrimento não existiam. Confesso que por diversas vezes confundi o mundo real com o imaginário e, você, me condenava. Aonde está aquela criança alegre e apaixonada pelas estórias inventadas? Gostaria que compreendesse que às vezes não custa fantasiar a realidade, já que ajuda um pouco a viver.
O equilíbrio é o objetivo de todos, e, ao mesmo tempo, é o que nos faz alcançá-lo. Querido, você deve aprender a fantasiar em algumas circunstâncias. Com certeza não quero um filho alheio ao mundo que o cerca, estagnado e alienado. Mas também não quero que sofra demasiadamente com a realidade. Se existe uma forma "simples e barata" de diminuir a aflição, por que não usufruir da mesma?
Deixo claro que nas condições em que o mundo se encontra não podemos viver somente de fantasias. Pelo contrário, a população em geral deve estar atenta aos políticos e suas ações. O meio político está tão doente quanto eu. São mentiras, promessas não cumpridas, roubos e descaso, preocupados apenas em angariar votos inúmeros políticos contaminam nosso país da pior maneira possível e mancham a história.
Acredito, meu caro, que já descobriu a pequena diferença entre sonho e fantasia. Sonho é o que almejamos e lutamos para que torne realidade, ele nos impulsiona e estimula a vida. Sonho é o que todos tem dentro de si, mas, alguns, diante das dificuldades enfrentadas na luta pela sobrevivência transformam os sonhos em fantasias. É preciso que haja um heroi dentro de cada um de nós, pronto para agir, que acredita no potencial humano e tem força de vontade para ajudar os necessitados. Desse modo, os super homens, hércules, homens-aranha e "batmans" devem sair do plano das ideias e participarem do plano real com ajudas humanitárias.
Querido filho, é necessária a distinção entre o momento certo de cada plano entrar em ação e assim construir a hitória da sua vida. Na busca pela realização dos sonhos e da felicidade a fantasia deve ter seu espaço, sem dominá-lo ou atrapalhar seu amadurecimento e muito menos ofuscar sua visão de mundo. Para mim as fantasias foram uma maneira de viver e, simultaneamente,  produzir meus poemas marcados pela idealização ao modo romântico. Para você ela deve dar mais levesa, suavidade e humor. Não dá para viver sempre rabugento e sem ideais. Ressalto que voltar a ser criança, às vezes, não faz mal. Cuide-se. Sonhe. Fantasie. Realize. Viva. Progrida. Lembre-se sempre de mim e construa sua própria Pasárgada em vida. Um forte abraço e enorme beijo.

Do seu pai que muito o ama,

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

De fantasias a sonhos: o mundo do vestibulando...

Deixando meus textos de temas cotidianos generalizados de lado e assumindo uma postura mais pessoal, do tipo "eu-lírico" e específico, vem aí um pouco de lamentações (talvez sejam universais, realmente, não sei)...Mas que poderão ser partilhadas por outras pessoas que já passaram pela mesma situação ou que gostam de analisar a mente humana. Sim, posso servir de experiência (acho cobaia um termo feio! rs).

Desculpem-me por ter ficado longo. Sei que muitos tem preguiça de ler. Assim sendo, de coração, se tiver preguiça não sinta-se obrigado a ler, essa foi mais uma terapia do que qualquer outra coisa. E como cito...às vezes, mais vale o silêncio...

Sabe quando você sente que perdeu o chão? Pois é. Sábio o desconhecido que disse algum dia: "Feliz aquele que não sonha, pois nunca terá desilisões". Essa é a verdade.

Sonhar parece simples, singelo, fácil e belo. Dizem que nos traz alegrias, que ludibriar a nossa mente também é bom. Mas e quando o maior "sonho que a gente sonha" é também um objetivo e, principalmente, corresponde a sua realização pessoal?

Para um sonho ser considerado impossível deve estar exageradamente longe do nosso plano de vivência, daqueles que só se realizarão "em outro mundo". Como exemplo cito o sonho de paz e amor para todo o sempre no universo. Impossível. Estou sendo cética, sem coração, grossa e desumana? Não. Estou falando sobre a realidade em que se encaixa a concepção de vida do ser humano. O homem sempre terá como marca a individualidade, a privacidade (o espaço de cada um muito bem delimitado), as ambições, o preconceito (sim, em pleno século XXI ainda existe e creio eu que nunca acabará de verdade), os 7 pecados - e muitos outros - capitais, não é mesmo? Desde que o homem é homem ele luta pela sua sobrevivência, marca seu território e isso gera intrigas com outros grupos ou outros homens. Vale lembrar alguns de que o homem não passa de um animal, que apenas acredita ter o "poder" de raciocinar melhor que outros animais.

Mas, voltando ao assunto pricipal. Essa de que sonho impossível não existe, "basta acreditar e correr atrás" é uma ideologia de "auto-estima" mal inventada. Lógico que existem. Posso sonhar um dia estar casada com Robert De Niro morando em Hollywood depois de ter ficado famosa por ter ganhado o maior prêmio da loteria de todo os países e comprado uma nave espacial com direito a passeio pela Lua e Marte e, ainda, ter descoberto o elixir da longevidade e ter garantido minha vida imortal. Leu os detalhes? Claro que isso é totalmente impossível, ao menos nesse nosso plano de vivência e no estágio de evolução em que nos encontramos. (Sem contar que até eu ter conseguido todo esse feito, provavelmente Robert na idade em que já se encontra estaria morando debaixo de 7 palmos - não se assustem, morte é algo natural, faz parte do ciclo, rs - e justamente por isso o escolhi como exemplo!). Pois bem, reitero, "sonhos impossíveis são reais". Entretanto, você tem conhecimento disso (ao menos qualquer pessoa em sã consciência teria, rs) e sabe que não passará de um sonho, que na verdade, chega a ser fantasia. Hum! É isso, descobri (Eureka!). As pessoas confundem facilmente sonhos com fantasias. Há um "Muro de Berlim" separando-os (Digo Muro de Berlim porque se for modificado, lapidado aos poucos, poderá transformar uma fantasia em sonho ou vice-versa). Sonhos são possíveis, são reais, almejados e possivelmente concretizados. Fantasias não passam de frutos da nossa imaginação fértil.

Pois bem, depois de deixar as coisas um pouco mais claras na minha mente (sim, vou escrevendo conforme penso, podem acreditar...rs) e acho que no post e na mente dos que me leem. Afirmo, veementemente: Eu sonho. Sou uma sonhadora incostante. E sonho, sonho com tudo o que quero para a minha vida. E desses sonhos, tenho certeza, se eu correr atrás assim como "quem tem boca vai à Roma", posso realizá-los. Então, eis que surgem outros problemas, os que mais assolam minha cabeça, os que dificultam a jornada capaz de transformar o que está na mente em realidade, daqueles que martelam, martelam, martelam e chegam a causar dor, rs. Quando conseguirei torná-lo realidade? Quanto tempo até que eu possa sentir-me realizada? (Se é que realização plena existe, no fundo, acredito que não, sempre aparecerão outros sonhos). Qual o melhor caminho a seguir para que ocorra? Quais as melhores escolhas? Será que estou confundindo sonho com fantasia? Será que eu realmente sou capaz? Sou digna desse sonho? É isso mesmo o que eu quero para a minha vida? Por que não mudar esse sonho ou mudar a minha vida de rumo? E assim, perguntas e mais perguntas vão surgindo, brotando de todos os lados cerebrais e perpetuando, e o pior é que se você não der um "basta" ou "chega prá lá" vão ficar presas à sua mente "eternamente", porque se assim continuar, será uma pessoa "eternamente" insegura e provavelmente sem sonhos realizados, ou seja, frustrada!

Digo tudo isso porque no momento o meu "sonho-mor" é passar no vestibular para o curso mais concorrido de todos os tempos - Medicina - numa universidade pública - Federal ou Estadual. Impossível? Lógico que não. Muitos já conseguiram, por que eu também não conseguiria?. Difícil? SIM! Diria até mesmo dificílimo! rs. E é isso. A dificuldade e as tribulações que passamos pela vida, nos fazem perder o rumo, perder o chão, perder a cabeça, a mente e o coração. Vamos nos fragmentando, deixando pedaços de nós cair por aí e nem mesmo nos importamos, porque nosso pensamento está voltado para nossas lamentações. Você busca alternativas que no futuro poderão te frustrar - como desistir e mudar de curso. Você fica literalmente "imaginando coisas" e impregnando sua mente com pensamentos pessimistas. Na dificuldade o que ocorre com maior facilidade é "abandonar o barco". Pois você pensa "caramba, estudei até 'morrer' um ano inteiro - ou mais de um ano, para quem faz/fez cursinho, como eu - dei o meu máximo, virei noites estudando, tornei-me uma pessoa feia (sim, ficamos horríveis nessa época: emagrecemos ou engordamos, a cara fica cheia de espinhas, gastamos muito dinheiro com doces - principalmente chocolates, sem contar as olheiras horrendas que transformam nossa feição, rs), abdiquei da minha vida social, dos namoros, dei pouquíssima moral aos muitos amigos que já estão na faculdade, enfim, dediquei-me integralmente aos estudos, e eis o resultado: 'desclassificado', 'nota insuficiente'...".  

Como não se sentir mal com isso? Como não se frustrar? Como "ser feliz" num momento desses? Como não se entristecer, chorar, ficar com raiva, discutir, brigar? Nessas horas, simplesmente, não tem como ser forte. Nessas horas você se torna um bebê: frágil, totalmente exposto, com medo, receio, e até mesmo sem perspectivas ou esperanças para o futuro. E para completar, e piorar a situação, ainda surgem aquelas pessoas invejosas, fazendo comentários totalmente indevidos, impróprios, que nos magoam profundamente (Nem se preocupe, sempre tem um desses, até mesmo na família!). Mas também aparecem aqueles carinhosos, prontos a te acolher e cheios de frases de consolo. Entretanto, pode ser pior, sabia? Pois essas frases de consolo são muito clichês, daquelas que todos já estão absurdamente cansados de ouvir e que no fundo muitas não passam de "tentativas de se elevar uma auto-estima ", que, diga-se de passagem, já está totalmente inexistente, e ainda por cima mal elaboradas e mentirosas, podendo até mesmo fazer com que surjam mais perguntas perturbadoras na mente do vestibulando.

Assim sendo, quando for apoiar alguma pessoa numa situação parecida, faça um favor pra você - que não precisará saber lidar perfeitamente com as palavras - e para os sentimentos do outro. Apenas abrace-o, abrece-o o quanto puder e fique em silêncio, deixando que a própria pessoa possa se re-estabelecer, desabafar, chorar, buscar as respostas no seu interior. Pois acreditem, nós só encontramos as respostas dentro de nós mesmos ou nas fontes em que a nossa fé é inabalável.

Hoje, ao escrever esse texto, simultaneamente, fui buscando respostas no meu interior, mesmo que estivessem lá no fundo, abafadas, elas foram surgindo, mostrando-se a mim e me consolando e esclarecendo. Agora eu sei que tudo só depende de mim. Que só depende dos meus estudos. Que só depende das minhas companhias. Que só depende das minhas atitudes. Que só depende da minha sorte. Que só depende da minha fé. Que só depende do que eu almejo para a minha vida. Que só depende do que eu sou capaz de fazer comigo mesmo. Que só depende do que eu sou capaz de enfrentar, viver, aguentar. Que só depende do que se passa na minha mente. Que só depende do que eu aceito quieta ou do que eu contesto bravamente. E assim, dependendo, dependendo, dependendo, resolvi que na verdade, não depende só de mim, depende dos outros também, no fundo depende de tudo. Não posso me culpar por não ter passado por 1,00 ponto ou 2 questões - sim, verdade, não passei por esses míseros números, infelizmente!. Não posso me culpar por atos inesperados e inpensados. Não posso me culpar pelos meus erros, afinal todos estão sujeitos a eles. Não posso me culpar pelo que sei ou não sei, ninguém sabe de tudo. Não posso me culpar pelo o que ainda não aconteceu. Não posso me culpar, é isso. Não posso me culpar. Como fazer para não ficar me martirizando com essas culpas? Ainda não sei, mas já sei que não posso me culpar, e isso é um início. Portanto, se você iniciar, se você for capaz de começar, dar o "ponta-pé inicial" na sua vida, nas suas atitudes, já será meio (ou menos, rs) caminho andado para a realização dos seus sonhos.

Não entendeu? Não se preocupe, talvez nem eu tenha entendido ao certo, mas sei que o certo está dentro de mim e que me fez uma pessoa melhor hoje. Percebi que hoje eu amadureci, simplesmente cresci. E quem desejar, que venha comigo em busca da concretização dos meus sonhos...só não podemos nos esquecer de carregarmos conosco nossas preciosas fantasias, pois elas são capazes de dar um brilho especial à vida de qualquer um. Ainda sonho em ser uma médica boa o bastante para salvar vidas, dar esperanças, ajudar e acolher o próximo, respeitar a vida, fazer acontecer, desvendar mistérios do nosso corpo, ou seja, ainda sonho em ser uma médica bem sucedida apta a exercer esse precioso título. Como também ainda fantasio conhecer o mundo descrito em "As Crônicas de Nárnia"...



Depois de muita coisa dita, de ter transformado meu texto num mix de monólogo interior, auto-ajuda (gênero que eu nem gosto muito, rs) e até mesmo relatos do cotidiano, termino por aqui. Sinceramente, isso é uma grande e boa terapia, com certeza, a melhor que existe.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

De cabeça vazia a análise do comportamento social

Hoje resolvi tirar um tempinho e dar uma atualizada por aqui. Mas então, eis que minhas ideias fogem da minha mente. Por que as coisas são assim, né?! Ontem estava com um monte de coisas na minha cabeça e não tinha tempo, além das preocupações que me ocupam muito também. É, percebi que errei, deveria ter anotado, hoje minha cabeça está vazia. Depois dessa análise, fiquei até com receio, afinal, dizem que "cabeça vazia é oficina do diabo".

Entretanto, não devo ficar com medo, minha cabeça está apenas vazia de boas ideias dignas de um post para iniciar o mês de dezembro, tão esperado por tanta gente. Esperado anciosamente pelas crianças com a possibilidade de abraçarem e agradecerem o "Papai Noel" pelos presentes. Esperado pelas crianças um pouco mais velhas ou esclarecidas e pré-adolescentes para a recepção dos presentes, já que elas descobriram a verdade de que papai noel não existe. Esperado pelos jovens para poder entrar de férias, se livrar das provas e etc, ganhar algum reconhecimento dos seus pais e receber presentes e poderem viajar e "curtir a vida". Esperado pelos adultos para poderem tirar uns dias merecidos de descanso e poderem realizar alguns planos, alguns sonhos, viagens. Esperado pelos pais para verem a felicidade dos seus filhos e a família reunida, como poucas vezes acontece. Esperado por inúmeras pessoas que acreditam que poderão haver mudanças em suas vidas, que ainda tem esperança de que o mundo vai ser melhor e de que só coisas boas acontecerão, que sonham em um dia ganhar presentes que nunca tiveram a chance, que esperam pelas bençãos de Deus e de todo o céu para poderem viver mais um ano que logo chegará.

De certa forma, há algumas atitudes nesse mês que me irritam, magoam, chateiam. A hipocrisia, por exemplo, daqueles que só ajudam o próximo nessa época, só agora lembram-se de que existe gente necessitada morando ao seu lado, só agora percebem que famílias inteiras passam fome, só agora enxergam que a carência nem sempre é de comida mas também de amor, carinho, afeto, dignidade, cidadania, e então, só agora fazem doações de cestas básicas, só agora fazem uma "visitinha", só agora levam "algo de bom" para uma ou duas famílias no máximo, afinal, "tenho que guardar dinheiro para minha viagem a Dubai, a Australia, a NYC, não é mesmo? Já esgotei minha cota de boa-ação esse ano! Já fiz demais por esses coitados!".
Dessa forma, ser uma boa pessoa em um único mês é como se valesse para o ano inteiro, o que não é a realidade. E essas pessoas, geralmente, ainda acham que já estão fazendo demais por outros que nem mesmo são da família.

Também tem aqueles que fazem essas ações apenas por questão de status social, para mostrar à sociedade o quão dinheiro e poder tem, o quão é uma "pessoa solidária", e tudo não passa de uma cena teatral muito mal feita, nem mesmo ensaiada.

Outra atitude que me deixa intrigada é o papel da imprensa, da mídia. Com seus verbos no modo imperativo, influenciam as pessoas a consumirem cada vez mais, até mesmo acima do que suas contas bancárias suportam, e assim, terminam um ano endividadas e sem a esperança de que o próximo seja melhor. Não sei quanto por cento "off", liquidações, promoções, ganhe prêmios, compre e concorra, tal celebridade compra aqui venha você também...enfim, inúmeras chamadas, que acabam entrando na cabeça de cada um e influenciando o comportamento das pessoas. É a mídia que diz o que é certo ou errado, que dita a moda do verão, que te "aconselha", que te avisa de que chegou a hora de comprar uma cesta básica -inclusive mais cara- no supermercado e levar àquela mulher do bairro da sua empregada que tem 5 filhos e passou o ano inteiro desempregada. A mídia que lembra que agora é época de "renovar as esperanças", de "esperar por um futuro melhor", de "pensar positivo", de "esperar que seus sonhos se realizem", de "fazer pedidos que serão atendidos". A mídia que te avisa de que é bem visto pela sociadade ir até uma agência de correios e "adotar" uma cartinha de uma criança e realizar o sonho dela, fazer ao menos um dia da vida dela feliz. Claro, é no fim do ano que as pessoas se tornam boas, solidárias, carismáticas, felizes...

Ainda tem o fato da distorção dos símbolos natalinos, do verdadeiro sentido do Natal. Todo mundo sabe que é Natal, que é fim de ano, mas diante de tantas exposições, influencias, publicidades, regras, esteriótipos, a maioria esquece que o Natal é uma época de comemorar a presença de Jesus, de Deus em nossas vidas. Época de agradecer pelo ano que se finda. Portanto, não é apenas a época em que deve-se fartar de comida, engordar kilos e mais kilos, reunir parentes - muitos até então desconhecidos, aproveitar as férias e fazer uma doação.

Mas, para deixar bem claro, sempre há exceções, e qualquer um pode fazer parte delas. Todo dia é dia de parar um pouquinho e olhar para o lado, para ver se tem alguém, conhecido ou não, precisando de apoio. Acredito que muitas vezes o apoio financeiro ou de necessidades supérfluas não supera o apoio emocional que cada um tem condições de dar ao próximo. Dar um pouco do seu tempo para ouvir, aconselhar, alegrar, conversar, rir, brincar. Atenção é o que mais faz falta para a grande maioria. A solidão e a individualidade é um dos grandes males do nosso século. Um ato afetuoso e a partilha de sentimentos verdadeiros podem fazer mais diferença do que R$1,00 entregue no sinaleiro para uma criança. Assim, reitero que o Natal não é a única época em que se deve agir a "favor de toda a sociedadee principalmente dos miseráveis", e sim, todos os dias, até mesmo porque ninguém vive só em época de Natal, vivemos o ano inteiro.

by: Google
 Obs.: Ao pesquisar imagens para colocar na ilustração me deparei com ínumeras contendo neve junto. Foi até difícil escolher uma imagem "bonitinha", bem apresentável que não estivesse com neve. Lembrei-me do quanto somos influenciados também pela cultura norte-americana. Aqui não tem neve no fim do ano e mesmo assim muitas pessoas insistem em enfeitar suas casas, escritórios, etc, com papeis brancos, espumas brancas, bonecos de neve pendurados em árvores de natal, representando a neve. Qual a necessidade e o fundamento disso? Onde está o patriotismo, o reconhecimento da cultura brasileira?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Vivendo e aprendendo

Consequência de uma pausa...
Gostaria eu de poder escrever mais por aqui, mas, infelizmente, meu tempo tem sido curto. Desde o ENEM estou prestando vestibular em todos os finais de semana, então tornou-se mais difícil ainda conciliar estudos, viagens e redes sociais. No entanto, tenho muitas ideias guardadas aqui na minha mente, espero logo logo poder publicar mais posts por aqui. Por enquanto, ficamos nessa de, no mínimo, uma vez por semana eu tentar escrever ou me apopriar de outros autores e colocar à disposição dos meus célebres leitores.
Confesso que um outro motivo para a falta de postagens é minha nostalgia. Desilusão é complicado. Momentos de transtornos, turbulências na vida não são tão fáceis de se contornar como imaginamos. Viver é realmente um grande aprendizado. Porém, o "pior de tudo" são que os momentos vividos tem sido difíceis não apenas por conta dos vestibulares e da dificuldade que é em passar numa universidade pública para o curso mais concorrido e exigente (medicina), mas também por complicações do coração somadas às questões fisiológicas - do tipo TPM.
Não sou daquelas que se expõem demasiadamente e a vida torna-se um livro totalmente sem censura para Deus e o mundo, afinal, basta só Deus e você. Mas, às vezes, é preciso deixar que saiam algumas "coisas" da sua cabeça e, principalmente, do seu coração. Filtrar o que carrega consigo por onde quer que vá é a garantia de uma vida mais saudável, e estou aprendendo isso aos poucos, como diriam "aos trancos e barrancos". Também estou entre dilemas do tipo razão e coração...
Sabe quando parece que certos acontecimentos "surgem" justamente nos momentos mais impróprios possíveis? Essa tem sido a minha vida, a cada dia algo novo e surpreendente, e o problema maior é que pouco desses acontecimentos tem sido favoráveis a mim, ou talvez eu esteja analisando tudo com um olhar distorcido, não é mesmo? Independente disso sinto que muito tem de errado a minha volta, que eu tenho errado mais que acertado, que a compreensão é algo cada vez mais raro e que o choro faz bem. Estou aprendendo que se eu abaixar a cabeça, acatar a tudo, não intervir, não tentar mudar, tudo vai passar, tudo vai acontecer e eu permanecerei estagnada, completamente diferente daquele verdadeiro "eu" que existe dentro de mim, mas compreender isso não é de "uma hora para outra", leva um tempo, pode ser que esse tempo esteja demorando muito mais do que esperava, que até já seja tarde demais, mas também aprendi que não se vive de arrependimentos e que por mais doloroso que seja, seguir em frente é a melhor opção. Aprendi que a importância e o valor existentes na fé, num gesto amoroso, carinhoso, afetuoso, num abraço verdadeiro, nas palavras amigas e bem ditas ou mesmo no silêncio íntimo, nas noites mal dormidas de travesseiro encharcado de lágrimas, não tem dinheiro que pague ou escola que ensine, uma vez que o valor está nos aprendizados que você é capaz de retirar de toda essa situação e levar consigo para sempre...



Vou aproveitar esse momento para também levar um pouco de Deus a quem interessar, estão aí abaixo alguns videos com os quais eu me identifico e gosto bastante, sem sombra de dúvidas. Eles me dão forças nos momentos de "recaída", espero também poder ajudar alguém. Outros não são religiosos mas também possuem grande importância na minha vida, com belas letras e melodias.

Noites Traiçoeiras - Pd. Marcelo Rossi
Tudo Posso - Pd. Fábio de Melo e Celina Borges
O Caderno - Pd. Fábio de Melo
Não foi tua culpa - Pd. Fábio de Melo
Não deixe de sonhar - Chimarruts
Do lado de cá - Chimarruts
É preciso saber viver - Titãs
Epitáfio - Titãs

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Eleição 2010

Enfim, disporei de um tempinho para descrever algumas impressões a respeito da eleição desse ano.

Já é sabido que teremos uma mulher governando nosso querido país pela primeira vez. Não me surpreendeu essa vitória, uma vez que tudo indicava que isso seria possível. Mas como dizem, a esperança é a última que morre, e eu, na minha "ingenuidade" (ou seria fuga da realidade?) tinha esperança de que ela não vencesse.

Julgo Marina Silva mais experiente, competente, capaz, renovadora e muitas outras qualidades superiores às da Dilma. Porém, o que isso importa? O que importa é que a Dilma só terá a palavra final, mas o Congresso (Deputados, Senadores...), tem um papel maior e talvez até mais importante do que o do presidente, afinal, eles criam as leis, eles julgam se vão chegar às mãos do presidente, enfim, o presidente não passa de um representante no qual cabe acatar ou não, assinar ou não. Para se ter uma ideia, muitos discursos não são feitos pelo próprio presidente, sempre tem acessores mais capacitados para essa finalidade. Então, mais uma vez, as qualidades pessoais do presidente pouco interferem, porque na verdade o governo só se fará a partir do momento em que bons acessores o presidente tiver ao seu lado, cabe a ele escolher bem seus "companheiros".

Dilma dará continuidade ao goveno Lula. Teremos, portanto, 12 anos do PT a frente, incluindo um presidente de altíssima popularidade. Não concordo, diante do país democrático em que vivemos, que um mesmo partido, que as mesmas pessoas, permaneçam por tanto tempo no poder. Acredito que elas se acomodam, sentem-se superiores e no direito de fazer o que bem entenderem, talvez seja a pior escolha, a continuidade. É preciso mudar. Mudar para que os próximos que entrarem tentem dar o seu melhor, para mostrarem a população de que eles também são capazes e, lógico, para que nas posteriores eleições todos se lembrem do "bom" governo e votem neles, desse modo, não se arriscariam a fazer um "mal" governo. A continuidade é perigosa, pode trazer consigo a estagnação e, também, de certo modo, uma ditadura de um só poder, unipartidária. (Teoria da Conspiração? Creio que não.).

Os debates eleitorais desse ano foram lastimáveis. Assuntos sem grande relevância tomaram a frente, e os de maior importância ficaram obsoletos, escondidos debaixo do tapete para serem esquecidos, uma vez que sendo muito discutidos poderiam haver maiores discordâncias. Foram debates sem grande expressão, que pouco interferiram nas opções de voto dos eleitores. Muitos ainda dizem que só assistiram os do primeio turno por causa do Plínio Arruda (PSOL), que se tornou uma espécie de "animador", e com isso ele até conquistou alguns votos. No segundo turno, tudo na mesma.

Também não concordo com os chamados "votos de protesto". Acredito que é melhor você votar no "menos pior" ou anular. Grande parte dos eleitores desconhecem o fato de que a partir do momento em que você anula seu voto você está protestando e, ao mesmo tempo, dizendo que nenhum daqueles candidatos são dignos de se tornarem seu representante. A política pode até ter-se tornado motivo de piadas, mas, pelo contrário, ela não é piada. Política é seriedade, é o presente e o futuro de toda uma nação, não se pode brincar com algo que tem o poder, de certo modo, da sua vida nas mãos.

Concluindo essa parte, essa eleição foi vergonhosa. Esperava mais de todos os candidatos. As propagandas eleitorais foram as piores possíveis: Serra atacando Dilma, Dilma atacando Serra, Marina neutra. A intimidade das pessoas viraram motivos para se decidir um voto. Candidatos passaram a crer mais em Deus. Coisas pequenas tomavam grandes proporções. Dilma acreditando que é o Lula e só mostrando os dados bons do passado e pouco mostrando o próprio plano de governo. Serra muitas vezes preocupou-se mais em atacar a Dilma do que também mostrar o plano de governo. (Acho, inclusive, que os "marqueteiros" do Serra poderiam ter sido bem melhores).

E agora, Dilma eleita. Tudo continuará na mesma. Para quem tava ruim vai continuar ruim e para quem tava bom vai continuar bom. Classe média como sempre - independente do partido, isso já é questão histórica de muitos séculos atrás - sofrerá as consequências possíveis. E 2011 nem começou e já estão discutindo o retorno da CPMF, além de aumento nos salários dos 3 poderes, inclusive no da Presidente. Aproveitando esse fato, quero declarar que eles se esquecem de que o que ganham é um absurdo diante de uma maioria sobrevivendo e sustentando uma família com dificuldade, ganhando apenas um salário mínimo, trabalhando até mais que 8h por dia fora de casa e depois na própria casa, devido a falta de condições de se ter vários empregados. Esquecem-se de que não pagam por transporte e podem ir aode bem entederem. Esquecem-se dos privilégios que carregam consigo aonde forem. Esquecem-se que praticamente não trabalham, nas idas de 3 vezes por semana em um único turno permanecer tomando cafezinho no confortável escritório recebendo "visitas". Esquecem-se de que tem mais férias que muita gente. Esquecem-se das viagens que não pagam. Esquecem-se de que são invioláveis (imunidade material). Esquecem-se da imunidade formal a qual não os deixam ser presos (dentro de algumas condições). Por fim, esquecem-se de todos os privilégios que os colocam em superioridade perante o "restante" da população. Aí, eu pergunto: e a sociedade igualitária, democrática, quando vai funcionar?

Acesse: Folha.com - Poder - "Congresso quer aumentar o próprio salário e o de Dilma"

"Depois de desmontar a retórica, Dilma restaura a face." - Blog Josias de Souza - Folha Online

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Um showzaço

Somos livres. Não estamos mais em época de ditadura e censura. Podemos usufruir da liberdade de expressão e do livre arbítrio, ao modo que bem entendermos. Certo? Não. Errado! Podemos usufruir desses direitos desde que a nossa liberdade não invada (palavra feia! rs) a liberdade ou o espaço do outro. Se você tem vizinhos próximos, mora em apartamento vai entender aonde quero chegar.

Você acaba de chegar da escola, da faculdade, do trabalho, enfim, da rua. Está morrendo de vontade de tomar um banho, comer, deitar, curtir a preguiça, estudar, ler, assistir TV, trabalhar um pouco mais, e para que isso possa acontecer é fundamental que o ambiente esteja silencioso, ou que apenas os pequenos barulhos, aqueles esperados do dia-a-dia se possam ouvir, ou ainda, que a sua ‘playlist’ prevaleça. Enfim, você precisa do seu espaço, do seu momento, único e especial.

No entanto...você começa a se concentrar e de repente ouve uma voz fanhosa, forçada, alta, e bem baixinho um som de fundo, um rádio ligado tocando a música original. Sim, é sua vizinha. Com certeza ela está se divertindo, achando que está arrasando e imaginando-se no palco de um maracanã lotado de fãs gritando seu nome. Mas não é verdade. Ela está dentro do apartamento dela, que por sinal é encostado ao seu, com as janelas todas abertas, para que aquele som (totalmente inoportuno, inapreciável, desgastante, horrendo) possa fluir livremente e chegar ao ouvido de cada um.

Então você para, pensa, respira profundamente e tenta se concentrar outra vez. Não dá. Agora ela está cantando um modão sertanejo da época dos seus avôs. Não que a música seja ruim, a interpretação da ‘cantora’ que é péssima. Você levanta, anda um pouco pela casa, muda o que estava fazendo, mas não consegue, a música penetrou pelos seus ouvidos, foi ao cérebro e não sai mais de lá. A vizinha continua no seu show particular, o qual você está tendo o prazer de ser um convidado vip.

Não, a tortura ainda não acabou e nesse momento você começa a crer que a censura deveria voltar. Sendo assim, você analisa as opções existentes:
  1. Interfonar ao porteiro e pedir para que ele se dirija à vizinha e peça para que ela abaixe o volume, educadamente;
  2. Aumentar o volume do meu som até que fique mais alto que o dela e começar a ‘guerra’;
  3. Eu mesmo interfonar ou ir até o apartamento dela e pedir, educadamente, para que abaixe o volume, ou até mesmo, inventar uma desculpa esfarrapada para que ela pare de cantar;
  4. Comprar tampões de ouvido, daqueles de operários, e isolar qualquer barulho externo;
  5. Acostumar por livre e espontânea pressão com aquela voz ‘macia, deliciosa, bela, divina...ai...ai...’ (aprecie e utilize-se da sua ironia...)
De qualquer maneira, se demorar muito a agir, logo a música entrará na sua cabeça de tal forma que você aderirá ao show da vizinha como um fã fanático e começará a também cantar, e, ainda gritar:
- Ei, aumenta o som aí!
- Vem aqui pra casa, vamos cantar no 'karaokê'!


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O sonhado século XXI

             Em meio as montanhas tudo parecia mais fácil. A vida parecia uma “coisa” de tão simples. Aquele vento singelo com aquele chiadinho que nos transmite uma calma transcendental, a brisa circundando e acariciando meu corpo como nunca alguém foi capaz de fazer, o chacoalhar do capim, das árvores e o vôo dos pássaros acompanhando o vento, pareciam estar na melhor brincadeira do mundo, voando de cá para lá e de lá para cá, sem preocupações e em plena harmonia. Que vontade de saltar do alto, saltar do cavalo, abrir os braços e simplesmente voar. Passear pelo azul do céu, encoberto de belas nuvens, será que elas eram doces como algodão doce? Visualizar toda aquela paisagem do alto, que bela visão panorâmica seria! Tanto verde, tanta água, tantos animais, quanto vento, quanta calma.
            Nada melhor que galopar, abrir os braços e se deixar levar. Seguir os instintos. Seguir o coração. Não se importar. Esquecer as conseqüências, que elas venham depois, agora não, agora não. A brisa torna-se mais forte, a ventania principia e com ela a chuva. Não uma chuva qualquer, mas sim aquela chuva capaz de nos lavar, nos livrar. Aquela chuva que carrega junto dela tudo o que não queremos, que leva as impurezas e as escondem embaixo da terra ou nas nuvens, mas que independente de como for, não deixam que essas impurezas voltem. Aquela chuva sem ácidos. Pura. Limpa. Gostosa. Gelada. Macia. Sentir o cheirinho de terra molhada, nada melhor. Sentir a chuva batendo direto no seu corpo. Fechar os olhos. Imaginar. Lembrar. Se acalmar. Chorar. Sentir-se purificada. Correr. Cair. Levantar. Sujar. Nem ligar. Deitar. Descansar. Se libertar. Como é mesmo ser criança?
            A chuva passa e leva consigo tudo o que tinha para levar. Leva a terra. Leva bichinhos. Leva o que tinha de indesejável. Leva o que era leve. Faz seu papel na terra. Faz seu papel no ar. Faz seu papel na alma. Volto a subir no cavalo e faz-se o caminho de volta. Tudo belo, alegre, colorido, em paz. Quanta tranqüilidade, há quanto tempo não me sentia assim mesmo?
 – Onde você estava? – Voltou a ser criança? – Nos deixou preocupados! – Como foi capaz de fazer isso? – Você tem que deixar de ser inconseqüente! – Olha seu tamanho, já é uma mulher! Sim. Já sou uma mulher, e essa é a melhor resposta. Tudo em paz? Aquele era um momento meu, só meu, ninguém deveria interferir. Solidão nem sempre é ruim. Como também nem sempre é ruim realizar os desejos mais profundos, dar espaço para a liberdade da mente e não se importar com o que os outros pensam ou digam.
Já tinha me esquecido de como é gostosa a liberdade, de como a natureza é benéfica. Nem lembrava mais de como é bom andar à-toa, desligar-se do mundo real (ou seria virtual?), deixar-se levar, ir de acordo com os sons do coração, da natureza, de acordo com o instinto. Ainda existe vontade própria? Sim, existe.
Voltei à cidade. Contrariei meu coração, minha mente, minha liberdade, a natureza. Mas é a necessidade (a ocasião não faz o ladrão? – poderia interferir e colocar um ‘geralmente’). Troquei o chiadinho do vento pelo grande chiado das buzinas. Troquei o chacoalhar do capim pelo chacoalhar da academia. Troquei meu cavalo pelo carro. Troquei o banho de chuva pelo chuveiro de água quente. Troquei a cama de capim pela cama de colchão ortopédico. Troquei a música da natureza pela música estridente do toque do celular. Troquei a paisagem natural pela antrópica, reta, cinza e concrética. Troquei a pureza pela ardência dos pecados que nos rodeiam a todo o momento. Troquei a solidão pelos conselhos intermináveis de que não é possível viver sozinha, de que obrigatoriamente tem que ter alguém, pelas festas, pela presença de pessoas indesejáveis por pura interferência alheia e nada de espontaneidade e franqueza. Troquei o ar puro pelo peso e sujeira da poluição. Troquei o livre arbítrio pelos livros de auto-ajuda e mandamentos. Troquei a liberdade pela clausura das grades, das câmeras de segurança. Troquei o ar livre pela caverna de Platão.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Status

Bom pessoal, gostaria de esclarecer que a partir do próximo final de semana começa minha saga pelo Brasil prestando vestibular. Sendo assim, ficarei algum tempinho sem atualizar o blog, na verdade, já estou sem atualizações, né?! Mas enfim, espero que compreendam e não me esqueçam, porque voltarei com novidades, e quem sabe, se alguma semana sobrar um tempinho, publico alguma coisa por aqui...de qualquer maneira ainda tenho que comentar o fim dessa eleição de 2010, não posso deixar essa passar em branco, rs.

Começo com o ENEM, em seguida vem UFT, UFG, UNIOESTE, FAMEMA, espaço para as segundas fases, natal e "ano novo" (espero que seja um novo ano MESMO, com direito a entrar na faculdade, esquecer as preocupações com o cursinho e o vestibular, dar seguimento a minha vida e me aproximar da realização dos meus sonhos...) e depois UFSM, UFRGS, UFGD e UFMG, em janeiro. Desejem-me sorte e, principalmente, sabedoria. Rezem por mim. Vou precisar. rsrs

Obrigada desde já pelo carinho de todos. Quando passar convido vocês para o churrasco, com tudo o que tiver direito, kkkk. Aah! E já aviso que não haverá festa de aniversário, dia 07/01 será o último dia de prova da UFSM e dia 09/01 começa a prova da UFRGS, portanto, dia 08/01/2011, meu aniversário de 18 anos será passado dentro do carro viajando pra POA...mas não estou preocupada, quando voltar eu festejo e, se Deus quiser e eu fazer por merecer, comemoro em dobro!!! :)

Beijãão a todos. Até mais!